Sábado, 2 de Fevereiro de 2019

MELGAÇO, ACÇÃO CULTURAL E RECREATIVA

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fonte termal

ACÇÃO CULTURAL E RECREATIVA

 

A vila possui uma grande herança natural, histórica e cultural marcada pelo Parque Nacional Peneda-Gêres e pela recente revitalização do Parque Urbano Rio do Porto, pelos mais variados monumentos de arquitectura religiosa, civil e militar como as pontes romanas que se destacam pela simplicidade e plena integração na natureza (Rocha, 1993).

Esta região tem a sua origem no povo castrejo, de raça celta, que habitava as construções chamadas de castros e viviam com base no nomadismo entre terras serranas (brandas) durante os meses de maior calor e nas terras ribeirinhas (inverneiras) nos meses de temperaturas mais frias. Praticavam a caça, a pesca e a agricultura, cultivando na serra apenas a batata, centeio e pastagens, e na terra ribeirinha os cereais variados, fruta e vinhos.

Ao longo dos anos foram passando, pelo lugar de Melgaço, várias civilizações como os Romanos que ao longo do território deixaram marcas da sua cultura, através de construções como as pontes que vão ligando as margens do rio Laboreiro.

Após quatro ou cinco mil anos, este território continua a demonstrar uma forte ocupação humana. Aqui, tiveram grande destaque as culturas dolménica e castreja comprovadas pela presença de várias construções como as antas e os dólmenes e também alguns menires. Como monumento nacional adquiriu evidência o pelourinho, de 1560, e a igreja matriz, como exemplo do estilo românico do século XII, que mais tarde, em 1775, foi completada com um coro, torre e capela-mor.

O desenvolvimento gerado pelo comércio tradicional e serviços, adquiriu maior expressão através das obras de requalificação de alguns espaços públicos da vila, tais como: a Casa da Cultura; os Núcleos Museológicos da Torre de Menagem, da Praça da República, Memória e Fronteira e o Museu do Cinema; as Piscinas Municipais; a revitalização das margens do Rio do Porto; o Centro Cordenador dos Transportes; e a praça urbana no recinto da feira, que vão proporcionando o aumento do turismo através do impulso cultural, social e de lazer.

Deste modo, quando visitamos a vila, o acesso e reconhecimento dos diversos espaços museológicos existentes no concelho é simples e rápido, mostrando a valorização do património enquanto conjunto através da criação de uma rede denominada Melgaço Museus, da qual fazem parte o Núcleo Museológico da Torre de Menagem e as Ruínas Arqueológicas da Praça da República, Núcleo Museológico de Castro Laboreiro, Museu de Cinema e Espaço Memória e Fronteira. O Núcleo está instalado na Torre de Menagem do Castelo, em plena zona histórica, valorizando a Torre e dando a conhecer o património arquitectónico, histórico e cultural de Melgaço. Associadas a este Núcleo existem as Ruínas, situadas na Praça da República, onde é possível observar e interpretar parte da história medieval do concelho. O Espaço Memória e Fronteira é dedicado à preservação da história recente do concelho, relacionada com o contrabando e emigração, conduzindo o visitante pelas histórias da História. O Núcleo Museológico de Castro Laboreiro centra-se na história e tradição da freguesia de Castro Laboreiro, a maior e mais antiga do concelho. Divulga aspectos relacionados com a paisagem e com as vivências locais. Na casa anexa à sede, numa construção tipicamente castreja, é retratado o ambiente de uma casa local, na segunda metade do século XX. O Museu de Cinema de Melgaço – Jean Loup Passek, inaugurado em 2005, encontra-se instalado em plena zona histórica da Vila, no edifício da antiga guarda-fiscal. Tem por base o espólio coleccionado ao longo da vida pelo francês Jean Loup Passek e doado ao Município, conta com duas exposições, uma de carácter permanente e outra temporária, distribuídas pelos dois andares do edifício. A Casa da Cultura de Melgaço é um serviço público, que tem por finalidade promover e valorizar o património cultural de Melgaço, com o objectivo da compreensão, permanência e construção da identidade do concelho e a democratização da cultura. É um espaço de encontro e convívio aberto à intervenção e dinâmica cultural do concelho (Melgaço, 2013).

No parque termal do Peso, os edifícios da fonte termal e do balneário apresentam-se como exemplos únicos da arquitectura do ferro e arquitectura neo-clássica que devem ser incluídos neste grupo de elementos culturais, diversificando a oferta e valorizando este espaço termal. Observando o parque percebemos rapidamente as suas enormes potencialidades, com uma envolvente natural propiciadora de actividades ao ar livre e grande dinamismo social e cultural.

Os locais de lazer, recreio e cultura são sempre necessários à promoção de um equipamento, onde os espaços exteriores complementam os interiores, fomentando o pleno equilíbrio entre vertentes terapêuticas e paisagísticas, conservando e valorizando a permanência num ambiente propício à saúde e bem estar.

 

Medeiros, Daniela Faria Vilela Lourenço

RECUPERAÇÃO E REVITALIZAÇÃO DO PARQUE TERMAL DO PESO

http://hdl.handle.net/11067/1506

Universidade Lusíada do Porto

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre

Porto 2013

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:09
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Sábado, 18 de Janeiro de 2014

PARQUE TERMAL DO PESO

 

Parque Termal do Peso

  

Diário da República, 2ª série – Nº 91 – 13 de maio de 2013

  

Portaria nº 276/2013

  

  O Parque Termal do Peso é constituído pela fonte principal, balneário, fonte nova, fábrica, quedas de água, lago, jardim e vegetação florestal.

 

  Do conjunto edificado destaca-se o edifício eclético da fonte principal, pavilhão isolado datado do início do século XX, onde se conjuga a arquitetura do ferro com elementos decorativos de transição da Arte Nova para a Arte Deco. O balneário, de construção coeva, incorpora elementos neoclássicos conjugados com a linguagem romântica característica da arquitetura termal da época. A Fonte Nova data já de meados do século XX, resultando da necessidade de disponibilizar a água de uma nova nascente, e o seu estilo austero traduz já a linguagem do Estado Novo.

 

   O complexo constitui um interessante testemunho da arquitetura termal do país, bem exemplificativo das vivências de uma época e dos respetivos modelos arquitetónicos. O espírito do lugar, a intimidade do espaço e as inter-relações estabelecidas entre os diferentes equipamentos termais constituem, juntamente com o seu harmonioso enquadramento paisagístico, uma unidade patrimonial indissociável, sendo igualmente de realçar o seu atual bom estado de conservação.

 

   A classificação do Parque Termal do Peso reflete os critérios constantes do artigo 17º da Lei nº 107/2001, de 8 de setembro, relativos ao caráter matricial do bem, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco e à sua conceção arquitetónica, urbanística e paisagística.

 

   A zona especial de proteção (ZEP) tem em consideração a área do Parque Termal e o seu enquadramento paisagístico, e a sua fixação visa salvaguardar a qualidade da paisagem urbano-rural envolvente, bem como as perspetivas de contemplação dos imóveis e do conjunto.

 

   Foram cumpridos os procedimentos de audição dos interessados, previstos no artigo 27º da Lei nº 107/2001, de 8 de setembro, e nos artigos 25º e 45º do Decreto-Lei nº 309/2009, de 23 de outubro, alterado pelo Decreto-Lei nº 265/2012, de 28 de dezembro, de acordo com o disposto nos artigos 100º e seguintes do Código do Procedimento Administrativo.

 

   Assim:

 

  Sob proposta dos serviços competentes, nos termos do disposto no artigo 15º, no nº1 do artigo 18º, no nº 2 do artigo 28º e no artigo 43º da Lei nº 107/2001, de 8 de setembro, conjugado com o disposto no nº 2 do artigo 30º e no nº 1 do artigo 48º do Decreto-Lei nº 309/2009, de 23 de outubro, alterado pelo Decreto-Lei nº 265/2012, de 28 de dezembro, e no uso das competências conferidas pelo nº 11 do artigo 10º do Decreto Lei nº 86-A/2011, de 12 de julho, manda o Governo, pelo Secretário de Estado da Cultura, o seguinte:

 

 Artigo 1º

 

   Classificação

 

   É classificado como monumento de interesse público o Parque Termal do Peso, no lugar do Peso, freguesia de Paderne, concelho de Melgaço, distrito de Viana do Castelo, conforme planta de delimitação constante do anexo à presente portaria e que desta faz parte integrante.

 

 Artigo 2º

 

   Zona especial de proteção

 

   É fixada a zona especial de porteção do monumento referido no artigo anterior, conforme planta de delimitação constante do anexo à presente portaria e que desta faz parte integrante.

 

 29 de abril 2013. – O Secretário de Estado da Cultura,

 

                                       Jorge Barreto Xavier

 

 Retirado de:

 

 www.dre.pt/pdf2sdip/2013/05/091000000/1504215043.pdf

 

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publicado por melgaçodomonteàribeira às 09:13
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Terça-feira, 16 de Julho de 2013

UM DIA COM ÁGUA DE MELGAÇO

 

 

UM DOMINGO DE SOL E ÁGUA DE MELGAÇO

 

“A libertinagem manifesta-se sobretudo pelo estômago e pelo

gosto despropositado por nobiliários arcaicos”

 

 

Depois do almoço, o repouso merecido: reunidos em grupo palrador na esplanada do Café Central, a tarde providenciou-nos a sua saborosa Água de Melgaço. Tenho com a Água de Melgaço uma relação enamorada e fiel desde há décadas – amarga e luminosa, ela lembra o tempo em que o Minho era uma nacionalidade e uma referência. A Água de Melgaço fazia parte dessa identidade, à semelhança de uma cédula pessoal ou de uma declaração de contribuinte para a repartição de Finanças. Vinda em caixas de madeira para a casa de Ponte de Lima ou, mais tarde, para este eremitério de Moledo, é hoje uma espécie de recurso da memória que vamos periodicamente buscar ao Café Central e à sombra dos seus guarda-sóis.

 

Esta semana comentávamos uns grafitos que foram misteriosamente deixados na fachada do edifício da Câmara. Entre um gole de Água de Melgaço e o pedido de um novo café, Maria Luísa, a esquerdista da família, concedeu que se tratava de um acto de barbárie cometido por estranhos (murmurava-se que duas estrangeiras e ainda por cima holandesas). Depois, uma nuvem passou arrastando a sua beleza disforme sobre a foz do Minho e as colinas de Santa Tecla.

 

O meu médico de Viana quis ainda mostrar-nos a estrada florestal de Venade. Maria Luísa levou algumas garrafas de Água de Melgaço que bebemos entre os freixos e um abeto deslocado da paisagem. Eis um domingo.

 

 

Por: António Sousa Homem

Publicado no jornal Correio da Manhã

25 de Setembro de 2011

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 08:29
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