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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM CASTRO LABOREIRO

melgaçodomonteàribeira, 28.03.20

 

REFUGIADOS E GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM CASTRO LABOREIRO (1936 – 1943)

 

Américo Rodrigues

Castro Laboreiro, 25.05.2017

 

ASSALTO A PORTO QUINTELA AO COMÉRCIO DOS PARADA

 

No dia 4 ou 5 de setembro de 1940, Gabriel, Saturnino e José do Quarto estavam no Bago, na casa de Maria Negrita. Juntaram-se Manolo, Francisco de Lobeira e o Rizo que propuseram o atraco de Porto Quintela. Manolo argumentava, “que era uma vergonha que estivessem tão inativos os elementos roxos fugidos que existiam em Portugal, que, para mostrar o seu amor à República, era preciso cometer algum atraco em povos da província de Ourense próximos a Portugal.” (Róman, 2016:143).

No dia 10 de setembro de 1940 à noite, reunidos em monte próximo de Várzea Travessa, estão Gabriel, Saturnino, Francisco, José do Quarto, Rizo e mais uns quantos. Guiados por José do Quarto, seguem em direção ao lugar da Fraga pelas Motas (antas ou dólmenes), continuam por cima do povo de Santa Cristina, baixando pelo monte da Coroa em direção a Porto Quintela. Tinham um cúmplice em Lobeira, Gumersindo, amigo de José do Quarto. Chegam à capela de San Isidro de madrugada. Fazem à volta de dezassete quilómetros. Permanecem ali ocultos até ao à tardinha desse dia 11, pelas 19:30. O assalto correu mal devido à resistência bélica dos irmãos proprietários. Morreram duas pessoas, no comércio, e dois assaltantes foram baleados de morte. Regressam com os dois feridos e as autoridades alertadas. Por segurança e escuro, possivelmente, fizeram quase o mesmo trajeto. De volta à fronteira, quase sempre a subir, o esforço é enorme. No monte, enterram os dois mortos, que tinham sido feridos, o Joven e Valentin (Róman, 2016:159).

Luisinho, que não participou no assalto, diz que os sepultaram à beira de uma corga, perto da fronteira. Refere que a vinda das chuvas e crescidas, a água destapou os pés dos cadáveres. Os que estavam no lugar do Bago, na casa de Maria Negrita, entregam roupas com sangue para lavar, justificando com a matança de uns frangos na casa de familiares de José do Quarto, em Lobeira. Obviamente, ajudaram a carregar os feridos.

A notícia espalha-se depressa. De 14 a 20 de setembro a documentação é basta, o comandante de Castro Laboreiro, contacta co o comandante do batalhão nº 3 de Valença. Há contactos com Melgaço e PVDE do Peso, com o objectivo de prender os refugiados no Ribeiro e do alvoroço das populações castrejas, em virtude do assalto à mão armada. Há tropas espanholas na raia. Apesar da perseguição, os guerrilheiros não têm receio. No mês de novembro de 1940, assalto em Padrenda, Lobios, ao comércio de Celso González.

No dia 5 de janeiro de 1941, são presos, no Bago de Baixo, na casa da Negrita, Saturnino Darriba, Gabriel Hernandéz e José do Quarto.

Algo curioso é o confiscado aos presos no relatório da PVDE. Relógio de Ouro roubado em Porto Quintela, várias pistolas, uma Astra do nove largo, carregadores de balas, granadas, bombas, documentos, fotos de família, selos, dinheiro, preservativos, etc.

Volto ao Rizo. Em julho de 1941 já está preso em Portugal. Na prisão de Ourense terá a companhia de um preso famoso, Bailarin, já referido, que atuava na zona transmontana. Aponta Valentin, Guilhermo, Gerardo, Coella, Serin e o Joven, como amigos de Manolo o Dente de Ouro. Identifica como assaltantes ao comércio de Rio Caldo, Guilhermo, Gerardo, Coella, Serin e a Arcádio. Nega a participação no assalto de Paderne de Alariz. Seria Arcádio o guerrilheiro do segundo grupo que saiu de Trás-dos-Montes em direção ao Minho depois de Joven e Valentin?

Nesses tempos, sem conseguir precisar ano e mês, os castrejos José Augusto Fernandes e Rosa Monteiro, andando na ladeira de M. Martins com o gado foram surpreendidos por muita chuva, e para se abrigar, foram para a Mina dos Refugiados e, “descobriram um cadáver de um galego”. Não podemos precisar, se foi dentro ou fora da mesma. Considerando que a corga fica à beira da mina, com algum espaço, o enterramento deve ter sido fora. Havia dois cadáveres? Não encontrei resposta.

A mina fica na zona do itinerário calcorreado pelo grupo e coincide com o dizer de Luisinho, quando refere a corga junto à raia. A zona é a primeira segura para quem traz feridos, numa estafa de quilómetros. Naquele espaço, da serra do Laboreiro, não existem fragas que possam servir de abrigo. A dita “Mina” foi escavada próximo da corga, aproveitando o declive da ladeira e a barroca macia. Outro testemunho, recolhido há quinze anos, referia que ao cadáver já faltava cabelo por causa da corrente da água, que o destapara, o que vai de encontro às palavras do Luisinho. Não consegui apurar o que aconteceu ao cadáver encontrado.

Considerando o terreno e os dados conhecidos, na nossa modesta opinião, a Mina dos Refugiados deve ser lugar a considerar no enterramento de Joven e/ou do amigo Valentin. É verdade que também tenho conhecimento de sepulturas em Poços de Telo e Toleiros (um cadáver foi levantado), de possibilidade mais remota, atendendo à localização. Apareçam mais dados.

No dia 9 de setembro de 1941, sentença pelo assalto de Porto Quintela. Condenação à morte de Gabriel, Saturnino, José do Quarto, Francisco e Gumersino. São executados em 22 de dezembro de 1942 (Róman, 2016:233).

A 24 de maio de 1943, novo assalto a Torneiros, Lobios, sete companheiros capitaneados por José Rodriguez Páramo, Pepe, o Dente de Ouro, que vai ser baleado de morte num braço. Aguenta vários quilómetros e morre no lugar de Pereira, já próximo da raia, onde ainda fala com vizinhos do lugar. Para trás ficou outro guerrilheiro desconhecido que foi identificado em assaltos de 1940. Os dois foram fotografados para a posteridade. Pepe foi autopsiado e sepultado em Entrimo.

Neste espaço temporal de dois-três anos, outros assaltos sucederam, como o do comércio de Rio Caldo. O grupo era bastante activo. É difícil dizer quantos homens tiveram o(s) grupo(s) e os seus nomes.

Para outras calendas vão ficar nomes como Emilio, o Capitan, também Mala Pinta ou Emilio Aguado, que continuava a monte em setembro de 1943 (Róman, 2016:274).

Pelo menos num assalto participam castrejos do Ribeiro. Estamos numa época difícil. Os primeiros assaltos doutrinados por Manolo Dente de Ouro eram ideológicos, visavam castigar simpatizantes da direita e provocar alguma agitação na fronteira. Como distinguir banditismo de luta ideológica?

 

*Docente de Informática. Administrador de Sistemas Informáticos.

  Áreas de formação (Universidade do Minho): Informática, Matemática e Educação.

  Co-Fundador do Núcleo de Estudos e Pesquisa Montes Laboreiro.

 

Boletim Cultural de Melgaço

Nº 10

2018

pp. 200 - 204

 

 No Alto de Acebo (limite de Galiza e Astúrias) dezasseis combatentes republicanos foram fuzilados pelas tropas falangistas e atirados para uma vala comum. Eis a história da descoberta do local:

"Eles dous (aínda que non só foron eles dous) foron obrigados a cabar unha zanxa para enterrar aos cadavres no ano de 1937. A idade que eles tiñan por aquel entón sería sobre os 14 anos e recordábano perfectamente, pois supoño que son cousas difíciles de esquecer, e máis ainda tendo 14 anos. O certo é que un deles sabía perfectamente os pasos que había que dar desde un carvallo ou desde calqueroutra árbore ou desde unhas rochas. Foi por eles que durante algún tempo que só eran testemuñas silenciosas do avance das máquinhas que unha vez falaron, de seguida encontraron os restos."

Xosé Garcia

E um dos corpos exumados era o do Comandante Moreno, anarquista, integrado no Batallón Galicia

E PARA HONRAR O COMANDANTE MORENO FICAMOS EM CASA

 

26/03/2020  13:25 por LUSA

CERCO SANITÁRIO MOSTRA A PARADA DO MONTE QUE NEM O "CANTINHO" ESTÁ SALVO.

O cerco sanitário em torno da aldeia de Parada do Monte despertou os 370 habitantes para uma "realidade" que não imaginavam ser possível, por viverem num "cantinho" do concelho de Melgaço que julgavam "guardado" da covid-19.

O "pesadelo" começou na segunda-feira, com a confirmação de um casal de idosos infetados com o vírus de covid-19 e transformou-se "numa coisa do outro mundo" com o terceiro caso e a consequente imposição do cerco sanitário decidido na quarta-feira pela Câmara de Melgaço, no distrito de Viana do Castelo, para conter a propagação da doença.

"Ninguém imaginava uma coisa destas. Isto é uma coisa do outro mundo. E no concelho de Melgaço, infelizmente somos nós os primeiros", desabafa Helena Barreiros.

Aos 48 anos, dona de uma mercearia da aldeia", "nunca" imaginou "estar a viver um pesadelo" que sempre pensou ser impensável em Parada do Monte.

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 branda de fitoiro - parada do monte

 

TERÇA-FEIRA, 31 DE MARÇO, MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA PUBLICA UM NOVO POST

 

VAMOS TODOS FICAR EM CASA

 

 

 

 

MELGAÇO E CELANOVA NUM ABRAÇO A PEPE VELO

melgaçodomonteàribeira, 16.11.19

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HOMENAXE A PEPE VELO

 

O PROFESSOR AMÉRICO RODRIGUEZ É O AUTOR DUNHA COLABORACIÓN PUBLICADA NO BOLETIM CULTURAL DE MELGAÇO TITULADO “ REFUGIADOS E GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM CASTRO LABOREIRO (1936-1943)”, NA QUE DEBULLA MIGALLEIRAMENTE AS VICISITUDES DE MOITOS GALEGOS QUE FUXIRON DO TERROR DO FASCISMO NO ANO DE 1936.

 

POR XOSÉ GLEZ.|REDONDELA|28/10/2019

 

O Ribeiro, Alagoa, Portos, Eiras ou na Seara, branda do Bico, foron algunhas das aldeas e lugares de Castro Laboreiro foron escenarios escollidos para residiren temporalmente mentres non procuraban unha saida cara o exilio.

Por Crecente, nunha batela, pasou a Melgaço tamén Pepe Velo, despois de estar choído durante moitos meses nun agocho en Moreiras, Celanova. As vicisitudes que tivo de pasar ata chegar ao Peço, onde atopou o amparo dun amigo no hotel Vila de Ranhada, son recreadas por Anton Piñeiro nun relato de próxima publicación co título “As augas do mañá” no que conta esas peripecias ata chegar a Lisboa.

Na capital portuguesa foi detido pola PIDE e safouse de ser entregue ás autoridades franquistas grazas á intervención do novelista venezolano Rómulo Gallegos, amigo seu, que por aquel entón era presidente do pais. Por esa mediación o Consulado venezolano en Lisboa expedíulle un Pasaporte de Emerxencia (núm. 67/48) ”de acordo coas instrucións recibidas do Ministerio de Relacións Exteriores de Venezuela”. Así foi como Pepe Velo puido chegar ao porto de Guarya semanas despois, onde vivíu deica xaneiro de 1961.

Na capital venezolana Pepe Velo dedicouse ao ensino e desempeñou cargos relevantes na colectividade galega, ao tempo que desenvoveu unha frenética actividade política que coroou coa creación do DRIL (Directorio Revolucionário Ibérico de Liberación), que o 21 de xaneiro de 1961 protagonizou a gran xesta heróica do secuestro do buque “Santa María” da “Compañia Colonial de Navegación” portugues. El foi o que deseñou a estratexia e dirixíu o secuestro, como recoñece a prensa internacional daqueles días.

Cómpre dicir que Pepe Velo fora militante das Mocidades Galeguistas en Celanova. Pero a súa radicalización política levouno a colaborar con instancias próximas ao Partido Comunista, concretamente na coordinación da guerrilla no sur de Galicia. Por mor deste compromiso foi deito, torturado e confinado ao cárcere de A Coruña. Aproveitando unha liberdade condicional foxe e refúxiase, como dixemos, en Moreiras…

Pepe Velo era un coñecido da miña casa familiar. Nas sobremesas falábase del. Meu pai construíulle o mobiliario para a academia que tivo, primeiro no barrio das Travesas e logo na rúa Carral, de Vigo. Pero amais diso, entregáballe periodicamente a súa avinza para a loita clandestina.

Pasados os anos, cando me iniciei na militancia nacionalista, o exemplo de Pepe Velo tíveno sempre presente. Perguntáballes aos vellos galeguistas e comunistas sobre el, e non atopei máis ca viscelaridade nas súas respostas. Para eles Pepe Velo era un tolo e un terrorista. En desacordo com tales despropósitos escribínlle ao seu curmán e amigo meu, Carlos Velo, o nosso gran cineasta que vivía no exilio mexicano que me facilitase información sobre el. A resposta foi inmediata (16 de decembro de 1985): “Amigo Pepe: Ei che mando algúns papeis do gran Pepe Velo e o teléfono de seu fillo, Victor Velo, que vive en Sao Paulo. Chámao da miña parte”. Dito e feito. Ao pouco Victor envioume unha morea de documentos inéditos de seu pai. Con eles publicamos un suplemento de catro páxinas no Faro de Vigo, reconstruíndo o vizoso perfil dun republicano galego que foi capaz de poñer en solfa ás ditaduras española e portuguesa durante os días que durou e secuestro do Santa María.

Pepe Velo profíaba no ideal dunha Iberia unida. A sua vída dedicáraa a soñar maneiras novidosas e decisivas para a consecución dos seus obxectivos, que non puido ver realizados porque morreu no exilio en 1972 aos 54 anos.

Agora chegoulle o tempo dos recoñecementos. Xa hai dous anos colocamos unha placa conmemorativa no edificio onde vivira en Vigo. O dia 6 de decembro, en Melgaço, descubrirase un monolito dedicado a súa memoria. En xaneiro, no parque das trigueirizas de Celanova, colucaremos o seu busto en bronce. Dúas homenaxes promividas pola Fundación L. Peña Novo e a Asociaçión de Amigos do Couto Mixto coas colaboracións dos concellos de Celanova e Melgaço, e tamén da Secretaría Xeral de Política Linguística.

 

Enlace á noticia:http://www.galiciaconfidencial.com/noticia/107666-homenaxe-pepe-velo

 

Este texto foi enviado ao blog pelo seu autor, Xosé Glez.