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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO

08.09.18, melgaçodomonteàribeira
rio trancoso   A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO. A FRONTEIRA GALEGO-PORTUGUESA TRAS O GOLPE DE XULLO DE 1936   (…)   No primeiro dos casos, e decir, un fusilamento cun xuicio, ainda que sumarísimo e urxente, documentábase o condeado, e polo tanto, eram mais doado o recoñecemento e a deportación cara Portugal. Cando a morte producíase pola acción dos teóricamente incontrolados, esto non era posible. Recibíronse informacións de morte de traballadores portugueses da vía férrea (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XVII

18.08.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 04 de agosto de 2018.     Aos sábados, e apenas nesses dias, a Frieira desfrutava de um extraordinário tumulto geral. Para os nativos era uma agradável e distractiva recreação que lhes fazia esquecer a soporífera rotina. Podiam ver gente que não conheciam, discrepante e, casualmente, trocar pareceres. Também havia – embora fosse coisa raríssima – uns  turistas improvisados que vinham admirar a barragem, a selvajaria do rio e a paisagem (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XVI

04.08.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 21 de julho de 2018.     — É uma lástima – desabafou o Manco, afectando desolação ao mesmo tempo que fazia uma curta pausa, questão de o embaralhar e intrigar ainda mais. Encantado por saber que ia viver um momento de deleite, de vingança mágica, antes que o homem objectasse, proferiu com espontaneidade: — Sabe por que é pena? Desconcertado pela incoerência da pergunta, e querendo dar prova de gentileza e de servilismo, o (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XV

21.07.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 07 de julho de 2018.     A mente, saturada de vapores de álcool, afigurava-se-lhe deperecida, despregada do tronco. Procurou decantar as ideias enfezadas que rodopiavam no seu cérebro, mas este, penado, reagiu confusamente. Não tinha desejo nem forças para guindar a cabeça. Raramente, e apenas com finalidade devidamente firmada, o vinham arreliar durante um momento tão íntimo como aquele. — Não há ninguém? Desta vez a voz derivava de (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XIV

07.07.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 23 de junho de 2018.     Nascera a Casa Manco, cuja popularidade se difundiria rapidamente. A partir do ano mil novecentos e sessenta e oito, a vaga de emigração principiou a enfraquecer vagamente, sem todavia deixar de ser uma forte fonte de rendimentos. A efervescência económica originada pela construcção da barragem fazia levedar os proventos do seu negócio. Mais tarde, a ponte forneceu-lhe um novo filão de receitas adicionais. Sem jamais o (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XIII

23.06.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 9 de junho de 2018.     Em geral, os problemas eram esparsos. A maioria dos próximos integrara a sua tendência inesperada, a sua cegueira e sabia diferenciar os bons dos maus auspícios.  Depois de casado, e com quatro filhos, manteve-se com os pais numa casa de aspecto andrajoso, a quatrocentos metros, em linha recta, da Frieira da orla esquerda do Minho, até estes falecerem. A taberna que os pais tinham explorado no rés-do-chão – a única (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XII

09.06.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 26 de maio de 2018.     Já um pouco curvado para diante e arrastando os pés, o septuagenário desceu com cuidado o reduzido declive que havia entre a estrada e o prédio do Manolo. Foi quando os dois agricultores, esgotados pela espera ilimitada, acharam que, no fim de contas, era melhor concluir a expectativa; impulsivamente, abandonaram o bar, perseverando, todavia, com o maior alarido, em rejeitar-se a culpa do absentismo do taxista. Um deles (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XI

26.05.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 12 de maio de 2018.     Nessa manhã, exaustos, depois de mais uma madrugada uniforme em que tinham o sentimento de serem os raros sobreviventes do lugarejo, transpuseram a estrada e empurraram a porta do familiar café. Os rostos, assolados pelo trabalho ininterrupto e opressivo, denunciavam o cansaço compilado durante a noite. A roupa, vetusta, suja e enfarinhada, dava-lhes uma triste aparência de foragidos. O panificador e o jovem ajudante (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - X

12.05.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 28 de abril de 2018.     O posicionamento canalizador acaparado pelo bar e a loja fazia do Manolo o promotor prepotente. Adjudicara-se as praxes, as manias e as comédias das criaturas com as quais convivia e que admirava ternamente. Augurava o que lhes agradava e forcejava-se por responder aos seus ardores antes de os exprimirem. Uma palavra, um gesto ou um olhar bastava para o guiar. Tinha, também, desenvolvido uma clarividência inabitual para (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - IX

28.04.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 14 de abril de 2018.     Com pouco mais de dezoito anos, a desditosa rapariga, oriunda de um lugar da freguesia de Roussas, furtara-se à bestialidade do pai alcoólico, à miséria da casa e ao défice de vicissitudes ao labor desumano do campo.         O abandono da terra, do país, o medo do incerto, que desmoronava qualquer um, fez com que fosse pouco além da fronteira. Ficou na Notária, onde conseguiu o primeiro emprego num café. (...)