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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

O BASTARDO V

08.03.13, melgaçodomonteàribeira
       Félix continuava a viver do trabalho que aparecia e que dava para se manter, mas também a explorar a terra. Tendo ele o ofício de alfaiate, começou a procurar lugar onde instalar habitação e oficina. Aquando da sua partida de Ourense, Félix foi chamado à madre abadessa que, depois de advertências e recomendações, lhe entregou um pequeno pacote.    Ajoelhando aos pés da madre, pediu-lhe a bênção:    — A sua bênção madre.    — Que Deus te abençoe, meu (...)

O BASTARDO IV

08.03.13, melgaçodomonteàribeira
   Conceição Costas         Aldeia pequena mas de terras férteis, com o Minho a passar por perto, milho e vinho em abundância mas também com a pobreza à porta, Félix praticava o seu ofício quando não havia trabalho no campo e Cintran estava sempre ocupado. Muito bem vistos pelo povo pelo trabalho que faziam, mais bem vistos pelas mocetonas galegas, fartas de ver sempre as mesmas caras; e quando Cintran assobiava aquelas muineras que até parecia duas gaitas de foles, até (...)

O BASTARDO III

08.03.13, melgaçodomonteàribeira
   Félix Igrejas         Dona Beatriz virou-se, com calma, sorriso no rosto:       — E nem uma palavra!       — Chamo-me Maria da Fonte da Vila – o rosto já sorridente.       — Eu sei Mia, sei muito bem, quando terminares vem ter comigo lá baixo.       Os gritos continuavam, mais pausados, criada e aia a correr com água e panos quentes e os homens na caça, uma batida a um porco bravo, que começou não muito cedo, mas empregou toda a gente da (...)

O BASTARDO II

08.03.13, melgaçodomonteàribeira
          Ensinou-a a cavalgar, levou-a a serras distantes onde o cão do lobo que guardava o rebanho lhe lambia as mãos e abanava o rabo numa critica à sua ausência, e lhe mostrava os domínios da família, à volta da velha torre de menagem, um pouco em ruínas, que atestava o bom sangue português que lhe corria nas veias.       Cândida da Luz chegava feliz e cansada das caçadas, mas não pálida e melancólica. A doença, há muito que desaparecera e aproximava-se a (...)

O BASTARDO I

08.03.13, melgaçodomonteàribeira
          Pó e solavancos; o sacrifício da dama e sua aia que seguiam na carruagem serra acima até ao pequeno e histórico lugarejo onde se quedariam por uns tempos para a dama refazer a saúde um tanto abalada pela vida aristocrática que levava em Barcelos, terra de seu nascimento.       Cândida da Luz de seu nome, nos seus dezoito anos, ouviu sem interesse a decisão de médicos e dos seus pais que o melhor para ela era sair do grande burgo e passar uma temporada num (...)

QUANDO O BISAVÔ NÃO É FAMÍLIA

04.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Pois, só conheci meu avô, Frederico Augusto Esteves, funileiro de profissão e clarinete na Banda de Musica de Melgaço, filho não reconhecido de: Santos Lima. Frederico Augusto, nascido em 22.1.1861 e faleceu em 10.2.1928 Teve comércio onde hoje se situa a Farmácia Durães em Melgaço. Foi provedor da Misericórdia de 1900 a 1927. Juiz substituto de 1900 a 1910. Agreciado pelo governo espanhol com a comenda de Isabel Católica em 8.1.1895 por ter sido vice-consul da Espanha (...)