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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO AMIGO

melgaçodomonteàribeira, 22.06.19

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MELGAÇO

 

Melgaço é aquele abraço

Sem fronteiras,

Que desliza por vinhedos,

Fragas e ribeiras,

Acenando à Galiza

E sussurrando ao Minho seus segredos…!

 

Vem, Amigo,

Sentir porque choram de frio

As margens do rio em pleno inverno!

 

Descobrir a natureza em pranto,

Naquelas almas serranas

Vestidas de negro, imaculadas de branco!

 

Partilhar do gesto fraterno.

Quando a Serra desce às portas da Ribeira

Para abraçar a Vila em dia de feira!

 

Escutar a Canção do Emigrante,

Na hora longa da partida

E num curto instante de chegada!

 

Percorrer as pedras da velha calçada,

De Fiães a Castro Laboreiro,

De Paderne até à Orada!...

 

Melgaço… feito de pedra morena,

Torre de Menagem

Legenda da coragem de Inês Negra!...

 

Mais, muito mais.

Do que mil e uni matizes

Pintados em paisagem natural,

Melgaço, Amigo,

É luta, caminho raízes.

Pedaço deste nosso Portugal!

 

Retirado de: VIAGENS

Francisco José Carneiro Fernandes

ANCORENSIS – Cooperativa de Ensino, C. R. L.

Vila Praia de Âncora

2000

 

MELGAÇO NA POESIA POPULAR

melgaçodomonteàribeira, 30.03.19

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rancho folclórico de paderne

 

 

        

         POESIA POPULAR

 

 

          Não quero amor do monte

          Nem tampouco da ribeira;

          Quero amor de Birtelo

          Por ser terra soalheira.

 

 

          A Cividade dos mouros

          Hei-de mandá-la doirar

          Com pontinhas de alfinetes

          Para o meu amor passear.

 

 

          Adeus vila de Melgaço,

          Feita de pedra morena,

          Que passeia dentro dela

          Quem me a mim dá tanta pena.

 

 

          Sou da terra de Melgaço,

          Meu retiro são os montes

          No dia que te não vejo

          Meus olhos são duas fontes.

 

 

          Ó raparigas do Minho,

          Que fazeis ao que ganhais?

          Trazeis os homens descalços,

          Nem uns sapatos lhes dais!

 

 

          Sou do Minho, sou do Minho,

          Também sou da Minhoteira,

          Sei usar a cortesia

          Como qualquer da ribeira

 

 

          Eu hei-de ir casar a Rouces,

          Que me deram por degredo,

          Terra de muitos ramalhos,

          Onde canta o cuco cedo.

 

 

                               I

 

          Desça o Monte, desça o Monte

          Desça o Monte p’rà Ribeira

          Ouve lá, ó cantador

          Chega-te p’rà minha beira

 

                                II

 

          Desça o Monte, desça o Monte,

          Desça o Monte p’rà Ribeira;

          Apareça o cantador

          Que aqui ‘stá a cantadeira

 

 

          Adeus, Ribeira do Minho,

          Só tu me arrastas paixão,

          Onde tenho os meus amores

          Na raiz do coração.

 

 

          Adeus, fraga da Peneda,

          Adeus, carvalhos tamém,

          Adeus castanheiros verdes,

          Até ao ano que vem!

 

 

          Vou-te dá-la despedida

          Por cima de uma cancela,

          Nunca cuidei de cantar

          Com semelhante t’ramela!

 

 

 

VASCONCELLOS, Leite de – Cancioneiro Popular Português (coordenado e com introdução de Maria Arminda Zaluar Nunes) Ed. Acta Universitatis Conimbrigensis-Universidade de Coimbra. Vol. I (1973), vol. II (1979), vol. III (1983).

 

Retirado de:

 

ACER – Associação Cultural e de Estudos Regionais

 

http://acer-pt.org/vmdacer/index.php?option=com_content&task=view&id=624&Itemid=65

 

DO SUBLIME AO GROTESCO

melgaçodomonteàribeira, 17.11.18

770 - 1 joão vilas.jpg

 

NOITE FECHADA

 

Noite densa povoa horizontes

Regresso à pacatez da minha cela…

Inspiro-me de novo à luz da vela

E sonho com vales assombrados;

Bebo água que jorra das nascentes,

E ganho mais abrigo nas correntes;

Desço pelos negros altos montes…

Desapareço…

Sinto passos, vejo cães enfeitiçados;

Salto rios, salto abismos, salto pontes…

E adormeço.

 

 

DO SUBLIME AO GROTESCO

                     Poesias

João Vilas

Ancorensis – Cooperativa de Ensino, C.R.L.

Vila Praia de Âncora

2000

p. 20

 

JOÃO MANUEL VILAS nasceu em Melgaço, na freguesia da Vila, em 25/11/1960. Licenciado em Humanísticas, pela Faculdade Filosofia de Braga, é professor de Português na Ancorensis – Cooperativa de Ensino, desde o ano lectivo 1987/88, depois de ter passado por outras escolas: Preparatória de Caldas de Vizela, Secundária de Arcozelo (Barcelos) e Santa Maria Maior (Viana do Castelo).

Há muitos anos que desenvolve o seu gosto pessoal na área do Teatro e da Poesia, tendo participado em inúmeros espectáculos – como actor e animador – e em Momentos de Poesia, dinamizando e declamando.

Co-responsável da Revista Letras de Âncora (Ancorensis – Coop. De Ensino), desde a primeira publicação.

 

POESIA POPULAR

melgaçodomonteàribeira, 14.10.15

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José Serrano, aos 46 anos, em Paris

 

 

 

EMIGRAR

 

Emigrar é – sim! – partir

P’ra terras desconhecidas

E de quando em vez voltar

P’ra férias bem merecidas!

Emigrar é conhecer

Novos mundos, novas gentes

Usos, costumes e línguas…

E sociedades dif’rentes.

 

Sim! Emigrar é sonhar!

É trabalhar e sofrer!

É pensar e recordar!

É lembrar… É esquecer…

Emigrar é aprender!

É ganhar e é chorar!

É rir! Ouvir! E sentir!

É viajar e lutar!

 

Emigrar é encurtar a vida

E nos traz cedo a calvície!

Emigrar é, quantas vezes,

Morrer antes da velhice!!!

… E muitas vezes perdemos

O que em jovens recebemos!

 

 

Uma Vida Entre Poesia

José Maria Rodrigues

JOSÉ SERRANO

Edição: Câmara Municipal de Melgaço

2007

p.133