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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

HOMENAGEM A PEPE VELO e JOÃO VILAS, UM POETA MELGACENSE

melgaçodomonteàribeira, 14.12.19

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SORRISOS DA JANELA

 

Do mais alto ponto, da janela,

Eu vi-te a passar à minha porta;

Chamei de lá por ti e tu sorriste…

Mas teus cabelos pretos, tão risonhos,

Do dia em que te vi e tu me viste,

Puseram-se sisudos e tristonhos…

 

É meu ser fiel lembrança triste

Agora que te vejo ao longe em sonhos.

 

Continuo, por isso, à janela

E ainda que em ti eu esteja ausente

Qualquer hora é para renascer;

Manhãs de nevoeiro, denso, quente,

Nesta agonia de nunca mais te ver…

 

 

DO SUBLIME AO GROTESCO

              POESIAS

João Vilas

Edição ANCORENSIS

2000

p.35

 

MELGAÇO AMIGO

melgaçodomonteàribeira, 22.06.19

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MELGAÇO

 

Melgaço é aquele abraço

Sem fronteiras,

Que desliza por vinhedos,

Fragas e ribeiras,

Acenando à Galiza

E sussurrando ao Minho seus segredos…!

 

Vem, Amigo,

Sentir porque choram de frio

As margens do rio em pleno inverno!

 

Descobrir a natureza em pranto,

Naquelas almas serranas

Vestidas de negro, imaculadas de branco!

 

Partilhar do gesto fraterno.

Quando a Serra desce às portas da Ribeira

Para abraçar a Vila em dia de feira!

 

Escutar a Canção do Emigrante,

Na hora longa da partida

E num curto instante de chegada!

 

Percorrer as pedras da velha calçada,

De Fiães a Castro Laboreiro,

De Paderne até à Orada!...

 

Melgaço… feito de pedra morena,

Torre de Menagem

Legenda da coragem de Inês Negra!...

 

Mais, muito mais.

Do que mil e uni matizes

Pintados em paisagem natural,

Melgaço, Amigo,

É luta, caminho raízes.

Pedaço deste nosso Portugal!

 

Retirado de: VIAGENS

Francisco José Carneiro Fernandes

ANCORENSIS – Cooperativa de Ensino, C. R. L.

Vila Praia de Âncora

2000

 

NOTÍCIAS DO REENCONTRO

melgaçodomonteàribeira, 23.12.17

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DIÁSPORA

 

Trazem a poeira longínqua das estradas

e a pressa de erguer a casa.

 

Trazem o suor das usines

e a solidão alta dos guindastes.

 

Trazem a memória de subir a corda

e cortam o pão com a mesma força

de quem vingasse um passado recente.

 

Eles são a esperança,

o peso da consciência,

a sombra de si próprios.

 

Em seu nome erguem-se as estátuas

honram-se os santos e

talvez um dia se proclamem os feriados.

 

Partem sempre depois de cada agosto

com o pintor das uvas.

 

E recomeçam.

 

 

NOTÍCIAS DO REENCONTRO

                 (Poemas)

Castro de Melgaço

Edição do autor

1991

 

A SAUDADE

melgaçodomonteàribeira, 20.06.15

Rua de Baixo - Ao centro, a casa de Iasousa

 

VELHO MELGAÇO

 

Quero cingir-te num longo abraço,
Descansar no teu peito a vida inteira;
Passar contigo a noite derradeira…
Fechar os olhos em teu doce regaço.

 

Porque só tu, só tu, velho Melgaço,
És para mim a sublime e verdadeira
Ama. Teu verde chão, pela vez primeira,
Viu meus pés darem seu primeiro passo.

 

Escuta, por favor, o meu apelo:
Abre, para mim, teu corpo inebriante…
Nele por fim vai minha alma fundir-se!

 

Se há mistério em ti, quero sabê-lo:
Conta-o a este cansado caminhante,
Que em teu níveo seio quer exaurir-se!

 

Os Meus Sonetos (e os do frade)
Joaquim A. Rocha
Edição do autor
2013
p.55

 

 

OS MEUS SONETOS (E OS DO FRADE)

melgaçodomonteàribeira, 07.06.14

 

 

INÊS NEGRA

 

 

Estavas, linda Inês, tão repousada,

Saboreando a árdua e sã vitória,

Sobre a traidora vil de má memória,

Que chamam por desdém d’Arrenegada!

 

Eis senão quando, mente arrebatada,

Não temendo ferir honra e glória,

Apaga, com um só golpe, da História,

Tua figura de heroína abençoada!

 

Querem metamorfosear-te em lenda,

Levar-te para o museu das velharias;

Roubar-te o nobre troféu cobiçado.

 

Regressa, bela virago, à contenda,

Desenterra as armas das armarias,

Reconquista teu renome ameaçado!

 

 

Joaquim Rocha – Os Meus Sonetos (e os do frade)

 

HISTÓRIA, CULTURA E PATRIMÓNIO III

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 

Francisco Augusto Igrejas, filho de Francisco Augusto Igrejas e de Deolinda A. Fernandes, nascido a 30 de Abril de 1916, na Vila de Melgaço.

Após o exame do 2° grau, aos 12 anos, exerceu a profissão de alfaiate, como seu pai, até aos 23 anos, data em que casou com Dinora Rodrigues Nabeiro, a 10 de Abril de 1939.

Foi empossado no Cartório da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço no dia 1 de Julho de 1940, cargo que exerceu durante 42 anos.

Em 6 de Novembro de 1959, depois do exame feito na Escola de Enfermagem do Hospital de S. João – Porto –, diplomou-se como Auxiliar de Enfermagem nunca exercendo, porém, essa profissão oficialmente.

Depois do « 25 de Abril », e logo que foram oficializados os hospitais concelhios, passou a fazer parte do quadro dos funcionários do Centro de Saúde de Melgaço com a categoria de 2° oficial.

Influenciado pelas Gazetilhas que o saudoso professor Ribeiro da Silva publicava no semanário « Notícias de Melgaço », sob as suas indicações e seus ensinamentos, lançou, no referido semanário (mas só depois do seu afastamento da nossa terra e com a sua permissão pois era ele o director do referido jornal) as gazetilhas assinadas F.A.I.J, algumas das quais o meteram em sérios apertos. Felizmente tudo passou, tudo esqueceu, e ainda bem !...

Como outro « hobi » não tem, vai fazendo quadras com versos de pé quebrado, pois que para mais não tem « bagagem ».

 

O autor

 

POESIA POPULAR

 

Autor : Francisco Augusto Igrejas

 

Capa : Manuel Igrejas

 

Edição : Cadernos da Câmara Municipal de Melgaço n° 6

 

CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO 1989