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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, MILITAR E INVENTOR DO SÉC. XVIII

melgaçodomonteàribeira, 20.07.13

 

 

JERÓNIMO JOSÉ NOGUEIRA DE ANDRADE

MILITAR E INVENTOR PORTUGUÊS

DO SÉCULO XVIII

 

 

  Jerónimo José Nogueira de Andrade nasceu em Melgaço em 1748. Era filho de Francisco Daniel Nogueira, médico de exército, e de D. Mariana Josefa Veloso de Campos Andrade. Teve uma educação católica e foi casado com D. Caetana Gregória Nogueira de Carvalho.

  Apresentou praça em soldado no Regimento de Artilharia do Porto em 1 de Janeiro de 1779, sendo sucessivamente 2º Tenente de Bombardeiros do Regimento de artilharia da Marinha em 21 de Janeiro de 1779, prestando serviço na Capitania de Moçambique, Capitão em 4 de Março de 1782, prestando serviço na Capitania de Moçambique, Sargento-Mor do Regimento de Artilharia da Marinha, em 13 de Dezembro de 1791, Tenente-Coronel do Regimento de Artilharia do Algarve em 7 de Novembro de 1797, Coronel do Regimento de Artilharia do Alentejo (Estremoz) em 17 de Dezembro de 1799 e Brigadeiro em 14 de Fevereiro de 1803, sendo Comandante das tropas e Inspector Geral das Fortificações da Capitania do Pará.

  Enquanto Tenente-Coronel, 17 de Novembro de 1795, fez parte de um Conselho de Guerra em que foi presidente.

  Foi aluno da Academia Militar do Rio de Janeiro e de1782 a1784 (?) foi Secretário do Governo de Moçambique “por concorrerem nele todas as necessárias circunstâncias para o dito ministério…”, segundo previsão de Saldanha de Albuquerque de 11 de Março de 1783, na altura Capitão-General de Moçambique, e de cujas ideias Nogueira de Andrade foi entusiástico defensor.

 Em 1790, cumpridas as missões de Inspecção Geral das Fortificações de Moçambique, Nogueira de Andrade regressa a Portugal e em 1791 mora na Quinta da Mineira, Estrada do Convento de São Cornélio ao Poço do Bispo.

 Homem do seu tempo, não podia deixar de participar de uma mentalidade racionalista e de uma filosofia das luzes, unindo à inspiração humanista, uma ideologia do desenvolvimento. Nesta altura, a Maçonaria, instituição que vinha das grandes Academias estrangeiras do séc. 18, provavelmente num desígnio unificador da Europa, forma uma rede que cobre todo o território europeu, incluindo Portugal. Congregando a “intelligenzia” e os nomes mais prestigiados da aristocracia e da alta burguesia, não era fácil para todos os que exerciam funções relevantes em qualquer área do saber não aderiram ao seu fascínio. E Jerónimo José, não fugiu à regra. Foi iniciado na Maçonaria em 1790, talvez em Setembro, numa Loja situada em Marvila, proposto por José Joaquim da Costa, mas em 5 de Dezembro de 1791 acusado de maçonismo denunciou-se à Inquisição bem como a outros Irmãos.

   Jerónimo José Nogueira de Andrade é conhecido como autor da obra intitulada “Descripção do estado em que ficarão os negocios da Capitania de Mossambique nos fins de Novembro de 1789, com algumas observaçoens, e reflexoens sobre os mesmos negocios, e sobre as cauzas da decadencia do Commercio, e dos Estabelecimentos Portuguezes na Costa Oriental d’Africa escriptos no anno de1790”, publicada no Investigador Portuguêz em 1815 e no Arquivo das Colónias em 1917.

 

Por: Maria Fernanda Macedo Nogueira de Andrade

 

http://run.unl.pt/bitstream/10362/6686/1/RFCSH5_189_197.pdf

 

   Em 1796, e então Sargento Maior do Regimento da Artilharia da Marinha, Jerónimo José Nogueira de Andrade, foi autor do « Projecto de huma nova arma Portuguesa ». Este manuscrito encontra-se na Biblioteca Nacional, caracteriza-se por uma grande minuciosidade, e nele o seu autor descreve a construção de uma arma balística que designou « foguete incendiário ».

 

                                                                 A. E. Mateus da Silva

                                                                              General

 

 

Retirado de:

 

TECNOLOGIA E APLICAÇÃO DE MISSEIS –            

UM PROJECTO NACIONAL

 

 

http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/1711/1/NeD64_AEMateusdaSilva.pdf

 

ENTREVISTA A JOAQUIM A. ROCHA

melgaçodomonteàribeira, 08.06.13

 

Joaquim Agostinho da Rocha

 

 

Entrevistas com Sotaques:

Joaquim Agostinho da Rocha, memória viva de Melgaço

 

 

Joaquim Agostinho da Rocha não esconde a sua imensa paixão por Melgaço. Divulgador incansável da história de uma das vilas mais antigas de Portugal, com vários livros publicados, desvenda-nos, nesta entrevista, a ponta do véu de um percurso histórico riquíssimo deste concelho do Alto Minho, que se confunde com a própria sobrevivência e consolidação de Portugal como nação independente.

 

P – Nasceu em 1944, em Cristóval, Melgaço e sei que sempre teve um fascínio pela história. Quando começou a interessar-se por temas históricos?

 

R – Desde a infância que me interesso pela história. Aos 12 anos já tinha lido o D. Quixote de La Mancha, e nunca deixei de procurar saber mais sobre a história universal, mas também sobre a história local do concelho onde nasci.

 

P – Teve um percurso profissional intenso. Pode-nos falar dele?

 

R – Tive várias actividades ao longo da vida. Depois da quarta classe, fui aprender o ofício de sapateiro e alfaiate e, aos 17 anos, abri uma oficina própria de mestre sapateiro.

Aos 20 anos fiz a tropa, durante um ano e, a partir de 1967, fui viver e trabalhar para Lisboa como técnico de contas, onde tirei o curso comercial e o curso de contabilidade. Trabalhei também como bancário, empregado de escritório, professor do ensino secundário.

 

P – Entretanto o apelo da história chamou forte por si e passa a frequentar, em horário nocturno, o curso de línguas e literaturas modernas na Faculdade de Letras de Lisboa. Como foi essa experiência?

 

R – Extremamente enriquecedora. Tinha professores que me marcaram profundamente, e que eram figuras eminentes da cultura portuguesa.

Lembro-me de António José Saraiva, que nos dizia para nos abstrairmos do mundo que nos rodeava, e para pensarmos de um modo original. Também do poeta e professor David Mourão-Ferreira, que nos recomendava que separássemos o ensino da sua faceta de poeta, porque éramos cientistas da literatura e do conhecimento. Também me recordo com saudade de Mário Dionísio, que defendia intransigentemente o rigor na linguagem, que evitássemos o desperdício e o ruído no uso da palavra.

 

P – O Sotaques Brasil/Portugal aposta no reforço das ligações entre Portugal e o Brasil. Também estudou a literatura brasileira na faculdade?

 

R – Sim. Tive o professor Gilberto Mendonça Teles, na cadeira de literatura brasileira, que era um homem muito erudito. Ensinava-nos a dissecar um poema, e a compreender as partes que o compõem. Acho que é indispensável existir uma relação próxima entre Portugal e o Brasil, até pelos laços históricos que nos unem.

 

P – Como surgiu seu interesse sobre a História de Melgaço?

 

R – Depois de escrever “Frágeis Elos (uma história familiar)”, uma genealogia da minha família, senti a necessidade de aprofundar a minha investigação sobre Melgaço. Daí resultaram várias obras publicadas como “Escritos sobre Melgaço”, “A origem de algumas famílias melgacenses” o “Dicionário Histórico de Melgaço”, bem como o livro de poemas “Os meus poemas” ou romances como “Entre mortos e feridos”, entre outras obras.

 

P – Uma História de Melgaço que é riquíssima?

 

R – Sem dúvida. O Foral de Melgaço foi concedido em 1183, por D. Afonso Henriques, o mesmo rei que mandou construir a fortaleza, que foi vital para suster as investidas dos castelhanos, nos primeiros séculos da independência de Portugal. Mas há muito mais: as várias igrejas medievais, como a igreja Matriz, o percurso do Caminho de S. Tiago pela geira romana, que passa na estrada real 23, em Melgaço, o castelo e os vestígios pré-históricos que existem em Castro Laboreiro, as Termas do Peso, e o próprio Santuário da Senhora da Peneda que, apesar de se situar geograficamente nos Arcos de Valdevez, é visto pela população local como fazendo parte de Melgaço. E também podemos falar no presente, nos museus da Emigração e do Cinema, que prestigiam a cultura da vila de Melgaço. Bem como grandes figuras vivas de Melgaço – como um dos mais eminentes historiadores medievais portugueses, o Dr. José Marques.

 

P – O mito da Inês Negra também pertence a esse património histórico?

 

R – A Inês Negra nasce de uma história contada na Crónica de D. João I de Fernão Lopes, em que se relata que, em 1387 no seguimento da crise 1383-1385, quando Melgaço era governada por um alcaide castelhano e estava cercada pelas tropas do Rei, “escaramuçaram duas mulheres bravas, uma da Vila outra do Arraial”. O Conde de Sabugosa, na obra “Neves de Antanho”, editada em 1910, assinala a Lenda da Inês Negra como um episódio patriótico com uma grande carga mítica. O triunfo da Inês Negra sobre a Arrenegada, uma portuguesa que teria lutado pelo lado castelhano, simboliza a vitória das forças portuguesas.

 

P – O ensino da História de Melgaço nas escolas do concelho é para si um imperativo?

 

R – Acho que é indispensável. Mas essa necessidade é referida há décadas: na década de 40, uma figura notável da nossa cultura, o Dr. César Augusto Esteves apontava que essa era uma prioridade. Os documentos mais importantes da nossa história estão acessíveis: por exemplo, o Foral de Melgaço está traduzido para português – um trabalho em que colaborei com dois latinistas franciscanos. Com a facilidade de acesso ás fontes, que existe na actualidade, não há razão nenhuma para que as novas gerações não tenham acesso a esta rica história que possuímos.

 

R. Marques

Sotaques Brasil/Portugal

 

www.sotaques.pt