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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

CAVALEIRO FIDALGO DA CASA REAL

melgaçodomonteàribeira, 25.12.16

x 11 b - melgaço 1907.jpg

 

 

JOÃO CAETANO GOMES DE ABREU MAGALHÃES

 

Nasceu na vila em 1 de Fevereiro de 1744, recebeu em Coimbra o grau de bacharel formado, foi Cavaleiro Fidalgo da Casa Real e por morte de seu irmão primogénito a lei chamou-o à administração do morgado dos Chãos e dos bens deixados em capela por João Gomes de Magalhães.

Em 1782 morava no Campo da Feira de Dentro e já era sargento-mor das ordenanças de Melgaço.

Como o bacharel João Caetano gostava de brincar com as moças e as galanteava com frequência, em volta delas borboleteava em muitas ocasiões. E de tal rosquedo veio sempre ao mundo uma pequena maravilha. Assim, em Maria Josefa Teixeira, solteira, nascida nesta vila nortenha e filha de António Manuel Teixeira e de Maria Antónia Rodrigues, solteira e galega de Crecente, nasceu-lhe o filho natural Francisco Manuel de Magalhães, que casou com Maria da Agonia e faleceu em 27 de Julho de 1887.

E em Escolástica Maria de Araújo, solteira, da Orada, filha de Jerónimo Gomes e mulher Ângela de Araújo houve outro filho bastardo Manuel Luís Gomes de Abreu Magalhães, mais tarde perfilhado e casado com D. Antónia Joaquina Pinheiro de Castro.

Título – Magalhães, da Orada.

João Caetano casou em primeiras núpcias de ambos no dia 6 de Fevereiro de 1780 com D. Caetana Maria Isabel de Abreu Soares.

Título – Soares da Nóboa, de Remoães.

  1. Caetana faleceu em 11 de Fevereiro de 1787 tendo sido sepultada na Misericórdia a seu pedido e junto da porta principal mas da parte de dentro.

Viveram no Campo da Feira de Dentro e mais tarde em Galvão de Baixo.

 

O MEU LIVRO DAS GERAÇÕES MELGACENSES

Volume II

Augusto César Esteves

Edição da Nora do Autor

Melgaço

1991

pp. 94-95

OS MAMPOSTEIROS

melgaçodomonteàribeira, 15.08.15

Igreja da Misericórdia, vista traseira

 

PEDIR PARA DISTRIBUIR: OS PEDITÓRIOS E OS MAMPOSTEIROS DA MISERICÓRDIA DE MELGAÇO NA ÉPOCA MODERNA


A confraria de Melgaço era uma instituição pequena, localizada numa terra fronteiriça, onde não abundavam as fortunas pessoais. Este facto reflectiu-se nos legados que recebeu. Os seus mais importantes benfeitores foram alguns homens da terra que partiram para o ultramar, especialmente para a Índia. Também os provedores se destacaram, enquanto beneméritos. Está ainda por estudar o papel destes irmãos enquanto benfeitores. Sabe-se, no entanto, que parte da sua fortuna pessoal era gasta nos anos em que governavam a Santa Casa. Normalmente, pagavam festas religiosas e obras, proviam pobres ou compravam alfaias de culto, fazendo memória da sua passagem pela direcção da confraria.
Na Misericórdia de Melgaço esta situação foi tanto mais importante quanto muitos deles eram juízes de fora, gente que não era da terra, mas que depois de passar alguns anos em Melgaço e de ocupar o cargo mais importante da confraria mais prestigiada da vila, a escolhia para legar parte ou a totalidade da sua fortuna.
Este facto foi peculiar, porque em algumas localidades, estes homens tiveram dificuldade em aceder às Misericórdias. Porém em Melgaço, explica-se por ser uma terra pobre e raiana onde escasseavam as elites.
A Misericórdia servia-se dos seus irmãos e dos homens que pediam pelas freguesias – os mamposteiros – para angariar fundos que lhe possibilitavam prover os pobres. Ou seja, com as contribuições que recebia, conseguiu manter em funcionamento uma ajuda regular aos mais necessitados. Pedia para poder distribuir.
O compromisso da Misericórdia de Lisboa de 1618, que regia a Santa Casa de Melgaço, determinava a existência de uma pessoa em cada freguesia para recolher pão para os presos, devendo entregá-lo na Misericórdia.
A acção dos mamposteiros desenrolava-se nas capelas, nas igrejas paroquiais e conventuais e nas freguesias. Em Melgaço, desempenhavam funções apenas nas capelas de Santo António, de São Gião e de Nossa Senhora da Orada e nas igrejas da Matriz e na da Misericórdia e pelas freguesias.

 

Maria Marta Lobo de Araújo

Boletim Cultural de Melgaço

Câmara Municipal de Melgaço

2005

pp. 77,78