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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

HOMENAGEM À LAURINDA DO MANCO

08.03.13, melgaçodomonteàribeira
    A 24 DE ABRIL DE 74 ÉRAMOS ASSIM        Um dia, princípios de Março ou ainda fins de Fevereiro, o Zé, anafado e risonho, confidenciou à malta que algo se preparava. Que em Lamego “estava tudo sobre rodas” (sic). A Isabel guinchava, a Fernanda saltava e eu nem se fala. Aquelas reuniões fim de tarde prolongavam-se noite fora em casa da Fernanda e do Zé (Ferraz) com a Joana. Ou em minha casa com a João e a Teresa Feijó. Ou no Marco com a Isabel e o Jorge Baldaia. Ou em (...)

A RAIA

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
    PAULA GODINHO   FSFH/UNL e CRIA        Apesar do desanuviamento das relações entre Portugal e Espanha, com escassos seis anos de premeio, duas obras foram publicadas com uma preocupação similar, em 1758 e em 1764. A primeira, da autoria de Gonçalo da Silva Brandão, denomina-se ‘’Topografia da fronteira, praças e seus contornos, raia seca, costa e fortes da província de Entre Douro e Minho delineada por Gonçalo da Silva Brandão’’, e a segunda, da autoria de D. (...)

MEMÓRIA DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA V

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    O que o chamou às Astúrias da segunda vez? “Tinha lá um irmão na construção de estradas.” E nas minas, em que trabalhava? “Não trabalhava nas minas, mas para as minas, era serrador.” Mas aquela história das imagens a arder… “Olhe, a madeira dos santos estava pintada e ardia bem, mas chiava. E um companheiro lá da cozinha comentava: filho da p*ta, ainda bufas!” O construtor da estrada? “Era um tal Martins, português, aqui de Crecente. Éramos 80 homens a (...)

MEMÓRIA DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA IV

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    O CONTRABANDO “Um carabineiro disparou contra mim e acertou-me na perna. Foi no contrabando, estive internado no Hospital de Ourense…” Manuel Alves, regressado das Astúrias, integrava-se perfeitamente nas andanças do contrabando, levando para lá o que fazia falta na Espanha e trazendo o que fazia falta em Portugal. Poderíamos dizer que eram graças de São Gregório. “Ao passar o rio, aparecem os carabineiros aos altos. Íamos uns 15 e eu o da frente. Escondi a carga (...)

MEMÓRIA DA GUERRA CICIL DE ESPANHA III

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Integrou o Batalhão Máximo Gorki, onde havia “numerosos portugueses”. O leitor recordará já aqui ter trazido o depoimento de outro soldado, de Fafe, a viver em Barroso, que esteve nesta mesma unidade, sedeada em Gijón. “Comecei por ser maqueiro, andávamos pelo monte, a recolher os feridos. Assim corri praticamente todas as frentes. Depois fui ajudante de cozinheiro, embora nunca tivesse cozinhado. Passei então a estar sempre longe da linha de combate. Creio que nunca (...)

MEMÓRIA DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA II

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
     Para trás, Manuel Alves deixava os tempos do Batalhão Gorki, comandado por Horácio Arguelles, a derrocada republicana das Astúrias e uns meses no campo de concentração de Luarca. Poderia ter sido despachado para o outro mundo por um pelotão de fuzilamento ou meter os ossos anos a fio na cadeia, mas, como se disse, nem sequer cá foi chamado para cumprir a tropa. Escapou e pronto. Pelos vistos, os necessários pedidos de informação sobre a sua pessoa, para instrução do (...)

A PARISIENSE II

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Antiga Pensão Parisiense     — A Parisiense! Contou e recontou pelos dedos e chegava sempre à mesma conclusão; nunca pregara um calote na Parisiense. Estava salvo o dia. A pressa passou a tanta que os que levavam com a perna de pau do manco da Boavista se voltavam a resmungar: — Vê onde pões o pau, ó manco. — O homem é maluco. Ti António, manco da Boavista, dirige-se à patroa, pessoa de mui bom nome na praça que há anos tinha deixado a serra e correu as sete partidas (...)

A PARISIENSE I

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Dia de feira em Melgaço   Eram as feiras de antão, as feiras de sempre, as feiras dos meus 13 anos, As tendas dos feirantes, montadas por baixo das árvores, ocupavam uma parte da Avenida. Os reis da feira eram, sem duvida alguma, os Ratinhos de Monção. Com mais de uma tenda, eram duas gerações que semanalmente marcavam presença. Era durante as férias escolares que a terceira geração era preparada para as subtilidades da venda, pelos Ratinhos seniores. Eram a esperança dos (...)