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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

FORNOS COMUNITÁRIOS EM CASTRO LABOREIRO E LAMAS DE MOURO

melgaçodomonteàribeira, 30.06.20

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forno comunitário em ameijoeira, castro laboreiro

 

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

 

As referências mais antigas ao cultivo do centeio, consumo de pão e sua função de pagamento, na região de Castro Laboreiro, até agora encontradas, encontram-se nos seguintes forais, que o Padre Manuel Pintor refere na sua Obra Histórica I:

Foral de D. Sancho I – “Quando fosse a Castro Laboreiro o rei recebia de cada casa 2 pães e a sua taleiga de cevada. Não satisfaziam impostos, a não ser 5 dinheiros de cada casa por cada um dos crimes nefandos.”

Foral de Afonso III (Segundo a reforma de D. Manuel I) – “Segundo se vê da reforma, não pagavam os 2 pães de centeio e a taleiga de cevada porque o Rei não ia lá, e só quando fosse em pessoa é que deviam pagar.”

Mais tarde, os Tombos de 1538, 1551 e 1565, reúnem várias referências ao centeio e ao pão, como pagamento à igreja e aos comendadores, pelas herdades, por exemplo – “E logo os ditos homens bons fizeram pergunta a Ines Fajão molher viúva que herdades trazia da dita Comenda e logo ella disse pelo juramento que lhe tinhão dado que não trazia outra cousa somente a herdade da Pereira que está à porta da igreja. E que pagava della quando tem pão huma fanega” – além de referências a moinhos, indicando talvez a existência de equipamentos de cozedura de grande dimensão que pudessem dar resposta às quantidades exigidas para pagamentos e para o consumo do povo.

Em 1758, é feito um inquérito aos párocos, respondendo o de Castro Laboreiro da seguinte forma: “Ao décimo quinto artigo respondo que os frutos que os moradores desta terra recolhem em cada hum ano com abundância hé somente centeio.” – demonstrando a continuidade da longa tradição do cultivo do centeio e da sua relevância para a alimentação, sendo esta terra difícil de arar e cultivar outros alimentos. O pároco nunca refere a existência de fornos, apenas de moinhos e outras estruturas.

Finalmente, a primeira referência encontrada nos livros de actas disponíveis no arquivo municipal de Melgaço, da ex-Câmara Municipal de Castro Laboreiro, sobre fornos comunitários, é sobre o forno do lugar das Cainheiras a propósito da nomeação de um “goarda rural daquele lugar fazendo cumprir por todos os moradores daquele lugar” “a vigilância e bom funcionamento” ”de todas as fontes, fornos, caminhos e mais obras públicas daquele lugar” – este excerto demonstra que todos os elementos nomeados são de uso comum, aliás, “público”, o que leva a concluir que no século XIX (pelo menos) já existia a noção de forno comunitário segundo os parâmetros que hoje se conhecem. Cem anos mais tarde encontra-se uma nova referência a um grande alargamento feito no lugar de Assureira, na Acta de 6 de Novembro de 1983. Todos os testemunhos orais recolhidos referem a causa da demolição desse forno por necessidade de alargamento da entrada deste lugar. Só aparece uma nova referência directa a fornos comunitários em 1993, na Acta de 6 de Junho do mesmo ano, a propósito da reparação do forno comunitário da Portelinha.

Após esta data aparecem várias referências a outros fornos no âmbito das duas freguesias, sendo que a última data de 1 de Junho de 2013.

 

FORNOS COMUNITÁRIOS DE CASTRO LABOREIRO E LAMAS DE MOURO (MELGAÇO)

Diana de Carvalho

Município de Alter do Chão

Maio, 2015

 

 

ORDEM DE MALTA EM LAMAS DE MOURO

melgaçodomonteàribeira, 08.04.17

25 a2 - vidoeiros lamas.jpg

 

 D. FREI DIOGO DE MELO PEREIRA

 

Frei Diogo de Melo Pereiro terá nascido entre 1609 e 1613, provavelmente em Bretiandos, Ponte de Lima. Foi o segundo dos 11 filhos de Fernão da Silva Pereira, 3º administrador do 1º morgadio de Bretiandos, com toda a sua Casa e Padroados anexos, e de sua mulher D. Leonor de Melo.

Recebeu o feudo de Moço Fidalgo da Casa Real (alvará de 20 de Março de 1621) juntamente com seus irmãos Francisco, Lopo, António, Manuel, Fernão e Bernardo.

Em 10 de Fevereiro de 1625 ingressou na Ordem de Malta, onde teve as Comendas de Poiares, Moura Morte, Veade, Sernancelhe, Torres Vedras e Torres Novas.

Muito Novo ainda foi para a ilha de Malta, onde participou em diversas armadas contra os turcos e os berberes no Mediterrâneo. Na tomada aos Turcos da cidade de Santa Maura, foi ferido na mão direita, com um tiro de mosquete e depois disso, na escalada da muralha do castelo de Miripotamo foi novamente ferido, desta feita com uma setada na perna.

Quando se iniciou a Guerra da Restauração foi chamado para prestar serviço como Capitão-mor de Barcelos (carta de 29 de Maio de 1641, governando as Armas da Província, em conjunto com Manuel Teles de Meneses e o Coronel Viole de Athis. Em 1641 governava a praça de Lamas de Mouro na fronteira de Castro Laboreiro e em 1645 tomou Salvaterra da Galiza, que se manteve na mão dos portugueses até ao fim da guerra. Entre os diversos folhetos patrióticos que corriam impressos, enaltecendo as vitórias alcançadas e relatando as incursões sobre território inimigo, foram publicadas, a propósito da tomada de Salvaterra, a “Relaçãm da entrada que fizeram em Galliza os Governadores das armas da Província de entre Douro, & Minho o Mestre de Campo Violi de Athis, que por carta de sua Magestade exercita o cargo de Mestre de Campo General, & Manoel Telles de Menezes Governador do Castello de Vianna, & Frey Diogo de Mello Pereira Comendador de Moura Morta, & Veade da Religiaõ de Sam Joam de Malta, Capitam Mor de Barcellos”, e a “Relaçam do felice sucesso, que tiveram Fr. Dioguo de Mello Pereira de Bretiandos, Commendador de Moura Morta & Fr. Lopo Pereira de Lima, seu irmão Commendador de Barro da Ordem de Malta, a quem o General D. Gastão Coutinho encarregou do governo das armas, na entrada, que se fez em Galiza…”, uma e outra impressas em Lisboa, em 1641 e 1642.

(…)

 

In “Figuras Limianas”, Câmara Municipal de Ponte de Lima

 

Retirado de:

Ordem de Malta  

UM ABADE MUITO OBSERVADOR

melgaçodomonteàribeira, 25.04.15

Igreja de Lamas de Mouro - Pormenor

 

OS LIMITES DA FREGUESIA DE LAMAS DE MOURO

 

(…)

Com a petição inicial foi apresentada outra prova adicional que, mesmo não sendo um título jurídico de limites, se revela de extraordinária relevância para a boa decisão da justa judicial. Trata-se de um assento de óbito, datado de 26 de Abril de 1791, de uma defunta que apareceu no monte de Medoira e foi mandada enterrar no adro da igreja da freguesia de Lamas de Mouro. Vale a pena deixar aqui publicado na íntegra esse singelo registo paroquial:

 

“Aos vinte e seis dias do mez de Abril de mil e setecentos e noventa e hum appareceo no sitio chamado da Medoira monte que he dos lemites desta freguezia huma deffunta cujo nome e naturalidade se ignora, o traje era de pobre, suposto não trazia saco, nem esmollas, trazia vestido hum jubam preto, hum manteo a que chamam de riscadilha, hum abantal de Saragoça parda, teria a mesma deffunta sassenta annos de idade e duas unhas da mam esquerda extraordinariamente cumpridas redondas e grossas. E depois de feito o exame que em semelhantes cazos se custuma fazer pelas justiças foi conduzida ao Adro desta Igreja, e por se lhe nam achar Rosario nem Escapulario foi sepultada no mesmo Adro aos vinte e oito dias do mez e anno supra. E para que conste faço este assigno em Sam Joam de Lamas era ut supra.

O abbade, Antonio da Cunha Alvarez

 

 

Os Limites da Freguesia de Lamas de Mouro e os Caminhos da (in)Justiça

José Domingues

Novembro 2014

p. 134

 

Retirado de:

www.academia.edu/9978638/Os_Limites_da_Freguesia_de_Lamas_de_Mouro_e_os_Caminhos_da_in_Justiça

 

O COUTO DE S. JOÃO DE LAMAS DE MOURO

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 

Ao virar da página para um novo milénio comemora-se o primeiro centenário da demanda judicial da Coutada de Soengas, entre as freguesias de Lamas de Mouro e Cubalhão, ambas do concelho de Melgaço, e, na senda das comemorações centenárias, sacudismo a poeira ao alfarrábio avelhentado e do esquecimento desenterramos os nomes e os factos que fizeram a sua historiografia.

Esta acção judicial fez eco nos píncaros nevados da montanha e a sua lembrança continua bem presente na memória do povo, mas já não há vivos daquele tempo e os testemunhos sofreram a erosão dos decénios, tornando-se urgente a procura da verdade que só os documentos escritos podem revelar, para que se faça justiça aos que, na defesa dos seus direitos e do próximo, tomaram o ideal da justiça como bússola permanente da sua acção, e, sobretudo, evitar que mais um documento da historiografia da nossa terra desapareça pela voracidade das traças.

 

 

O COUTO DE S. JOÃO DE LAMAS DE MOURO: SUPLEMENTO HISTÓRICO

 

Autor: José Domingues

 

Edição: autor

 

Patrocínio: CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO

 

1999