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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

LARÁPIO: PROFISSÃO ÁRDUA

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
       Depois de quatro anos de vadiagem, devassidão e declínio intelectual pela capital provincial, Braga, cidade epónima e muito mais, regressei à terra que me viu crescer, Melgaço. Ali, sendo as actividades laborais mais do que limitadas, e as restantes muito pouco regulamentares, escolhi a mais rentável, menos penível e punível, para a qual possuía as melhores competências: o jogo da lerpa.    Na Cidade Augusta, tivera como mestres e modelos o Lino e o Batata, (...)

ENCONTRO COM INÊS XI

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
   Escultura de Acácio       — Inês Negra? Hé … hé … hé … Ai a brigada minhota!     — Minhota? Qual minhota?     — É ele. Ele é a brigada minhota. Amigos há séculos, bêbados na eternidade e … curiosos da Inês. Já viste os olhos dele? Babado como nunca o vi … e já vi tanto!     — Sou Inês. Negra foi a outra, por acaso da minha terra.     O “m*rda” que gritei ecoou no restaurante. As cabeças excursionistas espanholas voltaram-se; o olhar (...)

ENCONTRO COM INÊS X

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Respirou fundo enquanto eu retinha a respiração. Estava lívida enquanto eu suava por todos os poros. Quem é que eu tinha pela frente, perguntava-me. Que amor platónico, palpável, seios de morrer, lábios de morder e cabelo dançante me entravam pelo coração dentro.     Qual estudante de História, qual carapuça, qual … meu Deus, quem é que eu tenho pela frente?     Falou devagar, muito devagar, palavras que, juro ainda hoje, tinham séculos.     — Tens o (...)

ENCONTRO COM INÊS IX

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
       — Queres que te fale do que é segredo? Nem penses. Se o Castelo foi feito pelas nossas mãos, quem é que o deve conhecer? Mas deixa lá isso. Saímos. Saímos mas não todos. Houve quem ficasse. Uns por medo, outros a pensar que a segurança estava lá dentro, outros ainda porque vêem sempre lucro no negócio da guerra e, de qualquer maneira, já conheciam bem os senhores de dentro. E, mesmo durante o cerco, havia sempre lugar para a diversão. Levaram-nos o melhor. (...)

ENCONTRO COM INÊS VIII

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Muralhas do Castelo de Melgaço         — Só montanha!     — E o Minho a serpentear pelos vales, a beijar aldeolas …     — E tu a descreveres a minha terra.     — E eu a não descrever coisa nenhuma. O que é que queres que eu diga? Os livros dizem tudo.     Racional sim, mas o homem é um animal e só não se torna irracional em frente de uma mulher destas quando é mesmo irracional.     Já não sei o que fui antes ou o que sou agora mas sei que ou (...)

ENCONTRO COM INÊS VII

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Chegou sem salamaleques, um olá, um beijo a jacto, sentou-se, sorriu e atirou:     — Já que és tão curioso, hoje vou falar de mim.     Não fiquei de boca aberta porque ainda não a tinha fechado desde que ela apareceu e da minha boca saiu qualquer coisa com está bem.     — Quando os trons se ouviram já andava tudo num virote.     Fico de boca aberta a olhar para aquele rosto, envolvido em cabelos negros, que começava uma conversa parva, sem pés nem (...)

ENCONTRO COM INÊS VI

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Estive sentado na primeira fila aquando do assalto frustrado ao Congresso dos “fascistas” do CDS a assistir ao assalto e destruição da sede no Largo do Caldas, a fazer de plantão na Central de Comunicações, na Ribeira, no 11 de Março, a sanear PC’s na Central de Correios, a beber copos com o Álvaro (Cabeça de Vaca) nas Escadinhas do Duque. Na Trindade, com o Canelas, madeirense, que depois do jantar gritava:    — Rapazes, vamos tomar a bebedeira!, com um (...)

ENCONTRO COM INÊS V

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Era noite de Santo António e o bailarico corria.       Junto daquelas tábuas que serviam de balcão de bar, no meio de três ou quatro rapazes, estava a loira com o fio de ouro que eu procurava. Deixar mal o “prof.” nem pensar!     Do coreto saía uma marcha bem esgalhada pela orquestra. Autêntico prego a fundo em Citro-arrastadeira e nós já estávamos bem no meio do arraial. Tudo preparado para a faena, o touro no centro da praça, agora só são precisos (...)

ENCONTRO COM INÊS IV

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
      Passaram os dias, semanas, meses …      Ela não voltou e eu sofri. Órfão numa terra que nada me dizia desde que a conheci.     Lisboa com Inês, era o riso das gaivotas, o calor das gentes, o sorriso de amigos, o sol de Portugal, a recordação eterna do lugar onde nasci.     Tinha o amor de pai e mãe no calor dos seus olhos, a paisagem da minha terra na curva dos seus lábios.     Será que a perdi? Era a pergunta que não ousava formular. Inês era a minha (...)

ENCONTRO COM INÊS I

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Antigo café Gelo - Rossio         Era uma vez! …    Eu gostava que assim fosse mas infelizmente só nas histórias dos outros  acontece. Eu, simples mortal, a penar em Lisboa, não tive direito a um começo assim mas verdade seja dita ainda bem que tal não aconteceu.     A vontade de rir é enorme. Porquê? …     Mulher, tão simplesmente.     O que terá esta mulher de igual e de muito, muito diferente das outras para ser mais do que uma conhecida, uma íntima, e (...)