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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

3° ANIVERSÁRIO DESTA AVENTURA

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Desenho de Manuel Igrejas     Foi em 9/11/2007 que a aventura na teia principiou. Festejamos, pois, o 3° aniversário.   RETALHOS DE MELGAÇO NOS ANOS XXX       O frenesi na Vila de Melgaço devia-se à visita do Presidente da República, prestes a acontecer. Como por certo acontecera em outras localidades, o povo mantinha-se em nervosa ansiedade. As crianças da escola davam os últimos retoques nos exercícios de postura e nas roupas. Todos vestiam o melhor que tinham. No (...)

OS PINTARROXOS IV

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
       A mulher, a tia Ana, descobriu que ele tinha uma amante no lugar das Adegas. Disseram até que a filha que ela tinha era dele.    A vida privada deles tornou-se difícil, quase insuportável.    Em seguida, a Dona Maria José, de Sante, uma rica senhora que utilizava amiúde os serviços do automóvel de aluguer em grandes viagens: Braga, Porto, Fátima, etc. faleceu. Com isso cessou uma considerável fonte de renda.    O negócio dos ovos fracassou causando enorme prejuízo.

OS PINTARROXOS III

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
       No dia seguinte foi a tia a primeira a subir ao andar superior e observar as avezinhas. Ela não fora a favor de prender os pássaros e, sem saber porquê, sentia um aperto no peito. Alguma coisa lhe dizia que algo não iria acabar bem.    Botou a cabeça fora da janela para olhar os passarinhos que, estranhamente, estavam quietos e calados. O choque foi violento. Uma sensação esquisita lhe arrepiou a espinha e por momentos ficou paralisada.    Os três filhotinhos jaziam (...)

OS PINTARROXOS II

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
       O verão estava chegando e os pássaros viviam na plenitude da procriação. Quase todas as árvores tinham vários ninhos que os rapazes controlavam, subindo e contando os ovinhos. Pardais, pegas, carriças e estorninhos ali haviam-se instalado.    Na cerejeira, quasi na corucha, um ninho chamava a atenção; era de pintarroxo e tinha três ovos. Os pintarroxos são grandes cantadores que as pessoas costumavam prender em gaiolas. Ficavam de olho naquele ninho.    Um belo (...)

OS PINTARROXOS I

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        O tio Emiliano estava na fase bem sucedida de sua vida. Os negócios corriam-lhe de jeito. Por causa da guerra civil na vizinha Espanha, a circulação de mercadorias era intensa e o imposto indirecto que incidia sobre as mesmas, bastante vultoso. Como cobrador, por ter arrematado o direito de receber tal tributo, o Emiliano tinha uma margem de lucro significativa.    A sua opulência crescia a olhos vistos.    A casa Velha nos fojos que comprara ao Zé Zinona, (...)

A GRANDE GINCANA V

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Os parceiros deram o empurrão inicial no alto da ladeira. Lá veio o Carriço, tenso, teso, corda-guia retesada nas mãos controlando a direcção, pés fincados no sarrafo estribo, curva e contra curva, sobe um ressalto e desce mais desenfreado, parecendo um bólide. Com a mão direita acciona o travão que obedece, o carro pára derrapando um pouco; cumpre a primeira tarefa.     De novo no carro disparado até a segunda tarefa. Cumpre-a. Mais curvas, uma bem inclinada. (...)

A GRANDE GINCANA IV

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Desde o lançamento da ideia até ao grande dia decorreram algumas semanas. O suficiente para a notícia se propalar até às aldeias. Tinha pessoas que nem sabiam o significado de Gincana e por isso despertava grande interesse. Passou a ser tema de conversa e os que estavam ao par da actividade dos grupos, arriscavam palpites sobre os prováveis vencedores.     Na semana final, munidos de enxadas, pás e picaretas, os elementos de todas as equipes achandaram onde era (...)

A GRANDE GINCANA III

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
         Organizaram-se as equipas conforme as amizades entre eles. Cada uma das equipes era composta de quatro ou mais rapazes (naquele tempo havia muita rapaziada na terra). Os adultos acabaram aderindo, ajudando os grupos de sua simpatia ou de parentesco. Fizeram carros novos ou aprimoraram os que havia, muito toscos por sinal. Inovações foram introduzidas muito em segredo para os demais concorrentes não copiarem. Eu era muito novo, oito anos e meio, por isso não recordo os (...)

A GRANDE GINCANA II

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Em todas as gerações sempre houve alguém mais dinâmico e empreendedor que não se conformava com o estado de coisas e procurava inovar. Dos rapazes da época, os matulões, havia um grupo que se destacava nas empreitadas da garotada.     O Quim e o João Celestino, o Carlota, o Toninho do Félix, o Amadeu Garabelos e outros, comandados pelo Carriço, espécie de líder.     Fazia parte da distracção da “canalha”, duns poucos que conseguiam um casqueiro (tábua (...)

A GRANDE GINCANA I

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
       Corria o ano de 1937. Na vila de Melgaço a vida passava mansa, com certo desafogo. A guerra civil espanhola prosseguia cruenta ali do outro lado do Rio Minho que, a bem da verdade, a não ser as notícias de perseguições e vinganças que redundavam em chacinas, proporcionava aos habitantes de toda a zona fronteiriça do lado português, bons lucros com o contrabando.    Vinham de lá, de Espanha, toneladas de pacotes de moedas de prata, os duros que apenas valiam cinco (...)