Sábado, 3 de Novembro de 2018

A HEROÍNA DE MELGAÇO

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IGNEZ NEGRA

 

E já depois da batalha, estando os nossos cercando ainda a praça de Melgaço, que presenciam os dois exércitos? nada menos do que uma pequenina amostra do combate dos Horacios e Curiacios. Grande arruido soa num dos pontos da muralha. Destaca-se, do lado inimigo, uma intrépida Castelhana; do outro, uma Portugueza valorosa. As mútuas injúrias sibilam de uma para a outra como rajadas de vento; e os punhos, depois de se levantarem como imprecações tremendas, arremessam-se para diante, como se no aéreo espaço cada uma supusesse já despedaçar a contrária. As línguas já não tem mais injúrias para despedir nem os braços mais ameaças. O repto para virem às mãos rompe afinal como supremo anseio. Correm então para o meio do campo. Não são duas mulheres, são duas fúrias. Tem por espectadores, que as excitam, os soldados de ambos os campos; e as duas feras, primeiro com as armas, depois corpo a corpo, enovelam-se aos murros, arrancam mutuamente os cabelos na sua raiva furiosa, até que a inimiga, heróica mas vencida, é forçada a ceder a palma à nossa Ignez Negra, a popular combatente de Melgaço.

E assim, pelo correr dos tempos, sempre que o estrangeiro ocupou o nosso território, viu-se a Mulher Portugueza, aqui, além, reagir como protesto vivo em nome do seu sexo, gentil nas salas, meigo nos lares, mas ainda mais furioso do que o nosso quando o ímpeto de qualquer paixão lhe referve na alma.

 

Retirado de:

Fuul text of A mulher em Portugal

Dom António da Costa

Companhia Nacional Editora

Largo do Conde Barão 50

Lisboa 

1892

 


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Sábado, 27 de Outubro de 2018

MELGAÇO NO REINADO DE D. AFONSO V

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ponte românica em lamas de mouro

 

Valença do Minho enviou á assembléa de Lisboa em 1459, entre outros capitulos, este que é curioso sob varios aspectos. Havia n’esta villa, diz o capitulo, bom trafego do sal que aqui importavam d’Aveiro, e vendiam aos Gallegos que vinham por elle em bestas de Terra de Lima, «dourões» e d’outros logares de Galliza. Traziam elles á villa sebo, cera, untos, manteiga e muitas outras mercadorias e mantimentos. A maior parte d’esta gente entrava em Portugal por Crasto Laboreiro e Lamas de Mouro, por ser caminho mais direito e mais seguro; porém Martim de Crasto, alcaide que foi de Melgaço e assim Fernão de Crasto, seu filho, que é agora ahi o alcaide, vedaram-lhes o antigo caminho que elles seguiam, e isto por nos fazerem perder a venda do sal e o commercio de Galliza em razão de termos accusado o dito Martim, no tempo da regencia do infante (e chegou até a ser citado para se apresentar na côrte), de trazer ladrões que roubavam as cargas aos Gallegos que vinham ao sal e os prendiam. Martim e o filho querem obrigal-os a passar por Melgaço na vinda e no regresso, e pagar ahi a portagem que elles preferiam satisfazer em «cubulhom» (hoje Cubalhão) ou na ponte do Mouro, onde os alcaides de Melgaço costumavam receber a portagem. Mas porque se desviavam muito do caminho por esse novo itinerário, cessaram quasi todos de vir de Galliza buscar o sal a Valença, e vão por elle a «rondella» (?), a Ponte Vedra e outros portos da sua terra, do que resultou grande diminuição dos direitos fiscaes. Rematava a villa pedindo que não se mantivessem as innovações estabelecidas pelo alcaide de Melgaço. Em resposta manda o rei que o contador o informe do caso, e declare tambem onde se pagava antigamente a portagem e onde é mais conveniente que se pague. E depois de ouvir o alcaide, o faça (ao rei) «todo sabemte» para resolver o que mais achar por seu serviço e bem do povo (1).

 (1) Chancell. De D. Aff. V, liv. XXXVI, fol. 163.

 

Retirado de: 

http://ler.letras.up.pt

 


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Sábado, 7 de Abril de 2018

UM MELGACENSE EM LA LYS

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trincheira portuguesa em la lys

 

 

ANTÓNIO REIS

 

 

No relógio da eternidade já bateu a hora fatídica em que as parcas cortaram o fio da vida de António Reis. Estou-o a ver rapaz novo, cheio de vida, feito tropa na grande guerra, a partir para França levando no coração juntinhos o nome da mãe e o de Melgaço. Foram eles o seu amuleto e sob a sua influência soube ele impor-se na batalha de La Lys a um pelotão de alemães, quando, rotas as linhas portuguesas, um prussiano alto como as casas e valente como as armas o quis dominar e sentiu-se agarrado pelo António. E vira para aqui, vira para ali; tomba para um lado e tomba para o outro, lá estiveram os dois a medir forças e todo o pelotão parado, pasmado, a gostar de ver e a admirar o camarada português, que era valente. E quando o prussiano julgou levar a melhor e dar um tiro no António, todos os seus camaradas lhe gritaram: - Glória aos valentes! Em sentido! Apresentar armas. Só então o António Reis caiu em si e chorou. Estava prisioneiro. O nome da mãe e o de Melgaço foram na verdade o talismã mágico, que lhe insuflou na alma a valentia e a coragem dos tesos, que sempre mostrou em toda a campanha. E quem há por aí que possa dizer-nos não ter ele retemperado sua fé na vitória dos aliados sempre que rezou baixinho:

 

                          «Lá nas trincheiras exposto constantemente

                          Encarando em minha frente

                          A morte por tanta vez,

                          Pensava nelas e sentia-me tão forte,

                          Que não receava a morte

                          Porque eu era português.»

 

António Reis pertencia ao quadro da nossa Câmara Municipal e foi o notável requinta da banda dos B. V. Em qualquer destes lugares também brilhou e como sempre foi correcto, o seu nome foi um dos bem conceituados entre os seus concidadãos.

Paz à sua alma e condolências aos doridos.

 

                                     (Publicado em Notícias de Melgaço de ../5/1958)

 

 

Obras Completas Augusto César Esteves

Nas Páginas do Notícias de Melgaço

Edição Câmara Municipal de Melgaço

Volume I Tomo 2

2002

Pág.s 689, 690

 


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Sábado, 24 de Março de 2018

UMA VISITA ÀS RUINAS DO REAL MOSTEIRO DE FIÃES

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PROEMIO

 

Um dia, folheando ao acaso o trabalhoso diccionario de Pinha Leal, intitulado Portugal Antigo e Moderno, n’elle deparei e li, este emocinante trecho:

»Leitor, se tens um coração portuguez, se a luz divina se não apagou totalmente em tua alma; se respeitas a memoria de teus passados – dos que te deram uma patria, um lar, uma família; e se algum dia viajares pelo Alto Minho, não deixes de visitar as tristes ruinas do Convento de Fiães; e alli, qual outro Mario, contempla respeitoso estes restos venerandos da fé e piedade do nossos maiores, e chora sobre as ruinas d’este testemunho de suas crenças inabalaveis.»

  

Alli, onde o incenso se elevava dia e noite em perenne adoração ao omnipotente; onde a toda a hora se ouvia o plangente som do orgão, os cantos sagrados dos religiosos e do povo; alli, refugio predilecto dos que no mundo soffriam attribulações; alli finalmente a casa de Deus, em que a piedade tinha amontoado prodigios sobre prodigios de magnificencia, de fé, de caridade – que vemos hoje?

«Ruinas, devastação, silencio, horror!

«As silvas e os cardos invadem os marmores de suas aras santas.

«Os reptis immundos revolvem as ossadas venerandas de varões illustres.

«As aves nocturnas pairam sobre as abobadas, e fazem seus ninhos sobre os brincados capiteis de suas columnas dez vezes seculares.»

 

Surprehendido com esta suggestiva linguagem, que tocava tão directamente a minha sentimentalidade, - fiz logo, um voto de ir a Fiães, se algum dia visitasse essa zona previlegiada do meu paiz, - por muitos chamada: - O jardim de Portugal.

Iria, não para imitar o proscripto Mario, que sobre as ruinas fumegantes da cidade phenicia, chorava os extremos a que a oratoria implacavel de Catão, a tinha reduzido; - mas, para traduzir n’essas desmoronadas pedras, - uma pagina da historia do passado.

 

UMA VISITA ÀS RUINAS

DO

REAL MOSTEIRO DE FIÃES

Guilh. Oliveira

Livraria Ferreira

1903

pp. 7-9

 

 


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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

PROFESSOR DOUTOR CÓNEGO JOSÉ MARQUES

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José Marques, nasceu a 12 de Agosto de 1937, em Roussas, no concelho de Melgaço. Fez a instrução primária na terra natal, seguindo os estudos no Seminário da Arquidiocese, em Braga, onde se ordenará em 1961, sendo logo chamado a exercer no Seminário Conciliar (1961-1970).

Entre (1969-1974) faz a licenciatura em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e de imediato a frequência e conclusão de curso de Bibliotecário-Arquivista na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1976) e especialização como Bibliotecário-Arquivista.

Realizou provas de Doutoramento com o trabalho intitulado A Arquidiocese de Braga no século XV, em 1982, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde ascendeu a Professor Catedrático (depois das provas de agregação de 1989-90) com a Lição de Síntese, sobre a Assistência aos peregrinos no Norte de Portugal durante a Idade Média, tendo-se aposentado em 2003.

Colaborou com as Universidades Portuguesas de Coimbra, Açores, Universidade Católica de Braga (Faculdade de Filosofia e Teologia), com a Fluminense de Niterói – Rio de Janeiro Brasil, e com a Universidade de Louvain-la-Neuve.

Foi Diretor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1982-1985).

Foi coordenador desde 1984 até 1998 da Revista da Faculdade de Letras, nas séries de História, Filosofia e Línguas e Literaturas Modernas.

Membro do Centro de História da Faculdade de Letras do Porto (co-fundador em 1982, da Academia Portuguesa da História (sócio de número e atual vice-presidente), do Instituto Galaico-Minhoto (também co-fundador em 1982), da Real Academia de la Historia de Madrid (sócio correspondente), das Sociedades de Estudos Medievais, portuguesa (de que é sócio fundador, 1985) e espanhola, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (sócio correspondente), da Comission Internationalle de Diplomatique (membro desde Outubro 1986, seu vice-presidente em 2008) e do Comité International de Paléographie Latine (desde 1989).

Os seus Estudos Históricos fixam-se, no período da História Medieval Portuguesa, no quadro cronológico que concentra a montante e a jusante do séc. XV. Tem como quadro geográfico de principal concentração e referência a Arquidiocese de Braga, que é o Minho e Trás-os-Montes e que por ele, em estudos extensivos e comparativos se alarga a outros territórios diocesanos. E como território de fronteira extremamento ativo e participativo, se estende e alarga às vicissitudes de outros territórios (e dioceses) de fronteira.

 


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Sábado, 30 de Dezembro de 2017

O IRMÃO DO ALCAIDE-MOR DE MELGAÇO

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 D. JOÃO DE MELO, INQUISIDOR DO REYNO E MELGAÇO

 

Pedro Fernandes de Castro passou a Portugal, aonde casou com Dona  Maria Dade, filha de Martim Dade, Alcaide Mór de Santarem , de quem se deduz a Casa das Galveas que seu segundo neto na Varonia, Martim de Castro, Senhor de Sanguinhedo, e de Parada, Alcaide Mór de Melgaço, e Castro Laboreiro, a quem ElRey D. João I. fez algumas mercês no Termo de Guimarães no anno de 1402, casou com D. Leonor Gomes Pinheira, filha de Martim Lopes Lobo, e de Maria Esteves Pinheira, e foi segundo avô de Fernão de Castro, Alcaide Mór de Melgaço, irmão de D. João de Melo, que foy Inquisidor, e hum dos tres primeiros, que houve neste Reyno, Bispo do Algarve, Arcebispo de Évora, Regedor das Justiças, Presidente do Paço, e da Inquisiçaõ, e assim foy Presidente em todos os Tribunaes, em que havia servido, faleceo a 6 de Agosto de 1574.

 

Retirado de:

Memorias historicas e genealogicas dos grandes de Portugal, que contem a origem e antiguidade de suas famílias

Por D. Antonio Caetano de Sousa

M. DCC. LV

 

http://books.google.pt

 


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Sábado, 16 de Dezembro de 2017

O CONDE DE REGALADOS

 

festas da cultura, anos 80, séc. XX

                          

O CONDE DE REGALADOS

 

 

Entraram no senhorio de Valladares os Abreus, senhor da casa, torre e couto de Abreu, em Merufe, alcaide-mór de Lapella, Melgaço e Castro Laboreiro, em tempos de D. Pedro I e de seu filho Fernando I. Nas guerras que houve entre Portugal e Castella (por causa das pertenções de D. João I de Castella, com fundamento de ter casado com D. Beatriz, filha de D. Leonor Telles de Menezes) este Abreu, não quis entregar ao nosso D. João I, em 1385, o castelo de Melgaço, onde se achava, pelo que o rei português lhe tirou o senhorio de Valladares e outros. (Vasco Gomes de Abreu, era parente de D. Aldonça de Vasconcellos, mãe da rainha D. Leonor Telles de Menezes, e, por isso seu partidário.)

Na freguesia de Merufe há uma torre (que foi coutada) com uma aldeia chamada Pica de Abreu (Pinheiro de Abreu) solar dos Abreus, dos quais e desta torre já se acham notícias no tempo do conde D. Henrique. Era então senhor da Pica, Gonçalo Rodrigues de Abreu, que foi vassalo, e companheiro do conde nas suas batalhas, e de seu filho, Lourenço de Abreu, senhor do mesmo couto, que se achou com D. Afonso Henriques na batalha de Arcos de Vez, em 1129.

Foi este Lourenço de Abreu, que por ordem de D. Afonso Henriques, construiu o castelo e torre de Lapella, contra os gallegos.

Este couto foi do marquez de Tenorio, e cada morador lhe pagava, um alqueire de cevada. (veio à casa de Tenorio, por aquele marquez ser neto de D. Maria de Abreu Noronha, condessa de Crescente)

A alcaidaria de Lapella, andou na casa dos Abreus de Merufe, até que a venderam ao marquez de Vila Real, que a perdeu, com vida, em 1641, por traidor à pátria.

Entre as muitas e grandes quintas que os Abreus tiveram nesta ribeira, tinham também foros em Vila-Boa e Valladares, com título de direitos reais.

De Lourenço de Abreu, foi filho e herdeiro, Gonçalo Rodrigues de Abreu, rico-homem de D. Sancho I e de D. Afonso II, e se achou na tomada de Elvas, em 1225.

Dos Abreus de Merufe procedem os Abreus de Torre da Grade, os da casa de Anquião em Fornelos de Ponte de Lima, os de Atães de Moure, os de Sol, os morgados da Tábua, os de Vilar junto a Viseu, os da quinta de Cousiguem, os dos Arcos, os da Barca, os de Candoso e muitas outras famílias nobres. Na Índia foram senhores de Fenapôr.

A casa dos Abreu Lima, ramo dos que foram alcaides-mór de Lapela e senhores de Regalados, é a actual do Ameal.

Os Abreu da casa de Anquião procede de D. Rodrigo de Mello Lima, senhor comendatário de Refojos de Lima, filho segundo de D. Leonel de Lima, 1º visconde de Vila Nova de Cerveira.D. Rodrigo deu a sua casa de Anquião a sua filha, D. Joana de Mello, que casou com João Gomes de Abreu, filho segundo de Leonel de Abreu, senhor de Regalados.

 

Retirado de:

http://GeneAll.net-RE:conde de Regalados

http://Gfille:///C:/Documents

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:07
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