Sábado, 19 de Novembro de 2016

MELGAÇO, JANEIRO 1827

 

 

18 a2 - rota cont s gregorio (9).JPGrota do contrabando . s. gregório

 

 

Rio de Janeiro                (sexta feira)                  5 de Janeiro de 1827

 

 O SPECTADOR BRASSILEIRO

  

JOURNAL POLITICO, LITERARIO, E COMMERCIAL.

                                         

N.º 2           Tout pour la Patrie

 

 

Valença. 10. Os hespanhoes acompanhados de alguns paisanos guerrilhas portuguezes nos atacarão a 6 do corrente, em S. Gregório, e Alcobaça, chegando até Melgaço, aonde entraram no dia 7: porem o commandante da linha retirou-se com as milicias que tinha para a ponte do Mouro, esperando-os ahi para os bater, mas forão tão cobardes, e ignorantes da arte da guerra que conservando-se todo o dia 7 em Melgaço não vierão fazer reconhecimento sôbre a ponte do Mouro, aonde se achavão as milícias.

As tropas que entrarão são as seguintes: 2 companhias do regimento de Navarra em força de 100 homens com suas cornetas, huma grande parte do regimento de milícias d’Orense, de que he commandante o celebre ladrão guerrilheiro D. Ignacio Pereira: alguns paizanos armados portuguezes, commandados por alguns transfugas officiaes portuguezes: varios padres e frades.

O general Moura governador de Valença e agora interino da provincia mandou logo 100 bayonetas commandados pelo major Queiroz. Depois mandou 40 homens de milicias de Villa do Conde e Vianna.

 

 

Retirado de: O Spectador Brassileiro

 

http://books.google.pt

 

EVA MARIA - 1º ANIVERSÁRIO

 

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Sábado, 3 de Outubro de 2015

GUERRILHA EM MELGAÇO NO SÉCULO XIX - III

51 e2 - moinho.jpg

Lamas de Mouro

 

 

 

(continuação)

 

A vida do Tomaz das Quingostas foi cortada pelas balas da tropa no dia 30 de Janeiro de 1839 na quinta da Alota, em São Paio, quando das Quingostas, enquadrado por elementos da Ordem, vinha preso para Melgaço.

A sua morte foi um assassinato como tantos naquele tempo, legal se o quizerem ver assim, mas um assassinato chocante e condenável em todos os tempos e em todos os logares, quer fosse provocado pela tentativa de fugir aos captores, quer por inadvertidamente, como se diz também, ter pisado os calos ao soldado – o assassinato dum homem sem devassa nem pronúncia o envolverem nas malhas, sem qualquer julgamento lhe ser feito, sem nenhuma condenação ter sido pronunciada contra ele pelas justiças da terra.

Vai passado mais de um século sobre essa data e por estas redondezas ainda hoje se ouve uma ou outra voz depreciativamente aludir à serra e aos tempos do Tomaz das Quingostas.

E enquanto uns, contando desvarios e violentas façanhas, o apresentam como vulgar quadrilheiro e o retratam como ladrão atrevido e assassino sem qualquer escrúpulo, outros, lembrando generosidades havidas com pobres lavradores, atiram para as costas dos comandados com todas as violências e mostram-o, a ele, caçador apaixonado e papa léguas da montanha, homem de muitas e boas relações no meio, acarinhado pelos grandes e a tirar exclusivamente a ricos, unhas de fome, algumas dezenas de mil reis para ele mesmo os entregar, depois, a desgraçados cuja boca não trincava a brôa precisa para mourejarem nos campos todo o santo dia e parte da noite.

A sua vida está a pedir revisão e, se um dia se fizer, talvez desse processo póstumo, saia ele de muitas e muitas culpas ilibado.

E despejado, precisamente, daqueles actos mais degradantes atribuídos à sua vida, talvez ele surja aos olhos dos melgacenses, como os Marçaes e os Brandões das Beiras, com a nova aureola de figura política marcante e talhada pelos moldes daqueles tempos da forca miguelista de 1828 a 1833 e do regabofe e anarquia liberal de 1834 a 1838, militando nas hostes miguelistas contra os constitucionais e, depois, setembrista da última hora, com a tal guia passada pelo Conde das Antas, contra os carlistas, aproveitando a sua sombra, como é natural e humano, para manter em respeito a um ou outro recalcitrante, a este ou àquele empata folhas da victória da sua facção política.

O imperativo da história e a honra da terra ficam agora impondo essa revisão e para a encetar e para iniciar, quiçá, a reabilitação da memória desse melgacense, como um acto de justiça às suas possíveis virtudes cívicas, de tantos documentos existentes sobre Tomaz Joaquim Codesso, «comandante da guarda volante do Alto-Minho» apenas um escolho para ser ponderado:

 

   «Administração Geral de Viana

   1ª Repartição

   2ª Secção

   Nº 303

   Circular                               Ill.mo Sñr

 

Tendo sido informado de viva voz pelo General Comandante da Divisão de Observações das Províncias do Norte, o Visconde das Antas, que elle a bem do serviço público havia concedido uma Guia a Thomaz das Quingostas cumpre que V. S.ª quando pelo mesmo lhe fôr aprezentada a mencionada Guia observe as disposições que ella contem.

Deus guarde a V. S.ª Vianna 23 de Dezembro de 1837

O Administrador Geral interino

  1. R. Marreca

 

Ill.mo Sñr Administrador do concelho de Melgaço»

 

O bando de Tomaz das Quingostas lembra a fábula «O Lobo e o Cordeiro» e, como este, vai arcando com todas as culpas, da responsabilidade de outros, embora. Nenhum dos seus acusadores descobriu ainda as terras de Melgaço e as dos visinhos concelhos trabalhadas pelos sectários da usurpação na falaz expectativa de qualquer vantagem alcançada pelos Carlistas, em alguma das muitas províncias fronteiriças de Espanha, trazer para Portugal a oportunidade apetecida para uma revolta contra o governo português comparsarem também; nenhum dos seus evocadores procurou desenvencilhar as consequências trazidas para Melgaço pelo scisma religioso de 1832-1842 começado no Porto e especialmente agudo em toda a diocese de Braga, onde chegaram a exercer simultaneamente autoridade, sem autoridade, dois Vigários Capitulares, ou apreendeu as lutas surdas e as travadas nos púlpitos, surpreendendo assim esse irrequietismo de Melgaço provocado pelos padres miguelistas na quadra do Tomaz das Quingostas, pois «que no concelho de Monsão appareceu um frade da Falperra chamado Frei Sebastião, que dizia ter vindo de Roma, e ser portador de excomunhões do Santo Padre, para os Ecclesiásticos empregados pelo Governo Constitucional, o qual nomeou Delegados para absolverem os que se lhe apresentassem, ordenado-lhes que não communicassem com os não absolvidos, sendo um destes Delegados o ex-abade de Rouças», o P.e Diniz Ferraz de Araújo, cujo múnus desde 1834 a 1844 exerceram sucessivamente os encomendados P.e Manuel da Conceição, P.e João da Rainha dos Anjos Cunha e P.e Agostinho Manuel Cardoso; nem tão pouco nenhum dos seus detratores visionou todas estas terras do Alto Minho invadidas sucessivas vezes por guerrilhas espanholas e entre estas pelo bando de cento e cincoenta homens capitaneados pelo célebre Guillade, um dos apaixonados chefes do movimento carlista galego, que conseguiu entrar em Tui e em Vila Verde e foi morrer no ataque a Lugo, na conhecida Guerra de Los Siete Años.

Talvez, desde hoje, no espírito do melgacense culto fique abalada a tradicional ferocidade atribuída nas seroadas dos aldeãos a Tomaz Joaquim Codeço se, acaso, consegui humanisar esse vulto das lutas liberais melgacenses e, esbatido de muitas sombras, apresentá-lo na ribalta como um vulgar facioso daqueles tempos; mas nos recantos das aldeas, ninguém se iluda, a sua vida há-de continuar a entreter as horas dos serões, longe da história e afastada da verdade, porque a lenda do Tomaz das Quingostas está feita.

  

 

Melgaço e as Invasões Francesas 1807 – 1814

Augusto César Esteves

Edição do autor

Tipografia Melgacense

Melgaço – 1952

pp. 38-47

 

 


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Sábado, 26 de Setembro de 2015

GUERRILHA EM MELGAÇO NO SÉCULO XIX - II

51 d2 - azenha.jpg

azenha

 

(continuação)

 

Dias antes perseguido outra vez pela tropa, fôra ele encontrado no caminho de São Bento do Cando, em 11 de Julho. Apanhada a guerrilha de surpresa, pode ela, contudo, escapar-se das garras da força pública, mas deixou ficar no sítio vários objectos e um cavalo, que a tropa apreendeu.

Este insucesso foi também imputado ao cirurgião e, para salvar a vida, remiu-o pagando uma segunda indemnização: 99$800 reis.

Mas como a tal luta de morte não acabara ainda, nos primeiros dias de fevereiro do ano seguinte o Comandante da 4ª Divisão Militar, com o conhecimento e aplausos do Governo de Sua Magestade a Rainha, anunciou às autoridades locais que, brevemente, uma força militar sob o comando do Major de Caçadores 4, José de Figueiredo Frazão «vai occupar esse Concelho, o de Monsão e Valladares, com o importante fim de conseguirem o extermínio ou dispersão da Quadrilha de salteadores que tantos males tem causado aos seus infelizes habitantes, e de que é chefe o malvado Cangostas.»

Poucos dias volvidos sobre este aviso, Paderne foi ocupada por trinta baionetas da Ordem, de propósito mandadas por autoridades superiores para efectuarem o extermínio da fera humana.

Por este mesmo tempo, no monte de Montrigo, na própria freguesia de São Paio, casualmente vieram à fala Tomaz Codeço e Manuel de Caldas e dessa conversa saiu o empréstimo de cinco libras de ouro, feito por aquele para este governar a sua vida.

Em março de 1838 «com muita violência e ameaças de vida» foram-lhe ainda exigidos mais sessenta alqueires de milho.

Não contente com este canastro, segundo parece sempre aberto para fornecer de brôa os guerrilheiros, em 26 de agosto recebeu o Tomaz das Quingostas cento e cinco mil reis por um cavalo, que lhe levara o Izidoro, alferes de voluntários e, em 17 de Outubro, uma clavina, entregue pelo Caldas na sua própria casa ao buscador Caetano Manuel Meleiro, da Granja.

Como sempre o Caldas de Real foi o bode expiatório; por aquele cavalo apreendido pelo alferes de voluntários tinha-lhe sido pedida avultada indemnização de 207$800 reis e para tanto lhe não pagar «se valeu de alguns amigos que o compuzeram pella quantia de sento e sinco mil rs e huma clavina de vallor de sinco mil rs.»

Roubado, perseguido, procurado de dia e de noite, o cirurgião Caldas resolveu sair de São Paio e refugiou-se na vila, porque o Tomaz era «Homem destemido, ladrão e matador, que roubaba de dia e de noite e quando se lhe não desse ou fezesse o que elle queria logo entimava a penna de vida e assim o executava» e «depois de indultado se fez mais temível cometendo mortes e vários roubos como foi na romaria da Sr.ª da Peneda em 7 de setembro de 1838, Riba de Mouro, andando em todo o monte temível, muito armado e com a cometiva da sua quadrilha que a todos ameação e todos temiam pellas suas dezordens.»

Mas se tudo isto se articulou no tribunal, nos mesmos autos se escreveu, que entre Tomaz Codeço e o Cirurgião tinha havido toda a familiaridade e bom entendimento e, por vezes, dos dinheiros do Tomaz se valeu o Caldas nas suas aflições e ainda hoje se pode ler num papel esta passagem:

 

«P, que o A, antes de fallecer o filho da Re Tomaz Joaquim Codeço foi por elle demandado e afinal fizerão por intervenção de Pessoas na prezença das quaes já mais o A, podia recear máos tratamentos e ahte nesse tempo o filho da Re andava andava com a guia que lhe passou o Conde das Antas e tanto respeitava a Ley que para haver o que o A, Manuel José de Caldas lhe devia, o chamou à Justiça e o fez citar para as acçõens competentes.»

 

E antes do Tomaz das Quingostas chamar ao juízo conciliatório o cirurgião Caldas, diligências se fizeram para tirar a corda da garganta deste devedor, como ressalta desta carta:

 

   «Quingostas 19 de Abril de 1838

                Il.mo Sñr. Juis

 

Dezejo a sua saude geralmente a tudo o quanto lhe pertence a ?? he ofreço no seu serbiço &

                Il.mo Sñr

 

No dia de onte findou o nosso contrato com o serujião i por isso Rogo a V S.ª o favor de me não pedir mais por semelhante patife; por isso antes quero que V S.ª fique com elle de o tal maroto; para quem entende bai isto. Fico pronto para tudo o quanto lhe prestar

   Sou seu v

                           Thomaz Joaquim Codeço

  1. S. os trinta mil reis que recebi ficão a comta da obrigação que tenho delle.»

 

E esta carta entende-se, ligando-a com a tentativa de conciliação feita na Casa e Quinta da Cerdeira em 9 de Junho de 1838 perante o cidadão Joaquim Thomaz Correia Feijó, juiz da paz e órfãos no círculo das freguesias de São Paio, Vila e anexas, diligência a que não compareceu Manuel José de Caldas.

A morte levou Tomaz das Quingostas sem lhe dar tempo para fechar as contas com os fornecedores da sua casa, nem com os credores e como seu pai, José Codeço, já tinha falecido, herdou-lhe os bens a mãe, a quem todos eles foram pedir a liquidação dos débitos.

Aceite a herança a título de inventário, foi no tribunal que se ajustaram as contas, tendo os jurados reduzido ao justo valor várias das verbas pedidas.

Pequena quantia foi reclamada pelo crédor Dom Pedro Vasques de Puga, da Casa e Quinta da Moreira, na Galiza e apenas 63$940 reis foi a soma exigida por António Luís Pereira, negociante, do lugar dos Moinhos, da freguesia de Paderne, proveniente de vários fornecimentos feitos ao Tomaz das Quingostas, tais como maços de cigarros, caixas de fósforos, queijo, bacalhau, 15 kilos de açúcar, verbas de dinheiro emprestado, como 1$440 e 2$400 reis, um tinteiro e areeiro de louça, um par de luvas de troçal de sêda preta e outro de seda azul, chumbo de caça, uma importância de fogo paga ao fogueteiro de Santa Cristina, 14$000 reis, a maior verba lida nesta conta.

 

(continua)

 

 


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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2015

GUERRILHA EM MELGAÇO NO SÉCULO XIX - I

51 c2 - cast lab.jpgterras castrejas

 

      PORQUE A LENDA DO TOMAZ DAS QUINGOSTAS ESTÁ FEITA…

 

 

«P. que no anno de mil e oitocentos e vinte e seis o A. Francisco José Pereira, e sua molher, ainda viva, Ana Maria d’Araujo, temendo-se das Guerrilhas que naquella Época ameaçavam esta Villa, aonde chegarão a entrar por vezes, derão a guardar ao Reverendo Manoel José Esteves, do logar da Sella, do concelho de Valadares, toda a mobília e trastes preciosos, que possuião.

  1. que tendo o ditto Padre Manoel José Esteves, os dittos trastes e mobília do A. em sua caza Thomaz Joaquim Codeço, filho da R. assuciado com huns facinorosos ladrons e destemidos, de propósito e cazo pençado se forão na noute de 17 para 18 do mez de Fevereiro do anno de 1827 a caza do ditto Padre Manoel José Esteves, e sem que este podesse resistir a tanta força Armada lhe roubou o ditto Thomaz toda a mobília e trastes constantes da Relação junta, que requerem se leia as Testemunhas; e para que o mesmo Thomaz não acabasse de roubar o mais que ali existia pertencente aos AA. teve o mencionado Padre de dar ao mesmo Thomaz em moeda corrente a quantia de 34$080 reis que o A. dezembolçou para endemenizar o Padre.
  2. que além disso em 12 de Maio de 1828 veio o dicto Thomaz a casa do A. e o constrangeo a que lhe deçe da sua Loja as fazendas e dinheiro constante da mesma Relação; tornando-lhe a pedir em 25 de Fevereiro de 1836 cinco côvados de Baeta que o A. teve de Comprar, e lha remeteo pelo mesmo portador que a veio pedir e buscar; emportando tudo na quantia de 280$100 reis preço em que os AA. o estimão, ou por aquillo que se liquidarem respeito a mobília e trastes».

 

Não apurei a causalidade, mas o Tomaz das Quingostas foi preso para as cadeias da Relação do Porto e essa prisão só podia ter sido efectuada depois de 1828.

Saído «das cadeias do Porto em 1832 pela entrada do Senhor D. Pedro naquela cidade» e, na verdade todos os historiadores daquele período da luta fratricida confirmam terem as forças desembarcadas em Pampelido, à sua chegada ao Porto, aberto as prisões e soltado os presos, indultando-os assim, veio o Tomaz para São Paio, sem aguardar para a escápula a caricata aventura de Carlos Napier.

Sua mãe tinha no lugar de Baratas uma casinha onde fôra feito, dizia-se, o património do primo do seu filho, o P.e Manuel António Pereira Codesso, morador no lugar do Cruzeiro, mas comprada pelo seu marido era ainda solteiro.

O Tomaz, ao chegar à terra, fôra-se logo com machadas e verrumas, cravos e martelos à referida casa e, à valentona, lhe cravará as portas, ficando até, alegou o padre, dentro fechadas umas suas sobrinhas.

Com este acto de violência parece ter atemorisado muita gente e especialmente aquele clérigo, pois sempre ele se disse receoso de perder a vida às mãos do parente.

Perde-se-lhe a pista no resto daquele ano, mas não repugna a suposição de ter gasto esses meses na formação de uma guerrilha ou a reorganisar a malta de facinorosos e atrevidos ladrões, acusada como já existente nos tempos anteriores à prisão.

Perto das Baratas vivia o Cirurgião de Real, Manuel José de Caldas, casado e com filhos, a prestar os seus serviços por aquelas redondezas em troca das avenças dos fregueses, quase todas em milho, e por isso havia bom passadio no seu lar.

Ora em Janeiro de 1834 o Tomaz das Quingostas exigiu do cirurgião quarenta e sete alqueires e meio de milho e em Julho do ano seguinte mais cincoenta alqueires e tres quartos.

Pouco dias antes desta última data a Prefeitura do Minho iniciara a caça ao Homem, oficiando aos sub-inspectores de Melgaço e Monção para lhe ser feita guerra de morte, com «a suspeita que sejão um fermento de guerrilha notrindo rellaçõens com os faciosos do reino vizinho» e no princípio do último trimestre deste mesmo ano secundara a caça o Governo Civil de Viana, mas confessando, abertamente, haverem-se «tornado infructíferas todas as medidas adoptadas para este fim, pelo auxílio que os mesmos Povos dão a este chefe, fazendo-se por isso tão cúmplices como os referidos Salteadores…»

Tomaz das Quingostas nem assim transferiu o seu quartel general para outra região, mas os acontecimentos políticos desenrolados no país e, sobretudo no distrito, dele distraíram as atenções dos diversos dirigentes da nação, durante o ano de 1836.

Á vontade, portanto, o Tomaz continuou a campear em Melgaço e em 7 de Maio de 1836 fez ao cirurgião Caldas a nova exigência de setenta e dois alqueires de milho e, como tantos não havia em casa, levou-lhe o rol das avenças e foi cobrar a maior parte do cereal à casa dos próprios fregueses.

O Tomaz das Quingostas foi então perseguido pela tropa e, desconfiando do cirurgião, considerando-o único espia dos seus actos, recebeu em agosto como indemnização: um cavalo, levado das Baratas pelo seu companheiro bem conhecido pela alcunha «O Casal de Sante» e em outubro um touro, tangido desde ali pelo João Ferreiro, de Baratas.

 

(continua)

 


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