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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

ANTIFRANQUISTAS EM CASTRO LABOREIRO E MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 11.01.20

P1090625 Américo Rodrigues e unha testemuña da v

    américo rodrigues e uma testemunha da vida arraiana em melgaço na época das ditaduras

 

REFUGIADOS E GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM CASTRO LABOREIRO (1936 – 1943)

 

 Américo Rodrigues (1)

Castro Laboreiro, 25.05.2017

 

A freguesia montanhosa é rodeada a norte, nascente e sudeste pela Galiza – várias comarcas – perfazendo a raia seca entre Minho e Lima, traçada desde o marco 2 ao 53. No sul da freguesia, a fronteira é riscada pelo rio Laboreiro, desde Mareco ao sul do Ribeiro de Baixo. Pela sua situação geográfica, nos anos trinta, o contrabando era a principal indústria local. Em 1936 existiam três postos de Guarda Fiscal (GF): Portelinha (saída da freguesia em direcção a Melgaço), Vila (central) e Ameijoeira, junto ao marco 52 e 53. Fora da freguesia, bem perto, o posto de Alcobaça.

Nos anos 70, nas inverneiras, os caminhos eram empedrados e a luz era de candeia. À época, minha avó materna tinha teto de colmo. Era normal os vizinhos juntarem-se à troula (2) para matar o tempo invernal nas noites mais longas. Depois da ceia castreja (3), os contos nos escanos, junto ao lume, eram para todos os gostos. Ocupavam o palco brilhantes narradoras, nascidas nos primórdios do século XX. O guião histórico e cultural era sempre riquíssimo. É verdade, nestas terras altas, discorrendo sobre assuntos do terrunho, as mulheres sempre foram mais sábias que os homens, condenados desde tenra idade às agruras da emigração. A guerra civil de Espanha (1936-1939) por vezes vinha à baila. Os “roxos” (4), sem saber na verdade quem eram, os falangistas ou Francisco Franco, que tinha o nome do meu avô paterno – Francisco Rodrigues falecido numa pedreira de Paris em 1933 -, começaram a fazer parte do meu léxico.

Os dois esconderijos de refugiados mais próximos do lugar do Barreiro, a Gruta dos Refugiados do Piorneiro (na verdade dois sítios), e a Lapa da Ponte Cimeira, em frente ao monte da Fraga, eram referências obrigatórias. Alguns vizinhos, principalmente rapazes novos, tinham levado comida aos galegos que estiveram nesses locais. No Piorneiro estiveram homens fortemente armados. Chegaram a fazer um carro de vacas para particular. Quem não faltava também, nesses passos nostálgicos, eram os escapados que acolheu a vizinha da minha criação, Isabel Domingues, a tia Carvalha, também Valenciana, no Barreiro e em Queimadelo, lugar onde a tia Monteira também os recebia. Estes desesperados muitas vezes ajudavam na economia do lar, com víveres ou dinheiro. Contribuir com trabalho braçal era raro pela excessiva mão de obra (5) existente naquele período e pela pobreza dos sítios.

Eu imaginava a gabada beleza da professora Eudosia Lorenzo Diz, “a Maestra”, denunciada de forma covarde e aprisionada a 17 de maio de 1938, juntamente com os seus progenitores, pelo chefe da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE, de 1933 a 1945) do Peso, acompanhado de guardas do Posto de Portelinha, no lugar do Rodeiro, onde  ensinara as primeiras letras às crianças que a procuraram, na casa de António Domingos Rendeiro.

Salvou-se milagrosamente e rumou a Marrocos, via Lisboa, em 10 de agosto de 1938. Tinha chegado a Castro Laboreiro em 20 de julho de 1936.

Rosaura Rodriguez Rodriguez, refugiada, apesar da jovialidade, já tinha quase 80 anos, morava numa casinha feita pelos vizinhos no lugar de Açureira, a 200 metros da minha escola primária de inverno. Era de Bouzadrago, aldeia galega que dista poucos quilómetros. Optara por ficar para sempre no lado português. Desaparecida a loja permanente do tio Bernardo no lugar, quando os vizinhos subiam às Brandas esta mulher, aparentemente singela, ficava sozinha, rodeada de carvalheiras durante muitos meses. Sem medo algum, dava que cismar aos mais novos, era uma vida de mistério e coragem.

Fascinou-me sempre o episódio da morte violenta do guarda fiscal na taberna da Macheta, Vila de Castro Laboreiro. É verdade que fui educado a desconfiar de guardas mas, seria correcto os contadores da tragédia não condenarem o crime de forma inequívoca? O atirador teve poiso em Várzea Travessa, Barreiro (casa da tia Carvalha) e Ribeiro de Cima, suspeitava-se que era um oficial importante da aviação, apresentava-se de forma impecável, fato e gabardina, muito educado, tinha escola, diziam os castrejos que com ele privaram. Era conhecido por Manolo, o Dente de Ouro. Depois do trágico acidente foi confrontado pelas autoridades no Ribeiro de Cima. O perfil, desaparecer sem deixar rasto, e o acontecimento brutal e decisivo que colocou as autoridades definitivamente no encalço dos refugiados, ficou para sempre na memória da freguesia.

Os galegos que prenderam no Bago de Baixo foram fuzilados. A guarda cercou o lugar e foram encontrados na côrte das vacas na casa dos Negritos. Estavam na moreia do estrume (6), roçado no monte e destinado à cama dos animais. Usaram estacas de ferro para os procurar e fazê-los sair.

Júlio Medela, refugiado da Lobeira casou no lugar de Formarigo, os filhos frequentaram a escola e os bailes casadoiros com os nossos pais.

Contavam-se fatias de assaltos violentos a lojas galegas nos anos 40, realizados por alguns escapados. Os atracadores usavam armas de guerra. O Rizo e Enrique, o Médico, eram nomes famosos.

Na minha criação, estas e outras referências a nomes, profissões, locais e episódios, ainda abundavam por toda a freguesia.

A Guerra Civil de Espanha de alguma maneira fez parte da minha meninice. Há muito que o tema me fascina, anda na minha cabeça, algumas vezes pensei em escrever sobre o assunto, mas tinha algum receio, porque me faltavam dados e, principalmente não valorava convenientemente a temática.

 

(1) Docente de informática. Administrador de Sistemas Informáticos.

Áreas de formação (Universidade do Minho): Informática, Matemática e Educação.

Co-Fundador do Núcleo de Estudos e Pesquisa Montes Laboreiro.

(2) Serão nocturno de convívio.

(3) Jantar.

(4) Alguém politicamente das esquerdas.

(5) Centenas de homens que emigravam normalmente para Espanha e França estavam junto à família.

(6) Em Castro, mato constituído de tojos, carqueijas, etc.

 

BOLETIM CULTURAL DE MELGAÇO

Nº 10

2018

pp. 168-172

 

HOMENAGEM A PEPE VELO EM MELGAÇO

 

P1090611 Presentación do acto.JPG

 apresentação do evento

 

P1090618 Momento do descubrimento do  monolito.JPG

 descerrar do monolito

 

P1090632 Representante Deputación de Pontevedra.J

 representante deputación de pontevedra

 

P1090634 Representante Cámara de Melgaço.JPG

 representante câmara municipal de melgaço

 

P1090621 Xosé González Martínez (Asociación Lo

 xosé gonzález martínez - asociación lois peña novo

 

P1090627 Antonio Piñeiro,  estudoso de Pepe Velo

 antonio piñeiro estudoso de pepe velo e traballa na casa do concello de celanova

 

P1090649 Público en xeral o día da inauguración

fotos cedidas pelo senhor xosé garcia 

 

A PÁGINA ON-LINE DA CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO, PORTAL MUNICIPAL DE MELGAÇO, NÃO DEDICOU UMA ÚNICA LETRA A ESTE EVENTO QUE FOI PATROCINADO PELA PRÓPRIA CÂMARA.

GUERRILHA ANTIFRANQUISTA EM CASTRO LABOREIRO

melgaçodomonteàribeira, 07.12.19

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CREACIÓN  DE LA PRIMERA GUERRILLA ANTIFRANQUISTA EN GALICIA

 

En el año 1939 en fecha indeterminada llegó a Castro Laboreiro (Portugal) un tal Manolo llamado popularmente “Dente de Ouro”, por esse detalle físico. Vivió en Varzea Travesa y en Ribeiro (Portugal), Era muy hábil y capitaneaba a todos los huidos españoles de la zona (declaraciones de Saturnino Darriba y Luisiño).

Realizaba frecuentes viajes a Lisboa y Oporto.

En una ficha informe del SIG (servicio de información de la Guardia Civil) de Septiembre del año 1943 fue identificado como José Rodríguez Páramo de Doade, La policía española lo confirmó por las mismas fechas como Armando Pompilio Fdz Gonzalez vecino de Ourense,

Román Alonso Santos escribe… (Una persona tan significativa en la conformación del grupo guerrillero en la zona fronteriza hispano-portuguesa logró despistar al servicio de información de la Guardia Civil (SIG) y a la Policía Española. Es preciso añadir además su habilidad para salir físicamente íntegro de las situaciones comprometidas).

El nombre de Manolo utilizado en Castro Laboreiro (Portugal) por Victor García García “el Brasileño” era uno de tantos que utilizó a lo largo de su vida clandestina: Antonio, o “Brasileiro”, Estanillo, Manuel Brasleiro, Antonio Ortiz Risso, Manuel García, Antonio García… Com la llegada de Manolo (Dente de Ouro), se impuso un nuevo paradigma de funcionamiento entre los huidos asentado en una clara definición política de la situación. Según la declaración de Pepe do Quarto propuso unirse a todos los refugiados de la zona para protegerse y ayudarse mutuamente porque no estaban ocultos en Castro por bandidos sino por su idoelogía política de izquierdas y por haberse manifestado de palabra y acción a favor de la República y del Frente Popular. No nos consta, escribe Román Alonso pero dado que Manolo era una persona inteligente y culta pudo talvez explicarles que en aquel instante estaban “erizados” los montes de toda España com miles de guerrilleros que traían de cabeza a Franco.

Asi creó “el Brasileño” el primer grupo guerrillero organizado de toda a Galícia localizado en el suroeste Ourensan. Según Luisiño acampaba fundamentalmente en Castro (Portugal) y tenían bastante armamento. También opina José Bernardo que usaban armas cortas de fuego.

Mención especial merece el recuerdo Rosa la “africana” vecina  de Ribeiro de Cima que tenía varios hijos ya mozos y su casa era habitualmente frecuentada por los guerrilleros. Rosaura Rodríguez declararía en uno de los muchos interrogatorios que sufrió, que los tres hijos mayores de la “africana” acompañaban frecuentemente a Manolo Dente de Ouro.

Se citan en esta primera partida guerrillera entre otros los nombres de Paramo, Ramón Yáñez, Rosario Rodríguez Rodríguez, Gabriel Hernández González con Saturnino Darriba, O Rizo y otros valientes luchadores antifranquistas que sería prolijo delatar. O Rizo pese a ser el más nuevo del grupo, o Luisiño le percebía como uma especie de lugarteniente de Manolo Dente de Ouro, el jefe indiscutible.

Un refugiado gallego de izquierda, fue detenido por la policía portuguesa en Alvaredo (Melgaso) y entregado a la española. Interrogado por esta acerca del número de demócratas españoles huidos de la represión franquista y existentes en los pueblos y montes portugueses limítrofes, confesó que eran unos trescientos, armados para su defensa com fusiles Máuzer y pistolas ametralladoras, suministradas en gran medida por la mediación y ayuda financiera de Manolo Dente de Ouro.

 

                                                           Victor Garcia Jr, su hijo

 

 

Retirado de: Víctor García G. Estanillo el Brasileño

http://blocs.tinet.cat/lt/blog/victor-garcia-g.-estanillo-el-brasileno

 

MELGAÇO E CELANOVA NUM ABRAÇO A PEPE VELO

melgaçodomonteàribeira, 16.11.19

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HOMENAXE A PEPE VELO

 

O PROFESSOR AMÉRICO RODRIGUEZ É O AUTOR DUNHA COLABORACIÓN PUBLICADA NO BOLETIM CULTURAL DE MELGAÇO TITULADO “ REFUGIADOS E GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM CASTRO LABOREIRO (1936-1943)”, NA QUE DEBULLA MIGALLEIRAMENTE AS VICISITUDES DE MOITOS GALEGOS QUE FUXIRON DO TERROR DO FASCISMO NO ANO DE 1936.

 

POR XOSÉ GLEZ.|REDONDELA|28/10/2019

 

O Ribeiro, Alagoa, Portos, Eiras ou na Seara, branda do Bico, foron algunhas das aldeas e lugares de Castro Laboreiro foron escenarios escollidos para residiren temporalmente mentres non procuraban unha saida cara o exilio.

Por Crecente, nunha batela, pasou a Melgaço tamén Pepe Velo, despois de estar choído durante moitos meses nun agocho en Moreiras, Celanova. As vicisitudes que tivo de pasar ata chegar ao Peço, onde atopou o amparo dun amigo no hotel Vila de Ranhada, son recreadas por Anton Piñeiro nun relato de próxima publicación co título “As augas do mañá” no que conta esas peripecias ata chegar a Lisboa.

Na capital portuguesa foi detido pola PIDE e safouse de ser entregue ás autoridades franquistas grazas á intervención do novelista venezolano Rómulo Gallegos, amigo seu, que por aquel entón era presidente do pais. Por esa mediación o Consulado venezolano en Lisboa expedíulle un Pasaporte de Emerxencia (núm. 67/48) ”de acordo coas instrucións recibidas do Ministerio de Relacións Exteriores de Venezuela”. Así foi como Pepe Velo puido chegar ao porto de Guarya semanas despois, onde vivíu deica xaneiro de 1961.

Na capital venezolana Pepe Velo dedicouse ao ensino e desempeñou cargos relevantes na colectividade galega, ao tempo que desenvoveu unha frenética actividade política que coroou coa creación do DRIL (Directorio Revolucionário Ibérico de Liberación), que o 21 de xaneiro de 1961 protagonizou a gran xesta heróica do secuestro do buque “Santa María” da “Compañia Colonial de Navegación” portugues. El foi o que deseñou a estratexia e dirixíu o secuestro, como recoñece a prensa internacional daqueles días.

Cómpre dicir que Pepe Velo fora militante das Mocidades Galeguistas en Celanova. Pero a súa radicalización política levouno a colaborar con instancias próximas ao Partido Comunista, concretamente na coordinación da guerrilla no sur de Galicia. Por mor deste compromiso foi deito, torturado e confinado ao cárcere de A Coruña. Aproveitando unha liberdade condicional foxe e refúxiase, como dixemos, en Moreiras…

Pepe Velo era un coñecido da miña casa familiar. Nas sobremesas falábase del. Meu pai construíulle o mobiliario para a academia que tivo, primeiro no barrio das Travesas e logo na rúa Carral, de Vigo. Pero amais diso, entregáballe periodicamente a súa avinza para a loita clandestina.

Pasados os anos, cando me iniciei na militancia nacionalista, o exemplo de Pepe Velo tíveno sempre presente. Perguntáballes aos vellos galeguistas e comunistas sobre el, e non atopei máis ca viscelaridade nas súas respostas. Para eles Pepe Velo era un tolo e un terrorista. En desacordo com tales despropósitos escribínlle ao seu curmán e amigo meu, Carlos Velo, o nosso gran cineasta que vivía no exilio mexicano que me facilitase información sobre el. A resposta foi inmediata (16 de decembro de 1985): “Amigo Pepe: Ei che mando algúns papeis do gran Pepe Velo e o teléfono de seu fillo, Victor Velo, que vive en Sao Paulo. Chámao da miña parte”. Dito e feito. Ao pouco Victor envioume unha morea de documentos inéditos de seu pai. Con eles publicamos un suplemento de catro páxinas no Faro de Vigo, reconstruíndo o vizoso perfil dun republicano galego que foi capaz de poñer en solfa ás ditaduras española e portuguesa durante os días que durou e secuestro do Santa María.

Pepe Velo profíaba no ideal dunha Iberia unida. A sua vída dedicáraa a soñar maneiras novidosas e decisivas para a consecución dos seus obxectivos, que non puido ver realizados porque morreu no exilio en 1972 aos 54 anos.

Agora chegoulle o tempo dos recoñecementos. Xa hai dous anos colocamos unha placa conmemorativa no edificio onde vivira en Vigo. O dia 6 de decembro, en Melgaço, descubrirase un monolito dedicado a súa memoria. En xaneiro, no parque das trigueirizas de Celanova, colucaremos o seu busto en bronce. Dúas homenaxes promividas pola Fundación L. Peña Novo e a Asociaçión de Amigos do Couto Mixto coas colaboracións dos concellos de Celanova e Melgaço, e tamén da Secretaría Xeral de Política Linguística.

 

Enlace á noticia:http://www.galiciaconfidencial.com/noticia/107666-homenaxe-pepe-velo

 

Este texto foi enviado ao blog pelo seu autor, Xosé Glez.

 

 

O GUERRILHEIRO EM CASTRO LABOREIRO

melgaçodomonteàribeira, 28.09.19

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INTENTO DE DETENCIÓN DE MANOLO (VICTOR GARCÍA “EL BRASILEÑO”) POR LA GUARDIA FISCAL PORTUGUESA

 

El intento de detención de Manolo (Dente de Ouro) es ya  leyenda popular.

La mayoría de gente de Pereira – Portugal, lo conocía. Aqui contamos la versión de Domingo Alonso (D.A.R.) una de las personas más próximas a los protagonistas en el territorio y personalmente.

El 2 de Mayo de 1943 por la noche, en Castro Laboreiro después de una cena conjunta en la que participaba Manolo, un guarda fiscal llamado Carlos intentó deternele. Al parecer hubo un diálogo previo:

“Señor Manolo, dese preso”.

“Déjeme en paz si no quiere tener problemas” le respondió.

El diálogo finalizó cuando, sintiéndose acosado Manolo, le disparó desde el bolso de la gabardina y le mató.

Huyó para Ribeiro de Cima, y se refugió en casa de Rosa Alves “La Africana”. Probablemente en este acidente participó también  “Enrique” (Ramón Yañez).

Estando en Ribeiro de Cima en casa de “La Africana”, Manolo fue cercado por unos veinticinco (25) guardias fiscales. Primero salió “Enrique” por un agujero hecho en la pared de la casa, com acuerdo previo de cubrir luego la salida de Manolo. No obstante “Enrique”, al verse acosado por los guardias, huyó. Salió luego Manolo por la puerta que daba al camino y gritó a los guardias:

“Dispararé al primero que se mueva!”.

“Oh, señor Manolo. Usted no debe hacer eso” respondió el jefe de los guardias.

La situación de la casa al lado del camino y la estrechez de éste, facilitó que probablemente Manolo les pudiese apuntar com sus armas a uno o a varios de ellos. Manolo se fue alejando sin que se atreviesen a dispararle.

José (J.A.P.) transmitía la creencia popular de que los guardias le tenían miedo.

Cuando ya estaba lejos abrieron fuego. Manolo huyó para siempre.

En la zona no se supo más de él, aunque su persona y sus hechos fueron recordados durante mucho tiempo y siguen vivos en la historia del lugar.

 

Retirado de: Víctor García G. Estanillo el Brasileño

http://blocs.tinet.cat/lt/blog/victor-garcia-g.-estanillo-el-brasileno

 

JUDEUS E MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 20.04.19

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porta do carvalho

 

VIVIENDAS DE JUDÍOS Y CONVERSOS EN GALICIA Y EL NORTE DE PORTUGAL

 

EMILIO FONSECA MORETÓN

 

ARQUITECTO POR LA ESCUELA SUPERIOR DE ARQUITECTURA DE MADRID Y ARQUIRECTO DE LA DEPUTACIÓN DE OURENSE. AUTOR DE VARIOS TRABAJOS SOBRE LA CONSERVACIÓN DEL PATRIMONIO, Y DE INVESTIGACIÓN DOBRE LA CIUDAD DE OURENSE.

 

Melgaço es de antiguo punto estratégico importante de la frontera definida por el río Miño. Preside aún la villa el castillo medieval que mandó levantar D. Afonso Henriques en 1170, quién le dio fueros a la población en 1181. Reconstruido en 1197 el castillo conserva su torre del homenaje y la muralla que la rodea. D. Afonso III le concedió a Melgaço un foro especial que liberaba la villa de toda tutela religiosa y pasó a depender directamente de la Corona.

Estuvieron la fortaleza y el caserío que la rodea protegidos por una muralla de la que aún se conservan algunos lienzos y puertas. Sin duda Melgaço acogió en tiempos medievales alguna población judía asentada bajo la protección de su castillo. La existencia de una fortaleza importante en la frontera del Miño, con su guarnición militar y sus administradores y funcionarios debió ser el motivo por el que D. João II señaló a Melgaço como uno de los seis puntos para permitir la entrada de los judíos expulsados de España en 1492. Esto indica que en Galicia existía entonces una población judía de relativa importancia (25). Es muy interesante el dibujo realizado por Duarte de Armas en su  “Livro das Fortalezas”, ya antes citado, que muestra como era la villa a principio de siglo XVI. Son pocas las casas que se conservan en Melgaço de esa época, pero en la puerta medieval de la muralla, que en su lado derecho conserva una inscripción latina del año de 1263 que conmemora la construcción ordenada por D. Afonso III, hay un rebaje pulido en la arista de su jamba derecha.

 

(25) No conosco estudios que documenten como y por donde salieron por tierra los judíos de Galicia que no se bautizaron y si se llegó a producir su paso por Melgaço y en que número lo habrían echo. Es de suponer que sí ya que era un lugar muy lógico y apropiado para el paso de los judíos de Galicia que no fueron al exilio directamente desde los puertos gallegos por mar. Si bien es cierto que un gran número de judíos gallegos se bautizaron no lo hicieron en su totalidad. Cabe suponer que por Melgaço habrián salido, aunque fuese en número reducido, algunos de Ribadavia. Sería interesante indagar con este propósito en los archivos portugueses.

 

Retirado de: Anuario Brigantino 2004, nº 27

 

http://anuariobrigantino.betanzos.net

 

MELGAÇO NO REINADO DE D. AFONSO V

melgaçodomonteàribeira, 27.10.18

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ponte românica em lamas de mouro

 

Valença do Minho enviou á assembléa de Lisboa em 1459, entre outros capitulos, este que é curioso sob varios aspectos. Havia n’esta villa, diz o capitulo, bom trafego do sal que aqui importavam d’Aveiro, e vendiam aos Gallegos que vinham por elle em bestas de Terra de Lima, «dourões» e d’outros logares de Galliza. Traziam elles á villa sebo, cera, untos, manteiga e muitas outras mercadorias e mantimentos. A maior parte d’esta gente entrava em Portugal por Crasto Laboreiro e Lamas de Mouro, por ser caminho mais direito e mais seguro; porém Martim de Crasto, alcaide que foi de Melgaço e assim Fernão de Crasto, seu filho, que é agora ahi o alcaide, vedaram-lhes o antigo caminho que elles seguiam, e isto por nos fazerem perder a venda do sal e o commercio de Galliza em razão de termos accusado o dito Martim, no tempo da regencia do infante (e chegou até a ser citado para se apresentar na côrte), de trazer ladrões que roubavam as cargas aos Gallegos que vinham ao sal e os prendiam. Martim e o filho querem obrigal-os a passar por Melgaço na vinda e no regresso, e pagar ahi a portagem que elles preferiam satisfazer em «cubulhom» (hoje Cubalhão) ou na ponte do Mouro, onde os alcaides de Melgaço costumavam receber a portagem. Mas porque se desviavam muito do caminho por esse novo itinerário, cessaram quasi todos de vir de Galliza buscar o sal a Valença, e vão por elle a «rondella» (?), a Ponte Vedra e outros portos da sua terra, do que resultou grande diminuição dos direitos fiscaes. Rematava a villa pedindo que não se mantivessem as innovações estabelecidas pelo alcaide de Melgaço. Em resposta manda o rei que o contador o informe do caso, e declare tambem onde se pagava antigamente a portagem e onde é mais conveniente que se pague. E depois de ouvir o alcaide, o faça (ao rei) «todo sabemte» para resolver o que mais achar por seu serviço e bem do povo (1).

 (1) Chancell. De D. Aff. V, liv. XXXVI, fol. 163.

 

Retirado de: 

http://ler.letras.up.pt

 

A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO

melgaçodomonteàribeira, 08.09.18

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rio trancoso

 

A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO. A FRONTEIRA GALEGO-PORTUGUESA TRAS O GOLPE DE XULLO DE 1936

 

(…)

 

No primeiro dos casos, e decir, un fusilamento cun xuicio, ainda que sumarísimo e urxente, documentábase o condeado, e polo tanto, eram mais doado o recoñecemento e a deportación cara Portugal. Cando a morte producíase pola acción dos teóricamente incontrolados, esto non era posible. Recibíronse informacións de morte de traballadores portugueses da vía férrea Ourense-Zamora, ou mesmo a escoita de disparos pólos postos de vixiancia da raia que logo resultan ser fusilamentos de persoas desta nacionalidade afincadas en España.

Mais a colaboración máis estreita neste proceso de represión tivo lugar na zona de Castro Laboreiro. Dende o comenzo da guerra houbo un importante continxente de fuxidos que tras pasar a fronteira tentaron agacharse nas súas montañas, levando a cabo en ocasións actividades contra o réxime portugués e contra os destacamentos ‘nacionais’. Era evidente que o mantemento dun grupo paramilitar dentro de territorio portugués, nunha situación de conflicto bélico no país fronteirizo non era unha situación moi agradable para as autoridades do Estado Novo.

Ainda que esta circunstancia fora un producto directo da situación de inestabilidade civil en España, o Estado Novo tiña que poñer remédio dende a súa autoridade para o seu territorio. Dende finais de xullo de 1936 tiveran lugar numerosas incursións de españoles armados nesta zona. Un mes despóis, Tomás Fragoso, Gobernador Civil de Viana do Castelo, recordaba ó Ministro do Interior portugués estas accións, e recomendaba a conveniencia de reforzar ós postos da Guardia Nacional Republicana para evitalas. O seu fin era evitar casos semelhantes e poder manter o prestígio português e defender a integridade nacional.

Mais o problema na zona continuou prácticamente durante toda a guerra civil. As batidas na procura dos agachados foron compartidas entre falanxistas españois e militares portugueses, moi especialmente a PVDE. Un membro desta informaba de como se realizaban as detencións:

 Geralmente, na montanha, estes indivíduos respondem com a fuga, ou com tiros, a intimidação de ‘Alto! ‘. E então a perseguição faz-se a tiro…

 

Emilio Grandío Seoane

 

Retirado de:

 

HOMENAXES

FACULTADE DE XEOGRAFÍA E HISTORIA

Departamento de Historia Contemporânea e de América

Universidade de Santiago de Compostela

 

http://books.google.pt

 

ALTO MINHO E GALIZA. ESTUDOS HISTÓRICOS

melgaçodomonteàribeira, 24.02.18

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O REITOR DA UNIVERSIDADE DO MINHO

 

O Professor Doutor José Marques é um académico de referência que desenvolveu a sua carreira na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com extensa obra publicada, reconhecido pelos seus pares nacionais e internacionais e referenciado pelos que tiveram o previlégio de ser seus alunos. Neste contexto, personifica o que nas universidades anglo-saxónicas se designa por scholar at large, pela holística dos seus conhecimentos e pela especialidade dos seus saberes, competências que são evidenciados ao longo deste livro por testemunhos muito variados.

Enquanto Minhoto de nascimento, bracarense de sacerdócio e investigador medievalista, José Marques teve um percurso que se cruzou naturalmente com o da Universidade do Minho (UMinho), numa relação natural, cúmplice e intensa que a Universidade quer reconhecer através deste testemunho do seu Reitor, na publicação desta obra e no evento que lhe está associado. Uma relação muito profícua e multifacetada que tem como principal locus o Arquivo Distrital de Braga (ADB), unidade cultural da UMinho que constitui um dos maiores acervos documentais nacionais, nomeadamente sobre a Idade Média.

José Marques tem sido um dos seus mais insignes utilizadores, cuja leitura com olhar perscrutante, abordagem científica e cruzamento de conhecimentos revelou conteúdos de documentos únicos. Este Arquivo foi um dos principais lugares de estudo e fonte de informação para o investigador José Marques, que ele utilizou intensamente ao longo de quase cinco décadas.

O Doutor José Marques retribuiu essa disponiblidade da melhor maneira e do modo como apenas um académico o pode fazer, pelo conhecimento que criou a partir suas leituras, investigações e análises integradoras e comparativas. De facto, na sua extensa lista de publicações são omnipresentes as referências ao ADB e, importa realçar, existem traduções, para latim moderno ou português, de compilações de documentos medievais como são os casos do Liber Fidei ou do Cartulário do Mosteiro de Fiães.

Para este Arquivo, esta Universidade e esta Região, José Marques é um pensador incontronável sobre o período histórico fundacional dos contextos sociopolíticos e administrativos que originaram o aparecimento da nação portuguesa e de uma geografia diocesana que teve enorme centralidade no nosso percurso histórico do último milénio. Pensador igualmente incontronável para perceber o espaço transfronteiriço e culturalmente identitário do Norte-Galiza. Espaço que a separação histórica entre os dois países ibéricos não eliminou e que se constitui hoje como património relacional, cultural, social, económico e político potenciador de novos modos da construção europeia.

Por tudo isto, o evento da inauguração das novas instalações do Arquivo Distrital de Braga teria de se cruzar com a figura de José Marques. Estas novas instalações são um investimento de grande qualidade, em montante superior a quatro milhões de euros, que dotará o ADB de excelentes condições para a persucução da sua missão de serviço público na conservação, disponibilização e divulgação do seu valioso espólio. É a concretização de um sonho para a Universidade e para todos os que, hoje, utilizam o Arquivo presencialmente ou por acesso remoto.

Estou certo que o nosso Amigo José Marques é um dos que está mais feliz com esta obra, ao ver os seus documentos – porque foi ele quem mais os utilizou – adequadamente preservados para que futuros investigadores possam continuar a sua obra.

Obrigado Professor José Marques, estou certo que o novo Arquivo continuará a ser uma das suas casas.

 

                         António M. Cunha

                        Reitor da Universidade do Minho

 

 

 

UM ESPAÇO FRONTEIRIÇO MAS DE “VIZINHANÇA”

 

A criação das fronteiras tem muito a ver com as decisões políticas, mas a sua consolidação demora muito tempo, nomeadamente no processo de serem aceites pelas populações que moram em territórios vizinhos. Contudo, a vizinhança é um valor mais forte do que as normas administrativas. Um exemplo que patenteia esta realidade é o limes político traçado desde o século XII nas terras da velha Gallaecia entre o reino da Galiza e o novo reino de Portugal. Passaram vários séculos e continuavam em vigor muitos vestígios da continuidade territorial praticada desde a época romana e sueva. Com certeza, as mudanças políticas da primeira metade do século XII foram irreversíveis, mas a permeabilidade da fronteira luso-galaica é um dado indubitável, ao menos até aos tempos modernos da guerra de Restauração.

Por esta razão, resulta do maior interesse construir de uma perspectiva cultural e historiográfica actual um discurso que não retroprojecte o sentido e significado das fronteiras dos modernos estados nacionais para tempos mais recuados. Bem o adverte o autor deste livro em nota de rodapé, quando indica que nos “períodos de guerra entre Portugal e Castela, já não podemos falar em Espanha, nessa altura”, assim como o constante reconhecimento dos “galegos” como identidade própria e da Galiza como um reino, mesmo acreditado nos documentos das chancelarias régias, por vezes mencionado como “Gualiza”. Oportuno relativismo que cura os excessos do presentismo. Esta vontade de entender, a partir duma enorme quantidade de fontes arquivísticas, o espaço situado entre os rios Lérez e Lima como um território comum é, no meu parecer, o principal contributo deste livro. Além disso, nesta publicação está recolhido o mais substancial do percurso investigador do professor e cónego bracarense José Marques, especialista medievalista e perito arquivista educado na escola, que teve também fundos ecos na Galiza, do professor Avelino Jesus da Costa.

Os grandes resultados da magna obra do professor Marques e da sua especialização historiográfica nas terras do Alto-Minho e da Galiza, ficam bem retratados no texto redigido pelo professor José Viriato Capela. Eu só poderia apontar qualquer consideração de caráter geral e acrescentar alguma “brasa à minha sardinha”, focalizando a existência de uma realidade territorial contínua entre as águas do Verdugo e as do Lima. Porque se algo fica bem patente na maioria dos contributos aqui reunidos é que os grandes actores da história destas terras durante os séculos da Baixa Idade Média foram, além dos monarcas portugueses e castelhanos, algumas instituições eclesiásticas como o mosteiro de Oia e, nomeadamente, a diocese de Tui que teve de agir entre dois poderes fortes – as arquidioceses de Braga e de Compostela. O mosteiro de Oia possuiu terras e mesmo uma granja ao sul do rio Minho até princípios do século XVI, o mesmo que o bispado de Tui, que logrou manter debaixo do seu governo paróquias situadas entre o Minho e o Lima, de Melgaço a Ponte de Lima ou de Caminha a Viana. Não se trata de proclamar um saudoso irredentismo que não tem lugar no panorama presente, senão de mostrar que “estes povos do Alto Minho e Galiza”, que o autor considera “palco da história nacional” portuguesa, teriam sido durante séculos o contrário de povos de fronteira virados de costas.

Alguns dos percursos mais atraentes do livro – que estão presentes em vários capítulos – são aqueles nos que se dá conta da elevada presença de candidatos galegos a receberem ordens na diocese de Braga ou os pedidos para fazerem vizinhança. A permeabilidade institucional da fronteira, evidente ainda no século XV, nunca esteve encerrada com chave, mas o que importa é que, em menos de quarenta anos (1430-1468), a diocese de Braga conferiu ordens a 597 candidatos galegos, dos quais 228 procediam da diocese de Ourense e 242 da de Tui. Por outro lado, os previlégios concedidos pelo monarca Afonso V às populações do Minho e da Galiza para poderem vizinhar é outra mostra da permeabilidade da raia, mas revela claramente que, no âmbito comunitário e popular, as fronteiras eram pouco mais do que nominais. Na súplica dos vizinhos da vila galega de Baiona a El-Rei D. Afonso V, diz-se que “elles teveram por custume vizinharem com nossos vassalos”. A ideia de fazerem vizinhança é do mais feliz, porque reconhece a existência da raia, o que não evita que o monarca português autorize oficialmente uma prática que está fundada na existência de fortes laços familiares (“casavam os filhos e filhas os de uma parte com outra”) e de comércio de mercadorias (“ouro, prata e armas, bois e bestas”). Em certo modo, esta vizinhança nunca foi extinta de todo, mas o relevante nesta altura é que se trata de um previlégio real que, ao tempo, evitava a possível prática do contrabando.

Fica para penas mais especialistas do que a minha o dizer uma palavra certa sobre as razões político-estratégicas que, de forma progressiva, foram mudando as relações  de fronteira, até que os seus limites são estabelecidos de modo preciso no século XIX. Eu acho que até à guerra da Restauração a ideia de fronteira era pouco firme e mesmo frágil. Mas alguns acontecimentos de finais do século XIV, como a guerra contra Castela ou a influência dos poderes extrapeninsulares (França, Inglaterra e, nomeadamente, o Papado de Roma) nos destino dos reinos cristãos da Ibéria é claro que tenham sido fatores decisivos para uma progressiva aceitação da fronteira política, o que teve repercussões diretas na gestão de patrimónios monásticos ou episcopais de Oia ou Tui, que acabaram por coincidir, na altura de 1512, com os limites territoriais dos reinos de Portugal e da Galiza.

Devo concluir com um reconhecimento e com gratidão. A edição deste livro tem um carácter de homenagem, quer das suas terras de origem, representadas pela Câmara Municipal de Melgaço, quer da Universidade do Minho e da Casa Museu de Monção, à figura de José Marques. Não é frequente que, nos tempos de hoje, se homenageei o trabalho oculto e silencioso de um investigador que viveu anos e anos entre arquivos e pergaminhos, o que é merecedor dos mais sinceros parabéns, Assinala no seu prefácio o professor Capela que “esta obra é um marco em primeira linha para os estudos históricos e diocesanos bracarenses; é-o também para os estudos portugueses” e acho que seria injusto não acrescentar que também vai resultar obra de referência para os estudos medievais galegos. Aos responsáveis desta iniciativa e, em primeiro lugar o professor Capela, fico muito grato pela oportunidade que me foi concedida de colocar umas linhas próprias no incipit deste volume, que são também de admiração pessoal para com o professor José Marques, a quem conheci em tempos longínquos de colóquios monásticos e “galaico-minhotos”. Naquela altura nem mesmo podia imaginar que o passo do tempo me traria esta nova oportunidade de partilhar com o investigador, o professor e o amigo esta alegria de olhar neste volume a obra de toda uma vida. Bem haja…

 

                         Ramón Villares

                        Presidente do Consello da Cultura Galega

                       Professor Catedrático Universidade  Santiago Compostela                                                   

                      Doutor Honoris Causa Universidade do Minho

 

 

ALTO-MINHO E GALIZA. ESTUDOS HISTÓRICOS

JOSÉ MARQUES

Edição:

CASA MUSEU DE MONÇÃO/UNIVERSIDADE DO MINHO

CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO

Março de 2017

 

O BARQUEIRO DE S. MARCOS

melgaçodomonteàribeira, 01.07.17

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JORNAL DE MELGAÇO Nº 1174, DE 8/9/1917

 

 

Há dias apareceu por aqui um fulano da Beira que, depois de ter casado com uma mulher de Orense resolveu emigrar para Buenos Aires; uma vez aí trabalhou e economizou de tal maneira que em pouco tempo conseguiu juntar 550 pesos; até aqui bem foi; mas… depois, sente-se doente, vai consultar um médico que lhe diz estar tuberculoso, e por isso tem de recuar imediatamente; o infeliz retira, trazendo consigo o dinheiro que só o acompanha até Lisboa, pois aí, com um pequeno descuido, fica sem dinheiro, sem conhecimento algum e sem roupa, além da que traz vestida. Como viajar nestas condições? Aí vem o desgraçado a pé desde Lisboa, mendigando uma esmola de porta em porta. E sabem o que o traz a Melgaço? A recordação de que em tempos mais felizes por aqui andou ele a trabalhar, e por isso encontraria por cá alguns dos seus amigos daquele tempo. Infeliz! Doente, e com fome talvez, ninguém o conhece! Dirige-se ao rio Minho para o passar a nado, mas vê que se encontra sem forças e nessas condições tal tentativa equivaleria ao suicídio. Em vista disso, aproxima-se do barqueiro e diz-lhe que desejava transitar para Espanha, mas que não tinha dinheiro para lhe pagar. Em virtude duma declaração tão franca, o barqueiro mandou-o entrar para a barca e não só o conduz gratuitamente à outra margem, como ainda na estação de Arbo promove uma subscrição que excede a importância do bilhete que no caminho de ferro lhe dá passagem até Orense; aliás, teria de fazer esse trajecto a pé e mendigando como de Lisboa a Melgaço. Quereis, leitores, que o nome desse barqueiro figure na lista dos benfeitores que vós conheceis? É o barqueiro do posto de S. Marcos, e chama-se Ponciano Ferreira.

 

 

Retirado de: Dicionário Enciclopédico de Melgaço

                     Volume I

                     Joaquim A. Rocha

                     Edição de autor

                     2009

                     pp. 241, 242

 

Joaquim A. Rocha edita o blog  Melgaço, Minha Terra

 

DE AQUÍ NOM PASSAM - RELATO DE UM CASTREJO

melgaçodomonteàribeira, 27.05.17

20 a2 - ribeiro baixo.jpg

ribeiro de baixo, castro laboreiro

 

                     

A FALA GALEGO-PORTUGUESA

DA BAIXA LIMIA

E CASTRO LABOREIRO

 

Integrado no Projecto para a declaraçom de Património da

Humanidade da Cultura Imaterial Galego-Portuguesa

 

 

I.E.S. AQUIS QUERQUERNIS

BANDE – OURENSE

 

José Manuel Gonçáles Ribeira

 

 

 

OS FUGIDOS

 

Recolha gravada em 07/05/2003

Sexo: Home

Idade: 78 anos

Lugar: Ribeiro de Baixo, Castro Laboreiro

 

 

   - … e entom estuverom …… numha ocasion um… era eu rapá novinho .. porque as autoridades portuguesas tinham que os prender… tamém… eram mandados polo governo para os arremeter à Espanha. E um que era d’A Ilha botou-se ao rio… niste rio… a fugir-lhe aos portugueses e atravessou o rio e fugiu pró outro lado… um espanhol fugido. I… e bueno… i outros, tú vês acolá aquela carbalheira daquel monte, estuverom ali seis meses numha lapa debaixo de umha fraga, chamámos-lhes nós umha lapa, debaixo dumha fraga, hai ali umha fraga grande e estuverom alí fugidos… Ouuh! E talvez até perto do ano, alí fugidos, claro, eles tinham que comprar a comidinha pra comer, mas tuverom que estar alí para fugir às autoridades, compreendes?... é por eso que che eu digo que aquí passarom (…)… mui mal cando a guerra… e passámo-la nós tamém!!... que era eu pequenotinho havía que, chegado o caso, andar cumhas zoquinhos de pau e correas, de inverno

   - sei, sei como som…

   - o caramba… aquilo… bueno… olha… porque tudo que pudesse passar prá Espanha, ia prá Espanha, claro, tinha uma miséria moito grande porque a guerra durou para aí dous anos

   - dous anos e meio…

   - ou isso…

   - … case três…

   - bueno i… nom havia lá que comer… entóm o milhinho ía para lá, entendes?... o milhinho ía para lá… e aqui nom havia…pronto!... porque ao ir para lá, falhava aqui, compeendes?, aquilo alí foi uma miséria, já che digo, se for, se a gente vai a contare… bom… depois, bom…(………….)e eu… cando prenderom os espanhois prenderon-os alí, e o caminho vem por ali e vinha um caminhinho porque prá baixo e asi aquí nesta voltinha foi onde se juntou o povo…, a capelinha está ali abaixo e tocou-se o sino, tú sabes o que é o sino?... juntou-se aquí e eu tamém tinha um tio que era tamém destes que nom eram, nom tinha medo e assim que ouviu a campana véu para aí para arriba de… Eu tinha uma mãe… e as autoridades espanholas aqui!... (…) e pararon aquí nesta voltinha,… eu tinha uma mãe que se pôs à frente das autoridades espanholas e dixo “de aquí nom passam!”… e eles côas espingardas: “que a mato!” mas é que eles nom podiam disparar para os portugueses… compreendes

   - …

   - ooh… ai que nom!, … nom podiam!... e o remedio foi deixa-los, mas depois é quando eles andarom a atirar tiros para cá, eles… é por isso que che eu digo

 

Ler o trabalho completo em:

 

http://www.agal-gz.org/pdf/falabaixalimia.pdf