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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

ANTIFRANQUISTAS EM CASTRO LABOREIRO E MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 11.01.20

P1090625 Américo Rodrigues e unha testemuña da v

    américo rodrigues e uma testemunha da vida arraiana em melgaço na época das ditaduras

 

REFUGIADOS E GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM CASTRO LABOREIRO (1936 – 1943)

 

 Américo Rodrigues (1)

Castro Laboreiro, 25.05.2017

 

A freguesia montanhosa é rodeada a norte, nascente e sudeste pela Galiza – várias comarcas – perfazendo a raia seca entre Minho e Lima, traçada desde o marco 2 ao 53. No sul da freguesia, a fronteira é riscada pelo rio Laboreiro, desde Mareco ao sul do Ribeiro de Baixo. Pela sua situação geográfica, nos anos trinta, o contrabando era a principal indústria local. Em 1936 existiam três postos de Guarda Fiscal (GF): Portelinha (saída da freguesia em direcção a Melgaço), Vila (central) e Ameijoeira, junto ao marco 52 e 53. Fora da freguesia, bem perto, o posto de Alcobaça.

Nos anos 70, nas inverneiras, os caminhos eram empedrados e a luz era de candeia. À época, minha avó materna tinha teto de colmo. Era normal os vizinhos juntarem-se à troula (2) para matar o tempo invernal nas noites mais longas. Depois da ceia castreja (3), os contos nos escanos, junto ao lume, eram para todos os gostos. Ocupavam o palco brilhantes narradoras, nascidas nos primórdios do século XX. O guião histórico e cultural era sempre riquíssimo. É verdade, nestas terras altas, discorrendo sobre assuntos do terrunho, as mulheres sempre foram mais sábias que os homens, condenados desde tenra idade às agruras da emigração. A guerra civil de Espanha (1936-1939) por vezes vinha à baila. Os “roxos” (4), sem saber na verdade quem eram, os falangistas ou Francisco Franco, que tinha o nome do meu avô paterno – Francisco Rodrigues falecido numa pedreira de Paris em 1933 -, começaram a fazer parte do meu léxico.

Os dois esconderijos de refugiados mais próximos do lugar do Barreiro, a Gruta dos Refugiados do Piorneiro (na verdade dois sítios), e a Lapa da Ponte Cimeira, em frente ao monte da Fraga, eram referências obrigatórias. Alguns vizinhos, principalmente rapazes novos, tinham levado comida aos galegos que estiveram nesses locais. No Piorneiro estiveram homens fortemente armados. Chegaram a fazer um carro de vacas para particular. Quem não faltava também, nesses passos nostálgicos, eram os escapados que acolheu a vizinha da minha criação, Isabel Domingues, a tia Carvalha, também Valenciana, no Barreiro e em Queimadelo, lugar onde a tia Monteira também os recebia. Estes desesperados muitas vezes ajudavam na economia do lar, com víveres ou dinheiro. Contribuir com trabalho braçal era raro pela excessiva mão de obra (5) existente naquele período e pela pobreza dos sítios.

Eu imaginava a gabada beleza da professora Eudosia Lorenzo Diz, “a Maestra”, denunciada de forma covarde e aprisionada a 17 de maio de 1938, juntamente com os seus progenitores, pelo chefe da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE, de 1933 a 1945) do Peso, acompanhado de guardas do Posto de Portelinha, no lugar do Rodeiro, onde  ensinara as primeiras letras às crianças que a procuraram, na casa de António Domingos Rendeiro.

Salvou-se milagrosamente e rumou a Marrocos, via Lisboa, em 10 de agosto de 1938. Tinha chegado a Castro Laboreiro em 20 de julho de 1936.

Rosaura Rodriguez Rodriguez, refugiada, apesar da jovialidade, já tinha quase 80 anos, morava numa casinha feita pelos vizinhos no lugar de Açureira, a 200 metros da minha escola primária de inverno. Era de Bouzadrago, aldeia galega que dista poucos quilómetros. Optara por ficar para sempre no lado português. Desaparecida a loja permanente do tio Bernardo no lugar, quando os vizinhos subiam às Brandas esta mulher, aparentemente singela, ficava sozinha, rodeada de carvalheiras durante muitos meses. Sem medo algum, dava que cismar aos mais novos, era uma vida de mistério e coragem.

Fascinou-me sempre o episódio da morte violenta do guarda fiscal na taberna da Macheta, Vila de Castro Laboreiro. É verdade que fui educado a desconfiar de guardas mas, seria correcto os contadores da tragédia não condenarem o crime de forma inequívoca? O atirador teve poiso em Várzea Travessa, Barreiro (casa da tia Carvalha) e Ribeiro de Cima, suspeitava-se que era um oficial importante da aviação, apresentava-se de forma impecável, fato e gabardina, muito educado, tinha escola, diziam os castrejos que com ele privaram. Era conhecido por Manolo, o Dente de Ouro. Depois do trágico acidente foi confrontado pelas autoridades no Ribeiro de Cima. O perfil, desaparecer sem deixar rasto, e o acontecimento brutal e decisivo que colocou as autoridades definitivamente no encalço dos refugiados, ficou para sempre na memória da freguesia.

Os galegos que prenderam no Bago de Baixo foram fuzilados. A guarda cercou o lugar e foram encontrados na côrte das vacas na casa dos Negritos. Estavam na moreia do estrume (6), roçado no monte e destinado à cama dos animais. Usaram estacas de ferro para os procurar e fazê-los sair.

Júlio Medela, refugiado da Lobeira casou no lugar de Formarigo, os filhos frequentaram a escola e os bailes casadoiros com os nossos pais.

Contavam-se fatias de assaltos violentos a lojas galegas nos anos 40, realizados por alguns escapados. Os atracadores usavam armas de guerra. O Rizo e Enrique, o Médico, eram nomes famosos.

Na minha criação, estas e outras referências a nomes, profissões, locais e episódios, ainda abundavam por toda a freguesia.

A Guerra Civil de Espanha de alguma maneira fez parte da minha meninice. Há muito que o tema me fascina, anda na minha cabeça, algumas vezes pensei em escrever sobre o assunto, mas tinha algum receio, porque me faltavam dados e, principalmente não valorava convenientemente a temática.

 

(1) Docente de informática. Administrador de Sistemas Informáticos.

Áreas de formação (Universidade do Minho): Informática, Matemática e Educação.

Co-Fundador do Núcleo de Estudos e Pesquisa Montes Laboreiro.

(2) Serão nocturno de convívio.

(3) Jantar.

(4) Alguém politicamente das esquerdas.

(5) Centenas de homens que emigravam normalmente para Espanha e França estavam junto à família.

(6) Em Castro, mato constituído de tojos, carqueijas, etc.

 

BOLETIM CULTURAL DE MELGAÇO

Nº 10

2018

pp. 168-172

 

HOMENAGEM A PEPE VELO EM MELGAÇO

 

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 apresentação do evento

 

P1090618 Momento do descubrimento do  monolito.JPG

 descerrar do monolito

 

P1090632 Representante Deputación de Pontevedra.J

 representante deputación de pontevedra

 

P1090634 Representante Cámara de Melgaço.JPG

 representante câmara municipal de melgaço

 

P1090621 Xosé González Martínez (Asociación Lo

 xosé gonzález martínez - asociación lois peña novo

 

P1090627 Antonio Piñeiro,  estudoso de Pepe Velo

 antonio piñeiro estudoso de pepe velo e traballa na casa do concello de celanova

 

P1090649 Público en xeral o día da inauguración

fotos cedidas pelo senhor xosé garcia 

 

A PÁGINA ON-LINE DA CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO, PORTAL MUNICIPAL DE MELGAÇO, NÃO DEDICOU UMA ÚNICA LETRA A ESTE EVENTO QUE FOI PATROCINADO PELA PRÓPRIA CÂMARA.

GUERRILHA ANTIFRANQUISTA EM CASTRO LABOREIRO

melgaçodomonteàribeira, 07.12.19

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CREACIÓN  DE LA PRIMERA GUERRILLA ANTIFRANQUISTA EN GALICIA

 

En el año 1939 en fecha indeterminada llegó a Castro Laboreiro (Portugal) un tal Manolo llamado popularmente “Dente de Ouro”, por esse detalle físico. Vivió en Varzea Travesa y en Ribeiro (Portugal), Era muy hábil y capitaneaba a todos los huidos españoles de la zona (declaraciones de Saturnino Darriba y Luisiño).

Realizaba frecuentes viajes a Lisboa y Oporto.

En una ficha informe del SIG (servicio de información de la Guardia Civil) de Septiembre del año 1943 fue identificado como José Rodríguez Páramo de Doade, La policía española lo confirmó por las mismas fechas como Armando Pompilio Fdz Gonzalez vecino de Ourense,

Román Alonso Santos escribe… (Una persona tan significativa en la conformación del grupo guerrillero en la zona fronteriza hispano-portuguesa logró despistar al servicio de información de la Guardia Civil (SIG) y a la Policía Española. Es preciso añadir además su habilidad para salir físicamente íntegro de las situaciones comprometidas).

El nombre de Manolo utilizado en Castro Laboreiro (Portugal) por Victor García García “el Brasileño” era uno de tantos que utilizó a lo largo de su vida clandestina: Antonio, o “Brasileiro”, Estanillo, Manuel Brasleiro, Antonio Ortiz Risso, Manuel García, Antonio García… Com la llegada de Manolo (Dente de Ouro), se impuso un nuevo paradigma de funcionamiento entre los huidos asentado en una clara definición política de la situación. Según la declaración de Pepe do Quarto propuso unirse a todos los refugiados de la zona para protegerse y ayudarse mutuamente porque no estaban ocultos en Castro por bandidos sino por su idoelogía política de izquierdas y por haberse manifestado de palabra y acción a favor de la República y del Frente Popular. No nos consta, escribe Román Alonso pero dado que Manolo era una persona inteligente y culta pudo talvez explicarles que en aquel instante estaban “erizados” los montes de toda España com miles de guerrilleros que traían de cabeza a Franco.

Asi creó “el Brasileño” el primer grupo guerrillero organizado de toda a Galícia localizado en el suroeste Ourensan. Según Luisiño acampaba fundamentalmente en Castro (Portugal) y tenían bastante armamento. También opina José Bernardo que usaban armas cortas de fuego.

Mención especial merece el recuerdo Rosa la “africana” vecina  de Ribeiro de Cima que tenía varios hijos ya mozos y su casa era habitualmente frecuentada por los guerrilleros. Rosaura Rodríguez declararía en uno de los muchos interrogatorios que sufrió, que los tres hijos mayores de la “africana” acompañaban frecuentemente a Manolo Dente de Ouro.

Se citan en esta primera partida guerrillera entre otros los nombres de Paramo, Ramón Yáñez, Rosario Rodríguez Rodríguez, Gabriel Hernández González con Saturnino Darriba, O Rizo y otros valientes luchadores antifranquistas que sería prolijo delatar. O Rizo pese a ser el más nuevo del grupo, o Luisiño le percebía como uma especie de lugarteniente de Manolo Dente de Ouro, el jefe indiscutible.

Un refugiado gallego de izquierda, fue detenido por la policía portuguesa en Alvaredo (Melgaso) y entregado a la española. Interrogado por esta acerca del número de demócratas españoles huidos de la represión franquista y existentes en los pueblos y montes portugueses limítrofes, confesó que eran unos trescientos, armados para su defensa com fusiles Máuzer y pistolas ametralladoras, suministradas en gran medida por la mediación y ayuda financiera de Manolo Dente de Ouro.

 

                                                           Victor Garcia Jr, su hijo

 

 

Retirado de: Víctor García G. Estanillo el Brasileño

http://blocs.tinet.cat/lt/blog/victor-garcia-g.-estanillo-el-brasileno

 

MELGAÇO E CELANOVA NUM ABRAÇO A PEPE VELO

melgaçodomonteàribeira, 16.11.19

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HOMENAXE A PEPE VELO

 

O PROFESSOR AMÉRICO RODRIGUEZ É O AUTOR DUNHA COLABORACIÓN PUBLICADA NO BOLETIM CULTURAL DE MELGAÇO TITULADO “ REFUGIADOS E GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM CASTRO LABOREIRO (1936-1943)”, NA QUE DEBULLA MIGALLEIRAMENTE AS VICISITUDES DE MOITOS GALEGOS QUE FUXIRON DO TERROR DO FASCISMO NO ANO DE 1936.

 

POR XOSÉ GLEZ.|REDONDELA|28/10/2019

 

O Ribeiro, Alagoa, Portos, Eiras ou na Seara, branda do Bico, foron algunhas das aldeas e lugares de Castro Laboreiro foron escenarios escollidos para residiren temporalmente mentres non procuraban unha saida cara o exilio.

Por Crecente, nunha batela, pasou a Melgaço tamén Pepe Velo, despois de estar choído durante moitos meses nun agocho en Moreiras, Celanova. As vicisitudes que tivo de pasar ata chegar ao Peço, onde atopou o amparo dun amigo no hotel Vila de Ranhada, son recreadas por Anton Piñeiro nun relato de próxima publicación co título “As augas do mañá” no que conta esas peripecias ata chegar a Lisboa.

Na capital portuguesa foi detido pola PIDE e safouse de ser entregue ás autoridades franquistas grazas á intervención do novelista venezolano Rómulo Gallegos, amigo seu, que por aquel entón era presidente do pais. Por esa mediación o Consulado venezolano en Lisboa expedíulle un Pasaporte de Emerxencia (núm. 67/48) ”de acordo coas instrucións recibidas do Ministerio de Relacións Exteriores de Venezuela”. Así foi como Pepe Velo puido chegar ao porto de Guarya semanas despois, onde vivíu deica xaneiro de 1961.

Na capital venezolana Pepe Velo dedicouse ao ensino e desempeñou cargos relevantes na colectividade galega, ao tempo que desenvoveu unha frenética actividade política que coroou coa creación do DRIL (Directorio Revolucionário Ibérico de Liberación), que o 21 de xaneiro de 1961 protagonizou a gran xesta heróica do secuestro do buque “Santa María” da “Compañia Colonial de Navegación” portugues. El foi o que deseñou a estratexia e dirixíu o secuestro, como recoñece a prensa internacional daqueles días.

Cómpre dicir que Pepe Velo fora militante das Mocidades Galeguistas en Celanova. Pero a súa radicalización política levouno a colaborar con instancias próximas ao Partido Comunista, concretamente na coordinación da guerrilla no sur de Galicia. Por mor deste compromiso foi deito, torturado e confinado ao cárcere de A Coruña. Aproveitando unha liberdade condicional foxe e refúxiase, como dixemos, en Moreiras…

Pepe Velo era un coñecido da miña casa familiar. Nas sobremesas falábase del. Meu pai construíulle o mobiliario para a academia que tivo, primeiro no barrio das Travesas e logo na rúa Carral, de Vigo. Pero amais diso, entregáballe periodicamente a súa avinza para a loita clandestina.

Pasados os anos, cando me iniciei na militancia nacionalista, o exemplo de Pepe Velo tíveno sempre presente. Perguntáballes aos vellos galeguistas e comunistas sobre el, e non atopei máis ca viscelaridade nas súas respostas. Para eles Pepe Velo era un tolo e un terrorista. En desacordo com tales despropósitos escribínlle ao seu curmán e amigo meu, Carlos Velo, o nosso gran cineasta que vivía no exilio mexicano que me facilitase información sobre el. A resposta foi inmediata (16 de decembro de 1985): “Amigo Pepe: Ei che mando algúns papeis do gran Pepe Velo e o teléfono de seu fillo, Victor Velo, que vive en Sao Paulo. Chámao da miña parte”. Dito e feito. Ao pouco Victor envioume unha morea de documentos inéditos de seu pai. Con eles publicamos un suplemento de catro páxinas no Faro de Vigo, reconstruíndo o vizoso perfil dun republicano galego que foi capaz de poñer en solfa ás ditaduras española e portuguesa durante os días que durou e secuestro do Santa María.

Pepe Velo profíaba no ideal dunha Iberia unida. A sua vída dedicáraa a soñar maneiras novidosas e decisivas para a consecución dos seus obxectivos, que non puido ver realizados porque morreu no exilio en 1972 aos 54 anos.

Agora chegoulle o tempo dos recoñecementos. Xa hai dous anos colocamos unha placa conmemorativa no edificio onde vivira en Vigo. O dia 6 de decembro, en Melgaço, descubrirase un monolito dedicado a súa memoria. En xaneiro, no parque das trigueirizas de Celanova, colucaremos o seu busto en bronce. Dúas homenaxes promividas pola Fundación L. Peña Novo e a Asociaçión de Amigos do Couto Mixto coas colaboracións dos concellos de Celanova e Melgaço, e tamén da Secretaría Xeral de Política Linguística.

 

Enlace á noticia:http://www.galiciaconfidencial.com/noticia/107666-homenaxe-pepe-velo

 

Este texto foi enviado ao blog pelo seu autor, Xosé Glez.

 

 

O GUERRILHEIRO EM CASTRO LABOREIRO

melgaçodomonteàribeira, 28.09.19

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INTENTO DE DETENCIÓN DE MANOLO (VICTOR GARCÍA “EL BRASILEÑO”) POR LA GUARDIA FISCAL PORTUGUESA

 

El intento de detención de Manolo (Dente de Ouro) es ya  leyenda popular.

La mayoría de gente de Pereira – Portugal, lo conocía. Aqui contamos la versión de Domingo Alonso (D.A.R.) una de las personas más próximas a los protagonistas en el territorio y personalmente.

El 2 de Mayo de 1943 por la noche, en Castro Laboreiro después de una cena conjunta en la que participaba Manolo, un guarda fiscal llamado Carlos intentó deternele. Al parecer hubo un diálogo previo:

“Señor Manolo, dese preso”.

“Déjeme en paz si no quiere tener problemas” le respondió.

El diálogo finalizó cuando, sintiéndose acosado Manolo, le disparó desde el bolso de la gabardina y le mató.

Huyó para Ribeiro de Cima, y se refugió en casa de Rosa Alves “La Africana”. Probablemente en este acidente participó también  “Enrique” (Ramón Yañez).

Estando en Ribeiro de Cima en casa de “La Africana”, Manolo fue cercado por unos veinticinco (25) guardias fiscales. Primero salió “Enrique” por un agujero hecho en la pared de la casa, com acuerdo previo de cubrir luego la salida de Manolo. No obstante “Enrique”, al verse acosado por los guardias, huyó. Salió luego Manolo por la puerta que daba al camino y gritó a los guardias:

“Dispararé al primero que se mueva!”.

“Oh, señor Manolo. Usted no debe hacer eso” respondió el jefe de los guardias.

La situación de la casa al lado del camino y la estrechez de éste, facilitó que probablemente Manolo les pudiese apuntar com sus armas a uno o a varios de ellos. Manolo se fue alejando sin que se atreviesen a dispararle.

José (J.A.P.) transmitía la creencia popular de que los guardias le tenían miedo.

Cuando ya estaba lejos abrieron fuego. Manolo huyó para siempre.

En la zona no se supo más de él, aunque su persona y sus hechos fueron recordados durante mucho tiempo y siguen vivos en la historia del lugar.

 

Retirado de: Víctor García G. Estanillo el Brasileño

http://blocs.tinet.cat/lt/blog/victor-garcia-g.-estanillo-el-brasileno

 

A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO

melgaçodomonteàribeira, 08.09.18

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rio trancoso

 

A RIBEIRA QUE DEIXOU DE SELO. A FRONTEIRA GALEGO-PORTUGUESA TRAS O GOLPE DE XULLO DE 1936

 

(…)

 

No primeiro dos casos, e decir, un fusilamento cun xuicio, ainda que sumarísimo e urxente, documentábase o condeado, e polo tanto, eram mais doado o recoñecemento e a deportación cara Portugal. Cando a morte producíase pola acción dos teóricamente incontrolados, esto non era posible. Recibíronse informacións de morte de traballadores portugueses da vía férrea Ourense-Zamora, ou mesmo a escoita de disparos pólos postos de vixiancia da raia que logo resultan ser fusilamentos de persoas desta nacionalidade afincadas en España.

Mais a colaboración máis estreita neste proceso de represión tivo lugar na zona de Castro Laboreiro. Dende o comenzo da guerra houbo un importante continxente de fuxidos que tras pasar a fronteira tentaron agacharse nas súas montañas, levando a cabo en ocasións actividades contra o réxime portugués e contra os destacamentos ‘nacionais’. Era evidente que o mantemento dun grupo paramilitar dentro de territorio portugués, nunha situación de conflicto bélico no país fronteirizo non era unha situación moi agradable para as autoridades do Estado Novo.

Ainda que esta circunstancia fora un producto directo da situación de inestabilidade civil en España, o Estado Novo tiña que poñer remédio dende a súa autoridade para o seu territorio. Dende finais de xullo de 1936 tiveran lugar numerosas incursións de españoles armados nesta zona. Un mes despóis, Tomás Fragoso, Gobernador Civil de Viana do Castelo, recordaba ó Ministro do Interior portugués estas accións, e recomendaba a conveniencia de reforzar ós postos da Guardia Nacional Republicana para evitalas. O seu fin era evitar casos semelhantes e poder manter o prestígio português e defender a integridade nacional.

Mais o problema na zona continuou prácticamente durante toda a guerra civil. As batidas na procura dos agachados foron compartidas entre falanxistas españois e militares portugueses, moi especialmente a PVDE. Un membro desta informaba de como se realizaban as detencións:

 Geralmente, na montanha, estes indivíduos respondem com a fuga, ou com tiros, a intimidação de ‘Alto! ‘. E então a perseguição faz-se a tiro…

 

Emilio Grandío Seoane

 

Retirado de:

 

HOMENAXES

FACULTADE DE XEOGRAFÍA E HISTORIA

Departamento de Historia Contemporânea e de América

Universidade de Santiago de Compostela

 

http://books.google.pt

 

MELGAÇO NA LITERATURA GALEGA

melgaçodomonteàribeira, 02.09.15

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         O CAPITÁN GALEGO 

 

A xeografia galega de Álvaro Coristanco é, fundamentalmente, ourensá e raiana, moi limitada espacialmente e restrinxida ao sur de Galicia. Como xa indicamos anteriormente, Sernin sitúa o nacemento, a infancia e a adolescência de Álvaro no pobo ourensán de Sobrado, a duas horas de cabalo da fronteira portuguesa. En torno a Sobrado, terán importancia no relato os pobos de Maceda, Ribadavia, Carballiño, Allariz e por suposto Ourense. Coa excepción de Maceda, que o autor situa a tres kilómetros de Sobrado, o resto das distancias son bastante aproximadas e as descricións cheas de verismo. Así, põe exemplo, a gran importancia de Ribadavia na vida de Álvaro vén dada pola estación de ferrocarril, describindóse no texto con exactitude as liñas de tren galegas e aquelas que unen Galicia coa meseta; as que xa non son tan realistas son as precisións temporais, pois o noso protagonista, un apaixonado das locomotoras, realiza traxectos de ida e volta entre distancias imposibles de cubrir nunha xornada. En tren, en autobus, a cabalo ou a pé móvese Álvaro polo sur de Ourense e o norte de Portugal, citándose no texto os topónimos lusos de Castro Laboreiro e Melgaço, así como tamén o de Coimbra. Aparecen mencionados no texto lugares galegos moi emblemáticos, como por exemplo, o porto de Vigo, ou os matadoiros de Vigo e Redondela.

 

O CAPITÁN GALEGO de André Sernin

Por: María Lopo

 

Retirado de:

UNIÓN LIBRE – CADERNOS DE VIDA E CULTURAS – EDICIÓS DO CASTRO – MEMORIA ANTIFASCISTA DE GALICIA

 

http://www.unionlibre.org/artigos/artigosmemoria.htm#capitan

 

14-10-1930 – DETALHES DO DESCARRILAMENTO DO COMBÓIO MADRID-VIGO

melgaçodomonteàribeira, 15.04.13

 

Relógio do comboio Madrid-Vigo conservado nos Bombeiros Voluntários de Melgaço

 

 

DETALLES DEL ACCIDENTE.

CÓMO MURIÓ LA NIÑA ROSA CARBALLO.

LOS HERIDOS.

 

    Vigo 14, 9 noche. Se conocen nuevos detalles del accidente ocurrido en las inmediaciones del puente de Cequelinos al expreso de Vigo.

    El descarrilamiento sobrevino en una curva proninciadísima que desemboca en el puente sobre el río Miño. Sigue ignorándose aún la causa del descarrilamiento.

    Se sabe que la locomotora salióse de la vía por el lado izquierdo, cayendo por un terraplén de14 metrosde altura y dando varias vueltas de campana. El furgón de cabeza y dos coches de primera, mixtos de cama y dicha clase, y de gran tamaño, se salieron por el lado derecho, quedando tumbados al tropezar contra un talud. A esto se debe que el número de víctmas no haya sido mayor.

    En el terraplén por donde se deslizó la locomotora se hallaba apacentando ganado, a la orilla del Miño, la niña de diez años de edad Rosa Carballo López, la cual foi arrollada por la máquina, muriendo horriblemente aplastada. Los bueyes huyeron despavoridos y fueron más tarde recogidos a larga distancia de la ladera.

    El accidente fué aparatosíssimo. La máquina quedó tumbada junto al río y los coches de primera tumbados también al otro lado. Dióse el caso paradójico de que los otros coches pequeños, mucho más ligeros que los de primera, quedaron en pie. Afortunadamente, no iban muchos viajeros en los coches de primera. Si hubiera ido más gente la catástrofe habría sido horrible.

    Al darse cuenta de lo ocurrido acudió al lugar del suceso el vecindario de Cequelinos, dedicándose a recoger a los heridos. El maquinista, Alfredo Vásquez, apareció en su sitio, fuertemente agarrado a la palanca central de la máquina. Indudablemente, quiso frenar con todas sus fuerzas, pero nada pude hacer por sobrevenir la catástrofe rápidamente. Extraer el cadáver ha costado enorme trabajo. Alfredo Vásquez tenía cuarenta y ocho años, era natural de Orense y estaba casado. Al presentarse esta tarde allí su esposa se desarrolló una tristísima escena.  Deja cuatro hijos de corta edad.

    Frente a Cequelinos, al otro lado del río, se halla enclavado el pueblo portugués de Melgazo. Al presenciar los vecinos la catástrofe tocaron a rebato las campanas inmediatamente, cruzaron el río los bomberos y numerosos vecinos, que se dedicaron a prestar auxilio a los heridos. Es muy elogiado este humanitario comportamiento de los bomberos y vecindario de Melgazo.

    Además del maquinista ha muerto, como antes decimos, la niña Rosa Carballo, que estaba apacentando ganado. Rosa era de nacionalidad portuguesa y prestaba servicio, en unión de un hermanito suyo, en casa de un vecino de Cequelinos.

    El número de heridos se calcula en 15. Como ya hemos dicho, los coches que volcaron vinieron a quedar al lado contrario del terraplén que baja al río, o sea hacia la ladera del monte.

    En uno de los dos grandes coches mixtos de camas y primera, que venía de Hendaya y pertenecia al directo de esta población, viajaba un matrimonio alemán que resultó herido. María Amdrewsk, de nacionalidad alemana, procedía de Bilbao y se dirigía a Monte Estoril y Lisboa, donde tiene su residencia. Presenta heridas en la mejilla y pierna izquierda.

    Parece que entre los heridos figura el cónsul norteamericano en Vigo, el cual venía a posesionarse de su destino. José Cuadrados Diéguez, marino de Sevilla, que se dirigía a Vigo, presenta diversas heridas. Don José Blanco Soler, vecino de Vigo, que regresaba de un viaje a Madrid, sufre diversas lesiones. Don Vicente Domonte García, alto empleado de Ferrocarriles, tiene una herida en la cabeza. Don Juan Lago López, vecino de Vigo, diversas lesiones. El fogonero José Longa presenta múltiples lesiones. Don Dionisio Parrero y D. Venancio Sanz Prats, viajantes, sufren contusiones en la cabeza y en otras diversas partes del cuerpo.

     Se desconocen los nombres de los restantes heridos, por haber sido trasladados a varias clínicas particulares. De todas formas, los heridos lo son generalmente de carácter leve, salvo cuatro o cinco que ofrecen una mayor gravedad.

 

 

ABC (Madrid) – 15/10/30, Página 19

 

http://hemeroteca.abc.es

 

14-4-1929 – FUNDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 14.04.13

 

Comboio Madrid-Vigo descarrilado em Crecente

 

ABC. MIERCOLES 15 DE OCTUBRE DE 1930.

EDICION DE LA MAÑANA. PAG. 19.

 

 

DESCARRILAMIENTO DEL EXPRESO DE MADRID A VIGO

 

 

DOS MUERTOS E MUCHOS HERIDOS. EL LUGAR DEL ACCIDENTE. TRES TRENES DE SOCORRO. NOMBRE DE LAS VÍCTIMAS. VIAJEROS DETENIDOS EN MONFORTE.

 

LAS PRIMERAS NOTICIAS

 

    En las primeras horas de la tarde se supo ayer en Madrid que entre las estaciones de Pousa y Arbo, en la línea de Monforte a Pontevedra, había descarrilado el tren expreso que salió anteanoche de la corte. Añadián estas noticias que quatro de los vagones cayeron a la ría desde un desnivel de muchos metros de altura.

 

EL LUGAR DEL ACCIDENTE.

EL MAQUINISTA DEL TREN, MUERTO

 

    Vigo 14, 5 tarde. El tren expreso procedente de Madrid descarriló en el kilómetro 58 de la línea de Orense a Vigo, entre las estaciones de Arbo y Pousa. Ocurrió el descarrilamiento en las inmediaciones del puente de Cequelinos, a las once y treinta y cinco minutos de la mañana.

    La máquina se salió de la vía por el lado izquierdo, y se dice que caió al río Miño. Por el lado derecho descarrilaron el furgón y cuatro coches de viajeros, además del correo.

    Resultó muerto el maquinista, Alfredo Vázquez, y heridos el fogonero, José Longa, y numerosos pasajeros ocupantes de los coches de primera, que fueron los que descarrilaron. Ignóranse los nombres de estos heridos.

    Para recoger a las víctimas se ha enviado un tren de socorro. También han salido de Vigo numerosos automóviles particulares conduciendo médicos y material sanitario.

 

DE ORENSE SALE UN TREN DE SOCORRO

 

    Orense 14, 5 tarde. El tren expreso descendente descarriló esta mañana entre las estaciones de Pousa y Arbo, habiendo resultado el maquinista muerto y numerosos heridos. A la una de la tarde salió de aquí un tren de socorro.

 

TELEGRAMA OFICIAL. EL GOBERNADOR DE PONTEVEDRA

 

    Pontevedra 14, 6 tarde. El expreso de Madrid, que debía llegar a Pontevedra a las dos de la tarde, descarriló a consecuencia del desprendimiento de una trinchera reblandecida por la lluvia cerca de la estación de Arbo.

    A las dos y media se recebió en el Gobierno civil de la provincia el siguiente telegrama oficial del jefe de la estación de Arbo:

    “Según me comunica el inspector de la octava sección, el tren número I ha descarrilado en el kilómetro 58,600, cayendo la máquina al lado izquierdo, y el furgón y quatro coches al lado derecho. Se supone que entre los coches volcados hay victimas. Los viajeros que se salvaron siguieron en automóvil, y confirman la presunción de que hubo víctimas, no pudiendo precisar número ni nombres. Dicen que el material volcado cayó del lado del río Miño, que allí pasa muy cerca de la vía férrea, corriendo el peligro de ser arrastrado por la corriente si no llegan pronto auxilios. Agregan que en el momento del accidente el choque que se produgo fué horrible, así como el crujido de hierros y maderas. Los viajeros daban ayes y voces de socorro. Los viajeros que me dan los anteriores promenores dicen que no saben más porque la impresión del cuadro que veían les impedió fijarse. Pudieron salir del coche próximo al furgón, que fué el menos deteriorado. Por la vía férrea marcharon estos viajeros hasta Arbo, donde tomaron un automóvil que los llevó hasta Pontevedra.”

    Recibido el anterior telegrama ofocial, el gobernador civil marchó al lugar del accidente, acompañado del inspector de Sanidad y el jefe de la Comandancia de la Guardia civil, con material y ambulancia.

    Al lugar del suceso han acudido también los bomberos de la plaza portuguesa de Melgazo. Han muerto el maquinista y una niña de siete años, que está aplastada. Hay también siete heridos, de ellos tres graves, entre los que figura el guarda Angel Rodríguez.

    Se recuerda que en 1915 ocurrió una catástrofe parecida, en la que hubo 18 muertos y 36 heridos.

 

(continua amanhã)

 

NÃO ESQUECEREMOS - CASTRO LABOREIRO E O DRAMA DOS REFUGIADOS

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 

GALIZA E PORTUGAL: IDENTIDADES E FRONTEIRAS

 

O DRAMA DOS REFUGIADOS

 

   “Um dos maiores crimes de Salazar foi a entrega de refugiados às autoridades nacionalistas espanholas” (Prof. Emídio Guerreiro)

   Pelos relatos dos interrogatórios da PVDE a oficiais republicanos espanhóis refugiados em Portugal e comunicações da Guarda Fiscal, documentos constantes do Arquivo da PIDE/DGS e outros organismos, ficamos a saber como eram tratados e que resposta davam os refugiados republicanos em Portugal. Transcrevemos extractos de um desses relatórios da PVDE, datado de 27 de Setembro de 1937, pelo conteúdo em si e pela referência a refugiados galegos. Pelos relatórios da PVDE, vê-se que a ordem era de caça aos fugitivos que tentavam, em situação de desespero, internar-se em Portugal. Os relatos demonstram a crueza do tratamento dado aos exilados:

   “Nas regiões montanhosas de Castro Laboreiro encontram-se escondidos nas furnas, em plena montanha, desde princípio da guerra em Espanha, bastantes espanhóis. Esta polícia tem feito algumas surtidas que, dada a configuração do terreno e uma frente de 50 quilómetros, têm sido pouco profícuas. No entanto, graças à coragem de alguns agentes, vários destes indivíduos têm sido capturados e, na realidade, em circunstâncias um pouco bélicas, por vezes. Geralmente, na montanha, estes indivíduos respondem com a fuga, ou com tiros, à intimação de “Alto”. (…) Da refrega com sete meliantes resultou a captura de dois espanhóis, que foram imediatamente entregues às autoridades fronteiriças espanholas. Tem estado em estudo uma batida em forma a fazer naquela região, mas na opinião da GNR e GF tal batida só será profícua se empregarmos pelo menos duas Companhias de Cavalaria, o que seria dispendiosíssimo… (…) O perigo que oferecem estes indivíduos não obriga a tal despesa.

 

 Retirado de:

 

 Galiza e Portugal: identidades e fronteiras


 José Marques Fernandes

 

 Actas do IV Simpósio Internacional Luso-Galaico de Filosofia, Santiago, 2003; pp. 121-130

 

 http://books.google.pt

 

A TIA TINA

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 

ERNESTINA SOUSA, FILHA DE AMÁLIA E ILÍDIO

 

A TIA TINA

 

   Nos bailes frequentados pelos papo-secos de Monção as raparigas caíam dengosas para o lado deles, a Ernestina, que era um espectáculo de mulher, aliás, cabe aqui registar que todas, mas todas as mulheres descendentes do Félix e Conceição eram uns pancadões de tirar o fôlego a qualquer mancebo. Pois a Tina fisgou o Adolfo que se aprumava na vida com uma lojinha de sociedade com outro rapaz, de Monção.

   Aconteceu o casamento e a Tina com seu dinamismo e pendor para o negócio transformou a incipiente loja do marido em poderoso entreposto de contrabando. Tornou-se o membro da família mais abastado só suplantado em curta fase pelo tio Emiliano.

   Houve nesta época uma atitude da Tina, curiosa, que revelou seu afecto aos familiares. Eu era garoto e assisti. A Tina combinando com o tio Emiliano:

   — O meu pai, dizia ela, anda bebendo nesta e naquela taberna umas malguinhas com os amigos; pois eu quero que ele tenha o vinho que quiser para beber a qualquer hora com os amigos.

   A partir daí havia na adega do tio Emiliano uma pipa de vinho comprada pela Tina para o pai beber e oferecer. Não sei quantos anos durou essa euforia ou se só se resumiu àquela pipa que eu assisti.

   O marido, o tal Adolfo, era um mulherengo, putanheiro dos diabos. Aqui cabe uma observação particular: a Tina, não obstante ser uma mulheraça na aparência talvez não o fosse na cama, daí o marido ser obrigado a procurar satisfação com outras…

   Em 1952 já estavam separados, e quando em 1969 fui até aí e à França, com os parceiros de viagem, Emiliano (sobrinho), Gú, Pirata e mais o Zeca Chatice, visitamo-lo no trabalho, uma Casa de Saúde, onde era fachineiro, com aparência deplorável. Fiquei com pena.

   A Ernestina, devido à sua condição de "sem-filhos", sempre se rodeou de sobrinhas e amigas.

 

Rio, 6 de Fevereiro de 1997

Correspondência entre Manuel e Ilídio

 

   A última recordação que tenho da tia Tina remonta a 1981. Na altura eu trabalhava em Viana do Castelo e fim-de-semana era sinónimo de Melgaço. O comboio chegava por volta das 2 horas da tarde e não havendo boleia para Melgaço ou porque tinha assunto em Monção (feminino), ia almoçar a casa da tia, por trás do Palácio de Justiça.

   — Euláááliaaaa, chegou o menino. Faz um bife e dá-lhe de comer.

   O dar-lhe de comer era o que tinha sobrado do almoço terminado há minutos. A minha tia era mulher para pesar os seus cem quilos e apesar de um tumor no cérebro tinha um apetite voraz. Eu sabia e ela sabia o significado das dores de cabeça que a atiravam para a cama.

   Eulália saía da cozinha, a dois passos da mesa onde nos sentávamos, põe o prato à frente do menino, e com a carinha angélica, branca e sarapintada com um toque de tinto nas bochechas, cabeça inclinada sobre o ombro:

   — E a senhora?...

   — Sabes que não posso comer…

   — A tia ainda não almoçou a esta hora?

   — Almocei mas ainda comia uma sopinha – Euláááliaaa

   — Ai diga, senhora, não estou surda…

   O bife a desaparecer e eu a pensar nos restos do almoço, empurra a porta e entra o tio Aprígio. Pela cara, vi logo que havia treta e quando a tia Tina ouviu que a sobrinha e a carga tinham sido apanhadas, levantou-se, deu um murro na mesa e gritou:

   — Caaralho, será que tenho que voltar a trabalhar? Não sabem fazer nada?

   Claro que a sobrinha, o camião e a carga não demoraram a estar na estrada.

   A tia Tina faleceu pouco depois vítima do tumor.

 

Três décadas antes o amigo Vasco descrevia o enredo da Tia Tina  e família, nestes versos:

A tua mãe onde está?

Não sei se é viva se é morta,

Andava a passar p’ra lá

Em companhia do Ná,

Tripa no tempo da ‘Frota’

 

O Tio Ná, Oceano de Sousa, foi sempre um dos braços direitos da irmã Ernestina. O contrabando de tripas, chegou a ser, com o de ovos e café, dos mais procurados pelos nossos vizinhos galegos.

 

Ilídio Sousa