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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

FESTA DA LAMPREIA V

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
   Arroz de lampreia à minhota        Chegámos à praça com a barriga sossegada. Havia menos gente e a banda deixara o lugar aos "Cunters", conhecida orquesta galega que já fora a Melgaço. Ali, encontrámos o Daniel Pita, fundador da primeira loja de móveis em Melgaço, em companhia dos irmãos Sentados, de Chaviães. Impecável, como de costume, vestira um fato azul escuro às riscas, o último que mandara confeccionar. O cabelo parecia palha d'aço. Compridinho e bem (...)

FIFI EM PARIS

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
       Era o quarto ou quinto dia que estava em Paris. Frio, frio mesmo para quem vinha da terra agreste das serras galegas. Fim da tarde, Tonio chega ao quarto cozinha sala de estar e salão de fumo (faltava a casa de banho que ficava nas escadas entre o terceiro e quarto andar, buraco no chão) e atira com sorriso:    — Hoje jantamos em casa do vizinho da frente.    — Porreiro Tonio (e cá para mim… hoje não aqueço cassoulet). Mas o vizinho da frente não é um algeriano?   (...)

FIFI QUASE... QUASE

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Gare de Austerlitz      Acordado com a voz de madame a dizer:    — Qui êtes-vous, messieurs? Que faites-vous ici?    Um flash, voltei a mim, e logo arrisquei:    — Il n'y a pas de problèmes, nous sommes des espagnols arrivés à l'aube en train et on attend pour faire des courses. Il n'y a pas de problèmes!    — Attendez, j'appelle la police.    Quando entrou em casa, desaparecemos.    — Vamos pirar não vá a velha bufar!    Rua abaixo, em Handaia, com (...)

MAIS DO FIFI

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Gare de Hendaia        Cheguei a S. Sebastian e o frio já se fazia sentir. Gente e mais gente como nunca tinha encontrado nas minhas andanças por Portugal. Uma volta e só policias olhar para o mapa e Irun é que interessava. Uns míseros dez quilómetros e estava no local almejado. França em frente, quase palpável mas com a treta dum rio a separarmo-nos.    Os Bascos não ajudavam em nada, entrava numa bodega e logo eles mudavam de língua. Depois de dois a atirar umas (...)

AS VIAGENS DE FIFI

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Estação de S. Sebastián - Donostia      S. Sebastian é uma cidade muito bonita e mais bonita se torna se à traça arquitectónica lhe juntarmos os seus habitantes. Só a mudança de linguajar, do espanhol para o basco sempre que entravamos numa taberna ou pequeno bar, as exclamações durante um jogo de cartas ou dómino fascinava-me. As mulheres que por mim passavam eram todas saídas das revistas que a minha prima  punha à disposição das freguesas no salão da Calçada. (...)

AS AVENTURAS DO FIFI

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
  “O Nosso Café” - Braga (encerrado)        Sou o Fifi.    Agora que os meus cento e muitos quilos me forçam a observar e não intervir na vida da terra que o frade achincalhou à duzentos anos, conto mais uns episódios, a juntar a outros que já conheceis, das agruras dum homem honesto a quem as águas do rio nunca lavou.    Filho de Melgaço, católico sempre que me convém, amante de comezainas e beberetes, jornalista nas minhas muitas horas vagas saudoso de tempos que (...)

O SANO III

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Por falar no Sano, tenho uma boa para te contar.     Um domingo de tarde como muitos outros na Vila. O baile, na Barbosa, animado pelo Gaudeamus, despejava melodias que nada tinham de música.     E quê? O pessoal animava-se com a bebida e com a erva fresquinha vinda de Angola. Se não fossem as colónias (obrigado Salazar) o número de "caretas" em Portugal podia multiplicar-se por...por... e sou modesto.     O caso é que o Carlos de Valença tinha vindo ao baile e (...)

O SANO II

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
        De quando em vez encontrava patrício e como as saudades apertavam, isto de estar sempre ao serviço, bebiam uns finos na Brasileira ou no Piolho, aquelas estudantezinhas, faziam o circuito ao burgo com jantar ou ceia conforme a hora – e nisso fazia questão que ninguém pagasse – acabavam num bom bar com elas sentadas no colo e até de mama de fora quando a despesa esticava; nessas alturas, colegas ou amigos tinham que pagar a brincadeira, até porque ele não vivia só (...)

O SANO I

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
       O Sano… o Sano é afilhado do Fifi…, rapaz novo é certo, mas com grande ouvido para bons conselhos do padrinho. Bons… é como diz o outro. E se um era bufo da pide…, o outro só podia dar em bófia.    Bem, afilhado seria – se procurarmos nos registos baptismais –, mas há quem diga que filho, ou do Fifi ou do velho padre Armando, que não os reconheceu todos porque as leiras não chegavam de herança e o Fifi só fazia raparigas; um terceiro não seria de (...)

DISTRAIDO

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Largo da Calçada - Melgaço      Tone vira costas p'ra encher das grandes e já está a dizer: — É tipo França. — E cando o gelo corta as orelhas... e as mans naquele ferro, nem lubas, qual lubas — Eu sei qu'é f*dido e logo no teu departeman, quantos estais lá? — No chantier? É tipo França – diz circunspecto Tone Biqueira. É tipo França. E olha p'ra tigela do Fifi que ainda não está vazia — Parece que estás doente c*ralho! — Calma, estás a ver este gajo? (...)