Sexta-feira, 8 de Março de 2013

O MELHOR DE MELGAÇO

 

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 12:43
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MELGAÇO FLORIDO

 

 

NO ADRO DA IGREJA MATRIZ

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 08:36
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Quinta-feira, 7 de Março de 2013

GASOLINA...

 

  


publicado por melgaçodomonteàribeira às 22:09
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Terça-feira, 5 de Março de 2013

CORRESPONDÊNCIA IV

 

 

Adormeci.

Já não era sem tempo e são 11.30 da noite quando escrevo.

Marchou uma boa meia dúzia de bolos de bacalhau com um tinto a acompanhar. Vou voltar para a festa esperando por novidades que, se calhar, não aparecem, mas como até ao lavar dos cestos é vindima... força rapaz, em casa é que não.

Foi uma noite muito forte.

O tinto escorria que era uma maravilha.

As postas de sável de escabeche, era de lamber os dedos.

A noite durou até às três e tal. Evidente que estou a escrever no Domingo, depois de um cozido à Portuguesa. A mãe cada vez cozinha melhor.

Vou tentar dormir um pouco, tenho o corpo todo moído.

Por todas as ruas da vila encontro caras que são desconhecidas. O sotaque, seja de Braga, Viana ou Porto, é inconfundível.

Há turismo em Melgaço e esta terra finalmente foi descoberta. O que será na semana que vem?

O sino lembra-me as horas, mas o que me leva a parar é a proximidade da Mina (Mascote). Oitenta e muitos e chata, porque quase surda, não dá para aguentar.

O som dos cascos dos cavalos continua.

Como será possível que ainda haja gente que não gosta desta terra, que só sabe dizer mal? Criticar é construir, é melhorar, dizer mal é a arma dos fracos.

Vou passear um pouco mais.

Só tenho pena que as tílias ainda não estejam em flor, mas se o São Pedro já não controla o tempo como é que ele me vai satisfazer os desejos?

O calor apareceu de forma implacável. É difícil de aguentar e, ao mesmo tempo, obriga-me a pensar a toda a hora na Paula. Tal a qualidade das meninas que aparecem por toda a parte. Ser forte numa hora destas é difícil, mesmo muito.

Afinal o sol foi-se embora.

Chegou a chuva no momento em que começou a actuar o Rancho de Paderne. Nome fictício, pelas palavras do seu director, uma vez que é composto por 54 elementos, oriundos de 9 freguesias do Concelho.

Acaba de rebentar uma trovoada. O barulho já se sobrepõe à música. Isto continua a prometer, o entusiasmo continua e pessoal a arredar pé é coisa que não se vê. Parece que têm os pés colados com cimento. Depois do Rancho de Paderne, dizem os Srs. da organização que vai haver desfile de moda. Pelas moças que já vi, nem Ipanema.

Ter discernimento para tanta alegria é difícil.

À pronúncia do Porto junta-se um nome: Alvarinho. Só a lampreia a dez e doze contos é que não dá muitas hipóteses. É pena, mas o que é bom e raro tem que se pagar.

Velhos amigos, ou antes amigos velhos, não têm faltado.

Arranjei mais um acompanhante: uma tigela para o amigo Ângelo Ribeiro, alfaiate, malandro e bom amigo... a melhor colecção “das Caldas”, de Melgaço. Está com 84 de idade mas só 15 de espírito. Nascido na Santa Maria da Porta, porque isso de freguesia de Vila é para os outros, diz ele, que fez juramento de morrer solteiro.

A confusão é cada vez maior, a alegria não pára. Alvarinho e presunto passam por todo o lado.

No meio disto tudo não há uma bebedeira ou, se há, está bem encapotada.

Não há discussões, não há desentendimentos.

A satisfação é cada vez maior.

As raparigas deixam-me de quando em quando ou, melhor dizendo, a toda a hora, sem respiração. Bela mocidade a desta festa, não sei se desta terra.

O sol voltou, cada vez mais forte.

Eles e elas são como cogumelos. Cada vez mais, mais alegria e riso.

Porque carga d’água é que o fim-de-semana acaba hoje?

Quero mais.

Apetece-me mais.

Tenho direito a mais. A minha terra assim mo exige.

Se às 7 da tarde não estiver “bêbado” (nada de borracheira) é porque os milagres não acabaram.

Em todas as caras uma pergunta: e Alvarinho?... o presunto demora?...

Deixem-me só por um dia mais, viver a minha terra, deixem-me ser príncipe e rei, imperador deposto... mas gozar a minha terra.

O trovão e a chuva regressaram. Os amigos encolhem-se debaixo da árvore mais próxima, mas a falta de humor e gozo não acabaram. Vamos esperar por mais. Chuva, muita chuva e, cada vez mais gargalha.

O pessoal desapareceu. A chuva agora é mesmo muita e ao mesmo tempo chega o frio. Estamos na serra. Calor, chuva e, agora, frio. Só os galegos não param de comer e de beber.

O sino está a bater as 7. Só faltam as Ave-marias.

A noite chegou.

Acabei de comer o resto do cozido do almoço.

Choro como um puto.

Vou sair, ver o resto da festa. É um: que será, será... só que o ritmo é minhoto.

Agora que acordei, vai para as 4 da manhã, já me sinto um pouco cansado.

Mesmo na minha frente, uma foto do meu filho.

Vou comer qualquer coisa porque o estômago já reclama.

Até já, até breve, ou até amanhã?!

 

Com aquele abraço que tu desejas,  

     

 kapital, 04.05.96



publicado por melgaçodomonteàribeira às 11:27
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CORRESPONDÊNCIA III

 

 

Vou até à Orada e, já na Assadura, pelo caminho velho, com o Minho a rir-se para mim, os galos não param.

Aos pássaros juntam-se, agora, os grilos.

Vou continuar.

Já estou na Orada.

Continuo só.

Agora calou-se o galo e é um cão a dar-me música.

Os pássaros, esses, não param. Gostaria de saber distinguir os cantos mas não consigo e, de certeza, que eles sabem isso, porque o chilrear vem de todos os lados, com todos os sons...

Eu, e o Mundo,

As minhas lágrimas, e Deus.

De quando em quando passa um carro. Para uns, devo ser um turista maluco. Para outros, um louco armado em turista.

Não sei porquê mas continuo a chorar.

Esta paz, esta beleza, doem-me na alma. Porque há guerras?...

São 10.30 da manhã.

Passei a Assadura, nem vivalma e se, por acaso, há fantasmas até esses desapareceram. Vejo o Minho e telhados...

O galo voltou a cantar e os pássaros não me deixam.

Cheguei à Vila.

O que se irá passar?

O futuro a Deus pertence.

A mãe está a tratar do almoço: arroz de ervilhas inteiras com bolos de bacalhau. Se te cresce água na boca, desculpa, mas estou a escrever já na cozinha. Olho só para o ponteiro dos segundos.

O almoço não falhou.

De maravilha!

Um passeio pela Avenida e café junto à Câmara, com as lampreias, no aquário, como pano de fundo.

O que virá a seguir?

Os galegos aparecem por todo o lado. Portugueses que, pelo sotaque, não têm nada da nossa terra, também não faltam.

Já estou na Sr.ª. da Pastoriza. Sou dono da terra. Só o trinado dos pássaros faz questão em me acompanhar.

Dizer-te que a serra está linda não vale a pena.

Afinal, há tanto para ver e ouvir na nossa terra.

Vou tentar assistir à matança do porco.

Já no Largo da Câmara, a música recomeça. Mais uma vez... espanhola. Só falta o touro a entrar na arena.

Portugal português, quando?

Porque não música portuguesa? Porra! Apetece-me falar mal porque, afinal, sou estrangeiro (culturalmente), na minha terra.

A matança do porco, cumprida a preceito, da faca ao alguidar, a queima com os fachos de palha, nada faltou. A alegria em volta do porco também não falta.

Agora estou sentado em frente da Matriz, uma vez mais.

Cada vez mais caras desconhecidas. Melgaço cada vez mais vivo.

São 6.30 da tarde.

O meu companheiro, a viver na Vila todos os dias, diz-me que não conhece ninguém. Será isto Melgaço morto?

Quantos senhores de fato e gravata já encontrei hoje?

Quantos galegos já ouvi falar?

Afinal estou na minha terra e cada vez gosto mais dela.

Até sável... Na mesa ao lado um gordo, ao lado do gordo, uma senhora, boa todos os dias, mas só posso mandar um olhar furtivo, não vá dar a coisa para o torto. Atrás, os cascos dos cavalos a fazerem música.

Escrever mais hoje deve ser difícil. Já estou cheio cada vez aparece mais gente. Amigos, muitos amigos.

 

(continua)

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 11:02
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CORRESPONDÊNCIA II

 

 

A confusão de línguas, português, pseudo-português, castrejo, de Lamas, galego e pseudo-francês, é mais uma prova de força e vitalidade da terra. O intercâmbio do português e galego é a maior vitória. Mas a festa não acabou e isto é só o primeiro dia. O som rebenta orelhas e saiu o 1º lugar de chouriços, e... aí está o 2º de salpicões e gente e mais gente em frente das mesas com as iguarias, todos a viver a terra.

Acabei de jantar, um arroz no forno que só a Maria Angelina faz, e um peixe, branquinho, fresquinho até à última, mas que não é comida da minha terra. Vou sair, atirar-me para o meio deles todos, que conhecidos (desconhecidos) não faltam.

A noite foi um encanto. Todo o terreiro da praça foi pequeno para conter aquela multidão. Gente, gente e mais gente, por vezes até se atropelando. A banda a tocar, o pessoal a dançar e nas barracas a faltar braços para receber a paga do que tanto aviavam. Madrugada dentro e melgacenses não faltavam.

E os melgacenses que, às centenas encheram esta noite de Sexta, pelos vistos também não prestam, ou então, estão muito bem ensinados a fazer o seu papel, qual cãozinho amestrado de 5ª categoria.

São 7.30 da manhã.

Quase oito da manhã e só um ou outro barulho de carro, ao longe, me chateia.

A música é dos pássaros.

Um galo canta.

O chilrear dos pássaros é a minha companhia. Estou no meio dos campos. Não queria deixar de oferecer as ruínas deste canastro. Um melro, bem lindo, não quis ficar na foto. Pirou-se logo. Mas deixou lá longe o cantar dum galo.

Voltei novamente para junto do regato.

Os pássaros continuam a acompanhar-me. Sãos verdadeiros solistas, tendo por fundo a música da água que corre, corre... É a magia da mãe Natureza!

Vou andar um pouco mais. Está a apetecer um copo de bom verde branco, porque o estômago só com pão e queijo já resmunga. Afinal, não é esta a terra do Alvarinho? Uma sandes de presunto a acompanhar o copo de branco. Foi autêntica bênção de Baco. E, por cima, com um galego por companhia. Galego de Cortegada.

Como vês, mesmo com o dia a começar, esta terra não deixa de me surpreender.

Como será daqui a uma ou duas horas?

A Igreja Matriz está aberta. Vou lá pedir, à minha maneira, por todos nós. De certeza que é uma visita breve, mas sincera, ou não estivesse em terra de Santa Maria.

Um obrigado à Virgem, para que nos ajude a levar esta terra ainda mais longe.

Santa Maria da Porta é o nome da freguesia. Porque mudar para Vila?

Toda esta Igreja é minha.

Não há beatas, não há padres.

Choro.

Choro por todos os que já partiram e pelos que cá andamos.

Tenho o Santo António mesmo na minha frente.

Gostaria de ser peixe para o ouvir falar.

Não sei se as lágrimas me deixam escrever direito, mas a emoção é demais.

Aqui sinto-me perto dos amigos. Dos que estão e dos que partiram.

Para o meu querido Gú, uma Ave-maria, mais sincera que todos os discursos do Papa.

Melgaço continua deserto.

As poucas pessoas que encontro estão na limpeza de vidros e passeios, que, vender, também tem cara.

Estou sentado na Praça da República, mesmo em frente à farmácia. Casa que odeio enquanto tiver o nome Durães.

Vou comprar umas pastilhas para a garganta que está bem irritada e o tabaco ajuda um pouco (muito) a piorar.

Ainda sinto na cara as lágrimas que correram na Matriz, mas vou continuar.

Em baixo, na estrada, duas senhoras falam. Não sei se em português, se em galego, mas o tema é fácil de entender: droga – a m*rda que deu volta ao mundo e enriqueceu muitos.

Maldita a sorte que temos:

um sorriso,

um abraço,

um amigo

e, no final, um esqueleto com foice na mão.

 

(continua)



publicado por melgaçodomonteàribeira às 10:47
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CORRESPONDÊNCIA I

 

 

Reconstituição (possível) da correspondência entre Fifi e Manelzinho em Agosto de 1996, a partir de memórias desconhecidas e fidedignas da época, encontradas na Central da Calçada entre facturas, guias, cantigas e pregões.

 

 

Esta é a melhor forma, de transformar uma espécie de rabiscos, a quem ninguém chama escrita, na abertura da minha visita de cinco ou seis dias a Melgaço.

Ainda não li uma linha do que está escrito ao longo destas páginas. Também te preparo para encontrares um diálogo permanente, porque se era o meu corpo que estava presente, eras tu que o vivias.

24 de Abril... A partir daqui, não sei o que são datas, só o que está escrito.

Cheguei a Melgaço pelas 8.45 da tarde. Para quem saiu da kapital pelas 10 da manhã, não há duvida que custa um pouco. É quase como atravessar o Atlântico em caravela. Sem ninguém me esperar, jantar não havia, mas logo o bacalhau começou a cozer.

Pelas 11 da noite saí para o cafezinho e tomar os ares que me hão-de pôr como novo. Passeei sozinho pela Alameda Inês Negra.

Silêncio. Só silêncio. Se calhar era eu que não ouvia o sussurrar daquelas pedras a contarem histórias de mil anos. Só com as luzes amarelas dos holofotes a baterem nas muralhas, as tílias a serem fantasmas da noite.

Apeteceu-me gritar – obrigado meu amigo – a quem conseguiu retirar do limbo em que estavam enterradas todas aquelas pedras.

A seguir foi a Praça da República. Velha Praça, Terreiro, só com as árvores em volta e a pedra que pisamos. Outra maravilha! A iluminação vinha de baixo para cima. Não estava lá para me ofuscar. Estava simplesmente a cantar a beleza daquelas árvores, tantas vezes amaldiçoadas pelos rapazes, porque nem uma castanha comestível davam.

25, o meu dia da liberdade. Recebi convite para participar num almoço comemorativo. Fui obrigado a declinar, porque já antes, o meu tio, filho de latoeiro e neto de vice-consul do Terreiro me tinha feito a mesma proposta. Obrigado amigos, mas a um tio não digo não. O restaurante era o mesmo, o que levou a que a festa fosse conjunta. Com a camisola a dizer bem alto 25 de Abril e cravo vermelho ao peito, lá comecei a discussão com o Zé: para mim, uma travessa de arroz de lampreia chegava, porque eu, tal qual o Bé, não sou de comer muito. A conversa desapareceu e as duas travessas estavam vazias.

Não sei o que aconteceu, não falo em milagre, mas que foi estranho... No fim, pareceu-me que o Zé se atirava ainda a uma terceira (sinal que nas outras mandei eu), mas já não podia mais. Café e copa foram tomados na Galiza e daí ao presunto de Ribadávia foi um saltinho.

Hoje 26, dia de feira, depois do almoço que a mãe arranjou, sentei-me num banco da avenida, que para mim é a menina dos meus olhos. Sob a ramada das tílias, vejo toda a serra, de S. Paio a Alvaredo, Parada, Gave, eu sei lá... Já não consigo identificar as aldeias da minha terra. Mas isso não me chateia, porque elas estão lá. E lindas, lindas como nunca foram. No fim... os meus amores.

Ontem à noite, estive na Casa da Cultura. Assisti a uma actuação da Escola de Música dos Bombeiros. Defeitos poderia apresentar muitos, sinceros e honestos, mas totalmente compreensíveis. As “nossas” cantoras têm voz para mais altos voos e a sonoridade do Auditório Vasco Almeida não tem grandes qualidades acústicas. Mas o que me impressionou, foi ter passado quase 1 hora para poder arranjar lugar sentado. Nem todos tiveram a mesma sorte. Público, musica e músicos, encaixaram totalmente. Talvez se puxassem mais à música portuguesa e menos à espanhola... Mas como criticar é fácil... Bom, mas a noite já passou e agora estou sentado numa tasquinha, a ouvir mais um pouco de música popular, tocada por um grupo de Melgaço.

Mais umas voltas e na parte de trás da CMM, no terreno da GNR (quem lho deu?), no meio de três castanheiros que, se não se desenvolveram mais deve ter sido pela presença da dita (isto é mesmo para rir?), fui encontrar os animais da nossa serra. Do gamo ao veado, javali, galinha-d’água ou faisão.

O calor que se faz sentir pôs as meninas com agasalhos em casa e, desta vez, é ver as moçoilas da nossa terra a mostrar toda a sua beleza, de carnes rijas, que o inverno a isso ajuda e o quase Verão abençoa. É vê-los, dos 8 aos 10 dos 18 aos 30, a rir, a gozar, a curtir a nossa terra. E ainda há quem diga que Melgaço está morto. Morto estou eu, enfiado no meio da poluição, do barulho, do fumo, enfiado na treta da cidade. Estou na minha terra...estou vivo.

 

 (continua)



publicado por melgaçodomonteàribeira às 10:31
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