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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

O ENTERRO DO ESTUDANTE X

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    A irmã da D. Maria era a D. Rosa … E quem é que não conhecia a D. Rosa na cidade? A Rosa dos fretes, a maior p*ta da cidade. A irmã da D. Maria, mão na anca, como boa mulher que se preze da sua profissão, bate com o pé no chão e desata a guinchar: — Ah se fosse comigo! Isto não ficava assim, não. D. Maria, apanhando o ritmo, gritou: — A Minha filha já foi chamar a polícia. O Fininho, “expert” em fugas, já ia a meio caminho pelas escadas quando aparece o (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE IX

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    O Louro bem resmungou, mas lá teve que voltar a entrar pelo janelo da casa de banho e colocar o “pirata” dentro da caixa. A garrafa mais o copo foram parar à mala do Fininho que já estava pronta para arrancar. Carnaval à vista, férias para gozar, estudante “morto” … O Fininho tinha encontro marcado com um amigo para se fazerem à estrada na manhã seguinte. E a manhã começou com murros na porta … O Fininho, de cara molhada, na casa de banho, quase pronto para (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE VIII

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Ficou deliberado e pronto a ser executado que o Louro atacava o janelo existente entre a casa de banho e a sala interdita, pousando a sua pata no armário, qual cristaleira, que iria servir de base ao assalto e amortecer o barulho da entrada no santuário da megera. O Louro, indisciplinado de nascença, olhou com ar de gozo as fechaduras dos armários interditos: — Foi por causa desta m*rda que eu tive que passar pela janela?! — Cabrão, abre isso. Queremos beber. — Salta tu (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE VII

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Logo o Louro teve que pagar as favas, porque se não fosse o mijo dele estar tão carregado de tinto e cerveja a nossa situação não estaria tão mal. E a filha a quem nunca pusemos o olho em cima? Bem, o problema da filha estava ultrapassado, também era só o olho. Agora o problema do estômago, já era outra conversa. Amigos, amigos, mas fazer da casa um campo de concentração, ainda por cima pago, essa é que não. E como quatro cabeças pensam melhor que uma, falava-se, (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE V

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Crise atrás de crise e a cozinha da nossa querida anfitriã voltou a ser o alvo a atacar. Porta da cozinha fechada, só restava, na sala do nosso descontentamento, uma garrafa, meia, de Porto. — É nossa, gritou-se. Quatro e meia garrafa de Porto … dez minutos depois … com cabeça quente, com cabeça fria… alguém lembrou que a garrafa tinha que ir novamente para o lugar dela, mas não podia ir vazia! — Mija-se dentro. O Louro, de garrafa na mão, desaparece na (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE IV

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Logo começou a lição: — O dinheiro está no bolso dos outros. Os outros querem o nosso dinheiro. Nós temos que ganhar para ficar com o dinheiro dos outros. O professor sabia do assunto, os alunos eram aplicados e não demorou nada que, num conceituado restaurante da cidade, à uma hora da manhã, cinco senhores, rapazes da aldeia, encomendassem o seu bife, bebessem a sua caneca de cerveja, gorjeta ao empregado e toca a ir dormir porque a cidade não dá para mais e a nota (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE III

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Com nota fresca no bolso, cinquenta paus mais uns trocos, porque era o primeiro dia, farejaram-se os locais já velhos conhecidos de tradição na terrinha e descobriu-se, ao fim de grandes voltas, o que passou a ser o nosso El Dourado: Coxa de frango, um pão e duas tigelas de tinto, dez paus. O tinto puxava um tanto ou quanto para o maduro mas não dava direito a reclamações. O Louro deu o mote logo no dia da apresentação: — Desculpe, minha senhora, mas eu não como cabelos.

O ENTERRO DO ESTUDANTE II

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Como eles se encontraram não sei. A intuição de que tanto se fala agora era por mim desconhecida na altura, mas reza a história que a páginas tantas estavam juntos, quais três mosqueteiros, num 1º.andar que não faz parte da memória da cidade, porque poucos conheceram a verdade nua, dura e cega dos dramas vividos nesse recanto citadino, administrado pela Sr.ª. Maria. A casa estava situada na parte nobre da cidade, empedrado à nossa moda, com bons passeios para garantir (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE I

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Arco da Porta Nova - Braga     De repente a cidade começou a encher. Não da mesma forma que as moças da minha terra, uns meses depois da apanha do milho, mas tal qual um furacão que leva à frente o que nos é mais querido e nos enche dos destroços que o seu gozo deixou. Cinco, dez, quinze mil? Quem sabe … Desde veteranos a caloiros, havia de tudo e se uns pensavam nas praxes de iniciação na escola, outros havia para quem a descoberta de bons tascos, petisquinho a preceito, (...)