Sábado, 23 de Março de 2019

ESTÁ NA HORA DO REGRESSO A CASA

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antigo escudo de melgaço

 

ACHADOS

 

Não sabendo eu explicar a razão pela qual os arqueólogos portugueses, ou outros, nunca se interessaram por Melgaço, à excepção da freguesia de Castro Laboreiro, que nos últimos anos tem sido palco de investigações nesse domínio, não quero contudo deixar de lado o assunto. E a verdade, apesar dessa ausência, aqui e ali ao acaso, vão aparecendo objectos de antanho, os quais logo desaparecem como por bruxedo!

Escreveu Figueiredo da Guerra no “Correio de Melgaço” nº 31 de 5/1/1913: Da idade do bronze apareceram em (Novembro de) 1906, na Carpinteira, S. Paio, em esconderijo subterrâneo (quando se arrancava um pinheiro numa bouça), cinco machados de cobre, tipo morgeano (…), que nós classificamos como modelo grande do Minho. Da mão do nosso amigo Serafim Neves, onde os vimos, passaram ao Dr. José Leite, indo aumentar a colecção oficial de Lisboa.

No adro da igreja do mosteiro de Paderne existia desde tempo imemoriais uma curiosa lápide ornamentada; os paroquianos admiravam o par, representado toscamente, e o comentavam a seu modo. Era nada menos que um cipo luso-romano agora lajeando o pavimento, e tendo na parte superior um nicho com duas figuras, homem e mulher, dando as mãos; no rectângulo inferior e também abaixo dele, a inscrição, que diz: «Fulana, de cem anos, e seu companheiro Valus, filho de Arda, de 50 anos, aqui estão sepultados. O companheiro Pento mandou fazer este monumento.» Este padrão, tão cobiçado pelo Director do Museu Etnográfico de Belém, acabou por seguir para lá em 1906.)

No “Arqueólogo Português”, volume XII, 1907, o Dr. José Leite de Vasconcelos escreveu: «Junto da igreja de Paderne… existia… uma pedra lusitano-romana… ocupa hoje lugar de honra no Museu Etnológico…»

No Notícias de Melgaço, nº 224, de 4/3/1934, escreveram: «Numa propriedade ultimamente adquirida por Avelino Júlio Esteves, perto da nova avenida em construção, em volta das antigas muralhas desta Vila, e quando se procedia a um desaterro para a construção dum prédio, foram encontrados seis sarcófagos, abertos em Piçarra, saibro duro e espesso, calculando-se uma idade de 700 anos. Naquele local existiu em tempos uma capela, que foi demolida. O achado tem sido muito visitado por curiosos, inventando cada qual, a seu belo prazer, interessantes lendas, que a falta de espaço não nos permite reproduzir.»

Leite de Vasconcelos levou alguns desses achados, e ainda bem, para os museus da cidade, de outro modo ter-se-iam perdido. Na década do 90 do século XX, quando se rasgava a estrada Monção a Melgaço, os trabalhadores encontraram diversos objectos de longa idade. Os curiosos logo apareceram e levaram tudo que viram e tinha, do seu ponto de vista, algum valor comercial. (Sobre este assunto ver Jornal de Melgaço, nº 48, de Maio de 1994, Jornal de Melgaço, nº 55, de Janeiro de 1995, Voz de Melgaço nº 1054, de 1/7/1996, Jornal de Melgaço, nº 114, de Maio de 2000, jornal de Melgaço, nº 123, de Março de 2001).

 

 

Dicionário Enciclopédico de Melgaço I

Joaquim A. Rocha

Edição do autor

2009

pp. 22, 23

 

 


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Sábado, 16 de Março de 2019

ALTO MINHO - ROTEIRO TURÍSTICO

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Um roteiro que traduz a riqueza da tradição e a doçura da paisagem

 

 

Viana do Castelo e seu termo, serpenteada por rios tranquilos, coroada por montanhas verdejantes e beijando o Oceano, é, cada vez mais, terra procurada para local de férias e sítio para encontrar sossego, sem esquecer, contudo, um novo ressurgir do tecido social e empresarial que empresta à vida do quotidiano mais certezas e garantia de um melhor futuro.

Conhecer a Região, apesar de tudo, não é fácil, porque as grandes vias de penetração só agora estão aparecendo, e a realidade encontra-se no santuário das povoações onde só chegam os mais curiosos ou os que se dedicam ao estudo dos problemas locais.

O Dr. Francisco Sampaio, é um desses homens, que a par de uma grande sensibilidade poética, de um fino recorte literário, conhece melhor do que ninguém, as gentes e a terra deste Alto Minho.

Aí o temos, neste Roteiro Turístico, calcorreando os vales, trepando os montes, desfolhando a memória das tradições ou ajudando-nos a saborear o rico «pitéu» que fazem da cozinha vianense um dos nossos motivos de orgulho.

Ao acompanhá-lo nesta redescoberta da nossa terra, encontramos novos motivos, novos recantos, novas belezas, e sempre a simpatia da sua gente, que, fidalgamente sabe receber, nem que seja para repartir o pedaço da «broa» ou a «malga» do caldo.

Agradecendo ao Dr. Francisco Sampaio mais este trabalho em prol da nossa terra, convido os leitores a saborearem este «naco» de prosa, e, se puderem, metam pés a caminho, quais novos peregrinos, em busca da paz e do sossego que encontrarão caldeados com o agreste e o belo da paisagem!...

 

Viana do Castelo, 11 de Outubro de 1990

 

     Governador Civil de Viana do Castelo

 

ALTO MINHO – Roteiro Turístico

Francisco Sampaio

Edição Região de Turismo do Alto Minho

1990

 


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Sábado, 2 de Março de 2019

COROGRAFIA PORTUGUEZA - MELGAÇO MDCCVI

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COROGRAFIA PORTUGUEZA, E DESCRIPÇAM DO FAMOSO REYNO DE PORTUGAL

 

 S. Maria da Gave,

ou Gavia, he Vigairaria ´q apresenta o Reytor de Riba de Mouro, rende quarenta mil reis, & para o Commendador setenta mil reis: tem cento & trinta visinhos.

S. Mamede de Parada do Monte,

Vigairaria da mesma apresentaçaõ, que rende ao todo quarenta mil reis, & para o Commendador sessenta & seis mil reis, tem cento & cincoenta visinhos. Aqui se faz o melhor burel de lã das ovelhas Gallegas de todo o mais Reyno, donde he mui procurado para cubertas de camas de Lavradores, ou criados, & ainda de muitos nobres para as meterem entre os cobertores; he mui branco, grosso & macio. Nestas montanhas em `q ha muita caça & veaçaõ, houve antigamente hum Couto, a que chamavaõ Val de Poldros, o qual fez, marcou & defendeo Payo Rodrigues de Araujo, de que possue parte seu sexto neto Manoel de Araujo de Caldas, Sargento mór de Valladares, inda que atenuando em parte das grandes regalias que tinha.

S. João de Lamas de Mouro,

he Abbadia do Ordinario, rende quarenta mil reis, tem quarenta visinhos, que saõ privilegiados de Malta pela Commenda de Távora, a que pagaõ muito foro, não sendo a terra por roim capaz de tanto. Dizem que algum tempo foy esta Igreja de Templarios, & delles, quando se extinguiraõ, passou aos Maltezes. O como sahio delles para o Ordinario nam alcançamos, que naquelles tempos os mais dos contratos erão verbaes. Aqui nasce o rio Mouro, nome que tomou daquelle poderoso, ou regulo, de que já fallamos, & que neste monte tinha sua coutada de recreação para caçar. O rio inda que pequeno, dá saborosas trutas, & se engrossa  com o da Mendeira, que pouco abaixo lhe entra.

 

   Santiago de Penso,

Vigairaria do Mosteiro de Paderne com dez mil reis, ao todo oitenta mil reis, & para os Frades cento & dezoito mil reis, tem duzentos visinhos. Aqui está a Quinta de S. Sybrão, que possue Felippe de Araujo de Caldas, Cavalleiro do Habito de Christo, Capitaõ mór, & Monteiro mór de Valladares; tomou este nome de huma Capella antiga deste Santo Cipriano, que alli está; he tradição foy templo da Gentilidade dedicado a Júpiter: o sitio he funebre, & desacomodado no meyo de hum campo com pouca veneraçaõ, & menos o fora a naõ ser advogado das cezoens, ou maleitas, que muitos enfermos vem alli termendo, & voltaõ saõs.

 

 

Couto de Paderne

 

   Saõ Salvador de Paderne,

Mosteiro de Conegos Regrantes de Santo Agostinho, tomou o nome de sua fundadora a Condeça Dona Paterna, viúva do Conde de Tuy Dom Hermenegildo, que aqui tinhaõ grandiosa quinta, & muitas aldeãs, a qual vendose livre das obrigaçoens conjugaes fez este Mosteiro para nelle se recolher com quatro filhas, acabou-o no anno de 1130. & em seis de Agosto, dia da Transfiguração do Senhor, Dom Payo Bispo de Tuy o dedicou ao Salvador, lançando no mesmo dia à Condeça, filhas, & companheiras o habito de Conegas Agostinhas, de que antigamente tivemos muitos, & hoje só hum Mosteiro tem este Reino em Chellas meya legoa distante de Lisboa: logo lhe meteo para Capellaens, & Confessores sete Clerigos, os quaes no anno de 1138. se fizeraõ Regulares, & a Abbadessa Dona Paterna lhes mandou fazer para a parte do Sul hum claustro com cellas, em que vivessem, ficando as Freyras para o Norte, & o Mosteiro Duplex. Faleceo a Condeça Abbadessa em seis de Janeiro de 1140. & foi sepultada em hum arco da parte de fóra da banda do Evangelho da Capella, que hoje he Sacristia dos Clerigos, aonde se vè sua figura de Conega obrada de meyo relevo sobre o tumulo, & junto de si na mesma sepultura outro de homem armado com huma espada da maõ para o pé; presumimos ser do Conde seu marido, que com ella estará alli enterrado: sucedeo-lhe no cargo de Abadessa sua filha Dona Elvira, a quem ElRey Dom Affonso Henriques fez doação do Couto de Paderne, & da jurisdição civil no anno de 1141. & nella diz lha fazia pelos bons serviços, que lhe fizera, quando elle estava sobre o Casttelo de Castro Laboreyro, a quem tinha cercado, mandandolhe mantimentos, & alguns cavallos, entre elles hum muito fermoso, & jaezado ricamente para sua pessoa. Não se sabe em que tempo se devidirão as Freyras dos Frades, mas acha-se que no anno de 1231. vivião aqui só estes, ou raçoeiros, a quem governava Dom João Pires, que derrubou a Igreja antiga, por ser pequena para os muitos freguezes, que tinhão crescido, & fazendoa novamente, a acabou no de 1264. & he a que existe. Deste foy tam affecto ElRey Dom Affonso o Terceiro, que lhe fez algumas doaçoens, confirmandolhe o Couto no anno de 1248. Em seis de Agosto de 1264. a sagrou Dom Gil Pires de Cerveira (não Egídio, como dizem outros) Bispo de Tuy, ficandolhe o mesmo orago do Salvador. Tem Prior triennal com sete, ou oito Relegiosos, & hum Cura secular com sete mil reis, ao tode setenta mil reis, & para os Frades com as annexas, que se seguem, & Paços, & sabidos perto de tres mil cruzados, de que pagão pensoens: tem quatrocentos & trinta visinhos. Passou este Mosteiro a Commendadores, & nelle o forão sucessivamete dous, ou tres fidalgos do apellido de Mongueymes, & Fajardos, que sendo Gallegos, deixàraõ muita sucessaõ em Portugal, entre ella se acha nesta freguesia a da

Quinta de Pontezellas , que elles fundàraõ, & a possuiu o Capitão Pedro Falcão, por ser casado com filha herdeira de Diogo Ortiz de Tavora, filho de Gregorio Mogueymes Fajardo. O ultimo Commendatario perpetuo, a quem o Chronista dos Conegos Regrantes chama Prior, foy Diogo de Alarcão, por cujo falecimento, permitindo-o ElRey Dom Sebastião, se unio a Santa Cruz de Coimbra no anno de 1594. por Bullas do Papa Clemente Oitavo, com condição, que sempre nelle ficassem Religiosos, que rezassem no Coro os Officios Divinos, & prégassem ao povo, & Clerigos Curas, que administrassem os Sacramentos, razão porque deixàraõ como estava, & foy seu primeiro Prior triennal Dom Nicolao dos Santos. He Couto no civel, & as Freguesias, que se seguem com Juiz ordinario, que faz o Prior, & todos os Officiaes; vem Tabeliães de Valladares escreverlhe hum anno, outros dous no seguinte: o Prior he Ouvidor, no crime, & Orfaõs os de Valladares, & assim o Enqueredor, & Contador; tem duas Companhias, de que o Prior he Capitaõ mór.

S. Thomé do Couço,

Curado annual do Mosteiro de Paderne, rende vinte & cinco mil reis, & para os Frades quarenta mil reis: tem cento & vinte visinhos.

 

   Nossa Senhora de Cubalhão,

Curado do mesmo Mosteiro, rende trinta mil reis, & para os Frades sessenta mil reis: tem oitenta visinhos. Esta Imagem de Nossa Senhora he de pedra, & mui milagrosa. Ha aqui um sitio, a que chamão o Castro, que mostra ser fortificação antiga dos Romanos. Estas duas Freguesias são do mesmo Couto.

P. Antonio Carvalho da Costa

Na officina de VALENTIM DA COSTA DESLANDES

Impressor de sua Magestade, & à sua custa impresso.

Com todas as licenças necessarias. Anno M. DCC. VI.

 

 Retirado de: http://books.google

 


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Sábado, 9 de Fevereiro de 2019

ERA UMA VEZ...

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A INÊS NEGRA

LENDA DE MELGAÇO

Era uma vez…

 

… Antigamente, havia muitas lutas e batalhas entre Portugueses e Espanhóis, porque ambos queriam ser donos das melhores terras! Numa altura em que Melgaço pertencia a Espanha (Castela), travou-se uma dessas batalhas, em que dentro das muralhas estavam os soldados de Castela, a tentar proteger as terras, e fora das muralhas, os soldados Portugueses, que tentavam reconquistá-las!

Apesar de primeiro terem tentado chegar a acordo, para evitar conflitos, os Reis não se entenderam, e por isso o Rei de Portugal acabou por decidir atacar as muralhas! Mas entretanto, uma mulher, a quem chamavam de Arrenegada por ter preferido ficar do lado de Castela, encheu-se de orgulho e de coragem, e decidiu desafiar uma outra mulher, que vivia fora das muralhas, Inês Negra.

 

Inês era uma mulher do povo, que tinha abandonado Melgaço quando esta Vila se pôs ao lado do Rei de Castela. A Arrenegada desafiou Inês para uma luta entre as duas, e com a concordância dos dois Reis, ficou decidido que quem ganhasse, ficaria dono das terras de Melgaço!

 

No dia da luta entre Inês Negra e a Arrenegada, toda a gente veio assistir, cada um gritando pela sua favorita, como num jogo de futebol, em que cada um grita pelo seu clube! A luta foi forte, com armas, unhas e dentes, ora uma parecia ganhar vantagem, ora a outra, até que finalmente, se ouviu um forte grito… por breves momentos, ninguém conseguiu perceber o que estava a acontecer, até que a Arrenegada se levantou e fugiu para o castelo, escondendo as nódoas e o sangue com as suas mãos! Inês Negra venceu!

 

Com a vitória de Inês, os soldados castelhanos abandonaram as muralhas, praticamente sem oferecer resistência, e Melgaço voltou a ser de Portugal!

 

LENDAS ENCANTADAS DO VALE DO MINHO

LIVRO DE CONTOS TRADICIONAIS E ACTIVIDADES

Edição: Associação dos Municípios do Vale do Minho

2011

 www.valedominho.pt

 


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Sábado, 19 de Janeiro de 2019

ANTÓNIO IGREJAS, AS DAMAS E OS AZULEJOS

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antónio eduardo igrejas - 1998

 

ESPAÇO DAMISTA – 1994

(separata da Enciclopédia Damista do Dr. Sena Carneiro)

 

RETRATO DE FAMÍLIA

 

Nome: António Eduardo Igrejas

Nascimento: Melgaço

Data de Nascimento: 7-8-1920

Profissão: Artista Plástico

Estado Civil: Casado

Filhos: Um, do sexo feminino

Sigla: As três primeiras vogais - AEI

 

CURRÍCULO DAMISTA

 

Director Técnico: O Carola

Seccionista: Jornal Século Ilustrado

Seccionista: Revista Vamos Decifrar

Colaborador: Enciclopédia Damista

Colaborador: Jornal Estado de S. Paulo

 

Conseguimos, por acaso do destino, adquirir um quadro raro que permanece no Brasil. Estávamos nós à conversa quando saltou a notícia de que António Eduardo Igrejas viria brevemente a Portugal. Não podíamos perder a oportunidade de entrevistar esse senhor das Damas Clássicas que, com os seus quase oitenta anos, passou no seu país natal apenas a primeira metade da sua vida, já que a outra metade a tem vivido no Brasil. Quando menos esperávamos, Mário Diniz Vaz telefonou-nos a informar de que ele já havia chegado e havia seguido para Melgaço. Conseguimos descobrir o número de telefone e ligámos. Do outro lado do fio Eduardo Igrejas acedeu a encontrar-se connosco mal regressasse a Lisboa. E assim foi. Combinou-se um almoço em que também esteve presente, Carlos Ferrinho, igualmente a viver no país irmão.

 

Desde há muito que desejávamos conhecê-lo. Há quanto tempo não vinha a Portugal?

Antes do mais quero-lhe dizer que o fazia pessoa para a minha idade… Quanto à sua pergunta devo dizer-lhe que nos últimos seis anos vim até cá três vezes. Mas anteriormente estive práticamente quarenta anos sem pisar terras portuguesas.

 

E em que sítio específico vive?

Vivo no Estado de S. Paulo e moro num bairro que embora localizado numa área suburbana, se torna muito agradável por ser habitado por imensos portugueses. Uns foram chamando os outros e tornou-se numa grande comunidade.

 

Pode-se saber o que o levou a abandonar Portugal e em que data o fez?

Havia abandonado Melgaço, aos vinte e sete anos de idade, com rumo a Lisboa onde permaneci sete anos. Mas também não era fácil viver na capital e as dificuldades económicas eram grandes. O meu irmão, um artista de pintura sobre azulejo, já vivia no Brasil e convidou-me a ir trabalhar com ele. Decidi mudar de vida e aceitei o desafio. Parti em Novembro de 1954. Sempre adorei o desenho e a pintura e facilmente aprendi a arte.

 

O que sente ao visitar o País onde nasceu e a cidade onde residiu?

Estar em Portugal é sempre agradável e Lisboa recorda-me tempos em que frequentava o Nacional e o Martinho. Nessa altura jogava todos os dias as Damas Clássicas e entrei em vários torneios. Devo confessar que me perdia com o jogo que para mim constituía um verdadeiro vício. A família era prejudicada com isso e quando fui para o Brasil prometi a mim mesmo nunca mais entrar em competição, pensando mesmo em abandonar a modalidade. Mas o micróbio das Damas é inexorável e continuei a jogar por correspondência e a enviar trabalhos para a Enciclopédia Damista. Colaboro nesta revista desde 1971.

 

A propósito da sua colaboração com a Enciclopédia Damista recordo alguns comentários que refletem uma crítica muito dura. Talvez mesmo destrutiva…

Reconheço que sou um pouco temperamental. Mas sempre que critiquei alguém foi visando o damista e não o indivíduo. Certas pessoas pensam saber tudo sobre Damas. E sai disparate.

 

Quando e como se iniciou a sua paixão pelas Damas?

Comecei a jogar com apenas seis anos de idade. Tal como outros entrevistados também eu fui estimulado pelo meu pai a jogar as Damas. Mas comigo aconteceu pela negativa. No dia em que ganhei fui reprimido… Mas o prazer de exercitar o raciocínio foi mais forte.

 

E actualmente o que faz no Brasil, damisticamente falando?

É uma história que começou há quase trinta anos. Desde 1955 que me havia dedicado ao problemismo quando, em 1970, fui contactado por Carlos Ferrinho, um português natural de Monção. Ele tinha sido convidado como responsável da secção de Damas Brasileiras do jornal O Estado de S. Paulo, para substituir Bakumenko, um exilado russo que acabara de falecer. Ferrinho percorreu uma imensidão de quilómetros propositadamente para me conhecer e… convencer a ajudá-lo na área do problemismo. Acabei por aceitar o convite e cá ando! Tenho colaborado o mais que posso e orgulho-me de ter contribuído para a enorme evolução que o problema teve em todo o Brasil. Adaptei imensos temas às Damas Brasileiras e, juntamente com Ferrinho, fui fundador da Associação de Problemistas de Damas. Fizemos mesmo uma Revista artesanal que se denominava APD.

 

Dada a sua idade, depreendo que se encontra reformado.

Reformado, só do jogo prático. Continuo a trabalhar normalmente na pintura sobre azulejo. Gosto de pintura colorida que é mais alegre do que a clássica, a azul e branco. Sabe, o povo brasileiro é um povo alegre e aprecia mais as cores multifacetadas. Olhe, pode observar através desta fotografia um recente quadro meu, intitulado A Sagrada Família.

 

Embora afastado, acompanha a nossa actividade. Quem é para si o melhor jogador?

Para mim, o melhor jogador é aquele que utiliza mais o raciocínio. A memória, só, não chega. Não basta dizer que determinada posição é conhecida como empatada. É necessário saber empatá-la. E os títulos nem sempre são boa bitola. Não é o resultado de dois ou três Torneios que definem um campeão.

 

Que projectos damísticos tem para o futuro?

A secção do Estado de S. Paulo tem sido um êxito e colaborou decisivamente na divulgação do Problema, no que respeita às características, concepção e nomenclatura. Há muita gente interessada pois a grande parte dos estados brasileiros é maior do que Portugal. Continuarei sempre às ordens do amigo Ferrinho, enquanto desejar a minha colaboração. Sei que Espaço Damísta o vai entrevistar, o que acho muito acertado, pois ele é uma autoridade, em Damas Brasileiras e Internacionais, principalmente no campo das Regras e da Arbitragem.

 

Espera, como a maioria dos emigrantes, voltar um dia a Portugal?

Não me considero um verdadeiro emigrante. Este, normalmente, parte para o estrangeiro com o objectivo de juntar algum dinheiro e regressar para fazer uma moradia, montar um negócio, reformar-se. Eu fui viver para o Brasil e não penso regressar. Bem vê, tudo o que tenho está lá; a casa, o trabalho, a família. O meu mundo está onde estão estas coisas.

 

Para saber mais sobre Damas http://tresedama.blogspot.fr

 

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casa de macau - tijuca - br

 

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vila isabel - br

 


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Sábado, 1 de Dezembro de 2018

DOS MUSEUS DE MELGAÇO

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museu do contrabando

 

A MEMÓRIA COMO PATRIMÓNIO: DA NARRATIVA À IMAGEM

 

  O município de Melgaço, em alternativa à criação de um único espaço museológico, tem optado pela criação de uma rede de pequenos museus. O núcleo museológico da Torre de Menagem e as Ruínas Arqueológicas da Praça da República têm, também eles, uma evidente conotação histórica, mas o «Espaço Memória e Fronteira» é o único que procura fazer uma ponte com o presente, isto é, que procura dar sentido e conteúdo à memória colectiva através da construção de uma narrativa em que a comunidade pode e deve rever-se. A junção do contrabando e da emigração no mesmo espaço físico e em semelhantes balizas expressivas faz por isso todo o sentido. Não só pela permeabilidade entre as duas actividades – em lugares de fronteira a emigração incrementa-se não tanto pela diminuição do contrabando mas pelas transformações internas da actividade – mas também porque congregam tópicos discursivos convergentes. As ideias de travessia, de clandestinidade, de enfrentamento dos perigos e da luta pela sobrevivência e melhoria das condições de vida para a família, contam-se entre esses tópicos.

 

Luís Cunha

Universidade do Minho, CRIA

2010

 


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Sábado, 20 de Outubro de 2018

MELGAÇO MEMÓRIA DOS TEMPOS PASSADO E PRESENTE

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A partir de Dezembro de 1982 e até princípios do século XXI, o ímpeto empreendedor que impulsionou o crescimento de Melgaço, foi verdadeiramente notável, pioneiro e arrojado a vários níveis.

Num enorme salto qualitativo para a modernidade, Melgaço posicionou-se à frente do seu tempo e, em muitos aspectos, à frente dos demais concelhos portugueses, em geral, e dos do Alto Minho em particular.

Ontem como hoje, o Município tem sabido acompanhar a contemporaneidade de discursos, abrindo portas à divulgação e projecção dos mais diversos eventos e criando equipamentos de grande qualidade para a fruição sócio cultural.

Muito do seu património edificado, acumulando vivências diversas e remotas na origem, readaptou-se e readapta-se às funcionalidades do tempo presente.

Como destino turístico, estadia de lazer ou local de negócios ou desporto, o diário de visita a Melgaço escreve-se com entusiasmo em qualquer época do ano.

As suas acessibilidades, as potencialidades de desenvolvimento e investimento; a exuberância das suas festas, sejam do Alvarinho e do Fumeiro ou da Cultura, respectivamente em Abril e Agosto de cada ano; o comércio, as unidades hoteleiras e de restauração; os eventos desportivos – com destaque para as diversificadas e polivalentes valências do seu Complexo Desportivo e de Lazer/Centro de Estágios de Melgaço e para o desporto aventura – organização da prestigiada Associação do Melgaço Radical – são motores propulsores do crescer social, económico e cultural do Município.

Talvez por isso, Melgaço foi considerado, entre 2004 e 2006, pelo Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa, “um dos Municípios portugueses com maior qualidade de vida”. O inquérito, levado a cabo por uma equipa sob a responsabilidade do Geógrafo Doutor João Ferrão, analisou o desenvolvimento de Portugal através de 75 indicadores:

Ambientais,

Demográficos,

Sociais,

Culturais,

E económicos.

Melgaço entrou no século XXI para todo este compromisso de enlaces e pontos de interesse que fazem o engrandecimento e projecção, cada vez mais merecido, da região.

 

MELGAÇO memória dos tempos passado e presente 

J Marques Rocha

Edição do Autor

Patrocínio Câmara Municipal de Melgaço 

2007

 


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Sábado, 22 de Setembro de 2018

MÃES DO MINHO

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“Mães do Minho”, de rosto sulcado pela ausência de afago, ficaram nas aldeias, no vazio das casas, abraçadas pelo xaile negro da despedida, carregando o árduo amanho da vida.

Eles, os maridos e os filhos, partiram. Levaram como bagagem, a certeza da incerteza de tudo.

“Mães do Minho”, um pelouro de referência humana, testemunho de uma época, de gerações, reflectidas na memória do tempo, que o próprio tempo jamais apagará. Um tempo cinzento, denso, sombrio. Pedaço de história. Um espaço cronológico e social, onde o êxodo migratório e a guerra colonial se situam, como realidade mártir, feita de dor e de saudade. Vivência de um tempo, numa região, em que as dificuldades económicas e a conjuntura política, aliciaram estes homens dignos, mas carentes de dignidade, a descobrir novos mundos.

Mais do que um louvor, uma homenagem. “Mães de Minho”, é um cântico de amor nunca esgotado, a essas Mães, Mulheres Mães, de sorriso adormecido, enquanto ateiam o amor, em cada gesto cálido e nobre, tocado pela aspereza do pão que o diabo amassou.

São estas, as nossas Mães, as “Mães do Minho”, de braços sempre enternecedoramente abertos, à espera do nosso regresso.

Elas serão, eternamente Mães.

 

Às “Mães do Minho”, deixo a minha grata admiração, pela sabedoria, pelo exemplo de intemporalidade espiritual, que nos legaram.

Ao autor, Tino Vale Costa, também eu, na condição de Mãe, abraço-o, por este tamanho sentir…

 

                                                                                  Adelaide Graça

 

 

Mães do Minho

 

Diamantino Vale Costa

 

Edição Câmara Municipal de Melgaço

 

2000

 


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Sábado, 14 de Julho de 2018

O CRUZEIRO DE MELGAÇO

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cruzeiro de são julião

 

CRUZEIROS

 

 

No pequeno alfoz da sua freguesia quatro cruzeiros houve outrora Melgaço e embora alguns tenham sido mudados de local, ainda hoje todos se conservam erectos à veneração dos fiéis. Um, e é o principal por mais lindo, mais trabalhado e mais artístico, tem a forma do Piedade, pois numa das faces da cruz está esculpida a imagem de Cristo crucificado e na outra a de Nossa Senhora com o filho morto deitado no regaço. Representa o descimento da cruz. A coluna esbelta, elegante, está lavrada com alguns primores de arte e na base tem esculpida a figura da morte, representada por caveira humana.

Ignora-se infelizmente o nome do artista lavrante e o do quem lhe encomendou ou pagou o primoroso trabalho, pois no referido monumento nem a mais escassa informação se colhe. Em 1779 estava erguido no Campo da Feira de Fora, junto de uma morada de casas, cuja escadaria exterior dificultava a passagem das procissões à sua volta. Depois foi mudado para o Campo da Feira de Dentro e ficou mais ou menos no centro do largo.

Daqui o transferiu a junta de paróquia em 1867 para o adro da capela de São Julião, onde ainda hoje se conserva exposto à veneração de todos os fiéis, tendo sido declarado há anos monumento nacional. É este o cruzeiro da vila.

Assim foi conhecido sempre e ainda hoje essa designação tem e lhe pertence. Vem de longe, do século XVII, se é que não foi trabalhado nos fins do século XVI por qualquer daqueles artistas trazidos à terra pelo juiz de fora Gil Gonçalves Leitão para fazerem muitas coisas aqui não havidas e talvez nem sonhadas.

E isto se avança porque este cruzeiro estava situado no Coto da Pedreira, que era monte baldio pertencente à Câmara do termo, ali à entrada das Carvalhiças, e outro cruzeiro assim não havia. De mais a mais quando em 1703 Frei Domingos Gomes de Abreu quis erguer uma capela em honra de Nossa Senhora da Pastoriza escreveu em requerimento estas palavras, aliás com aparência de serem descabidas ao intento: «…quer este fazer-lhe a capela no Coto da Pedreira desta freguesia por ser lugar público onde costumam irem os clamores desta vila não havendo neste lugar mais do que uma cruz…»

Mas esta cruz era o cruzeiro da vila. Quem o diz nesse processo organizado na Mitra bracarense são os sucessivos párocos da vila então no uso do múnus de cura de almas: o P. João Dias dos Santos e o P. António Soares Falcão.

Aquele fá-lo por estas palavras: «…Digo que ao sítio vamos com as ladainhas aonde está o Cruzeiro desta vila fora da muralha…»

E este assim o diz: «Pretende o instituidor edificar a capela de que fez promessa no sítio chamado o Coto da Pedreira, que fica extra muros desta vila, onde está um cruzeiro ao qual vão em procissão nas ladainhas…»

Ora como a capela da Nossa Senhora da Pastoriza ocupou o sítio do Cruzeiro e as obras da construção, por circunstâncias várias, só vieram a fazer-se entre 1725 e 1727 esta obra nova acabou por impor a mudança do cruzeiro. Foi, possivelmente, por esta época que o Cruzeiro da vila veio das Carvalhiças para o local assinalado por documentos conhecidos, mas muito mais recentes: o Campo da Feira de Fora.

 

Publicado em NM de 18/3/1956

 

Obras Completas: Augusto César Esteves

Nas páginas do Notícias de Melgaço

Volume I Tomo 2

Edição Câmara Municipal de Melgaço

2003

pp. 551, 552

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:05
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Sábado, 30 de Junho de 2018

CAPELA DA NOSSA SENHORA DA ORADA

768 - 1 orada.jpg

 

A IGREJA DE NOSSA SENHORA DA ORADA

 

(NOTÍCIA HISTÓRICA)

 

Nos derradeiros anos do século XI, quando percorria em longas jornadas de instrução e de posse as terras do seu condado de Portugal, D. Henrique de Borgonha, o mais antigo obreiro da nossa nacionalidade, encontrou êrma e quási totalmente arrasada a povoação que depois devia renascer com o nome de Melgaço. Expulsos os moiros – que o ímpeto irresistível dos sucessores de Plágio continuamente rechaçava para o sul da Província – nenhum novo núcleo de população ali criara raízes; e até o castelo comarcão, que se dizia ter sido construído pelos invasores árabes sôbre os alicerces de um castro romano, apenas negrejava no seu morro como ruína quási informe.

Necessitando de concentrar tôda a atenção e tôda a actividade em emprêsas de maior vulto, o Conde D. Henrique não curou de repovoar aquêles sítios agrestes, que então podia julgar livres de qualquer perigo ou ameaça grave; ordenou apenas que a decrépita fortaleza mourisca fôsse benificiada com as necessárias obras de consolidação, a-fim-de assegurar, como cumpria, a defesa da terra, no caso de lá chegar, em dias futuros, alguma das temerosas contendas que desde os primeiros tempos da Reconquista perturbavam de quando em quando a vida política da Espanha cristã.

Assim esquecido, senão inteiramente abandonado, jazeu ali, durante muitos anos ainda, o alto e áspero chão onde hoje se vê a vila de Melgaço. Depois do falecimento de seu marido, a raínha D, Tareja – sempre atormentada, como êle, por grandes trabalhos de ambição – nada fêz também para remediar ou minorar tam imprudente desamparo; por isso, nem o castelo, a-pesar dos “repairos” com que o Conde D. Henrique firmara as suas muralhas centenárias, logrou afrontar sem renovados danos a incessante e traiçoeira guerra do tempo. Por seu turno, D. Afonso Henriques, só ao cabo de 30 anos de reinado, em 1170, atentou na conveniência de prover de boa e basta gente aquêle recanto da terra hereditária, destinado a converter-se, pela sua situação, em um dos mais úteis baluartes de defesa do novo reino; mas, pronto em remediar o mal que tam tarde havia reconhecido, logo remiu com decisão e acêrto êsse pecado de imprevidência. Pouco depois, os primeiros colonos para ali enviados por ordem régia davam princípio à sua obscura obra de progresso nacional e social. Ao mesmo tempo, para lhes incutir maior fé na própria segurança e na segurança das suas searas, outras providências foram tomadas; e em breve, na terra extrema que ao norte sobranceava o rio, a possante fortaleza sarracena, ampliada e robustecida, reocupava firmemente o seu lugar de sentinela raiana.  A póvoa portuguesa de Melgaço tinha finalmente nascido.

Diminuindo de certo modo a importância de alguns dêstes factos, uma versão corrente, abonada por certas memórias monásticas, persuade entretanto que já em tam remota era se erguia a curta distância do castelo, entre outras construções de grande antiguidade, a Igreja da Nossa Senhora da Orada. Ignorava-se a data da sua fundação e o nome do fundador. Edificada no tempo em que a moral cristã começava a moderar os costumes bárbaros dos visigodos, havia resistido como que por milagre (dizia-se) aos maus tratos da natureza e dos homens, durante o período da dominação árabe – acrescentando-se ainda que depois disso, no reinado de D. Ramiro II de Leão, fôra anexada a um pequeno mosteiro de monges bentos mais ou menos sujeitos à grande casa conventual que anteriormente obtivera para a mesma Ordem a doação de tôda a vizinha terra de Fiãis.

Segundo a tradição que guarda lembrança de tais sucessos, aquêle mosteiro-vassalo, secularizado por motivos que se desconhecem nos longínquos anos do gôverno de D. Tareja, convertera-se afinal (juntamente com a cêrca e outras terras contíguas) em uma simples propriedade particular – que, adquirida pouco depois pelos Templários, dêles recebera o nome de Quinta dos Cavaleiros que lhe é conferido nos documentos do século XII. Se com efeito assim aconteceu, pode afirmar-se que foi da aguerrida milícia do Templo, visto que, volvidos alguns lustros, já a chamada Quinta dos Cavaleiros pertencia in totum a uma dama de grandes haveres, a Condessa D. Frolhe, que no ano de 1166, por meio de uma escritura de doação, a entregou de novo, e com outro nome – o de Quinta da Orada – aos monges negros de Fiãis.

Porque não foi incluída a Igreja nessa doação, a que se podem atribuir em verdade intuitos idênticos aos de um vulgar legado pio? Por não ter existido de-facto, o suposto Convento da Orada? Por se haver estabelecido qualquer distinção entre êste e o templo da Virgem, através de tantas alternativas de posse? Finalmente, por se achar em completa ruína (e, portanto, sem valor) a vélha casa de oração? Ignora-se. Cumpre notar, em todo o caso, que D. Afonso Henriques, ordenando pouco depois, em 1170, a reconstrução do desmembrado edifício, sancionou implìcitamente a inclusão do edifício no rol dos bens da Coroa.

 

BOLETIM DA DIRECÇÃO GERAL DOS EDIFÍCIOS E MONUMENTOS NACIONAIS

 

A IGREJA DE NOSSA SENHORA DA ORADA

Nº 19

Março de 1940

pp. 5-8

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:41
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