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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

O RESPONSO DO CONTRABANDISTA

08.12.18, melgaçodomonteàribeira
talha do mestre abel barrenhas igreja de santa maria da porta   O CONTRABANDO O concelho de Melgaço encontra-se situado no extremo Norte de Portugal, entre o rio Minho e o rio Trancoso, que fazem de fronteira natural entre o Minho e a Galiza. A partir de Portelinha começa a demarcação da raia seca. A Sul o concelho fica delimitado pelos concelhos de Arcos de Valdevez e Monção. Ao longo de toda a fronteira natural, para além de uma alfândega em S. Gregório e de uma delegação em (...)

DOS MUSEUS DE MELGAÇO

01.12.18, melgaçodomonteàribeira
museu do contrabando   A MEMÓRIA COMO PATRIMÓNIO: DA NARRATIVA À IMAGEM     O município de Melgaço, em alternativa à criação de um único espaço museológico, tem optado pela criação de uma rede de pequenos museus. O núcleo museológico da Torre de Menagem e as Ruínas Arqueológicas da Praça da República têm, também eles, uma evidente conotação histórica, mas o «Espaço Memória e Fronteira» é o único que procura fazer uma ponte com o presente, isto é, que (...)

O LILI DO TEODORICO

24.11.18, melgaçodomonteàribeira
  UM LUGAR ONDE NADA ACONTECIA… I O Lili do Teodorico era o assunto de momento. O Alfredo Pereira, mais conhecido como Pandulho, oficial de diligências, divulgou que o rapaz fora indicado pelo ministério público e iria a julgamento. Perplexo, o povo da terra passou a especular. Inventavam várias hipóteses para explicar o acontecimento. Novamente o Pandulho, que tinha acesso ao processo deu a explicação: o Lili, Teodorico João Fernandes como fora baptizado, escrevera ao (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XVII

18.08.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 04 de agosto de 2018.     Aos sábados, e apenas nesses dias, a Frieira desfrutava de um extraordinário tumulto geral. Para os nativos era uma agradável e distractiva recreação que lhes fazia esquecer a soporífera rotina. Podiam ver gente que não conheciam, discrepante e, casualmente, trocar pareceres. Também havia – embora fosse coisa raríssima – uns  turistas improvisados que vinham admirar a barragem, a selvajaria do rio e a paisagem (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XVI

04.08.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 21 de julho de 2018.     — É uma lástima – desabafou o Manco, afectando desolação ao mesmo tempo que fazia uma curta pausa, questão de o embaralhar e intrigar ainda mais. Encantado por saber que ia viver um momento de deleite, de vingança mágica, antes que o homem objectasse, proferiu com espontaneidade: — Sabe por que é pena? Desconcertado pela incoerência da pergunta, e querendo dar prova de gentileza e de servilismo, o (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XV

21.07.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 07 de julho de 2018.     A mente, saturada de vapores de álcool, afigurava-se-lhe deperecida, despregada do tronco. Procurou decantar as ideias enfezadas que rodopiavam no seu cérebro, mas este, penado, reagiu confusamente. Não tinha desejo nem forças para guindar a cabeça. Raramente, e apenas com finalidade devidamente firmada, o vinham arreliar durante um momento tão íntimo como aquele. — Não há ninguém? Desta vez a voz derivava de (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XIV

07.07.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 23 de junho de 2018.     Nascera a Casa Manco, cuja popularidade se difundiria rapidamente. A partir do ano mil novecentos e sessenta e oito, a vaga de emigração principiou a enfraquecer vagamente, sem todavia deixar de ser uma forte fonte de rendimentos. A efervescência económica originada pela construcção da barragem fazia levedar os proventos do seu negócio. Mais tarde, a ponte forneceu-lhe um novo filão de receitas adicionais. Sem jamais o (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XIII

23.06.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 9 de junho de 2018.     Em geral, os problemas eram esparsos. A maioria dos próximos integrara a sua tendência inesperada, a sua cegueira e sabia diferenciar os bons dos maus auspícios.  Depois de casado, e com quatro filhos, manteve-se com os pais numa casa de aspecto andrajoso, a quatrocentos metros, em linha recta, da Frieira da orla esquerda do Minho, até estes falecerem. A taberna que os pais tinham explorado no rés-do-chão – a única (...)

QUANDO MELGAÇO TINHA GENTE

16.06.18, melgaçodomonteàribeira
  UM LUGAR ONDE NADA ACONTECIA   Os moços da terra, rapazes e raparigas, viviam uma situação de expectativa. Consideravam monótona e sem graça a vida que lhes apresentavam. Bailes uma vez por outra, as festas em honra dos santos padroeiros, nas freguesias, e os desafios de futebol. Liam os jornais no café que lhes noticiavam as maravilhas do após guerra, o programa da ciência, e uma vez por semana absorviam avidamente o estilo de vida capitalista, regalada, que subjectivamente (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - XII

09.06.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 26 de maio de 2018.     Já um pouco curvado para diante e arrastando os pés, o septuagenário desceu com cuidado o reduzido declive que havia entre a estrada e o prédio do Manolo. Foi quando os dois agricultores, esgotados pela espera ilimitada, acharam que, no fim de contas, era melhor concluir a expectativa; impulsivamente, abandonaram o bar, perseverando, todavia, com o maior alarido, em rejeitar-se a culpa do absentismo do taxista. Um deles (...)