Sábado, 10 de Dezembro de 2016

CASTRO LABOREIRO E O CINEMA

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CASTRO LABOREIRO

UN DOCUMENTAL DE RICARDO COSTA, 1979

 

Xulio Medela

“Há mais poesia num grão de realidade do que no cérebro dos poetas"

Marcel Mauss

 

As terras arraianas do Laboreiro son eterna fonte de inspiración fílmica. De Lobos da serra a Viagem ao princípio do mundo, pasando pola mítica A cruz de ferro, non é estraño que Ricardo Costa tivese reparado neste universo para crear aquí un dos catro filmes que produciu para a serie da RTP O homem montañes.

Doutor en letras pola Universidade de Lisboa, e depois dunha primeira etapa como editor e investigador de textos sociolóxicos, Ricardo Costa logo se tornou realizador, guionista e produtor, inseríndose plenamente no movemento denominado ‘Novo Cinema Português’, sendo un dos máximos representantes do subxénero coñecido como ‘docuficción’ ou ‘etnoficción’ inspirado directamente pola obra do antropólogo francês Marcel Mauss e do etnocineasta Jean Rouch.

Castro Laboreiro foi proxectado publicamente, se cadra pola primeira vez, nas xornadas que cada agosto organiza o Núcleo de Estudos e Pesquisas dos Montes Laboreiro. Cunha duración de 85’, Costa articula o filme en tres partes: “Inverneiras”, “Transumâncias” e “Brandas”, que reflicten con exactitude (ainda que con certo manierismo, no estilo de António Jorge Dias en Vilarinho das Furnas) o modus vivendi e operandi dunha comunidade en dificilísimo equilíbrio cunha hostil contorna natural, sendo a emigración a consecuencia lóxica desa constante perda de equilíbrio en favor da ‘montaña’ e en detrimento do ‘homem’.

Ricardo Costa realiza unha obra non exenta dun fondo sentido poético, mesmo con momentos de abstracción. Coñecedor da obra de Mauss, o filme aparece ‘impregnado’ de sentido etic, en que a expresión pura, científica e núa da realidade prima sobre calquera intención ou propósito, mesmo o de ‘preservar’ un modo de vida condenado á extinción irremediable. De aí a extrema calidade desta obra.

Este filme, cheo de encanto, é unha marabillosa xoia que resulta da loita entre cinema directo e tentativa ficcional. Recomendamos encarecidamente o seu visionado e agradecemos aos xerentes do Núcleo de Estudos e Pesquisa dos Montes Laboreiro a súa laboriosa e complicada localización e recuperación e a oportunidade que tivemos de poder gozar dun produto cultural trás do que había tanto tempo que andabamos.

 

Retirado de:

 www.academia.edu/6875499/_Montes_Laboreiro_Palmilhando_uma_raia_carregada_de_séculos

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:12
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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

JEAN - LOUP PASSEK

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MORREU O SENHOR CINEMA

1936 - 2016

 ATÉ UM DIA JEAN-LOUP

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 22:33
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Sábado, 18 de Junho de 2016

VIDAS MELGACENSES: O TI PIRES

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O TI PIRES

 

 O cinema exibido na casa do Emiliano, filmes mudos, era produto do génio inventivo do Manuel Pires. Este Papá Pires como passou a ser conhecido mais tarde devido a esse tratamento que os filhos lhe dispensavam, era oriundo do vizinho concelho de Monção, da freguesia de Tangil. Tivera longo tirocínio na freguesia da Valinha como funcionário da famosa loja do Barbeitos.

Estudioso, autodidacta, era o Pires o arauto do progresso. Enfronhara-se nas coisas do cinematógrafo, novidade que estava chegando à região. Por sua inventiva construiu o Pires a máquina de projecção com componentes adquiridos no Porto. Como o Emiliano tinha o espaço fizeram uma sociedade. Ambos novos, recém-casados, com idênticos propósitos de progresso entenderam-se bem durante algum tempo. Além do cinema fizeram sociedade num automóvel Ford, modelo T, 1926. Este carro dirigido por um ou por outro foi o primeiro carro de praça da vila de Melgaço.

O Manuel Pires após prestar o serviço militar foi instalar-se na vila de Melgaço. Aí montou de sociedade com o irmão José uma loja de ferragens e prestação de serviços mecânicos denominada Pires&Irmão, Lda. Os dois Pires logo ficaram famosos, dinâmicos e inventores tinham solução para tudo. Diversificaram suas actividades com serralharia, mecânica, electricidade, fotografia, bicicletas e automóveis, gramofones e cinema. De tal modo eram procurados que montaram nova loja na mesma rua, aliás a principal da terra, rua Nova de Melo. As duas lojas passaram a ser conhecidas como a loja de cima e a loja de baixo. Uma especializada em ferragens e a outra em drogaria. Ambas bem montadas com letreiros nas fachadas e nos vidros, nestes com filetes de ouro, arte que o Pires dominava bem chegando a ser durante bastante tempo o único e competente pintor de letras da região. As casas comerciais e Hotéis do Peso exibiam nas fachadas suas denominações em grandes e artísticas letras pintadas pelo Manuel Pires directamente nas paredes. Nas suas andanças pelas redondezas atendendo a chamadas de trabalho, sempre de bicicleta, conheceu no Peso uma rapariga que lhe agradou. Também a ela lhe interessou aquele famoso mancebo. Era a Carlinda, filha única de Lucas Ferreira Passos, probo e abastado proprietário, descendente de tradicional família. Entre os dois estabeleceu-se um namoro fora dos padrões convencionais da época. Não eram vistos juntos nas festas e romarias e dificilmente aos domingos. O namoro de Pires e Carlinda era quase exclusivamente do conhecimento dela e dos pais dela. Quando dispunha de tempo ou a saudade apertava, não importava dia ou hora, montava o Pires numa das suas bicicletas de aluguer e pedalava até sua amada, quatro quilómetros distante.

O casamento dos dois também se deu fora dos padrões usuais. Consta que, acertadas as coisas e documentação, no dia aprazado a Carlinda e parentes aguardavam na porta da igreja do convento de Paderne. Na hora marcada apareceu o Pires no seu transporte exclusivo, vestido com seu traje habitual, calça e casaco de cotim cinzento e alpargatas nos pés. Após a cerimónia religiosa cada um foi para o seu lado. A Carlinda e familiares para sua casa e o Pires em sua bicicleta para a sua loja. Só à noite se juntavam na casa dela. Esta situação durou até ele alugar o sótão da casa da Umbelina da Baralha, em cujo térreo já tinha uma das lojas: sótão este que só abandonou anos depois, já tinham os seis filhos, por ameaçar ruir. Por falecimento dos sogros herdou as duas casas nas propriedades do Peso mas nunca se transferiu para lá. Aquele inusitado casamento que à maioria passou despercebido, até aos vizinhos, motivou um curioso incidente. O Ponciano, vizinho com propriedades contíguas, nas esporádicas conversas passou a dar indirectas: - Lucas, a tua filha não canta! No seu jeito calmo respondeu: - Se não canta, há-de cantar. Diariamente o Lucas era abordado com a mesma observação venenosa do vizinho. Fazia-se desentendido e dava sempre a mesma resposta: - Se não canta, há-de cantar! Certo dia vendo que as indirectas não surtiam o efeito desejado, maldosamente foi directo: - Lucas, a tua filha está prenha, de quem é? Com a sua proverbial calma, com o falar arrastado, respondeu ao insolente vizinho: - Pois está! É do nosso Pires, o homem dela!

Não levou muito tempo uma filha do Ponciano apareceu grávida. Num dos encontros o Lucas observou ao seu vizinho: - Ponciano, a tua filha não canta!... Furioso, o outro destratou-o: - Vai para o diabo, desgraças acontecem a todo mundo…

 

                                                             MANUEL IGREJAS


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:27
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Terça-feira, 30 de Julho de 2013

CASTRO NUM FILME GALEGO

 

Lugar de Teso

 

 

VIAGEM AO PRINCÍPIO DO MUNDO: CASTRO LABOREIRO

 

 

Sabela Fernández

 

   Conta a hidrografia a todos aqueles que gostam de ler mapas com veias azuis, que as águas do rio Laboreiro venham desembocar no rio Lima, o Lethes grego ou o Leteu: o famoso rio do olvido que denominárom os romanos. Parafraseando livremente Ernesto Vázquez Souza, acho que qualquer viagem como galegos e galegas deveria conduzir-nos sempre aí, a atrevermo-nos a cruzar o rio do esquecimento e situarmo-nos sempre “à outra beira do Leteu”.

   Trespassar a raia da desmemória estabelecida e cruzar para a outra beira do Leteu para procurarmos a nossa história e a nossa língua, esquecida deliberadamente por alguns, é o que a Gentalha do Pichel e as suas comissons venham fazendo desde há anos na quarta, quinta e sexta-feira, também. Mas como a língua também trabalha em domingo, umha expediçom picheleira em outubro vermelho, foi vista no Google maps das serras da Peneda e Laboreiro, atravessando o túnel do tempo e cruzando, se nom o Leteu, sim o seu afluente pequeno, o Laboreiro. Objectivo: remontar a épocas nom fronteiriças entre Entrimo e Castro Laboreiro quando a Galiza chegava até ao Mondego e o castelo de Sam Rosendo ainda nom entendia de Estados e marcos.

   Além de tempos pretéritos medievais, o planalto de Castro Laboreiro esconde, só para aqueles que o queiram achar, um dos conjuntos megalíticos mais importantes da Europa, um Carnac galaico com mais de 110 mamoas e dólmenes: nom é um acaso, pois, que o cineasta Manuel de Oliveira intitulasse o seu filme realizado quase íntegro nos lugarejos de Castro Laboreiro e protagonizado por Marcelo Mastroianni: “Viagem ao princípio do mundo”.

   E quanto a nós, no que diz respeito à nossa iniciática viagem pola história e pola antropologia de Castro Laboreiro, impossível já falar das suas aldeias, sem mais. Os excecionais povoamentos serranos de Castro – as brandas e as inverneiras – levam implícita umha distinçom semântica que é de obrigado cumprimento assinalar. Que a gente de Castro tivesse um sistema de moradia alternada ao longo do ano é algo que as palavras “branda” e “inverneira”, com as suas raízes lexicais, nos podem explicar, para assim entendermos, de vez, o carácter sazonal e rotatório que estas aldeias tinham para os seus moradores. As brandas, localizadas nos enclaves mais altos da montanha, eram aldeias frescas de verão (bram) e serviam para colheitar cereais e ter o gado a pastar em ricos lameiros. Em contraste, as inverneiras estavam para se refugiar no inverno nas zonas  baixas do vale. Estes assentamentos de baixura e altura que semeiam a serra como megalitos modernos, constituem umha espécie de necrópole que algum dia um arqueólogo do futuro estudará: a maioria som hoje em dia aldeias fantasmas, outrora testemunhas privilegiadas do singular fenómeno da “muda”, das batidas aos fugidos e dos contrabandos de mercadorias após a nossa Guerra incivil.

   Umha guerra que levou, entre outros, o deputado galeguista Afonso Rios disfarçado de esmoleiro Sinhor Afránio a fugir precisamente por estas montanhas e ocultar-se na inverneira da Ameijoeira, que ele confundiu como galega por nom perceber diferença de sotaque galego nos camponeses dali. Menos mal que nessa guerra ratoeira a alguns ainda lhes ficou um bocadinho Portugal. Mas isso já é outro filme, e nesta terra chega com o realizador finlandês Aki Kaurismaki, habitante transumante da inverneira do Bico.

   Toda esta viagem ao início do nosso mundo galaico e galego temperado com bacalhau com broa e uivada por lobos e latidos duns cans únicos em toda Ibéria nom teria tido graça se nom tivesse sido explicada por Américo Rodrigues, o nosso particular Leonardo da Crasto, homem do renascimento, entusiasta divulgador da história, da arqueologia, dos cans da raça laboreiro e, com certeza, homem galego da Gallaecia; engraçadamente, o primeiro da sua turma de português quando estudante estava na escola em Braga.

 

Retirado de:

 

A Revista

Suplemento do Novas da Galiza

Nº 51  Novembro de 2012

 

http://www.novasgz.com

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 07:10
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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

EM EXPOSIÇÃO - MR. BERGMAN

 

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 08:56
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UM SILVA PAIS REGENERADO, UM PIDE PODRE OU UMA SOBRINHA NÃO INFORMADA

 

 

VIVA O 25 DE ABRIL SEMPRE

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 08:49
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É SÓ UM PASSO

 

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 08:46
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DO SONHO À REALIDADE

 

Jean Loup Passek

 

 

      Sinto-me na Cinna Citá, ao lado do mestre, no alto de uma grua a olhar para  as cúpulas, telhados, jardins suspensos, bairros de lata e ele a dizer, voz rouca, a gritar:

      — Roma, mi cittá.

      Frederico é o nome do meu avô; Fellini é o nome dum génio.

      Conheci Felinni, em 74 ou 75; preto e branco no 8/5; o Ciccio  no Amarcord, o Satiricon, as bichas p’ra entrar no Palácio Foz.

      Em Melgaço naveguei na fonte com a deusa nórdica; em Melgaço encontrei o outro, o nosso, o senhor Fellini, o homem que não precisa de nome; em Melgaço há muito para descobrir.

      E o senhor cinema, décadas depois do Ti Pires e do Sn.r Hilário, Jean Loup Passek, melgacense aprofilhado não contente com o espaço que lhe foi conferido pela C M M  conseguiu que o museu não parasse. E nós agradecemos. O antigo cine Pelicano vai ser reconvertido e o museu alargado.

 

Depois de Fellini é Bergmam!

 

Erros ortográficos são da responsabilidade de:

 

Io volo una dona….io volo una dona

 

Camborio Refugiado

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 08:43
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