Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015

POR INFLUÊNCIA DO...

17 b2 - Castro, principios do séc. XX.jpg

 Castro Laboreiro

 

NOTÍCIAS DE MELGAÇO 935, DE 11/6/1950

 

 

 «A 29/5/1950 foi apreendido pelos carabineiros do Monte Redondo (Galiza) o rebanho de Portelinha que, andando a pastar junto do marco 10, se internou acidentalmente 150 m em território espanhol. Logo que os pastores pressentiram a aproximação das autoridades procuraram fazer voltar o gado para Portugal, o que lhes foi impedido, sendo então toda a rês apreendida, bem como cinco pessoas que a apascentavam. Por influência do Presidente da Comissão Concelhia da UN, Dr. Júlio O. Esteves, e Presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Dr. Carlos Luís da Rocha, foi no dia seguinte devolvido todo o gado aos seus proprietários, num total aproximado de 700 cabeças de gado caprino e lanígero, e 19 de gado bovino. Os pastores foram também postos em liberdade, excepto Manuel Domingues Fernandes, de Portelinha, que por ter na carteira 5OOO$00, produto de uma transacção nesta Vila, na feira de sábado, teve de ser entregue ao Juiz de Delitos Monetários em Madrid. O Cônsul de Portugal em Orense, a quem o caso foi exposto, oficiou à Embaixada portuguesa em Madrid, relatando os factos e solicitando os seus bons ofícios para a libertação imediata do referido pastor, sendo de esperar que todas as atenuantes sejam levadas em conta. Só quem não conhece a topografia da região fronteiriça de Castro Laboreiro pode admitir que factos semelhantes não sucedam diariamente. Por maior que seja o cuidado dos pastores, facilmente umas cabeças de gado, ou até um rebanho inteiro, transpõe a linha divisória, cuja demarcação é feita por marcos colocados a 1. 000 metros de distância uns dos outros. Torna-se necessário que entre as autoridades fronteiriças haja a melhor camaradagem e à pobre gente da serra sejam concedidas as facilidades que já usufruíram e pelas quais ainda há pouco se bateu na A.N. o nosso ilustre deputado, Dr. Elísio Pimenta. Este facto ocorrido que é bem verdade não teve, ou melhor, não terá consequências de maior, é a prova da razão que assiste ao ilustre deputado e da necessidade que há em apressar o estudo da concessão de facilidades que já existiam, o que só a guerra de libertação da Espanha veio interromper…» (NM 935, de 11/6/1950).

 

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO II

Joaquim A. Rocha

Edição do autor

2010

p. 302

 

Joaquim Rocha é autor do blogue Melgaço, minha terra

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:11
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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

BRANDAS E INVERNEIRAS NOS MONTES LABOREIRO

 

 

    Embora concentradas em Castro Laboreiro, em determinados locais da serra da Peneda, da serra do Soajo e no planalto de Castro Laboreiro, existem as denominadas brandas e inverneiras, sendo estes vestígios de um sistema de habitação sazonal e o reflexo da necessidade das populações utilizarem os pastos localizados na serra para alimentar o gado.

A linguagem corrente designa as brandas de “lugares de cima” e de “airosos” e as inverneiras de “lugares de baixo” e “abrigados” (Geraldes, 1996).

   As brandas são os aldeamentos tradicionais habitados durante a Primavera e o Verão. São locais que normalmente se encontram em locais de altitude superior a + 600 m. A primeira fixação de populações nestes espaços fica cronologicamente situada na Idade Média. Nas brandas as populações dedicam-se à pastorícia e à agricultura, efectuando-se aqui as sementeiras, que crescem até ao Verão (Geraldes 1996).

   As condições climatéricas das inverneiras são, bastante mais favoráveis do que as brandas, para passar os invernos: a temperatura não atinge valores tão baixos e a queda de neve, quando ocorre é de fraca quantidade. Nas inverneiras, as populações dedicam-se quase exclusivamente ao pastoreio, pois, a água de muitos dos riachos que cortam o espaço das inverneiras seca durante o Verão, o que causa transtorno na rega das culturas e no consumo diário de água (Geraldes 1996).

   De 12 a 20 de Dezembro, as famílias das brandas efectuam a mudança para os lugares do vale, as inverneiras, logo o Natal é sempre passado na inverneira. Estas transformações são devidamente planeadas, deslocando-se não só a população como o gado e todos os seus bens essenciais. A estadia nas inverneiras termina por volta de fins de Março, sendo a Pascoa a festa que impõe a data limite da chegada às brandas, efectuando-se a transmutação a tempo das casas ficarem preparadas para receberem a cruz pascal (Geraldes 1996).

   Este sistema de mudança de casa tem vindo a diminuir, devido ao acesso das populações à compra de produtos alimentares para o gado (Geraldes 1996).

   Segundo alguns habitantes, os seus antepassados remotos tiveram como primeiro local de permanência as inverneiras e só mais tarde passaram a habitar as brandas, em virtude dos locais onde são implantadas lhes terem oferecido condições mais favoráveis a uma estadia prolongada, nomeadamente o clima menos rigoroso e melhores condições para a agricultura (Geraldes 1996).

 

 Luciana de Jesus dos Santos Peixoto

 

http://www.dct.uminho.pt/mest/pgg/docs/tese_peixoto.pdf

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 17:45
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