Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

AVELEIRA

melgaçodomonteàribeira, 29.01.22

72 a 2 -.jpg

BRANDA DA AVELEIRA

 

Minha Branda d’Aveleira,

Lá no alto, junto aos Céus!

(Sinceramente te digo

Sem um exagero meu),

Tens a riqueza mais linda,

Que Deus jamais afer’céu.

 

Da Portela ao Batateiro,

Das Veiguinhas ao Mourim

E ainda, p’ra além Campelo!

És uma jóia p’ra mim

Que no Mundo não hav’ra

Uma outra tam linda, assim!

 

Teus mil metros de altitude,

E teu planalto serrano,

São trunfos que te concedem

Maravilhas todo o ano,

E fazem de ti sem dúvida,

Um “jardim bem Lusitano”.

 

Quando de Inverno te cobres,

Com manto branco de neve,

Of’reces bela paisagem

A qualquer que jamais deve,

Esquecê-la inda que seja

Um paisagista bem leve.

 

No V’rão és muito dif’rente

Com manto multicolor;

Dás um aspecto de seres

Jardim dum grande Senhor,

Mas teu aroma selvagem

Cheira mais, cheira melhor!

Tuas fontes cristalinas

“Invejáveis”, com certeza

Te dariam noutros sítios

Uma fonte de riqueza

Mas não deixavas de ser

Mesmo, assim, mais portuguesa.

 

São os ribeiros que tens

Desse rio Vez a mãe,

E onde há tanta, tanta truta,

E todo o pescador tem

Presa certa e variada

Todas as vezes que bem…

 

E essa linda capelinha

À Virgem Santa Maria

Erguida no teu planalto?!

É a Senhora da Guia

P’ra guiar os nossos passos

E dar-nos mais alegria!

 

Tuas “cercas” e “lameiros”,

E teus “barbeitos” também

Davam centeio e batata,

Mas hoje quase ninguém

Se ocupa de tais produtos;

- Sinais que este mundo tem –

 

Ai! Que lindo o pôr-do-sol

Nesta Branda d’Aveleira!

E o nascer é um primor

Naquela serra altaneira!

Só poderá continuar

Quem ‘stiver à sua beira!

 

Uma Vida Entre Poesia

José Maria Rodrigues – José Serrano

Câmara Municipal de Melgaço

2007

pp. 30,31

 

O FALHANÇO DAS BATATAS

melgaçodomonteàribeira, 21.11.15

151 - bouça dos homens.jpg

Bouça dos Homens

 

O NOME DAS COISAS E OUTRAS MEMÓRIAS – O BATATEIRO

 

Numa conversa interessante, cheia de informações sobre como viver na zona de Lamas de Mouro os anos 50, relataram-me o que parece ser a origem do topónimo Batateiro junto à Bouça dos Homens (Peneda). O nome poderá ter tido origem numas plantações de batata feitas na zona. Assim o topónimo será relativamente recente (possivelmente do período do pós-guerra, década de 40). Terão sido ainda estas plantações que motivaram a abertura da estrada desde Lamas de Mouro, local onde eram armazenadas num curioso sistema de silos.

Nessa época, e quase até finais de 50, a rede viária seria praticamente inexistente e feita essencialmente pelos caminhos de carros de bois e trilhos de pé posto que agora percorremos. Depois os serviços florestais que foram abrindo as estradas numa política de satisfazer as suas necessidades e compensar as populações pelos montes. A minha fonte, filho de um antigo guarda-florestal, recorda que na sua infância a estrada terminava nos viveiros dos Serviços Florestais, actuais Portas do PNPG de Lamas de Mouro. Relatou-me que numa ruptura da barragem da Meadinha as águas terão destruído casas no Santuário da Srª da Peneda e morto pelo menos 2 pessoas, mas o socorro não terá conseguido chegar de jipe mais longe do que a Portela do Lagarto. Esta era a realidade do nosso território que todos os que possuem mais 60 anos nos podem relatar.

Apesar de tudo em 3 gerações o salto foi enorme.

 

Julho de 2010 por Joca

 

Retirado de: www.asnotasparaomeudiario.blogspot.pt