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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

CARTA DO MESTRE AEC

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Carta de mestre António El Cambório a seu amigo e compadre Dom Cambório Refugiado Lusitanus ou como viviam uns melgacenses em terras de Bracara Augusta nos idos de 972.      Caro amigo: as suas perguntas são verdadeiramente interessantes e impertinentes. Agradeço-lhe imenso por ter pensado em mim para esclarecê-lo.    Se a minha memória me não atraiçoa, creio que esses singulares companheiros de uma época muito apreciada por nós eram três: dois irmãos e um primo, (...)

LARÁPIO: PROFISSÃO ÁRDUA II

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Resolvi regressar a Melgaço onde, se tudo corresse bem, o Moisés me preveniria por telegrama, e aproveitar para reconstituir o meu capital bancário que tinha sofrido um desgaste considerável durante aquelas duas semanas. Assim foi.    Uma semana depois do Ano Novo, recebi o telegrama tão esperado que confirmava o meu ingesso nos TLP.    Regresso à capital e à rua da Emenda, onde fiquei quase cinco meses. Não ganhava grande coisa, mas chegava para comer e sobrava (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE X

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    A irmã da D. Maria era a D. Rosa … E quem é que não conhecia a D. Rosa na cidade? A Rosa dos fretes, a maior p*ta da cidade. A irmã da D. Maria, mão na anca, como boa mulher que se preze da sua profissão, bate com o pé no chão e desata a guinchar: — Ah se fosse comigo! Isto não ficava assim, não. D. Maria, apanhando o ritmo, gritou: — A Minha filha já foi chamar a polícia. O Fininho, “expert” em fugas, já ia a meio caminho pelas escadas quando aparece o (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE IX

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    O Louro bem resmungou, mas lá teve que voltar a entrar pelo janelo da casa de banho e colocar o “pirata” dentro da caixa. A garrafa mais o copo foram parar à mala do Fininho que já estava pronta para arrancar. Carnaval à vista, férias para gozar, estudante “morto” … O Fininho tinha encontro marcado com um amigo para se fazerem à estrada na manhã seguinte. E a manhã começou com murros na porta … O Fininho, de cara molhada, na casa de banho, quase pronto para (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE VIII

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Ficou deliberado e pronto a ser executado que o Louro atacava o janelo existente entre a casa de banho e a sala interdita, pousando a sua pata no armário, qual cristaleira, que iria servir de base ao assalto e amortecer o barulho da entrada no santuário da megera. O Louro, indisciplinado de nascença, olhou com ar de gozo as fechaduras dos armários interditos: — Foi por causa desta m*rda que eu tive que passar pela janela?! — Cabrão, abre isso. Queremos beber. — Salta tu (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE VII

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Logo o Louro teve que pagar as favas, porque se não fosse o mijo dele estar tão carregado de tinto e cerveja a nossa situação não estaria tão mal. E a filha a quem nunca pusemos o olho em cima? Bem, o problema da filha estava ultrapassado, também era só o olho. Agora o problema do estômago, já era outra conversa. Amigos, amigos, mas fazer da casa um campo de concentração, ainda por cima pago, essa é que não. E como quatro cabeças pensam melhor que uma, falava-se, (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE VI

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Voltou murcho, branco, branco … muito mais branco do que a cera que era queimada na capela em baixo. Três caras horrorizadas perante aquela cara amiga, amiga de todos os dias que acaba de nos deixar com a fome no rosto. Fome antiga, companheira e aparece como um fantasma. — Qual é a tua? — O que é que aconteceu? O Fininho desata a rir… rir … mãos na barriga e nada o faz parar de rir… — A garrafa … huf …! A garrafa de Porto está em cima da mesa …. Ah … ah (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE V

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Crise atrás de crise e a cozinha da nossa querida anfitriã voltou a ser o alvo a atacar. Porta da cozinha fechada, só restava, na sala do nosso descontentamento, uma garrafa, meia, de Porto. — É nossa, gritou-se. Quatro e meia garrafa de Porto … dez minutos depois … com cabeça quente, com cabeça fria… alguém lembrou que a garrafa tinha que ir novamente para o lugar dela, mas não podia ir vazia! — Mija-se dentro. O Louro, de garrafa na mão, desaparece na (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE IV

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Logo começou a lição: — O dinheiro está no bolso dos outros. Os outros querem o nosso dinheiro. Nós temos que ganhar para ficar com o dinheiro dos outros. O professor sabia do assunto, os alunos eram aplicados e não demorou nada que, num conceituado restaurante da cidade, à uma hora da manhã, cinco senhores, rapazes da aldeia, encomendassem o seu bife, bebessem a sua caneca de cerveja, gorjeta ao empregado e toca a ir dormir porque a cidade não dá para mais e a nota (...)

O ENTERRO DO ESTUDANTE III

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Com nota fresca no bolso, cinquenta paus mais uns trocos, porque era o primeiro dia, farejaram-se os locais já velhos conhecidos de tradição na terrinha e descobriu-se, ao fim de grandes voltas, o que passou a ser o nosso El Dourado: Coxa de frango, um pão e duas tigelas de tinto, dez paus. O tinto puxava um tanto ou quanto para o maduro mas não dava direito a reclamações. O Louro deu o mote logo no dia da apresentação: — Desculpe, minha senhora, mas eu não como cabelos.