Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

NÚCLEO MUSEOLÓGICO DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 21.12.19

3 f16 praça república.jpg

 

ACHADOS ARQUEOLÓGICOS DE MELGAÇO CONVERTIDOS EM MUSEU

 

16.02.2001 – Por Lusa

 

Os achados arqueológicos resultantes das escavações que decorreram na Praça da República, em Melgaço, vão ser convertidos em peças de museu, numa empreitada que deverá estar concluída no início do Verão.

Segundo o chefe das escavações, Brochado de Almeida, o principal achado é um fosso medieval desconhecido em todos os registos documentais e gráficos, mas também a antiga muralha da vila, agora descoberta.

O espaço museológico a criar, cujo estudo prévio já foi aprovado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, resultará do restauro do fosso medieval e da muralha.

Algumas das peças arqueológicas encontradas serão também objecto de restauro e reprodução de forma a poderem ser expostas, estando ainda previsto a criação de painéis informativos e explicativos para auxiliar os visitantes a interpretar aquilo que vão observando ao passarem no espaço entre o fosso medieval e a muralha.

Durante as escavações na Praça da República de Melgaço foi encontrado um vasto espólio de cerâmica, pertencente aos séculos XVII, XVIII e XIX, estando muitos dos fragmentos em condições de restauro, além de cerca de três dezenas de moedas, de que há a destacar uma moeda de 400 réis de D. João I.

Estas escavações arqueológicas, que decorreram de Dezembro de 1999 a Maio de 2000, precederam as obras de remodelação da Praça da República, já que a câmara não quis correr o risco de ver as máquinas destruírem alguns pedaços da história do concelho. É que a Praça da República situa-se no enfiamento da couraça nova desenhada por Duarte d’Armas, que protegia o acesso ao posto de abastecimento da vila e que, posteriormente, viria a ser remodelada, por altura das obras de adaptação da fortaleza moderna.

Segundo Rui Solheiro, presidente da autarquia local, a remodelação da Praça da República, actualmente em fase de conclusão, visa aproveitar ao máximo as potencialidades do espaço como zona de estadia e encontro, acabando com o “uso desregrado” que ali se registava, “fruto da falta de elementos organizadores e caracterizadores”.

A empreitada está orçada em cerca de 100 mil contos (498 mil euros), metade dos quais será garantida pela parte pública do Projecto Especial de Urbanismo Comercial, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio à Modernização do Comércio (Procom).

 

Publicado no jornal Público

 

http://desporto.publico.pt/Londres2012/noticias

 

ESTÁ NA HORA DO REGRESSO A CASA

melgaçodomonteàribeira, 23.03.19

48 a2 - antigo escudo da vila, desaparecido.jpg

antigo escudo de melgaço

 

ACHADOS

 

Não sabendo eu explicar a razão pela qual os arqueólogos portugueses, ou outros, nunca se interessaram por Melgaço, à excepção da freguesia de Castro Laboreiro, que nos últimos anos tem sido palco de investigações nesse domínio, não quero contudo deixar de lado o assunto. E a verdade, apesar dessa ausência, aqui e ali ao acaso, vão aparecendo objectos de antanho, os quais logo desaparecem como por bruxedo!

Escreveu Figueiredo da Guerra no “Correio de Melgaço” nº 31 de 5/1/1913: Da idade do bronze apareceram em (Novembro de) 1906, na Carpinteira, S. Paio, em esconderijo subterrâneo (quando se arrancava um pinheiro numa bouça), cinco machados de cobre, tipo morgeano (…), que nós classificamos como modelo grande do Minho. Da mão do nosso amigo Serafim Neves, onde os vimos, passaram ao Dr. José Leite, indo aumentar a colecção oficial de Lisboa.

No adro da igreja do mosteiro de Paderne existia desde tempo imemoriais uma curiosa lápide ornamentada; os paroquianos admiravam o par, representado toscamente, e o comentavam a seu modo. Era nada menos que um cipo luso-romano agora lajeando o pavimento, e tendo na parte superior um nicho com duas figuras, homem e mulher, dando as mãos; no rectângulo inferior e também abaixo dele, a inscrição, que diz: «Fulana, de cem anos, e seu companheiro Valus, filho de Arda, de 50 anos, aqui estão sepultados. O companheiro Pento mandou fazer este monumento.» Este padrão, tão cobiçado pelo Director do Museu Etnográfico de Belém, acabou por seguir para lá em 1906.)

No “Arqueólogo Português”, volume XII, 1907, o Dr. José Leite de Vasconcelos escreveu: «Junto da igreja de Paderne… existia… uma pedra lusitano-romana… ocupa hoje lugar de honra no Museu Etnológico…»

No Notícias de Melgaço, nº 224, de 4/3/1934, escreveram: «Numa propriedade ultimamente adquirida por Avelino Júlio Esteves, perto da nova avenida em construção, em volta das antigas muralhas desta Vila, e quando se procedia a um desaterro para a construção dum prédio, foram encontrados seis sarcófagos, abertos em Piçarra, saibro duro e espesso, calculando-se uma idade de 700 anos. Naquele local existiu em tempos uma capela, que foi demolida. O achado tem sido muito visitado por curiosos, inventando cada qual, a seu belo prazer, interessantes lendas, que a falta de espaço não nos permite reproduzir.»

Leite de Vasconcelos levou alguns desses achados, e ainda bem, para os museus da cidade, de outro modo ter-se-iam perdido. Na década do 90 do século XX, quando se rasgava a estrada Monção a Melgaço, os trabalhadores encontraram diversos objectos de longa idade. Os curiosos logo apareceram e levaram tudo que viram e tinha, do seu ponto de vista, algum valor comercial. (Sobre este assunto ver Jornal de Melgaço, nº 48, de Maio de 1994, Jornal de Melgaço, nº 55, de Janeiro de 1995, Voz de Melgaço nº 1054, de 1/7/1996, Jornal de Melgaço, nº 114, de Maio de 2000, jornal de Melgaço, nº 123, de Março de 2001).

 

 

Dicionário Enciclopédico de Melgaço I

Joaquim A. Rocha

Edição do autor

2009

pp. 22, 23

 

 

IDADE DO BRONZE NO CONCELHO DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 11.06.13

 

EXISTE UM NÚCLEO MUSEOLÓGICO EM MELGAÇO?

 

 

   É notória a falta de sínteses sobre a pré-história do Norte de Portugal, mormente no tocante à Idade do Bronze. Excepção feita à dissertação de doutoramento do Doutor Vítor de Oliveira Jorge que apenas aflora, como é óbvio, o Alto Minho, dois trabalhos nos serviram de base para estas linhas: o de Savory, publicado em 1951 na Revista de Guimarães e o de Philine Kalb apresentado em 1979 ao I Seminário de Arqueologia do Noroeste Peninsular.

   Destes, o primeiro é um repositório de locais e achados do chamado Bronze Atlântico em toda a Península, enquanto o segundo, polémico mas profundo, vem pôr sérios problemas que bem merecem uma cuidada atenção por parte dos pré-historiadores portugueses.

   Dado que, como atrás foi dito, é nossa intenção elaborar um ponto da situação e não apresentar conclusões sólidas, vejamos quais os principais achados da Idade do Bronze conhecidos no Alto Minho.

 

Esconderijo da Carpinteira

 

Bouça da Carpinteira – S. Paio – Melgaço;

5 machados de talão, duplo anel e dupla canedura;

2 com cabeço de fundição;

Sem vestígios visíveis de uso;

Depositados nos Museus Soares dos Reis e de Belém.

Bibl.:Portugália, II, 1945, pg. 475

 

Achados de Viçosa

 

Monte da Viçosa – Roussas – Melgaço;

1 machado de alvado, uma ponta de lança;

Machado com um só anel;

Ponta de lança fragmentada na parte do alvado.

Bibl.:Studium Generale, IX, 1961, pgs. 94-99

 

Retirado de:

Elementos para o Estudo da Idade do Bronze no Alto Minho

 

Por: José Augusto Maia Marques

 

http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/7917.pdf

 

 

E SE AS PEÇAS REGRESSASSEM A CASA?

 

 

   O hábito, no séc. XIX, de os próprios arqueólogos trocarem entre si, ou entre as instituições museológicas a que estavam ligados, peças arqueológicas, é igualmente responsável pela sua dispersão, como sucede, por exemplo, com os materiais do depósito de Espite (Ourém) (Veiga, 1981), uns pertencentes ao Museu Santos Rocha, outros ao Museu Nacional de Arqueologia; ou o de Carpinteira (Melgaço) (Fortes, 1905-1908b), cujas peças se encontram distribuídas pelo Museu Municipal de Viana do Castelo, Museu Nacional de Soares dos Reis e Museu Nacional de Arqueologia.

 

Retirado de:

Depósitos de Bronze do Território Português – Um debate em aberto

Separata de O ARQUEÓLOGO PORTUGUÊS

Lisboa, 2006

Por: Raquel Vilaça