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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

NO LARGO DA CALÇADA I

05.03.16, melgaçodomonteàribeira
 toni costa e berto chiquera na esplanada do café estrela   O Barbosinha   Estávamos em 1974. A Vila, a maior parte do ano plácida e silenciosa, transformava-se no mês de agosto – e isto quotidianamente – num dia de feira sem tendeiros; o agosto do ano da Revolução dos Cravos fulminara todos os superlativos: os emigrantes, vindos dos quatro cantos do mundo, tinham-se apoderado do concelho. Muitos destes conterrâneos adoravam externar ostensivamente parte do pecúlio (...)

FESTA EM SEIXAS

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
   Seixas - Foto de rapazao      Era a segunda vez que íamos tocar à AAS, Associação dos Amigos de Seixas. A primeira vez fora no carnaval do mesmo ano e, aparentemente, a gente gostara da nossa música. Por isso, naquele dia, dia da festa de São Bento, padroeiro da vila, lá estávamos nós a tocar novamente.    Seixas é uma linda vila da margem esquerda do rio Minho. A largueza do rio mostra que a foz não está longe e que os efeitos das marés chegam ali.    Nas ruas, a (...)

SOLDADO 404 - 40

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Exército Português Regimento de Infantaria Nº 8 Braga Soldado 404/40 Caderneta Militar   1ª Página Alberto Caetano de Sousa Classe 1940 – C.H – 158   2ª Página Estado Civil Nasceu a 4 de Abril de 1919 Freguesia de Melgaço Concelho de Melgaço Filho de Ilídio de Sousa e de Amândia Augusta Igrejas Estado  solteiro Ocupação  Funileiro Ultimo domicilio, freguesia d Melgaço Concelho d Melgaço   3ª Página Estado Militar Alistado em 10 de Julho de 1939 como recrutado ………………………………………………… (...)

SOLDADO 404-40

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
        A lareira na cozinha quase não se fazia sentir tal era o frio que entrava pelas frinchas de portas e janelas, mal calafetadas com folhas de jornal. Na sala, duas braseiras aqueciam um pouco os pés enregelados; na parede principal, duas litografias, a Rainha D. Amélia numa, seu filho Rei D. Manuel II noutra.     — Os meus primos, diria Amália, - filha de Félix Igrejas, neta bastarda de condessa – a visitante mais curioso.     A mesa, nessa noite de Consoada, (...)

CARTA DO MESTRE AEC

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Carta de mestre António El Cambório a seu amigo e compadre Dom Cambório Refugiado Lusitanus ou como viviam uns melgacenses em terras de Bracara Augusta nos idos de 972.      Caro amigo: as suas perguntas são verdadeiramente interessantes e impertinentes. Agradeço-lhe imenso por ter pensado em mim para esclarecê-lo.    Se a minha memória me não atraiçoa, creio que esses singulares companheiros de uma época muito apreciada por nós eram três: dois irmãos e um primo, (...)

IMPRESSÕES DE UM FRADE

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
    SÍNTESE DA MORAL MELGACENSE   IMPRESSÕES DUM FRADE     I   NO CÚ DE PORTUGAL, NARIZ DE ESPANHA LÁ ONDE O MINHO A COBRA IMITA ONDE ATÉ ÀS NUVENS SE ARREBITA DUM E DOUTRO LADO ÁSPERA MONTANHA,     JAZ UM FEIO CURRAL QUE A VISTA ACANHA. È VILA (O POVO DIZ QUE DENTRO HABITA E QUE NOUTROS TEMPOS BEM BONITA) MAS QUEM PODE ENGULIR ESTA PATRANHA?...     AQUI DE GENTE BOA POUCA RESTA. QUASE TODA A PISA ESTE ESPAÇO É VIL, MALDIZENTE E DESONESTA.     LEITOR, PELA PINTURA (...)

LARÁPIO: PROFISSÃO ÁRDUA II

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
        Resolvi regressar a Melgaço onde, se tudo corresse bem, o Moisés me preveniria por telegrama, e aproveitar para reconstituir o meu capital bancário que tinha sofrido um desgaste considerável durante aquelas duas semanas. Assim foi.    Uma semana depois do Ano Novo, recebi o telegrama tão esperado que confirmava o meu ingesso nos TLP.    Regresso à capital e à rua da Emenda, onde fiquei quase cinco meses. Não ganhava grande coisa, mas chegava para comer e sobrava (...)

LARÁPIO: PROFISSÃO ÁRDUA

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
       Depois de quatro anos de vadiagem, devassidão e declínio intelectual pela capital provincial, Braga, cidade epónima e muito mais, regressei à terra que me viu crescer, Melgaço. Ali, sendo as actividades laborais mais do que limitadas, e as restantes muito pouco regulamentares, escolhi a mais rentável, menos penível e punível, para a qual possuía as melhores competências: o jogo da lerpa.    Na Cidade Augusta, tivera como mestres e modelos o Lino e o Batata, (...)

ADEUS AMIGO

07.03.13, melgaçodomonteàribeira
    O BANDOLA E EU   NÃO HAVIA FRUTA QUE NÃO ESTIVESSE DEBAIXO DE OLHO. ELE CONTROLAVA O QUE HAVIA P’RA BAIXO DO CONVENTO SEMPRE QUE LEVAVA A SACA DO MILHO P’R´0 MOINHO DO MASCANHO EU FICAVA-ME PELO QUE HAVIA NA VILA E ARREDORES. NO MEIO DESTAS FITAS, SACAVAMOS UMAS GASOSAS E LARANJADAS AO SR. CASTRO, CASTANHAS NO TEMPO DELAS,TODOS ESTICADOS NA MURALHA DO CASTELO QUE OURIÇO APANHADO ERA TROFEU. PASSÁVAMOS AS DE CRISTO NO INVERNO COM OS PÉS GELADOS E DEDOS QUASE A PARTIR QUE (...)