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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO E VILA NOVA DE CERVEIRA - PARCEIROS NA INOVAÇÃO

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SOALHEIRO E TINTEX, EMPRESAS DO ALTO MINHO, CRIAM TECIDO

FEITO DE UVA EM VEZ DE COURO

14/03/2021 

Duas empresas do Alto Minho – a produtora de vinhos Soalheiro e a têxtil Tintex – desenvolveram um tecido alternativo ao couro feito com algodão orgânico e bagaço de uva passível de ser utilizado em diversos tipos de produtos.

“Além de aliar duas importantes indústrias portuguesas – têxtil e vinho – este tecido cumpre o objetivo de procurar soluções de economia circular, ou seja, de dar uma nova vida a resíduos vegetais que, de outra forma, seriam desperdício”, explicaram à agência Lusa os promotores do projeto.

Para além da localização – o produtor de vinho Alvarinho está instalado em Melgaço e a empresa de tingimento, acabamento e revestimento de malhas Tintex situa-se em Vila Nova de Cerveira, a cerca de meia centena de quilómetros de distância – as duas companhias têm em comum uma aposta assumida na sustentabilidade e inovação.

E foi assim que, numa visita feita há alguns meses ao Soalheiro pelo diretor de inovação da Tintex – um “apaixonado por vinhos” que quis conhecer os projetos de inovação que a empresa vitivinícola tinha em curso – surgiu a ideia de aplicar os resíduos vegetais das uvas, resultantes das vindimas, no fabrico de um tecido alternativo ao couro.

“Temos um resíduo que são os bagaços das uvas, que resultam da prensagem (extração do sumo que dá origem ao vinho). Esses bagaços têm várias possibilidades de ser utilizados na indústria vitivinícola, mas a sua valorização não é significativa. E então surgiu a ideia, com a Tintex, de fazer uma experiência e utilizar este resíduo vegetal (que no fundo são películas de uva) para revestir um tecido orgânico”, explicou à agência Lusa o gestor e enólogo do Soalheiro, Luís Cerdeira.

Desta experiência resultou a criação, há apenas alguns dias, do primeiro tecido de algodão orgânico com incorporação de uva, estando agora em aberto a sua utilização em diversos produtos e fins como um sucedâneo do couro.

“Agora é que começa o sonho”, afirma Luís Cerdeira.

Já o diretor de inovação da Tintex, Pedro Magalhães, diz esperar ter, “até à próxima vindima, diversos tipos de produtos” com o novo tipo de tecido incorporado, “seja em rótulos para garrafas ou em alguns tipos de vestuário”.

“As possibilidades são muitas e dependem dos nossos clientes, embora sempre em parceria connosco”, sustentou.

Conforme explicou à Lusa Pedro Magalhães, esta parceria com a Soalheiro surgiu no seguimento de um projeto em que a Tintex esteve envolvida – o TexBoost, para desenvolvimento de uma nova geração de soluções têxtis inovadoras – e ao abrigo do qual se lançou na produção de um substrato têxtil que pudesse ser considerado como uma alternativa ao couro incorporando, sobre uma malha de algodão, materiais como serrim e casca de pinheiro.

Neste âmbito, a empresa tem atualmente em submissão a patente de um “material têxtil alternativo ao couro fabricado a partir de subprodutos e resíduos de origem vegetal”, cujo pedido foi apresentado em junho de 2016 e que espera ver concluído “num horizonte de três anos”.

“Já tivemos avaliações intercalares com resultado positivo, mas ainda falta muito tempo (para concluir o processo). Mas como está feito o pedido internacional, a tecnologia e o ‘know how’ já estão protegidos”, disse o diretor de investigação da Tintex.

A intenção é “entrar com este produto nos mercados europeu, norte-americano e, possivelmente, também no Brasil” e em setores tão diversos como saúde, moda, marroquinaria, calçado ou mobiliário.

Muito solicitada por alguns gigantes da moda que procuram tecidos com menor impacto no meio ambiente (menor consumo de água, utilização de matérias-primas naturais, tecidos biodegradáveis), a têxtil de Vila Nova de Cerveira trabalha atualmente com várias marcas, nomeadamente do Norte da Europa e escandinavas (como é o caso da COS, do grupo sueco H&M), estando “a tentar entrar também nos EUA”.

Com cerca de 130 trabalhadores, dos quais 10 dedicados exclusivamente a atividades de inovação, a Tintex investe cerca de um milhão de euros por ano em Investigação & Desenvolvimento (I&D) e prevê que o segmento dos têxteis técnicos venha a responder, no prazo de cinco anos, por 20% da faturação da empresa.

Em 2020, o volume de negócios da companhia ascendeu a 11 milhões de euros, mas o objetivo é atingir os 20 milhões em cinco anos, precisamente por via da aposta nos têxteis técnicos sustentáveis, com utilização de biopolímeros e de resíduos normalmente desvalorizados.

Esta mesma aposta na inovação e na sustentabilidade tem vindo a ser feito pelo Soalheiro na produção dos sus vinhos: desde 2006 que a empresa tem certificação biológica das suas vinhas, cujas uvas são usadas na produção de vinhos naturais, sem adição de sulfitos e com o mínimo de intervenção humana (sem filtração).

A empresa tem também em curso um processo de certificação de todos os seus vinhos com selo vegan, tendo instalado, no ano passado, uma cobertura vegetal na adega que permitirá uma poupança energética estimada de 26% ao ano.

Este ano, o Soalheiro está a renovar toda a sua gama com uma garrafa sustentável, com menos 19% de vidro e com redução de emissões de carbono utilizadas na sua produção e transporte.

Feitas em Portugal (quando antes eram produzidas no centro da Europa), 90% das garrafas Soalheiro irão adotar este novo formato até ao final do ano, o que permitirá uma poupança estimada de 56 toneladas de vidro ao ano.

Adicionalmente, também as embalagens usadas pela empresa foram repensadas para reduzir 39% do consumo do cartão, oriundo de florestas geridas de modo responsável (certificado FSC).

O MINHO

ominho.pt

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UM PASSEIO POR MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 16.03.24

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AQUI AVISTA-SE O PONTO Nº 1 DE PORTUGAL. ATÉ LÁ, VAI SER SEMPRE A SUBIR E DEPOIS SEMPRE A DESCER, MAS O QUE IMPORTA MESMO É O CAMINHO

Mariana Falcão Santos - texto

10 ago 2020

É na capital do rafting que um passeio de UMM pela montanha nos ajuda a perceber melhor o que é que torna a terra mais a norte de Portugal tão especial. Entre caminhos vertiginosos e as paisagens pintadas de verde banhadas pelo Minho, as surpresas que Melgaço tem guardadas não são só para os que têm sangue na guelra.

O convite inicial prometia um passeio de moto4, pelas montanhas da vila de Melgaço. Um contratempo logístico mudou o meio de transporte para um modelo de todo-o-terreno que ficou conhecido nos anos 80, um UMM. À priori, já sabíamos que nos esperava uma viagem por terreno atribulado.

“Não via um destes há anos” foi uma das primeiras frases dita pela nossa equipa. Quem nos ia conduzir montanha acima era Paulo Faria responsável pela Melgaço Whitewater, uma das empresas que se dedica à dinamização de atividades outdoor na zona. Professor na Escola Superior de Desporto e Lazer e formado em Desportos da Natureza, há três anos que se dedica a apresentar as potencialidades da vila a quem tem curiosidade de conhecer.

Esperava-nos um percurso de média montanha e campo, com início no centro histórico de Melgaço. A vila tem uma área envolvente superior a 230 quilómetros quadrados e conta com cerca de 9 mil habitantes. Em anos normais, por esta altura, muitos portugueses, muitos espanhóis – que Espanha é já ali – mas também de outras paragens. Visitantes que ali chegam atraídos por um binómio que casa na perfeição: uma imensa natureza a explorar e um vinho que dá nome à rota da região. Como dirá o nosso guia, Paulo Faria, “vir a Melgaço e não beber Alvarinho é como ir a Roma mas não ver o Papa” – mas isso são outras histórias.

A viagem começou com a promessa de que, passando o cliché, o que veríamos ao chegar ao destino valeria a pena – mesmo que o percurso fosse atribulado. Mas, até chegar ao destino, a história de Melgaço começou a ser contada ainda em estradas de alcatrão. Lá fora, à medida que íamos saindo em direção à periferia da vila, as casas, alinhadas numa disposição pouco orientada, eram maioritariamente constituídas por pedra, e, como em qualquer ambiente rural, havia uma história daquelas que passa de boca em boca que o ajudava a explicar.

Em tempos, ali, em Melgaço, houve um mosteiro, o Mosteiro de Santa Maria de Fiães, onde residiam monges. Os mais antigos da terra contam que o monumento foi destruído por populares que posteriormente utilizaram as pedras do mosteiro para fazer as suas próprias casas. Mas até chegarmos ao local que serviu de casa a muitos devotos, esperava-nos um caminho de terra pela zona montanhosa. Já lá vamos.

Dos dois lados da estrada, vegetação de tons inimagináveis de verde tapa-nos qualquer tipo de visão. Não são precisos muitos minutos para percebermos que neste trilho de média montanha em UMM uma das premissas é acreditar. Acreditar que apesar de uma mata densa que pouco ou nada faz adivinhar haver caminho, ele existe – e se vale a pena!

Ajuda muito ter alguém que conhece as montanhas de Melgaço como a palma da mão. Não é por acaso que Paulo Faria faz o que faz e tem a empresa que tem, mesmo que também haja quem opte por explorar caminhos íngremes e apertados de forma autodidata – o que nem sempre corre bem.

O percurso pode ser feito de três formas: Moto4, Buggy ou UMM, consoante o nível de adrenalina, conforto e autonomia procurado, mas a última opção é a mais confortável na hora de passar entre lençóis de mato que se atravessam pelos caminhos e que apenas são abertos com a perícia de um condutor experiente ao volante de um “bicho” que é dotado para estas missões.

Os trilhos que hoje em dia servem para passeios turísticos foram noutros tempos os sítios mais procurados de passagem de contrabando entre Espanha e Portugal. Ladeados pelo rio Minho, eram os atalhos que atravessavam a montanha. “Há várias povoações, especialmente na zona perto do rio que se formaram devido às trocas entre países e contrabando. Somos uma zona de contrabandistas e não temos problema nenhum em dizê-lo”.

O contrabando é uma marca desta terra, não uma cicatriz. As gentes e os locais fizeram a sua história – e as suas famílias em muitos casos – nessas vidas em que a troca de produtos, então ilegal, de um lado e do outro da fronteira, era parte do dia-a-dia. De Espanha traziam bananas e chocolate, de Portugal havia quem levasse sabão e café. Do cimo de um dos muitos miradouros encontrados pelo caminho conseguimos ver que há alguns percursos alternativos que a vegetação farta não consegue esconder – o que indica que por ali passaram e continuam a passar pessoas entre um lado e outro.

sapo.pt

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MELGAÇO, ROTA DO ALVARINHO

melgaçodomonteàribeira, 10.02.24

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ROTA DO ALVARINHO

A Rota do Vinho Alvarinho está inserida na Rota dos Vinhos Verdes e é dinamizada pela Comissão Vitivinícola dos Vinhos Verdes e Solar do Alvarinho, em Melgaço. A rota dispões de vários aderentes entre as quais as adegas Quinta de Soalheiro, Fontaínha de Melgaço, Casta Boa, Quintas de Melgaço, Quinta da Pigarra, Reguengo de Melgaço e Quinta de Touquinheiras. Todas estas adegas dispõem de um contacto estreito com os seus visitantes, sendo os produtores os guias nas visitas às adegas e às vinhas. Através da Rota os produtores têm a vantagem de vender directamente aos seus visitantes, maximizando as margens de vendas, promovendo a marca e aumentando o número de potenciais consumidores, alargando os segmentos de mercado. Assim podem também angariar novas parcerias e potenciar a fidelização da marca, além de que aparecem novas oportunidades de venda de outros produtos locais, podendo obter novas fontes de rendimento.

É também através dos restaurantes Adega do Sossego, Boavista, Foral de Melgaço, Sabino, Chafarix, Panorama e Mira Castro que se divulgam os produtos endógenos e gastronomia típica da região. Cabe ao Solar do Alvarinho, casa mãe da rota e Centro de Artesanato ARTES fazer a divulgação dos produtos, valorizar as tradições e as práticas e dinamizar o território. Parte integrante da Rota são também os Museus e Centros de Interpretação, que no caso são seis, Posto de Turismo, Museu de Cinema de Melgaço-Jean Loup Passek, Núcleo Museológico da Torre de Menagem, Núcleo Museológico Memória e Fronteira, Porta Lamas de Mouro e Núcleo Museológico de Castro Laboreiro. Como apoio às visitas estão as diferentes infra-estruturas de Hotelaria, desde Turismo Rural ao Alojamento de Luxo, onde enunciamos a Casa da Granja; Albergaria Boavista; Monte de Prado Hotel e SPA; Reguengo de Melgaço e Albergaria Mira Castro.

Importantes, ainda, na divulgação da Rota e do Território e com impacto para o lazer e bem-estar no espaço estão as Empresas de Animação Turística como a Associação C. R. Melgaço Radical, DraftZone e Centro de Ecoturismo e Turismo Equestre da Serra do Laboreiro. Estas empresas possuem ainda acordos com instituições e empresas locais, como o Centro de Estágios e Complexo Desportivo e de Lazer do Monte de Prado com especial importância, para obtenção de descontos e promoções para os visitantes e participantes da Rota de forma a fidelizar clientes.

DESENVOLVIMENTO LOCAL: TURISMO, MELGAÇO E VINHO ALVARINHO, ESTUDO DE CASO.

Carina Venâncio

Dezembro de 2011

 

 

POPULAÇÃO DO CONCELHO DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 22.07.23

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POPULAÇÃO

 

A partir de 1960, o concelho apresentou sempre uma diminuição da população resultante de variações negativas do saldo fisiológico e migratório. O êxodo rural e a emigração, seguido do envelhecimento da população que permaneceu residente no concelho, refletiu-se em acentuadas quebras populacionais. De 1960 para 2001 foi registada uma variação negativa da população de – 82.1%.

Entre 1991 e 2001 a população do concelho de Melgaço diminuiu de 11018 para 9996 indivíduos (-9.2%). A nível de NUT III, Minho-Lima, verificou-se uma variação nula da população correspondente a uma taxa de variação de 0.09%. Ao contrário destas duas unidades territoriais, a Região Norte registou um aumento populacional de 6.18% indivíduos.

Entre a década de 80 e 90, a diminuição de população terá resultado mais do aumento da taxa de mortalidade derivado do envelhecimento da população do que da saída da população do concelho.

Os dados são preocupantes para o concelho. No entanto, no presente, começa a fazer-se notar a vontade de os jovens permanecerem residentes no concelho. O empreendedorismo jovem está a ganhar força nos últimos anos e a gerar investimento em Melgaço, o que leva a crer que os dados de variação populacional acima descritos poderão ser invertidos em breve. A produção vinícola, o mercado imobiliário e o turismo são três das áreas que mais têm atraído o investimento de jovens naturais do concelho.

 

REABILITAÇÃO NO CENTRO HISTÓRICO DE MELGAÇO – ESTUDO DE CASO

Joana Cristina Sousa Cerqueira Luís

Mestrado Integrado em Engenharia Civil – 2017/2018

Departamento de Engenharia Civil

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Porto

2018

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drª joana cerqueira luís

NÉCTAR DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 08.06.19

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TRIBUTO AO ALVARINHO SOALHEIRO

 

- Teremos futebolistas leitores – disse ela, com uma gargalhada profunda, baixa, provavelmente causada por fumar Marlboro, mas que, raios, me fez encher o peito e arrepiar a espinha. Comemos o caranguejo, bebemos mais cerveja e falámos de livros, filmes, actores, celebridades, droga, fama, sucesso e eu mandei vir uma lagosta grelhada e Luísa disse que pagava um vinho verde Soalheiro Alvarinho 96, que foi o mais brioso de quantos verdes eu tinha bebido na vida. Mandámos vir outra garrafa e bebemo-la em golos faiscantes, e duas horas e meia depois de termos chegado saímos do ar condicionado para as ruas quentes e vazias, sem trânsito, sem gente, com as árvores ainda mergulhadas no silêncio da sesta.

 

Último Acto em Lisboa

Robert Wilson

Edição Gradiva

2000

p. 314

 

AO QUE ISTO CHEGOU !

melgaçodomonteàribeira, 09.01.14

 

 

Marca Alvarinho em Fervença, Celorico de Basto

 

Selo da C. V. R. V. V.

 

Incúria ou Compadrio?

 

FORÇA, PRESIDENTE, NA DEFESA DO QUE É NOSSO

 

(Rótulo retirado de uma garrafa adquirida no mercado retalhista da Kapital. Preço - 1 garrafa 4.5$; 2 garrafas 8$)