Sábado, 14 de Maio de 2016

ALVAREDO

2-DSCN4901-4.JPG

 

 

 

COROGRAFIA PORTUGUEZA, E DISCRIPÇAM TOPOGRAFICA DO FORMOSO REYNO DE PORTUGAL

 

 S. Martinho de Alvaredo,

que algum tempo se chamou de Paderne, he Curado annual com titulo de Vigairaria do Mosteiro de S. Fins dos Padres da Companhia, com oito mil reis de ordenado, ao todo cincoenta mil reis, & para os Padres cento & vinte mil reis: tem cento & sessenta visinhos. Onega Fernandes senhora principal sendo viúva, & tendo habito de Religiosa, deu a quarte parte desta Igreja a Dom Affonso Bispo de Tuy, & àquella Sé em 13. de Abril da era de 1156. que he anno 1118. na qual confirmaõ seu filho Payo Dias, & sua filha Aragonta Dias. Ha nesta Freguesia duas Torres com alguma renda, chamase a huma de Villar, outra a Torre somente, & de ambas saõ senhores os Marquezes de Tenorio. A que está defrôte de Galliza he Solar dos Marinhos, que se entende haver sido do Dom Froyão, fidalgo Italiano, que veio a este Reyno com o Conde Dom Mendo ajudar a expulsar os mouros delle. Entendese que elle, ou algum filho fez esta Torre, & Casa solariega de sua família, & não faz contra isto o que diz o Conde Dom Pedro, & outros Gallegos, que o segue, que os Marinhos são naturaes de Galliza; porque naquella era andava com ella mistica a nossa Provincia. Casou com Dona Marinha, de que teve Dom Joaõ Frojás Marinho, que de sua mulher houve a Payo Annes, Dom Gonçalo Annes, Dom Pedro Annes, Dom Joaõ Annes, & Martim Annes, que todos se apellidàraõ Marinhos; de hum sahiu o Solar de Olloa, de outro o de Imra, & delles vem os Condes dos Mollares, Adiantados de Andaluzia, os Duques de Alcalá, & por aqui os mayores de Espanha. Outros ficáraõ em Portugal, dos quaes eraõ aquelles dous irmaõs, que serviraõ no Paço a ElRey Dom Affonso o Terceiro, onde lhe succedeu com Dom Vasco Martins Pimentel a pendência, que conta o Conde Dom Pedro. Alguns dos já ditos passáraõ a Galliza por casamentos, de que descendem muitas Casas daquelle Reyno, & nesta ribeira do Minho, Ponte de Lima, & outras partes. Este Solar parece que passou a Pedro Alvares de Sotomaior, por casar com Dona Elvira Annes, filha de Joaõ Pires Marinho, neta de Dom Pedro Annes Marinho, bisneta de Dom Joaõ Frojás Marinho, & terceira neta do dito Dom Froyão, do qual matrimonio nasceo Dona Elvira Pires, mulher de Fernão Gonçalves de Pias, senhor do Solar de Pias, que entendemos ser a Torre de Sobreyra em Santiago de Pias, de que fallamos em Monção, suposto outros o levão ao Reyno de Galliza. Tem os Marinhos por Armas em campo verde cinco flores de Liz de prata em aspa, & por timbre huma serea de sua cor com cabellos de ouro. Alguns trazem em campo de prata tres ondas azues, & de fóra do escudo duas sereas de p´r tendo maõ nelle. Assim estaõ em humas casas na rua de S. Joaõ dentro dos muros de Ponte de Lima, & saõ dos descendentes de Vasco Marinho, filho de Álvaro Vaz Bacellar de Monçam, & por sua mãy dos Marinhos de Galliza, senhor da Casa de Goyannes, junto à Ilha de Salvora no Arcebispado de Santiago, em que fizeraõ Solar, porque desta Provincia pssáraõ para aquelle Reyno, aonde trazem quatro ondas na mesma forma com a serea por timbre, & outros em campo azul cinco meyas flores de Liz de ouro em aspa. A alguns pareceo tomarem este apellido, & Armas por descenderem de huma mulher marinha, ou serea, mas he fabula: o certo foy por trazerem sua origem do Romana Cayo Mário, & desta familia he o nosso Santo Portuguez S. Marino, que em Cesaria padeceo martyrio em 10. de Julho, imperando Juliano.

   He Conde desta Villa de Valladares por mercé delRey Dom Pedro O Segundo Dom Miguel Luis de Menezes, cuja illustre varonia he a seguinte.

  Dom Antonio de Noronha foy filho segundo de Dom Pedro Menezes, primeiro Marquez de Villa Real, & de sua mulher a Marqueza Dona Brites de Bragança; fiou seu pay delle sendo de dezoito annos o negocio de mayor importancia, & foy, que indo fogindo do furor delRey Dom Joaõ o Segundo Dom Alvaro de Ataíde, & seu filho, que eraõ dos mais culpados na conjuraçam do Duque de Viseu, o Marquez movido a lastima os poz a salvo, & mandou pelo dito Dom Antonio de Noronha seu filho seguralos até a raya de Castella, & depois foy dar conta a ElRey do que fizera em satisfaçaõ de sua lealdade; o que o dito Dom Antonio obrou com tal modo, que admirado elRey em sogeito de tam pouca idade  tal prudencia , & valor, o fez de seu Conselho, dandose por satisfeito de sua lealdade, & do Marquez seu pay; & aos que diziaõ, tam poucas barbas naõ eraõ capazes de lugar de tanta confiança, respondeo ElRey: Os filhos da Casa de Villa Real nascem emplumados: & confiou delle o substituir a seu pay no lugar de Ceuta, aonde o succedeo, estando hum dia no campo passeando, dando guarda aos da Cidade, sahirlhe pelas costas hum Leaõ, que dando nas ancas do cavallo, o fez em pedaços, & Dom Antonio pegando nos braços do Leaõ, o sustentou, até que hum flecheiro atirandolhe huma setta, com que lhe deu em huma perna, o fez virar para onde o feriraõ, & deu tempo a que Dom Antonio tirando de hum punhal, o metesse pela barriga do Leaõ, & ganhasse a vitoria de tam espantosa luta. Achouse na tomada, & sítios de algumas praças de Africa, (& em varias Armadas) & lá fez algumas entradas com feliz successo, mas descontouse; porque vindo de huma entrada, deraõ os Mouros nelle, & ficou cativo: resgatouse por Halibarache; ElRey Dom Manoel o fez seu Escrivaõ da Puridade, & foy Procurador do dito Rey para se effeituar o casamento da Emperatiz Dona Isabel, & o fez Conde de Linhares, dandolhe cento & sessenta mil reis de assentamento pelo particularizar mais aos outros Condes, & em lugar do tal assentamento, por lhe fazer mercé inda com mais ventagem, lhe deu em treze de Janeiro de 1502. a dizima nova, & velha do pescado de Atouguia, a qual dizima trespassou a Dom Affonso de Ataíde no anno de 1518. comprou com licença delRey a Affonso de Almeyda a Alcaydaria mór de Linhares; & a Francisco de Caceres de Mello as Villas de Algodres, Penaverde, & Fornellos: casou com Dona Joanna da Sylva, filha de Dom Diogo da Sylva, primeiro Conde de Portalegre, & de sua mulher Dona Maria de Ayala, de que teve, entre outros filhos, a

   Dom Antonio de Menezes, que foy Alcayde mór de Viseu, & morreo na batalha de Alcacere; casou com Dona Joana de Castro, filha de Dom Jeronymo de Castro, Governador da Casa do Civel, & senhor do Paul do Buquilobo, & de sua primeira mulher Dona Cecilia Henriques (que era filha de Rui de Mello, chamado o Punho, Alcayde mór de Evora, & Alegrete, Commendador de Proença, & de sua mulher Donna Joana Henriques, que era filha de Dom Carlos Henriques, & de sua mulher Dona Cecilia de Brito, filha de Artur de Brito, Alcayde mór de Beja, & Dona Catherina de Almada,) teve o dito Dom Antonio de Menezes de sua mulher Dona Joanna de Castro, entre outros filhos, a

   Dom Carlos de Noronha, que foy grande letrado, Presidente da Mesa da Consciencia, & Commendador de Mouraõ na Ordem de Aviz: casou com D. Antonia de Menezes, filha de Dom Miguel de Menezes, Segundo Duque de Caminha, & de Dona Maria de Sousa, mulher nobre, natural de Ceuta, com quem casou, como declara o seu testamento, & a legitimaçaõ feita a sua filha em Abril do anno de 1634. de que teve a

   Dom Miguel Luis de Menezes, que he hoje Conde de Valladares, Commendador de S. Joaõ de Montenegro, de Saõ Joaõ da Castanheira, & da Commenda da Granja junto a Loures termo de Lisboa: casou com Dona Magdalena de Alencastre, filha herdeira de Dom Alvaro de Abranches & Camera, & de sua mulher Dona Maria de Alencastre, de que teve, entre outros filhos, a Dom Carlos de Noronha, & a Dom Alvaro de Abranches, Bispo de Leiria, Prelado de grandes letras, & virtude, & a Dona Francisca Ines de Alencastre, que foy casada com Pedro de Figueiredo, de que ha geraçaõ,

   Dom Carlos de Noronha he herdeiro da Casa de seus pays, casou com Dona Maria de Alencastre, filha de Luis da Cunha de Ataíde, senhor de Povolide, & de sua mulher Dona Guiomar de Alencastre, a quem teve Dom Miguel de Menezes, Dona Guiomar, Dona Magdalena, & Dona Joanna.            

 

 P. Antonio Carvalho da Costa

Na officina de VALENTIM DA COSTA DESLANDES

Impressor de sua Magestade, & à sua custa impresso.

Com todas as licenças necessarias. Anno M. DCC. VI

 

Retirado de: http://books.google.pt

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 00:54
link do post | comentar | favorito
Sábado, 22 de Março de 2014

AFOGADOS NO MINHO

 

Foto colecção particular de iasousa

 

 

RIBEIRO, António. Nasceu a 31/3/1942. No Notícias de Melgaço 1323, de 5/7/1959, lê-se a triste notícia: « O Minho cobrou o seu foro. No rio Minho e na área da freguesia de Alvaredo, pelas 8 horas da manhã de um para dois do corrente mês de Julho, seis rapazes resolveram fazer uma viagem à vizinha Galiza e vá de se meterem todos juntos numa pequena e frágil batela e de remar para a margem espanhola. Mas quer fosse por excesso de carga, quer por esta se deslocar, a meio do rio a batela voltou-se e nas poucas águas do rio desapareceram três dos improvisados marinheiros, conseguindo salvar-se outros três. Os infelizes afogados eram todos daquela freguesia e solteiros, novos ainda e de vida prometedora na sua frente. Chamavam-se os infelizes Carlos Manuel Ribeiro, de 24 anos, António Ribeiro, de 17, irmãos, e Luís Esteves, de 18 anos, lavradores. Os seus cadáveres ainda não apareceram… » Seus corpos foram recuperados dias depois: o do Luís a 4/7; os outros dois no domingo seguinte. Estão sepultados no cemitério de Alvaredo, havendo contudo um desfasamento entre a notícia do jornal e a placa, pois nesta consta que faleceram a 29/6/1959! Por causa deste caso e de outros é que se pensou em construir uma ponte. No Notícias de Melgaço 1374, de 9/10/60, lemos com um certo assombro: - A ponte Peso-Arbo « … há tanto tempo desejada… » O professor Rodrigues, então presidente da Câmara Municipal de Melgaço, deslocou-se a Arbo a 23/9/1960 a fim de conversar sobre esse assunto com os alcaides de Arbo e Creciente. Os três foram falar com o Dr. Amândio Tavares, magnífico reitor da Universidade do Porto, que ali se encontrava em gozo de férias. Agradeceram-lhe os esforços que tinha despendido para que a construção dessa ponte fosse uma realidade e manifestaram-lhe o seu apoio. O Dr. Amândio estava casado em Arbo, e apercebendo-se do perigo que era atravessar o rio, iniciou uma luta, inglória, pois o dinheiro necessário para a obre não chovia do céu (ainda não tínhamos aderido à UE); por outro lado, o governo não estava interessado em “ligações” com o país vizinho (amigos, amigos, ligações à parte). Em reunião da Câmara Municipal de Melgaço de 20/10/60 ainda foi lido um ofício da Direcção de Urbanização de Viana, fazendo várias perguntas com o fim de informar o ministro do Interior sobre o pedido da construção de uma ponte internacional em São Marcos, Peso. A partir daí julgo que nunca mais se falou no assunto. Como se sabe essa obra concretizar-se-ia muito mais tarde, no novo regime político. Muitas vidas foram poupadas desde então.

 

 

Dicionário Enciclopédico de Melgaço

Volume I

Joaquim A. Rocha

Edição do autor

2009

p. 339

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 09:37
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 7 de Maio de 2013

PESQUEIRA "NOVAS DO BRAÇO", ALVAREDO

 

 

Notícia do Jornal de Melgaço, nº 1189, de 05/01/1918

 

   « Selvajaria.

   Alguém de sentimentos baixos e canalhas, cobarde de mais a mais, receando medir forças, frente a frente, com o respeitável cavalheiro de S. Martinho de Alvaredo, Sr. José Manuel Fernandes; que não podendo vingar-se na sua pessoa, o procura atingir pelas costas e feri-lo nas suas propriedades, no dia 21de Dezembro findo, procurou destruir-lhe por meio de bombas de dinamite uma pesqueira "Novas do Braço".

   Felizmente, o criminoso não conseguiu atingir o seu fim pois além de cobarde é ignorante.

   Foi o que felizmente valeu aquele nosso respeitável amigo, porque a bomba colocada em largo buraco não encontrando resistência ao rebentar; e apenas abriu algumas fendas no peal das "Novas do Braço".

   Ataques destes, atentados assim dirigidos, provam apenas uma baixeza de sentimentos, verdadeiramente lastimável e exigem, por parte das autoridades, uma repressão séria e rápida. O caso, porém, foi entregue à Policia Judiciaria. »  

 

 

Notícia do Jornal de Melgaço, nº 1225, de 05/10/1918

 

   « As "Novas", essas pesqueiras da costa de Alvaredo onde duas infâmias foram praticadas, uma a prisão de cinco homens que nelas trabalhavam havia por 3 dias, alcunhando-os de emigrantes e ao nosso amigo Fernandes denunciando-o como engajador; outra o bombardeamento a dinamite praticado nas mesmas a 23 de Dezembro último, as "Novas", repetimos, já se encontram devidamente reconstruídas.

   Ao nosso amigo Fernandes aconselhamos que em ocasiões das cheias do nosso Minho, mande lá postar duas sentinelas, munidas cada uma com um canhão de 42, ordenando que ao estampido do novo dinamite lançado pelos infames, façam ecoar os canhões, soltando as suas granadas. »

 

Retirado de:

 

ACER – Associação Cultural e de Estudos Regionais

 

http://acer-pt.org

 


publicado por melgaçodomonteàribeira às 07:49
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 9 seguidores

.Outubro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12

14
15
16
17
18
19

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


.links

.posts recentes

. ALVAREDO

. AFOGADOS NO MINHO

. PESQUEIRA "NOVAS DO BRAÇO...

.pesquisar

 

.tags

. todas as tags

.subscrever feeds