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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

REVOLTA TAMBÉM EM MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 16.04.16

241 m fonte.jpegrevolta maria da fonte; as sete mulheres do minho do zeca

 

A MARIA DA FONTE

 

Diário de Notícias

21/2/1886

 

O triste incidente do dia 14 em Melgaço, em que caiu morto um popular, e ficaram feridos alguns soldados, póde ter este título historico, que a sua fiel narração plenamente justifica. A 14 do corrente à noite o alferes Pires, comandante do contingente de infantaria 10 em Melgaço, reçebeu ordem para estarem prontas ás 8 horas e meia da manhã imediata as praças disponíveis para com outras acompanharem a autoridade a uma diligencia. A ordem foi cumprida e na manhã seguinte estavam cinco praças do 11 e nove do 10 sob o comando do segundo sargento Napoleão, ás ordens do administrador que lhes ordenou o acompanhassem á proxima freguesia de Prado para obrigarem a fazer um enterramento no cemiterio da villa, que o povo pretendia se fizesse na egreja, contra as disposições da lei. Partíram e o administrador, ordenou que a força fizesse alto na ponte á entrada do povoado, em quanto na egreja acabavam os officios ao morto. Concluidos estes e a um signal combinado algumas das mulheres que enchiam a egreja começaram a abrir a cova. O administrador quiz oppor-se, mas foi empurrado e agredido pelas mulheres que o espancaram com os cabos das enxadas, havendo grande tumulto e tocando o sino a rebate O administrador convidou-as a dispersarem e até desceu à corda para impedir o enterramento. O povo feminino deu-lhe nova pancadaria tirou-o para fóra, fez grande borborinho e a aglomeração ia crescendo. Então a autoridade reclamou a força que acudiu a marche-marche, entrando o sargento na egreja com quatorze praças e fazendo as tres intimações da ordenança: - «Não atirem contra as mulheres!» diziam alguns do povo.

Os soldados quiseram fazer dispersar a multidão á coronhada. As mulheres iradas lutaram e agarraram-se ao esquife, animadas pelo padre que as excitavas e armado de um santo de pau lutou contra os soldados, chegando o cadaver a ser trazido aos encontrões no meio da bulha!! que se generalizou fóra do templo, sendo apedrejada a força, içando a revolta os seus varapaus e foices roçadoras, bem como algumas pistolas. Então é que o sargento reclamou a ordem de fogo para defeza da força, e o administrador a deu fazendo-se uma descarga para o ar, o que fez bradar a alguns do povo que os tiros eram de polvora secca e atacarem com mais vigor e força. Outras descargas se deram, então a valer, matando um homem e ferindo diversas pessoas. Só depois é que a tumba foi levada ao cemiterio e o cadaver enterrado. O padre tambem foi para a cama com uma coronhada. Quasi todos os soldados ficaram feridos.

 

In: DNmemo/ Fevereiro 2016

 

festa alv. 2016.jpg

 

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