Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

OS PRESUNTOS DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 18.11.17

18 b2 - presuntos 1 ano.jpg

 

NOITES DE INSOMNIA, OFFERECIDAS A QUEM NÃO PODE DORMIR

 

 

- Os pobres aceitam, não escolhem – disse Álvaro.

- Mau! – replicou José Maria Guimarães – Mau! Ou bem que somos francos um com o outro, ou não temos nada feito. Eu cá sou assim!

- Então quer v.srª…

- Deixemo-nos de senhorias. Eu sou filho de um almocreve, e neto e bisneto de burriqueiros; e o snr. Álvaro Pacheco é descendente de capitães-mores a quem meus avós traziam presuntos de Melgaço nas suas recovas de machos. Deixemo-nos de senhorias. Vamos à questão. Onde quer a sua casa.

 

de: Camillo Castello Branco

 

Livraria Internacional de Ernesto Chardron

 

Retirado de: http://www.gutenberg.org/files/25114/25114-8.txt

 

 

José Augusto Vieira, em 1886 dizia sobre o Presunto de Melgaço “(…) O Presunto de Melgaço! Que epopeia seria nacessária para descrever-lhe o paladar fino e delicado, o aroma gratíssimo, a cor rosa escarlate, a frescura viçosa da fibra (…) Houvera-o provado Brillat-Savarin (…) e a sua Physiologia do gosto teria hoje de certo o mais soculento e o mais brilhante de todos os seus capítulos! Alimento sólido e forte, puxavante do verde, (…) o Presunto de Melgaço, conhecido em todo o país é por assim dizer a syntese da phisiologia local. Válido, robusto, ágil, com o sangue puro bem oxygenado a estalar-lhe nas bochechas rosadas, o melgacense genuíno destaca-se dos habitantes dos outros concelhos próximos, a ponto de ser entre estes vulgar a phrase de : - Ter a cara do Presunto de Melgaço . quando se  falla de alguem com as boas cores de saúde (…) Mais à frente, quando se referia à freguesia de Fiães dizia “O presunto, aquele magnífico Presunto de Melgaço, cujas deliciosas qualidades te descrevi, leitor amigo, é especialmente curado em Fiães, onde o preparam sem sal, receita talvez d’algum monge epicurista, que a graves lucubrações se entregou para mimosiar o paladar delicado de qualquer D. Abade do mosteiro, ou de alguns dos príncipes ou infantes, que ali estivera de visita”.

 

Melgaço Rural

Associação de Produtores Locais