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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MUSEU DE CINEMA DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 07.04.20

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jean-loup passek

 

O MUSEU DE CINEMA JEAN-LOUP PASSEK:

UMA PRECIOSA MEMÓRIA A DESCOBRIR

 

A minha última visita a Braga tinha por objectivo assistir a uma mostra de cinema coordenada por Margarida Avillez, uma grande amiga com quem partilho a minha paixão do cinema e que faz parte, como eu, do Grupo de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Durante o mês de Julho passado, o Auditório Vita, que pertence à Arquidiocese de Braga, apresentou todas as Sextas à noite uma obra fílmica, seguindo-se um debate entre o público e a organizadora. Estando hospedadas no seminário, os padres Joaquim Félix e Avelino Amorim disponibilizaram o seu precioso tempo para nos levar a descobrir os encantos da paisagem e da cultura Minhota. O Padre Carlos Vaz (Director deste jornal e que se juntou a nós mais tarde) lançou o desafio de visitar o Museu de Cinema de Melgaço – Jean-Loup Passek, já que somos, Margarida e eu, especialistas na área. Eu já conhecia o Museu que tinha inaugurado em Junho de 2005. Na altura, com o meu marido (que também ensina Teoria e História do Cinema na Universidade Lusófona de Lisboa) ficamos espantados pela originalidade do projecto: oferecer um Museu de Cinema fora das capitais regionais, numa pequena vila à fronteira entre Portugal e Espanha, não podia ser mais interessante. O Museu liga a memória de um cinéfilo-coleccionador com a memória do cinema. Se a escolha geográfica parece curiosa, a sua justificação não podia ser menos afectiva. Seria depois de um encontro com dois emigrantes portugueses em Paris, há mais de três décadas, que o crítico e historiador de cinema Jean-Loup Passek, descobriu a magnífica vila de Melgaço e decidiu ceder a sua colecção pessoal para criar um pequeno museu de cinema. Aliás, Jean-Loup Passek, que também era Director do Festival Internacional du Film de La Rochelle durante muitos anos, foi um dos primeiros em França a prestar uma homenagem à obra do realizador português António Campos, em 1994.

O Museu de Cinema conta com uma colecção única de cartazes e outros preciosos documentos ligados à história do cinema. Por exemplo, em Julho passado, tivemos a sorte de descobrir a evolução do cinema cubano através dos cartazes e das fotografias que constituem a exposição temporária intitulada “Um olhar sobre o cinema cubano”. Mas o mais espantoso é a colecção permanente que se encontra no rés-do-chão e que se prolonga no primeiro andar. Jean-Loup Passek adquiriu inúmeros “brinquedos ópticos” do pré-cinema que fazem sonhar qualquer amador da história do cinema. Das lanternas mágicas do século XVIII e do princípio do século XIX até à invenção do fenakistiscópio, do zootrópico ou do praxinoscópio, todos esses objectos ópticos anunciam a descoberta da imagem em movimento projectada num ecrã. No primeiro andar do Museu, e não só por fins didácticos mas também pelo prazer da procura, é possível experimentar alguns desses brinquedos do pré cinema e compreender que o movimento da imagem não passa de uma ilusão óptica. De facto, a ilusão do movimento é criada através do intervalo que existe entre duas imagens. Sem a sua existência, as imagens fundem-se umas nas outras. Mas há muitas mais razões para afirmar que o Museu de Cinema – Jean-Loup Passek é uma pequena pérola e, para os cinéfilos, torna-se uma passagem obrigatória. Basta ir até Melgaço para as descobrir.

 

Inês Gil

Professora de Cinema da

Universidade Lusófona

 

Publicado em: A Voz de Melgaço

 

 

 

VAMOS TODOS FICAR EM CASA!

 

 

 

 

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