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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

JOGA-SE EM MELGAÇO

28.03.15, melgaçodomonteàribeira

Sueca

 

Fui a Melgaço, p’la serra,

e ia morrendo de pasmo;

nos Cafés da nossa terra

joga-se com entusiasmo.

 

Joga empregado, patrão,

o rico, pobre, maltês;

comerciante, artesão

aristocrata, burguês.

 

Cabo, sargento, tenente,

alfaiate, meirinho;

tudo joga, minha gente,

a cerveja ou alvarinho.

 

Não sei se acreditais,

‘té eu entrei na jogança;

o meu parceiro Morais,

pra jogar veio de França.

 

No meu tempo de moçito,

jogava no escondidinho;

o sumo e o pirolito

substituíam o vinho.

 

Agora, joga-se ali,

na saleta principal;

e a bebida sorri,

borbulhando em espiral.

 

Joga-se em Prado, Paderne,

em Cubalhão, Remoães;

em todo o lado se joga,

em Lamas e Chaviães.

 

Um pedaço de alcatifa

cobre a mesa de jogar;

não sei se saiu na rifa,

ou se foi ganho ao bilhar.

 

A senhora da limpeza,

quando o chão vai aspirar,

aproveita e limpa a mesa,

prò jogo continuar.

 

E é tanta a emoção,

tanta punhada ali dada,

que até se ouve em Monção

a enorme barulhada.

 

Joga-se copas e burro,

também vai uma bisquinha;

inventam-se novos jogos,

mas a sueca é rainha.

 

Fala-se já em campeonato,

numa tournée sem destino;

querem subir ao estrelato,

tornar Melgaço um casino.

 

Quando chegar o Agosto,

não se admirem de nada;

Melgaço não terá rosto,

perdeu-o numa jogada.

 

Joaquim Rocha

 

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