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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

A FORCA EM MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 30.08.14

 

Melgaço - Barbosa

 

A FORCA

 

 

   Desde a sua emancipação pelo foral de D. Afonso Henriques, Melgaço teve seus juízes e, portanto, julgamentos, de que necessariamente resultavam penalidades.

   Não posso desenvolver o estudo da posição judicial de Melgaço através dos tempos.

   No reinado de D. Afonso III aparece-nos como couto dentro do julgado de Valadares, assim como hoje um julgado dentro de outra comarca.

   No tempo de D. Dinis já absorveu todo o termo de Valadares que voltou a tornar-se independente. Segunda vez, foi anexado Valadares a Melgaço por D. Pedro I e depois novamente restituído por D. Fernando à sua autonomia.

   Os de Valadares, termo extenso, não aceitavam de bom grado a justiça ministrada pelos juízes de Melgaço, que era um concelho muito pequeno.

   Do que não resta dúvida é que em Melgaço já antes do século XVI havia uma forca para executar pessoas condenadas à morte. Nós podemos ainda saber onde ela esteve, mas não quer dizer que sempre fosse ali o seu lugar. A informação é dada pelo tombo de Rouças, freguesia que teve sua preponderância na vida política de Melgaço pelos seus fidalgos de Eiró. Dali foram os primeiros alcaides que podemos conhecer pelos documentos do Cartulário de Fiães em que este meu estudo se tem apoiado.

   A vida burocrática dos concelhos nem sempre se desenrolava nos seus castelos, onde eles existiam. A maior parte das terras nem sequer tinha castelo, e de muitas não é conhecida a sede de administração nos tempos medievais.

   A forca dos primeiros séculos esteve em local não distante de Eiró, como no-lo testemunha o tombo de Rouças, laborado em 1540 sendo pároco o rev. António de Castro. Deste tombo foi tirada uma certidão em 1651 pelo pároco João Lopes Vilarinho. Dessa certidão, guardada nos arquivos da mitra de Braga, foi tirada uma pública forma em 1798 pelo pároco Francisco Lúcio de Sá Soto-Maior de Amorim Leonês, que se encontra no arquivo paroquial de Rouças, e que agora consultei segunda vez, mercê da boa vontade do pároco actual ver. António Esteves dali natural.

   No tombo se lê:

   Que o limite de Rouças «… parte pelo rio do Porto arriba, pela água, até ao porto de Belegais e dali arriba deste porto está um marco derriba do que arrincou um Vasco Carneiro, defunto, o qual marco se furtou de junto da herdade de João Rodrigues e se levou à parede da granja do mosteiro de Fiães, e que entra pela herdade que quedou de Mendo Álvares dali ao outeiro onde soia de estar a fôrca…»

   Soia quer dizer costumava. Dá a entender que isso havia sido em tempos anteriores e já não estava lá.

   A situação desta antiga forca devia ser por ali pelas imediações do colégio externato.

 

 

Obra Histórica

Padre Manuel António Bernardo Pintor

Edição do Rotary Club de Monção

2005

pp. 155-156

 

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