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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

OS TRANSFRONTEIRIÇOS

melgaçodomonteàribeira, 09.07.16

36 c2 - s greg r sol.jpg

rua verde - s. gregório

 

 

HOMENAGEM AO GRUPO “OS TRANSFRONTEIRIÇOS” DE CRISTÓVAL (S. GREGÓRIO) - MELGAÇO

 

 

Melgaço

é aquele abraço

sem fronteiras,

que desliza por vinhedos,

fragas e ribeiras,

acenando à Galiza

e sussurrando ao Minho os seus segredos…

 

Melgaço… feito de pedra morena,

Torre de Menagem

legenda de coragem de Inês Negra!

Mais, muito mais

do que mil e um matizes

pintados em paisagem natural,

Melgaço, amigo,

é luta, caminho, raízes,

pedaço deste nosso Portugal!

 

Francisco Fernandes

Na Poética dos Lugares

2009

 

Retirado de: Pelas Margens dos Rios Deva e Minho

 

http://vianatrilhos.com/2011/2011-02-26/índex.html

 

 

RAIA CASTREJA EM 1864

melgaçodomonteàribeira, 23.01.16

montes laboreiro

 

TRATADO DE LIMITES

ENTRE PORTUGAL E HESPANHA

assignado em Lisboa

pelos respectivos plenipotenciarios

aos 29 de Setembro de 1864

 

 

DOM LUIS, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d’aquem e d’alem mar, em África senhor da Guiné, e da conquista, navegação e commercio da Ethiopia, Arabia, Persia e da Índia, etc. Faço saber aos que a presente carta de confirmação e ratificação virem, que aos 29 dias do mez de Setembro do anno de 1864 se concluiu e assignou na cidade de Lisboa entre mim e Sua Magestade a Rainha das Hespanhas, pelos respectivos plenipotenciarios munidos dos competentes plenos poderes, um tratado de limites dos dois reinos, desde a foz do rio Minho até á confluencia do rio Caia com o Guadiana, cujo teor é a seguinte:

 

Artigo 1º

A linha de separação entre a soberania do reino de Portugal e a do reino de Hespanha, começará na foz do rio Minho, entre o districto portuguez de Vianna do Castelo, e a província hespanhola de Pontevedra, e se dirigirá pela principal veia fluida do dito rio até á confluencia do rio Barjas ou Trancoso. A ilha Canosa situada perto da foz do Minho, a denominada Cancella, a Ínsua Grande, que se encontra no grupo das ilhas do Verdoejo, entre o povo portuguez d’este mesmo nome e o povo hespanhol Caldelas, e o ilhote Filha Boa, situado perto de Salvatierra, pertencerão a Hespanha. As ilhas chamadas Canguedo e Ranha Gallega, que formam parte do mesmo grupo de Verdoejo, pertencerão a Portugal.

 

Artigo 2º

Desde a confluencia do rio Minho com o Trancoso ou Barjas, a linha internacional subirá pelo curso d’este ultimo rio até ao Porto de Cavalleiros, e d’aqui continuará pela serra do Laboreiro, passando successivamente pelos Altos Guntin e de Laboreirão, pelo Marco das Rossadas e pela Portella de Pau. O terreno comprehendido entre uma linha recta desde o Marco das Rossadas á Portela de Pau, e outra linha que passe pelo Chão das Passaras e Alto da Basteira, questionado por Adufeira e Gorgoa, será dividido em duas partes iguais.

 

Artigo 3º

Desde a Portela de Pau seguirá a raia pela serra do Laboreiro, tocando no serro chamado Outeiro de Ferro, e Cabeço da Meda; e passando em seguida pelo Marco de Antella, alto denominado Côto dos Cravos, Penedo do Homem, e Penedo Redondo descerá a tomar o curso das aguas do rio de Castro, trezentos metros mais abaixo do ponto que no dito rio se conhece pelo nome de Porto de Pontes. O terreno questionado por Meijoeira e Pereira, situado entre o Penedo Redondo e o rio de Castro, pertencerá a Portugal.

 

Artigo 4º

A linha divisoria partindo do ponto designado do rio de Castro, continuará pela veia fluida d’este rio, e depois pelo rio Tibó ou Várzea, até á sua juncção com o Lima, pela corrente do qual seguirá até um ponto equidistante entre a confluencia do rio Cabril e a pedra de Bousellos. Do referido ponto subirá ao elevado rochedo da serra do Gerez chamado Cruz dos Touros. O terreno questionado entre os portuguezes de Lindoso e os hespanhoes da freguezia de Manim, será devidido pela linha de fronteira em duas partes iguaes.

 

(SEGUEM-SE MAIS 26 ARTIGOS)

 

Artigo 31º

O presente tratado será ratificado o mais breve possivel por Sua Magestade El-Rei de Portugal e por sua Magestade a Rainha das Hespanhas, e as ratificações serão trocadas em Lisboa um mez depois. Em fé do que os abaixo assignados plenipotenciarios respectivos assignaram o presente tratado em duplicado, e o sellaram com o sêllo de suas armas em Lisboa, aos 29 de Setembro de 1864.

 

(L.S.) Duque de Loulé

(L.S.) El Marquez de la Ribera

(L.S.) Jacinto da Silva Mengo

(L:S.) Facundo Goñi

 

 

Retirado de: FINIS PORTUGALIAE = NOS CONFINS DE PORTUGAL

                    Cartografia militar e identidade territorial

                     Autor: Maria Helena Dias e Instituto Geográfico de Exército

                    2009

 

 

http://www.igeoe.pt

 

MELGAÇO NA LITERATURA GALEGA

melgaçodomonteàribeira, 02.09.15

13 a2 - arraianos.jpg

 

 

         O CAPITÁN GALEGO 

 

A xeografia galega de Álvaro Coristanco é, fundamentalmente, ourensá e raiana, moi limitada espacialmente e restrinxida ao sur de Galicia. Como xa indicamos anteriormente, Sernin sitúa o nacemento, a infancia e a adolescência de Álvaro no pobo ourensán de Sobrado, a duas horas de cabalo da fronteira portuguesa. En torno a Sobrado, terán importancia no relato os pobos de Maceda, Ribadavia, Carballiño, Allariz e por suposto Ourense. Coa excepción de Maceda, que o autor situa a tres kilómetros de Sobrado, o resto das distancias son bastante aproximadas e as descricións cheas de verismo. Así, põe exemplo, a gran importancia de Ribadavia na vida de Álvaro vén dada pola estación de ferrocarril, describindóse no texto con exactitude as liñas de tren galegas e aquelas que unen Galicia coa meseta; as que xa non son tan realistas son as precisións temporais, pois o noso protagonista, un apaixonado das locomotoras, realiza traxectos de ida e volta entre distancias imposibles de cubrir nunha xornada. En tren, en autobus, a cabalo ou a pé móvese Álvaro polo sur de Ourense e o norte de Portugal, citándose no texto os topónimos lusos de Castro Laboreiro e Melgaço, así como tamén o de Coimbra. Aparecen mencionados no texto lugares galegos moi emblemáticos, como por exemplo, o porto de Vigo, ou os matadoiros de Vigo e Redondela.

 

O CAPITÁN GALEGO de André Sernin

Por: María Lopo

 

Retirado de:

UNIÓN LIBRE – CADERNOS DE VIDA E CULTURAS – EDICIÓS DO CASTRO – MEMORIA ANTIFASCISTA DE GALICIA

 

http://www.unionlibre.org/artigos/artigosmemoria.htm#capitan

 

CONTRABANDO EM 1821

melgaçodomonteàribeira, 29.07.15

Fronteira, Rio Minho

 

PARA O INTENDENTE GERAL DA POLICIA DE CORTE E REINO


Sendo constante por queixas repetidas enviadas à Intendencia Geral da Policia, que pela margem do Minho, e pela raia de Castro Laboreiro, ainda se pratica a introdução criminosa dos Cereaes, a pesar da lei prohibitiva, e das medidas, que se ha tomado para a sua execução, as quaes a cobiça procura illudir, excitada pelo interesse da baratesa do paõ na Galisa e da ventagem da maior medida; e cumprindo, que além das providencias dadas para prevenir este grande mal, funesta origem da ruína dos Lavradores, e do Estado, se lance maõ de quaesquer outros, que possaõ estorvar as especulações tenebrosas dos contrabandistas: Manda ElRei, pela Secretaria d’Estado dos Negocios do Reino, que o Intendente Geral da Policia, encarregue algumas Pessoas zelosas do bem da Patria, que sejaõ alli residentes, e que como Proprietarios tenhaõ interesse proprio, na fiel, e religiosa observancia da lei, dando-lhe as necessarias instrucções, a fim de que auxiliados competentemente promovaõ a extirpação de um mal taõ ruinoso.

 

Palacio de Queluz em 3 de Dezembro de 1821.

 

= Filippe Ferreira de Araujo e Castro =

 

Retirado de:


O INDEPENDENTE, Edições 1 – 30

 

http://books.google.pt

 

NA RAMBÓIA DO CAFÉ

melgaçodomonteàribeira, 11.10.14

Coucieiro - vista desde Cristoval.JPG 

Coucieiro, Galiza - Vista desde Cristóval 

 

AVÓ ALBINA

 

    A história que vou contar é de uma velhinha franzina, de pequena estatura, mas com uma alma muito grande e sem medo para enfrentar a vida.

    Minha avó paterna, que se chamava Albina Roda do Souto, ficou viúva muito cedo com três filhos menores: Ana de 15 anos, António de 11 e João de 9 anos. Após o falecimento de meu avô, José Joaquim da Ribeira, do qual herdei seu nome completo, foi ela quem ficou com a pesada herança de ganhar o sustento da sua família.

    Como nem só de pão vive o homem, aventurou-se na rambóia do café. Ia de Cristóval comprar o café à Loja Nova, ou ao Senhor Manuel Lourenço (conhecido pelo Manuel da Garagem), em Melgaço. Contava-me que nunca vinha pelo mesmo caminho que ia, por causa dos guardas-fiscais e dos ladrões, que, por vezes, estavam na Corga de S. Rosendo, na Senhora de Lourdes, para assaltar quem passava.

    Assim comprava o café e subia as Adegas, Paço, Minério. Às vezes descansava ou pernoitava numa casa que tinha na Telheira, Viladraque.

    No dia seguinte, à noite ou de manhã cedo, saía da sua casa da Marga, em Cristóval, e levava 10 a 15 quilos de café, não levava mais. Atravessava o rio Trancoso através de caminhos e carreiros com destino: a Candado, Deva ou Cortegada. Quando passava por Padrenda, Mato, Caules ou Crespos, nunca se aproximava das povoações por causa dos cães, que davam sinal quando passavam as pessoas, e os carabineiros iam logo ver o que se passava. Nestas localidades, fazia a entrega do café a pessoas amigas que normalmente lhe faziam pequenas encomendas. Ela não ia sempre à mesma hora, nem pelo mesmo caminho ou carreiro, para evitar os ladrões e os carabineiros. Ia sempre sozinha, não fazia barulho, e ao mais pequeno ruído parava e escutava, porque, dizia ela, no silêncio da noite se ouve falar muito longe.

    Ela não tinha medo mas sabia que o perigo estava presente a cada momento. Uma noite, à lareira a fiar linho à luz da candeia, disse-me que uma vez fora a Cortegada levar uma encomenda de café a uma senhora chamada Dona Manuela e, no regresso, pelo caminho fez-se noite. Ao chegar próximo de St.º Amaro, ao passar por um carreiro, que atravessava um pinhal, de momento ouviu duas pessoas a falar. Parou sem fazer barulho e ouviu dizer um para o outro: «vamos embora que ela esta noite não passa por aqui».

    Ouviu e desviou-se do carreiro para o meio do mato. Ficou a escutar os movimentos deles até que sentiu os seus passos a irem-se embora. Esperou mais um pouco e retomou a caminho para sua casa. Pelo caminho pensou o que lhe teria acontecido se não tem escutado a conversa dos dois ladrões.

    Certamente, roubavam-lhe o pouco dinheiro que trazia e até a podiam matar. Sei lá o que lhe podiam ter feito!

    Mas como diz o ditado, a vontade de comer faz a velhinha correr. Foi isso que ela fez, continuou a levar as encomendas de café às suas amigas galegas. Até que um dia foi apanhada com dez quilos de café pelos carabineiros. Levaram-na presa e foi condenada a três meses de cadeia. Na cadeia, dentro de poucos dias, arranjou conhecimento com a mulher de um juiz, e a partir daí foi muito bem tratada e até ganhou dinheiro a trabalhar na prisão.

    Quem não ficaram muito satisfeitos foram os filhos que arranjaram dinheiro para pagar a prisão da mãe e trazê-la de volta e ela não quis sair da prisão.

    Um dia, meu tio António (Costa) foi a Orense e levou o dinheiro para pagar o tempo de cadeia que lhe faltava e trazê-la de volta para casa. Só que ela disse ao filho: «Vai-te embora, que eu estou bem». E meu tio veio embora sem a mãe. Para ela, dar dinheiro para sair da cadeia era um desperdício.

    Pelo que me contou a sua filha, minha tia Ana de Viladraque, ela nunca estivera tão bem. Comia e bebia bem, ganhava dinheiro e arranjou uma grande amiga, que era mulher dum juiz, que depois várias vezes a foi visitar.

    Além de ir ao contrabando, ia às feiras do dia 8 a Crespos e 23 a Cela Nova vender maças. E aproveitava para levar uns quilos de café escondidos no meio das maças no açafate. Fazia o percurso sempre a pé. Naquele tempo não havia transportes.

    Mas hoje há transportes e a sua filha, com 93 anos, ainda vai de Viladraque a pé até Melgaço e vem. No dia 11/02/2001, dia de Nossa Senhora de Lourdes, estive com ela em Viladraque. Perguntei-lhe se ainda ia a pé a Melgaço, e disse-me: «não vou porque me dão boleia, senão com 93 anos ainda vou e venho a pé». Tal mãe, tal filha! São feitas da mesma fibra.

    Minha avó morreu há 50 anos e ainda a recordo com muita saudade. «Paz à sua Alma».

 

Melgaço, Minha Terra – Minha Gente

Histórias de um Marinheiro

José Joaquim da Ribeira

Edição: Câmara Municipal de Melgaço

             José Joaquim da Ribeira

2006

pp. 138, 139

 

TRANCOSO DUM LADO E VARXAS DO OUTRO

melgaçodomonteàribeira, 03.08.13

 

 Vale do Trancoso

 

TRANCOSO DUM LADO E VARXAS DO OUTRO

 

 

 

   A man dereita de Penagache e da Basteira está outra chapa pero, pêro esta vez pequeniña e natural, que eu lle poño a toda aquela fartura de monte fermoso e forte: unha pena que na Foresta, xa portuguesa, nom me deixa ver desde a miña terraza as terras do Mosteiro de Fiães, boa pedra que ten diante un par de carvallos de sete estalos. Decátome de que precisei que a Foresta xa é portuguesa e aproveito para recordar que a raia, seca ou mollada, que separa Galicia e Portugal é a raia mais artificial e gratuita que hai na Europa na que as rais esvaecen ou, cando menos, amolecen.

   Volta para Galicia deixandose caer pola aba da Foresta ata o Trancoso, tamén coñecido como Varxas, un regato pequenecho no verán, pero unha enchente furiosa no Inverno. Tem troita boa, pero pequena e digo ten e non sei se non teria que dicir tiña, porque hai anos que lle non fago as beiras e xa sabedes que os ríos andan moi estragadiños porque os cabróns e a merda industrial, agrícola e mediopensionista inzan e rufan mais da conta. O Trancoso un pouco mais arriba de São Gregório e Ponte Varxas ten unha poza, A Carpinteira, que non vos la conto: o mellor é que a vaiades alá e vos chimpedes nela.

 

 

DE RÍOS E RAIAS

Juan J. Moralejo Alvarez

 

Revista Arraianos

 

www.arraianos.com/arraianos_baja_res(1).pdf

 

AMOR E ÓDIO NA FRONTEIRA

melgaçodomonteàribeira, 04.05.13

 

 

Manuel Henrique Rodrigues Beites, natural de Paderne, Melgaço, cresceu no Porto (Ramalde) até aos 10 anos, estudou no extinto Externato Liceal de Melgaço, até aos 15, completou o Curso dos Liceus no Sá de Miranda em Braga, ao que se seguiu uma errante vida de emigrante até aos 32 anos, altura em que se estabeleceu na Maia como consultor comercial.

Aos 49 anos publica a sua primeira obra.

 

« A sua mente iluminou-se. Não era a Dores quem ela odiava. Era este lado do rapaz que jamais seria seu. Não se odeia o adversário. Odeia-se o que a pessoa que amamos lhe dá. Quando muito sente-se inveja e confunde-se com ódio, numa promiscuidade que é a sua fronteira com o amor. »

 

AMOR E ÓDIO NA FRONTEIRA

 

Autor: Manuel Beites

 

Edição: Editora Ausência

 

2005

 

Com o apoio de

 

CAMÂRA MUNICIPAL DE MELGAÇO

 

GALIZA, FRIEIRA EM 1905

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

Frieira – Galiza

 

   Frieira, do lado direito. Do esquerdo, do alto duma grande rampa de rocha, cai uma cascata de água que vem duma robleda frondente de cima. Os galegos e gentuças da estação cheiram a esterco e suor, a 20 metros, e infectam, de fora, o wagon onde eu vou. Castanheiros, robles, cimos de pinhais, do lado esquerdo. Do direito, por cima da estação, nova escapada de culturas até aos mais altos montes; e ao rio vêm em promontórios, montes de rocha com casas e cercados, a embarcadoiros onde barcos atracam, de passagem; a margem alcantilada tem casas por cima, com cerrados de vinha, de cujas janelas mulheres fazem adeus. No alto dum outeiro, perto, a igreja com uma torre esguia na frente, e um cemitério com grandes árvores. Esta igreja desafia o raio, está numa montanha de teatro, escalonada de vinha e pinhal, e dela outros cerros partem, alcandorados, áridos, de cristas pedregosas. Rampas de rocha árida da direita, grandes rampas de vinha, imensas, altíssimas, da esquerda. Desfiladeiro de rocha. De ambos os lados montanhas e montanhas de vinha, imensas, totais, em grande extensão, escalonadas até aos cumes. Todo o terreno até ao rio, em bocados pequeníssimos, aproveitado. Robledas, choupos, castanheiros, água, sombra, rusticidade. Outras vezes quebradas e montes incultos, sem pinhal, ou com pinheiros pequenos e cimos diabólicos.

   Extensa região de montanhas áridas. Um grande túnel, povo rústico, mesmos anfiteatros, mesmo tipo de alturas. Novo túnel. O rio agora é muito baixo e profundo – a via-férrea vai de alto, sobre horríveis muralhões sem parapeito. Isto do lado direito. Do esquerdo, ravinas horríveis de rocha. De quando em quando uma fenda na ravina, e ninhos de verdura onde a água cai. Vamos à margem do rio, a pique, num paredão sem rampa, que não finda, e horríveis precipícios de rochedos, altos, de seis andares, nus, ou com pinheiros e robles. A margem do outro lado é rocha a pique, e por cima dela montanhas áridas que depois aparecem de vinhedo e milho, e com povo pequeno na altura. Túnel extenso. Tenho vindo só. A correria tem sido vertiginosa. O rio; grandes desfiladeiros, alternados da muralha a pique sobre a água, e de rampas de grandes árvores. Túnel pequeno. Ouvem-se os gritos dos garotos à margem da via. A paisagem desde os túneis é dura e severa. Cimos áridos – altos montes de erva curta. Atravessamos um rochedo donde cai água. Pontão sobre um ribeiro cantante. Voltam os vinhedos. Um pequeno povo: estação de Frieira, à sombra duma grande montanha a prumo, de rochas e picos sinistros, e com casotas de granito negro, escalonadas entre vinhas, e com pequenas janelas. Passa um comboio de mercadorias, com muitos wagons de sal. O rio agora tem um aspecto espraiado e minhoto, que mal se ouve. Na estação, gentuça de aldeia, pobre, pequena, galegos de guarda-sol, galegas descalças e com cabelos de porco, barbas rapadas. Vales estreitos escalonados de vinha e casuchas, linhos verdes, caminhos de cabras pelos montes. Ribeiros sob arvoredos, altos, de sombra – grande rampa a pique, de rocha, muito alta. Bosques sulcados de caminhos. Pequeno túnel.

   Um bosque de sobreiras novas, robles e pinhos. Têm a cortiça tirada. Bosques de castanheiros. A via faz curvas, como o rio; castanheiros esplêndidos. Rio largo, verde, em curvas, espraiado, ínsuas de areia.

 

 

FIALHO DE ALMEIDA

 

CADERNOS DE VIAGEM. GALIZA,  1905

 

EDICIÓNS LAIOVENTO, SANTIAGO DE COMPOSTELA

 

1ª EDIÇÃO

 

 

Retirado de:

 

FIALHO DE ALMEIDA

 

GALIZA,  1905

 

EDIÇÃO DE LOURDES CARITA

 

O INDEPENDENTE

 

2001

 

pp. 82 – 83

 

CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DO CONTRABANDO-2

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

Cela – Galiza


Las vacas no saben, no responden

 

Los riesgos de los contrabandistas no son muy abultados, pese a que ahora planee un posible riesgo de cárcel por tales actividades, amén de la multa económica. Pero el planeo es suave. De cuando en cuando, las fuerzas de orden público cogen algún camión y le imponen una multa no excesiva. En alguna ocasión, se decomisa el ganado que luego es sacado en Vigo a pública subasta..., cuya puja -a la baja- la hacen los proprios contrabandistas, sin que nadie –salvo elles- ose pujar.

 

Para el último salto de la frontera sobre el río Trancoso los contrabandistas, tanto españoles como lusitanos, tienen sus medios de comunicación. Si tal ventana está abierta por el día, o iluminada por la noche, en tina casa determinada del pueblo de enfrente, se sabe que el camino está libre y se puede proceder al trasvase. Si es de noche, en lotes grandes. Si es de día, de dos en dos o de tres en tres.

 

Dado como es la zona, hay españoles que tienen terras y prados en Portugal y lusitanos que tienen tierra en España, y ambos permisos para que eqúis número de cabezas puedan pasar la raya, para pastar en el país vecino. Lo que sucede es que sí un labriego tiene un guía o permiso para cinco o cuatro vacas y las pasa tranquilamente al otro lado de la raya quien sabe si cada día esas cuatro o cinco vacas son las mismas que las del día anterior? Las vacas no saben, no contestan. “Todo”, nos comunica S. F. R., “tiene que ser muy bien programado. Porque, por ejemplo, si tenemos que tener detenidos en las cuadras a cien mamones durante tres días, que sólo pueden ser alimentados con leche, es una ruina. Igual que tener estabuladas tres docenas de vacas a base de pienso...”. “De cualquier forma”, declara R. R. C., “no hay demasiadas complicaciones: algunas multas y, más recientemente, que se nos acusa a algunos de evasión de capitales, pues pagamos, por ejemplo, los terneros en Portugal”. (Al parecer en un café de la plaza principal del pueblecito de Melgaço de nombre La Estrela). En los días, presentes –inicios de 1983-, el paso del ganado solo se hace dos días a la semana: miércoles y jueves.

 

 

Lo nuestro es un trabajo

 

 Cuando el miércoles a primera hora de la mañana llegamos a uno de los puntos del contrabando y pase de ganado ya hay un camión, matrícula de Lugo LU-310 (otro número y otra letra), que va a descargar se mercancía. Ante nuestra presencia no se deciden. Optamos por presentarnos a cara descubierta y decirles: somos de EL PAÍS y venimos a hacer este reportaje. Quedan suspensos. Para convencerles, tenemos que contarles secretos de ese contrabando, contraseñas, cifras, etcétera. Optan,, al fin, por proceder a descargar a una decena de vacas, pero se niegan a que hagamos fotos pasando el puente de madera camiño de Adedela. Encierran las vacas en un establo.

 

Bajamos luego hasta la frontera y tras pasar por Melgaço subimos hacia Adedela (que está situada frente por frente de Cela, cási dándose la mano). Alli podemos fotografiar el paso de las vacas por una anciana que nos confiesa sin rubor su misión.

 

“Si se abre la frontera entre España e Portugal nos hundiremos en la miseria”, confiesa un portugués de ochenta años que tropezamos en Cela. “Aqui desde siempre hemos vivido -malvivido- gracias al contrabando”.

 

Comemos en Portugal y, a la vuelta, nuestra sorpresa es grande cuando vemos a el Rápido e otros seis o siete: contrabandistas tomando café y orujo en el café situado -en la parte española- entre el edificio de la Policía Nacional y el de la Guardia Civil. Se empeñan, en invitarnos a café y orujo. Y al jefecillo, ya varias veces nombrado, el Rápido, se le suelta  la lengua y nos narra su vida.

 

Trasiego de ganado

 

Tiene ahora sólo veinticinco años. A los catorce se fue a Suiza. Regresó a los diechiocho y se ineció en esto de contrabandear poco después: “Antes a mí me mandaban muchos, pero ahora casi todos los que me mandaban están a mis órdenes”, dice sin disimular un ciérto orgullo. Pequeño de estatura, enjuto, tiene un aire casi agitanado. Nos abandona en plena conversación y sale al exterior. Enfrente, junto a la gasolinera, para un jeep, con cuyo conductor habla. El conductor, que bien aparenta ser el capo, charla sin parar. Pasa el tiempo. Optamos por volver al pequeño pueblo de Cela, cuando la luz invernal empieza a declinar y más entre estas abruptas montañas. Volvemos a ver un camión con matricula de Santander que, por lo menos, es hoy a tercera vez que sube cargado de ganado.

 

De pronto, nos adelanta el jeep, y trás él se sitúa un viejo Seat 600 blanco, matrícula de Madrid M 549.24... (y otro número) que conduce el Rápido. Poco antes de Cela nos cierran el paso. El del jeep hace como si se le hubiera averiado el coche y no podemos pasar porque la carretera es tan estrecha que pueste un coche en mitad de la calzada es imposible pasar y menos con un automóvil ancho como el que llevamos.

 

Recurro a todo mi conocimiento de palabrotas en portugués (gallego no sé) para hacer entender – que no vamos a tolerar este atropello. El del jeep, alto, forte, bien trajeado, bigotudo, con coche matrícula de Orense OR-031... (y otro número y letra final), dice que reclamemos a la Guardia Civil. Le contestamos que lo haremos sin duda si no dejan paso franco.

 

El Rápido contemporiza: “Pero si ya esta mañana habéis echo fotos, para qué queréis sacar más? Estais jugando con nuestro medio de vida”. Por fin dejam paso. Legamos ao pueblocito y el camión no ha sido aún descargado. Optamos por no envenenar más el tema. En realidad, ya está todo hecho. Ahora invitamos nosotros, y no sacamos más fotografias. No hacen falta. Les perguntamos que adónde llevan a los terneros que traen de Portugal.

 

 

Los millonarios

 

“De preferencia a Cataluña y Aragón, aunque también servimos a Asturias y Santander”. “Vais contra nosotros”, insisten, y remachan: “Ninguno de nosotros se hace millonario. Acaso personas que no conocemos e programan todo. Nosotros sólo somos meros intermediarios y sacamos para vivir mejor o peor, e mais nada”. Lo cierto es que tienen razón. La raya de Portugal, la maldita raya de Portugal es la región de toda Europa más extensa, pobre y despoblada, semillero de emigrantes, olvidada por los Gobiernos de Madrid y Lisboa, que siguen haciendo una política interpeninsular que en la frontera es de darse la espalda, “de costas voltadas”, que dicen los lusitanos.

 

 

La tela de araña

 

Es terrible, pero es completamente cierto que si no hubiera sido, y sea hoy, por el contrabando de cualquier clase (excepto, y esto es importante, por el de la droga que sigue la línea de Gibraltar y su campo), la supervivencia de los habitantes de una y otra parte de la raya de Portugal, que se estiende a lo largo de 1.231 kilómetros de frontera, sería imposible. Por supuesto, son los habitantes fronterizos quien menos se benefician del tema. Los grandes ganadores son los capos, algunos de cuyos nombres se conocen, pero que es imposible darlos aquí, pues carecemos de pruebas materiales para hacer tales acusaciones. De qué serviría que a un señor que nos enseñó imprudentemente los albaranes de su comercio ilegal de vacas y terneros con Portugal lo sacáramos a la luz pública, si él es sólo un pez pequeño en el entramado de la tela de araña?

 

La realidad es que, sea el caso del tabaco del ganado de la leche, del café, de los muebles o las vajillas, etecétera, nadie hasta ahora ha querido entrar a saco en el espinoso tema, que es controlado por un número pequeño de personas. Este contrabando es, pues, una especie de picaresca ibérica más, que representa una gota de agua en el océano de las fugas de capitales, que se dan en España.

 

A uno, sin nostalgia, al contemplar la pobreza del acogedor pueblo portugués (y del no menos povo galego) se le vienen a la memoria las tristezas de este pueblo y aquelles versos del Pessoa que recitaba: “Ay, mar salgado (salado), cuanta de tu sal, son lágrimas de Portugal”. Como hermanos siameses unidos por la espalda, encadenados el uno al otro sin posiblidad de vivir dándonos la cara.

 

EL PAÍS

Domingo, 23 de enero de 1983

 

http://elpais.com/diario/1983/01/23/economia/412124402_850215.html

 

CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DO CONTRABANDO

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

Nos montes de Fiães

 

 

GANADO DE CONTRABANDO EN LA FRONTERA

 

HISPANO-PORTUGUESA

 

 

Unas 78.000 cabezas de ganado vacuno pasan ilegalmente al año

 

por un solo punto de la raya divisoria

 

 

Eduardo Barrenechea, / Orense/ 23 ENE 1983

 

 

Cerca de 80.000 cabezas de ganado vacuno – en vivo – son trasvasadas anualmente entre España y Portugal al cabo del año. Ello representa un valor no inferior a los 4.000 o 5.000 millones de pesetas, y eso considerando que hemos tenido en cuenta un solo punto de la frontera hispano-lusitana en tierras de Orense. Es un contrabando menos espectacular y conocido que, por ejemplo, el del tabaco rubio – del que se han escrito ya multitud de reportajes –, pero su montante económico es superior. Por otra parte, es un contrabando exclusivamente peninsular, mientras el del Winston procede y pertenece a redes internacionales.

 

ENVIADO ESPECIAL, “Ahora”, nos dice R. R. C., “venimos a pasar unos mil terneros mamones de Portugal a España y llevamos allí entre 250 a 300 vacas, en su mayor parte viejas o enfermas de tuberculosis”. Es decir, se trasvasan de España a Portugal, y viceversa, unas 78.000 cabezas de vacuno en vivo al cabo del año, lo cual representa un valor aproximado y nunca inferior a los 4.000 o 5.000 millones de pesetas anuales. “Nos habían indicado que este tipo de contrabando había casi desaparecido...”. “Al revés. Allá por octubre de 1980 – cuando le conoci a usted – se pasavan unas 30.000 cabezas de ganado, casi en exclusiva viejo o enfermo y sólo de España hacia Portugal. Ahora, ya le digo, cuando se pasa con la peculiaridad de que – al igual que sucedió trás la revolución de los claveles lusitana – se ha incrementado terriblemente el contrabando de terneros portugueses a España.”

 

Se calcula que, por ejemplo, cada año entra pelas rias gallegas tabaco rubio por valor de unos 4.000 millones de pesetas, y que el fisco deja de ingresar casi 2.000 millones de pesetas por este concepto. Asimismo, una cantidad casi imposible de evaluar corresponde a la entrada fraudulenta en España de aparatos de radio, vídeos, magnetofones, etecétera. Y ello, sin contar la compra del fin de semana que los gallegos hacen en las localidades lusitanas de Viana do Castelo e alrededores, cargándose de leche, mantelerías, etcétera, asi como del encargo de muebles artesanos. La cuestión llega a los extremos de que uno encarga una vajilla, una radio, una televisión en Viana o otros pueblos y, a la semana, ese artículo le es llevado al cliente español a su domicilio sin previo pago o señal alguna.

 

Este és el tripede en que se asienta en la actualidad el floreciente contrabando galaico-portugués tras una década (1965-1975) en la que la alegría del desarollo económico a escala mundial parecía haber arrumbado al recuerdo histórico aquellos años célebres en que se traficó con el wolframio, las piedras de mechero, las medias de cristal y el célebre café Jeito en Portugal.

 

Aún restan algunas ancianas en perdidas aldeas orensanas, zamoranas y salmantinas, con la cadera deformada como fruto de transportar aquellos pesados fardos de hasta cincuenta kilos de café de peso conteniendo Sical o Jarruco, calidades de café en grano más apreciadas por los españoles.

 

“Trás la guerra civil” – me cuenta en la localidad portuguesa de Adedela un viejo contrabandiata ya retirado, Zé Francisco (o al menos así dijo se llamaba) – “hacíamos contrabando de gallinas y huevos. Nos daban una peseta por gallina que llevábamos hasta España” (que está situada a menos de trecientos metros de donde estábamos conversando).

 

El 25 de Abril

 

Tras la revolución del 25 de Abril de 1974, para los contrabandistas de la raya de Portugal se inició un nuevo periplo. Gente avispada aprovechó en Portugal el acceso al poder de las izquierdas y el gran predicamento comunista de los mandos militares de entonces para unir sus voces plañideras a la de los padres del norte lusitano, caracterizados por su reaccionárismo, y propalar que con la llegada de los comunistas poco menos que todo iba a ser comunal y repartido, desde los terneros a las mujeres... Y los campesiños minhotos (del Minho) se asustaron. Pronto aparecieron unos personajes que compraban a bajo precio los terneros lusitanos que luego pasaban clandestinamente la frontera para venderse en España. A partir de 1977 fueron las vacas españolas las que hacian preferentemente el camiño hacia Portugal. Y ahora, desde hace año y medio aproximadamente, han sido los terneros portugueses los que han vuelto a pasar clandestinamente la frontera.

 

“Por qué?”

 

“Mui simple”, indica J. C., “los portugueses son pobres y tienen que vender lo poco de rico que tienen, los terneros, y no tienen más remedio que aceptar el ganado viejo, en muchas ocasiones enfermo (lo que no quiere decir que no pueda consumirse en absoluto) que les enviamos. Ellos no pueden permitirse el lujo de comer carne de vitela (ternera)”.

 

Los ‘portillos’ del contrabando

 

Al parecer, ay diversos puntos o portillos clandestinos por los que se pasa o se trae el ganado entre España y Portugal. Algunos señalan que Verín es el punto principal. En realidad, son las provincias de Zamora y Orense donde se centra este tipo de contrabando por no menos de cinco o seis puntos. “No sé por qué tienen ustedes que venir a incomodarnos a nosotros”, nos decía un personaje apodado el Rapido. “Hay otros puntos más importantes. Ustedes van contra nosotros”, y lo único que hacemos es trabajar como ustedes”. “Por qué no escriben sobre los emigrantes clandestinos portugueses que trabajan en toda la raya fronteiriza? Por qué no hablan de que hay todavía nenos, que no tienen escuela ni sus aldeas luz, carreteras, teléfono?”.

 

Lo cierto y verdad es que además de por Verín acaso el punto más importante del contrabando de vacas y terneros se haga por una decena o menos de kilómetros que van desde el puesto fronteirizo hispano-portugués de Puente Barjas-San Gregorio. En concreto, el tráfico se realiza de manera preferente entre el pueblo de Cela y el portugués de Adedela, que corresponden a los municipios de Padrenda, el español, y de Melgaço, en Portugal.

 

Vacas y toros son comprados en España no sólo en terras gallegas, sino en Léon, Salamaca, Zamora, etcétera, e llevados en camiones hasta localidades proximas (Celanova, La Merca, etcétera) y esos camiones van avalados legalmente por unas guías. Desde estes puntos intermedios se acerca el ganado hasta lugares fronteirizos, donde es metido en currales y alimentado con pienso hasta la hora de un trasvase definitivo a Adedela, donde otros camiones lo reparten luego por mataderos clandestinos de Portugal. Los intermediarios de los pueblos cobran unas 3.000 pesetas por vaca y 10.000 por toro, y los encargados de hacerles saltar la frontera (en general rapaces y mujerucas) cuebran quinientas pesetas por vaca y mil por toro, más o menos. El paso es mui fácil. Entre España y Portugal sólo hay el denominado río Trancoso, que no pasa de ser un simple regato de un metro o metro y medio de ancho e sin calado. Además se cuenta con tres o cuatro puentes de madera.

 

El tema es en si bastante grosero y soprende la escasa vigilancia sobre él. Es vox populi, igual que los nombres de los que lo manejan. Bastaría que las autoridades correspondientes se dieran cuenta – lo que no parece entrañe demasiadas dificultades – de que los miles de kilos de carne en vivo que llegan a lugares como Celanova, La Merca, etcétara – semana tras semana –, es totalmente imposible que sean consumidos por los escasos habitantes de estos núcleos rurales. Tocarían a un consumo por cabeza semanal de miles e miles de kilos de carne.

 

(Continua)