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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

PORTUGUESES E GALEGOS NO SEC XV

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 

CORTES DE LISBOA EM 1459 …………. Chegava a Valença muito sal oriundo de Aveiro, o qual era vendido aos mercadores galegos. No fundo tratava-se de almocreves que transportavam nas suas montadas cebo, cera, unto e manteiga, levando de retorno o sal. Destas transacções resultava grande proveito para a fazenda que cobrava sisas, portagens e direitos reais.

A grande maioria dos galegos eram originários das terras de Limia e de Ourense, vindo também doutros lugares. Entravam em Portugal por Castro Laboreiro e por Lamas de Mouro “por ser caminho mais direito e mais seguro”.

Na sua exposição o procurador de Valença dizia que durante a regência do Infante D. Pedro o alcaide Melgaço, Martim de Castro, e presentemente seu filho Fernão de Castro, que lhe sucedeu no cargo, acobertavam ladrões “rroubadores” que prendiam almocreves galegos e apoderavam-se das suas mercadorias as quais se destinavam a ser transaccionadas em Valença por permuta com o sal de Aveiro. Este comportamento do alcaide obedecia ao facto de querer obrigar os galegos a pagar portagem em Cubalhão (Porto de Asnos) ou em Ponte de Mouro, locais onde desde sempre os alcaides de Melgaço arrecadavam o referido imposto.

Ora a circunstância destes almocreves terem de se desviar no seu itinerário por causa de serem obrigados a passar por Melgaço, fazia com que deixassem de vir a Portugal e fossem comprar o sal a Redondela e a Pontevedra por troca com as suas mercadorias. Resultava deste estado de coisas graves prejuízos para a cobrança de sisas, portagens e direitos reais.

Para obviar a estes transtornos insistia o alcaide que a via de acesso fosse por Castro Laboreiro e que os alcaides de Melgaço cobrassem a portagem em Cubalhão (Porto de Asnos) ou em Ponte de Mouro.. Na sequência do pedido, o rei (D. Afonso V) determinou a audição do contador e do alcaide para apuramento do lugar mais apropriado para o pagamento.

 

Ler mais em Relações entre Portugal e a Galiza nos séculos XIV e XV por Humberto Baquero Moreno – Revista da Faculdade de Letras

 

Htpp://ler.letras.up.pt

 

MELGAÇO E O CONCÍLIO DE TRENTO

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 

D. João de Melo e Castro

 

   Alcaide de Melgaço, ingressou cedo na carreira clerical e veio a doutorar-se em Cânones, na Universidade de Salamanca, em Espanha. Graças às suas intervenções, foi nomeado Bispo de Silves (1549-1564).

   Em 1564, uma vez obrigado a deixar a arquidiocese de Évora, por ter de assumir a regência em Lisboa (na menoridade do Rei D. Sebastião, seu sobrinho), o cardeal D. Henrique escolheu D. João de Melo para lhe suceder no arcebispado (1564-1574).

   Reuniu ainda sínodos diocesanos em 1565 e 1569, essencialmente para aplicar à sua arquidiocese os trâmites do Concílio de Trento.

 

Retirado de Wikipedia

 

Universidade Lusófona

 

1664 - P. ANTÓNIO VIEIRA E O COMETA

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 

PADRE ANTÓNIO VIEIRA

 

O COMETA DE 1664 VISTO EM MELGAÇO

          ……………………………………………

      Esta grandiosidade do cometa assusta e dá-se início a uma onda de prodígios narrados a 4 de Maio de 1665 em carta a D. Rodrigo de Meneses.

      Conta Vieira que “grandes prodígios se referem de perto e de longe.

      De Melgaço vi carta de um notável meteoro que, correndo da parte de Valença do Minho, e durante por muito espaço, se desfez sobre Galiza em raios e coriscos; era de figura de uma espada de cor verde e amarela, que saía de duas nuvens, uma branca e outra vermelha, e com a mesma figura que foi visto em outras partes”.

      Na mesma data Vieira descreve os prodígios ao marquês de Gouveia, com algumas variantes:

      “Outra carta vi, de pessoa digna de fé, escrita de Melgaço em que diz aparecerem naquelas partes muitos sinais horrendos, de dia e de noite, que não especifica; só refere que no dia 16 de Abril, ao sair do sol, aparecera um raio de cor verde e amarela, o qual se remata em duas nuvens pequenas, uma muito branca e outra muito vermelha; e correndo por grande espaço para a parte interior da Galiza, ultimamente se desfizera sobre ela em raios e coriscos de fogo”.

………………………………………………………

Texto retirado de www.scribd.com

 

DO SONHO À REALIDADE

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

Jean Loup Passek

 

 

      Sinto-me na Cinna Citá, ao lado do mestre, no alto de uma grua a olhar para  as cúpulas, telhados, jardins suspensos, bairros de lata e ele a dizer, voz rouca, a gritar:

      — Roma, mi cittá.

      Frederico é o nome do meu avô; Fellini é o nome dum génio.

      Conheci Felinni, em 74 ou 75; preto e branco no 8/5; o Ciccio  no Amarcord, o Satiricon, as bichas p’ra entrar no Palácio Foz.

      Em Melgaço naveguei na fonte com a deusa nórdica; em Melgaço encontrei o outro, o nosso, o senhor Fellini, o homem que não precisa de nome; em Melgaço há muito para descobrir.

      E o senhor cinema, décadas depois do Ti Pires e do Sn.r Hilário, Jean Loup Passek, melgacense aprofilhado não contente com o espaço que lhe foi conferido pela C M M  conseguiu que o museu não parasse. E nós agradecemos. O antigo cine Pelicano vai ser reconvertido e o museu alargado.

 

Depois de Fellini é Bergmam!

 

Erros ortográficos são da responsabilidade de:

 

Io volo una dona….io volo una dona

 

Camborio Refugiado

 

UM MELGACENSE NA COMPANHIA DE JESUS

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 

AD MAIOREM DEI GLORIAM

 

 

 

RODRIGO DE FREITAS

 

 

   Português de Melgaço, cavaleiro fidalgo, nascido em 1509, vindo para o Brasil com Tomé de Sousa, foi sucessivamente almoxarife, escrivão do armazém de mantimentos, escrivão da Matrícula em 1522, e, finalmente, Provedor da Fazenda da Bahia, ‘’por estar para casar com uma sobrinha de Rodrigo de Argolo’’, nomeado em 19 de Fevereiro de 1553 e efetivado em 22 de Novembro desse mesmo ano. Em 31 de Novembro de 1555 foi-lhe concedido um alvará de mercê do ofício de Escrivão do Tesouro, também na Bahia. Havia sido também Procurador da Coroa e Tesoureiro das Rendas Reais. Ao tempo de D. Duarte da Costa foi preso e degredado, por ter feito oposição ao governador-geral, guardando as liberdades municipais no exercício das funções de vereador e juiz ordinário. Reintegrado nos cargos e libertado, enviuvou, o que o levou a ingressar em 1560 na Companhia de Jesus, abandonando toda a sua actividade burocrática. Aliás, ainda leigo, já cuidava dos órfãos do Colégio de Jesus. Já com as ordens sacras, em 1568, era reitor do Colégio de Pernambuco, onde ficou até 1572. Procurador geral da Companhia de Jesus em 1573, seguiu com o governador Antônio de Salema para o Rio de Janeiro, afim de visitar os estabelecimentos jesuíticos do sul. Em 1583 estava em Portugal, cuidando dos negócios temporais da Companhia, regressando nesse ano com o Padre Fernão Cardim. Foi Visitador e Provincial, Superior em Pernambuco e S. Vicente. Enfim, foi um dos homens mais activos do seu século. Faleceu na Bahia em 1604, contando 95 anos de idade e 44 de Companhia de Jesus.

   Fontes:- DHBN, 36:129/133e 38:50. – CALMON, Introdução e Notas ao Catálogo de Frei Jaboatão, 1:322 – EDISON CARNEIRO, A Cidade do Salvador, 41/43 – SERAFIM LEITE, Hist. da Comp. De Jesus no Brasil, 1:43/44, 460;461 e 576.

 

Retirado de Alfandega de Salvador

 

 www.receita.fazenda.gov.br/memoria/pessoal-funcionarios.asp.

 

SR. MURTEIRA PINTOR

melgaçodomonteàribeira, 07.03.13

 

 

   No terreiro pequeno a bola não saltava; se não fosse a Guarda era o Carriço, zelador da Câmara, a correr com os putos. Valiam os piões, a esfera ou o espeto, jogos mais sossegados para quem estava junto ao Sr. Hilário a passar o tempo ou fazê-lo render para uma tigela acima ou abaixo que taberna de amigo não faltava. Era a Quina, o Carlota ou mais na Vila a Maria do Nau ou o Raul, consoante a qualidade do tinto. O Sabino também fazia companhia ao Lucas na hora da escolha. A conversa deles, futebol só na rádio, politica nem da terra, mulheres eram da família, ficava-se sempre por quem não passava e por quem era mais pobre que eles. Olhavam…

   Do prédio do terreiro saía o Sr. Murteira, bata branca, olhar altivo, cavalete de madeira debaixo do braço e maleta na mão, passo largo como que a medir terreno e chegado ao terreiro pequeno cravava o cavalete de pontas metálicas, sacava da maleta, paleta, tintas e espátula e os putos esqueciam o jogo. Eles eram os únicos a seguir o filme que o Sr. Murteira passava para a tela, silenciados pela maravilha das cores que nem no Pelicano com índios e cowboys os impressionavam tanto.

   Os outros sussurravam, encolhiam os ombros, debandavam para a tasca escolhida sem darem conta que os jogos e berreiro dos putos tinham acabado.

   Sentados à roda ou em pé, bocas abertas seguiam os vermelhos e amarelos, azuis e verdes, as cores da terra que os vira nascer e sempre ignoraram.

   Recolhida a tela, fechado o cavalete, o cortejo dos putos seguia Sr. Murteira até à porta do prédio.

   Nessa noite os sonhos dos rapazes da vila foram mais coloridos e até o comboio galego, feio e cinzento, apitou com mais doçura.