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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - VIII

14.04.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 31 de março de 2018.     Apesar disso, com as parcas recompensas da lavoura, os magros teres e uns trapicheos – negócios ilegais – circunstanciais, a existência jocosa desta população era visiva. A gente aceitava a vida rotineira, estóica, compassada pela carrinha que, de manhã, lhe trazia peixe fresco de Vigo; pelo tempo, que era o decisor invariável da viveza e dos encargos colectivos; e pelos crebros comboios que faziam ou não uma (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - VII

31.03.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 17 de março de 2018.     O não dito reforçava-se e acalentava-lhe com veemência o ardimento de um dia lhe enumerar, assanhada, o ror de vericidades que oprimia nas profundidades mais inacessíveis da alma. Esta situação abespinhava-a e erodia-lhe o psiquismo. As tribulações das previsíveis consequências imobilizavam-lhe a menor tentação, a palavra inaudível, o menor gesto, ocasionando-lhe, nestas circunstâncias, palpitações latentes. (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - VI

17.03.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 03 de março de 2018.     Com os anos, aprendera a arrogar-se daquele recanto, a viver ali. Agora suspeitava de que não se conformaria com uma mudança. Era o seu buraco, o seu ninho. Morava em Espanha e via Portugal da sua casa; de ambos lados do Trancoso falava-se uma língua gémea, e as pessoas não destoavam. No verão, era um rincão feérico, refrescante; no inverno, para as pessoas que como ele compadeciam ligeiramente de reumatismo, a (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - V

03.03.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 17 de fevereiro de 2018.     A esposa, a Gracinda, quando a oportunidade o propiciava, não desprezava estas fantochadas de ricos, como ele lhe chamava. Influenciada pelas cativantes estultícias da pantalha e pelas constantes cantilenas das colegas, insistira várias vezes com ele para que arranjasse uma televisão em segunda mão; o homem foi sempre intransigente. Um dia, colérica, chantageou: «Pois olha, se não a compras tu, compro-a eu!» O (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - IV

17.02.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 03 de fevereiro de 2018.     Uma vez chegado ao fim da ponte, fez uma curta pausa e resfolegou com ansiedade. Meio aquietado, consultou o velho Longines de pulso. Havia uns minutos que as sete e meia tinham ficado para trás, mas o Manel guiava-se sempre pela velha. Deu uma olhadela medrosa à casa situada no limite da ponte, o café-loja do Manolo. Depois da meia hora da carreira, embora descendente, e daquela eternidade de transe e de quebranto (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - III

03.02.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 20 de janeiro de 2018.     Com a pesada enxada ao ombro, o passo abúlico e o olhar fixado em permanência na outra margem como se estisesse a auto-hipnotizar-se, decidiu, mais uma vez, fazer face à dramática travessia da extensa ponte pelo centro, o modo menos aflitivo para ele. Como mais alguns, não se servia dos passeios laterais, protegidos por barreiras metálicas, como justamente recomenda o bom senso. Uma quinzena de metros abaixo da ponte, (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - II

20.01.18, melgaçodomonteàribeira
    Continuação do post do 06 de janeiro de 2018.     Media mais de um metro e oitenta – era conhecido pelo Manel Grande –, tinha uns ossos ricamente cobertos e uma grande e oblonga cabeça, cujo cabelo, sempre bem rapadinho, deixava sobressair umas orelhas colossais e descoladas. Durante o ano, fosse qual fosse o tempo, uma camisola interior de alças e uma camisa branca de nylon eram a única vestimenta que lhe cobria o tronco; as mangas, sempre arregaçadas, desvelavam (...)

Fragmentos de vidas raianas, 1978 a 1981 - I

06.01.18, melgaçodomonteàribeira
    Pouco faltava para ser noite quando o Manel emergiu da floresta. Essencialmente povoada de pinheiros e eucalíptos, toldava a maior parte da encosta íngreme do monte. De modo despreocupado, empreendeu a descida do sinuoso caminho que findava na extremidade direita da ponte da Frieira. Esta superestrutura recente, sobranceira ao rio Minho, unia dois lugares galegos homónimos que pertenciam a concelhos e províncias diferentes. Ambas províncias confrontavam com Cevide, o lugar (...)

OS TRANSFRONTEIRIÇOS

09.07.16, melgaçodomonteàribeira
rua verde - s. gregório     HOMENAGEM AO GRUPO “OS TRANSFRONTEIRIÇOS” DE CRISTÓVAL (S. GREGÓRIO) - MELGAÇO     Melgaço é aquele abraço sem fronteiras, que desliza por vinhedos, fragas e ribeiras, acenando à Galiza e sussurrando ao Minho os seus segredos…   Melgaço… feito de pedra morena, Torre de Menagem legenda de coragem de (...)

RAIA CASTREJA EM 1864

23.01.16, melgaçodomonteàribeira
montes laboreiro   TRATADO DE LIMITES ENTRE PORTUGAL E HESPANHA assignado em Lisboa pelos respectivos plenipotenciarios aos 29 de Setembro de 1864     DOM LUIS, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d’aquem e d’alem mar, em África senhor da Guiné, e da conquista, navegação e commercio da Ethiopia, Arabia, Persia e da Índia, etc. Faço saber aos que a presente carta de confirmação e ratificação virem, que aos 29 dias do mez de Setembro do anno de 1864 se (...)