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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

A FILHA DO PADRE

06.03.13, melgaçodomonteàribeira
    À tia Maria, mãe do Jacob, do Reinaldo e da Lígia.         O Pe. António de Jesus Rodrigues, moço, dinâmico, ensinava além do catecismo, aos sábados na escola cantoria folclórica.     Chegou a comprar uma bola de couro para a rapaziada jogar futebol. Para quem jogava com bola de meia foi um grande melhoramento desportivo.     Além desses atributos era intransigente em seus princípios morais e religiosos.     O irmão dele, Armando, o único que não estudou (...)

O BUFO DAS BUFAS

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
        A Dona Olívia acumulava as obrigações de professora com os afazeres de casa, escalava alguém para tomar conta da turminha, geralmente a filha do Zé Félix, a Maria do Céu, por ser a maior. Aliás os sete filhos do Zé Félix viviam quase exclusivamente na casa de Dona Olívia, só iam comer e dormir na casa deles. A Dona Olívia não cobrava igual a todos, cada um pagava conforme as suas posses e tinha até os que nada pagavam em dinheiro. Os pais mandavam alguma coisa (...)

VACINA DA VARÍOLA

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Desenho de Manuel Igrejas     O Manelzinho ganhou da irmã da Caridade, que era a enfermeira do hospital, a caneta vazia, da vacina contra as bexigas. Naquele tempo essa vacina vinha num tubo que terminava numa ponta em forma do aparo que dava ideia de caneta de tinta permanente. Levou-a para a brincadeira habitual. Aquela novidade mexeu com a imaginação do Rogério. Com a sua verbe inigualável convenceu o primo a ceder-lhe a bisnaguilha para ele montar um consultório médico. A (...)

A IDA A VALENÇA

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    O Manelzinho conseguiu levar a corneta e o tambor, os seus exclusivos brinquedos importados, quando foi com a mãe na sua habitual ida à horta. Pelo caminho ia exibindo-os para fazer inveja aos rapazes que cruzavam. O Rogério percebeu de longe a presença daquelas maravilhas de que já ouvira falar. Empregou a sua melhor dialéctica para convencer o primo a deixá-lo usar aquelas preciosidades. Estava difícil convencer o Manel quando teve uma ideia genial: — Vamos fazer uma (...)

BANDA DE MUSICA DOS B V M

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Pois, foi ainda à sombra dos lauréis daquele acontecimento glorioso para os Bombeiros de Melgaço ocorrido seis anos antes, que a corporação melgacense se apresentou na Convenção na Vila de Valença. Era um domingo frio e chuvoso, clareava o dia. Os briosos Bombeiros vinham chegando impecavelmente vestidos com seu fardamento de cotim cinzento, bem lavado e passado, o dolman apertado até ao pescoço com botões de metal dourado, sapatos pretos engraxados. No quartel apanhavam (...)

ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE MELGAÇO

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Um dia aconteceu uma nova e sensacional brincadeira que tumultuou aquela pacata localidade. Tinha acontecido semanas antes um grande evento que agitara todo o Alto-Minho. Haviam-se reunido em Valença, em convenção, representações das corporações de Bombeiros Voluntários de toda a região. A corporação dos Bombeiros de Melgaço, claro que também esteve presente, e com destaque principalmente pela sua famosíssima Banda de Musica. Os Bombeiros de Melgaço, aliás, (...)

TEATRO POPULAR - OS SIMPLES

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    O cinema continuava a insuflar a imaginação da criançada mais pequena na Vila de Melgaço. Ah, as Cruzadas, que delírio chegou a provocar aquele filme. Veio inflamar o ardor patriótico e guerreiro que era insuflado na escola com a descrição das grandes batalhas e heróis da nacionalidade portuguesa. Não havia rapaz que não tivesse uma espada de pau feita por ele ou por um parente mais velho, alguns tinham até escudos feitos de tampas de tambores de gasolina. Combinaram um (...)

LOJA DO CHOCOLATE

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Os assuntos dos jornais que o João Gabriel distribuía vindos pela carreira, do Porto, eram comentados por algumas pessoas grandes, não muitas. Os assinantes eram poucos, comerciantes, alguns funcionários públicos e um ou outro lavrador mais abastado. A rapaziada miúda comentava o que via no cinema e os jogos de futebol do Sport Club Melgacense. O futebol das cidades, aliás os jogadores, eram do conhecimento quando o Sr. Hilário vendia na sua loja a colecção dos caramelos. (...)

O TI PIRES

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
    Naquele tempo as crianças brincavam em função do que viam no cinema, e o cinema era a principal distracção e fonte de cultura naquela época e naquela terra. Uma vez por semana, ao domingo à noite, quando havia luz ou as fitas chegavam a tempo. Os filmes que chegaram a Melgaço já tinham sido vistos em todo o Portugal há bastante tempo. Diziam que o Pires só alugava fitas velhas que eram mais baratas. Eram frequentes durante a projecção as interrupções, além das (...)

ESPADAS, ESCUDOS E CAPOEIRAS

05.03.13, melgaçodomonteàribeira
  Desenho de Manuel Igrejas     A batalha estava acirrada. Naquele momento era imprevisível indicar um vencedor. A luta era esforçada pois os contendores aplicavam todas as suas energias. Berravam, barafustavam, bufavam, suavam, cabelos desgrenhados e algumas mãos roxas das pauladas que escapavam ao controle. Em outras batalhas o desfecho fora fácil, resolvido na primeira investida. Sempre a turma que assaltava o castelo vencia, isso porque, na divisão de forças, (...)