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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MILMANDA E MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 06.05.17

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ALCÁZAR DE MILMANDA

 

(Milmanda – concelho de Celanova)

  

O castelo foi palco de confrontos entre Pedro I de Castela e Henrique de Trastâmara. Quando faleceu Pedro em Montiel a maior parte da nobreza galega reconheceu como sucessor a Fernando I de Portugal, genro de Pedro I, o qual estabeleceu sua corte neste castelo e realizou uma campanha de ocupação de muitas vilas e cidades do país galego.

Um dos senhores, o senhor de Vilardecãs Francisco Feijoo Sotelo, foi protagonista de um célebre feito:

   Ocorrera que um fidalgo de Milmanda foi julgado à força e condenado na vila portuguesa de Melgaço. O senhor de Vilardecãs reuniu 40 homens armados e atacou o cárcere resgatando o condenado. Como resposta a esta provocação o duque de Bragança juntou 6 000 homens e, em resposta a este, o conde de Benavente juntou outros 6 000, começando deste jeito a guerra entre Espanha e Portugal, que só terminou com a condição de que o senhor de Vilardecãs deixasse o mando do Alcázar de Milmanda.

O derradeiro nobre que possuiu o castelo foi Suero Eanes de Prada, partidário de Pedro I, que com a morte do monarca partiu a Portugal para não voltar mais. Conta a lenda que nenhuma outra casa da nobreza voltou a possuir o castelo.

 

Retirado de: Wikipédia

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/alcazar_de_milmanda

MELGAÇO E GALIZA

melgaçodomonteàribeira, 01.04.17

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3º DA ESO EN MELGAÇO

 

 

Enviado por eladioanxo en Xov, 2009-05-14

 

 

Nos passados dias 21 e 22 de Abril o estudantado de 3º da ESO do Don Aurélio e do IES de Curtis visitamos o concello de Melgaço, na outra beira do Minho. A viagem faz parte das actividades organizadas por o Proxectoterra do Colexio Oficial de Arquitectos de Galiza, com o objectivo de dar a conhecer o património e potenciar a sua valorización e cuidado. O Projecto financiou grande parte dos gastos, de tal modo que os alunos só pagaram uma parte do custo do autocarro e tiveram que levar a comida da primeira jornada.

A manhã do primeiro dia chegamos directamente a uma das portas de entrada ao Parque Nacional Peneda Gerês, a Porta de Lamas de Mouro, onde nos explicaram as características desse formoso espaço natural que compartilham Portugal e Galiza, e fixemos um pequeno passeio acompanhados por dois amáveis monitores. Pela tarde fomos uns quilómetros mais arriba, a Castro Laboreiro. A pena foi que não pudemos caminhar pelo castelo pelo que uns dias antes sofrera um incêndio. De todos os modos fixemos um agradável passeio duns cinco quilómetros junto a duas guias muito atentas, que nunca puseram má cara para pesar das muitas queixas dos (maus) caminhantes.

À tardiña instalamo-nos na Pousada da Juventude, um edifício novo e com umas instalações que lhe dão a categoria de hotel, por riba do Minho. O entorno é muito bonito e a poucos metros se encontra um complexo desportivo de primeira categoria, o Centro de Estágios. Até a hora de cear estivemos jogando ao futebol, ao ténis e, alguns, mesmo pedalearon um pouco.

A manhã seguinte, depois de uma comprida noite para alguns, fomos visitar o Centro Histórico de Melgaço e os seus numerosos e interessantes museus, onde nos atenderam muito bem. O Espaço Memória e Fronteira, está dedicado ao contrabando e  à emigración, ubicado num antigo convento magnificamente restaurado. Baixamos depois as ruínas medievais no entorno do castelo amurallado e depois subimos até a bem conservada Torre de Menagem, com umas vistas espectaculares sobre a vila e a raia que marca o Minho. Por último, visitamos o esplêndido Museu do Cinema, com uma importante colecção de proxectores e cartazes, onde uma exposição temporária recordava ao grande director italiano Federico Fellini. Volvimos ao albergue, a comer, e regressamos à casa sem deixar de deitar uma cabeçada no autocarro.

 

Retirado de:

XUNTA DE GALICIA

Consellaría de Educación

E Ordenación Universitaria

 

www.edu.xunta.es/centros/cpiaureliomarcelino/category/37/162

 

 

OS FORAIS DE MELGAÇO E RIBADÁVIA

melgaçodomonteàribeira, 25.03.17

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OS FORAIS ANTIGOS DE MELGAÇO, TERRA DE FRONTEIRA

 

(…)

 

Devem ter sido os burgueses de Allariz que manifestaram a Afonso VII a sua preferência pelo modelo sahaguntino, tal como os moradores de Ribadávia se interessarão pelo de Allariz e os de Melgaço pelo de Ribadávia. Convém não esquecer que Ribadávia e Melgaço se situam nas margens do rio Minho, a uma distância relativamente próxima, e estavam ligadas por um caminho que, estabelecidas as proporções, era mais frequentado nessa época do que nos tempos actuais. Ainda no tempo de D. Pedro I, em 1361, Melgaço é referida, numa carta régia, como uma das principais entradas de mercadorias vindas da Galiza no Reino de Portugal.

Sendo Melgaço uma povoação fronteiriça, foram sempre múltiplos os seus contactos com a Galiza, o que se traduziu em muitos aspectos da história local: Santa Maria da Porta, actual orago de Melgaço, evoca as grandes festas de Santa Maria do Portal, de Ribadávia, e São Facundo ou Fagundo, o santo que deu o nome a Sahagún, era o padroeiro de uma das igrejas medievais da nossa vila raiana. É natural que entre os povoadores de Melgaço se contassem agricultores e comerciantes provenientes de Ribadávia.

Entre os destinatários do foral outorgado a Melgaço, em Agosto de 1185, designados simplesmente como moradores ou vizinhos, distinguem-se os mercadores. Nada se pormenoriza sobre o estatuto social, mas supõe-se que é uniforme, fundamentalmente o mesmo dos «burgueses» ou habitantes das povoações noutros documentos designadas «burgos».

Propõe-se-lhes, como objectivos, que edifiquem e habitem na herdade que o Rei possuía no lugar de Melgaço, doando-lhes também a metade régia de Chaviães, na terra de Valadares.

Aparentemente, o foral nada tem a ver com o de Ribadávia, pois as matérias foram objecto de uma exposição e de uma redacção totalmente diferente, mas o mesmo não se dirá em relação aos conteúdos que são, em grande parte, semelhantes.

Fixa-se um imposto geral único, de 1 soldo, ou 12 dinheiros, a pagar por cada casa, como nos forais dos outros burgos portugueses e no de Ribadávia, a que se ajunta a taxa de dois soldos a pagar pelos carniceiros, que também se paga em Ribadávia. Os vizinhos de Melgaço são ainda obrigados a pagar 6 soldos, de colecta, uma vez por ano, no máximo, quando o rei se deslocar à sua vila, tributo que não sobrecarrega os burgueses de Ribadávia.

A tabela das portagens apresenta, naturalmente, várias coincidências e variantes. Com oscilações, nuns casos para mais e noutros para menos, e com variantes, a tabela das sisas e portagens aplicava-se aos mercadores vindos de fora, aos quais apenas era permitido vender a retalho no dia da feira – a segunda a que os documentos portugueses fazem referência. Refere-se expressamente que os moradores nada pagarão do pão e do vinho que colherem, dos panos e dos animais que venderem ou comprarem, assim como dos moinhos, fornos e almuinhas. Estas cláusulas, nos forais de Ribadávia e de Melgaço, explicam-se com a preocupação de corrigir disposições mais gravosas que se mantinham nos forais derivados de Sahagún, se bem que, em certos aspectos correspondem a outras que já encontramos nos forais de Guimarães e do Porto (isenção de taxas sobre as compras de reduzido valor, e especificamente sobre o pão), e por outro lado lembra-nos que, tendo Melgaço um foral idêntico ao de «burgos» mais ricos, se previa também a expressão do sector agrário, como aliás já acontecia no foral do Porto…..

 

 

António Matos Reis

Revista da Faculdade de Letras

 

http://ler.letras.up.pt

 

 

MELGAÇO EM GUERRA COM O IMPERADOR

melgaçodomonteàribeira, 15.10.16

troncoso1.jpgrio trancoso - desconheço a autoria da foto

 

LA PARADANTA EN LA GUERRA CONTRA NAPOLEÓN

 

 Por: Antonio Troncoso de Castro (1)

  

La Guerra de Independencia en el Sur de Galicia y Norte de Portugal, desde una perspectiva militar favoreció sensiblemente la organización del ejercito anglo-hispano-portugués que en sucesivas batallas consiguió la expulsión de los franceses de la Peninsula..................

En la acción de Vimieiro, la primera derrota de Junót, ya estan milicianos de Tuy y Monterrey y en la represalia de Soult ejecuta sobre el Pazo de Barreiro, desde el que escribo este recordatorio, los vecinos de Villar y Couto se refugiaron en Melgaço, que meses antes ya había declarado guerra al Emperador. Y así cuando el Consejo de Regencia concede la Cruz Supernumeraria de Carlos III a los abades de Villar-Couto y Valladares po el «sitio y reconquista de Vigo y Tuy» - como reza en la credencial – tanbién condecora a los oficiales portugueses don Juan Almeida y Sousa,  don Joaquín Pereira de Castro y don José Rodriguéz Gomez, por su ayuda en aquellos trágicos y a la vez gloriosos sucesos................

Mientras tanto las terras fronteirizas de Melgaço, y jurisdicciones de Alveos e Crecente, siguiendo órdenes de la ola Romana, acantonado en Lobeira y fugura injustamente silenciada tienen lugar cuatro decisiones..............

Fueron tan eficaces las acciones de las gentes de la Paradanta, Melgaço y Ribeiro, que un Cuerpo de Ejército, seguramente el más poderoso de la «grant armae» mandado por el mejor táctico de Europa,........ arribando a Orense con 2.000 bajas entre muertos y heridos.

Un capitulo muy importante de la historia militar de España en la Guerra de Independencia digno de recordarse con todos, los honores del sacrificio y heroísmo que promovió en esta tierra un troncoso de Sotomayor, que al igual que sus antepasados frente a los ingleses en Bayona y A Coruña y más tarde en la línea Peneda-Barxas, - de haí que dicho rio se identifique por los portugueses con el nombre de Trancoso, en el tratado de límites de 1881 – y seguido por el pueblo dio una léccion de patriotismo, cuyo ejemplo merece ser reconocido, así como los 64 muertos de estas parroquias en aquellos trágicos días.

 (1) Antonio Troncoso de Castro es sobrino tataranieto del Abad de Couto.

 

Tomado de el FARO DE VIGO.

Ler artigo completo em:

 

Revista de la Hermandad del Valle de los Caídos – nº 131 Noviembre de 2009

 

http://www.hermandaddelvalle.org/article.php?sid=5840

 

 

FARO DE VIGO, 10/9/2016

melgaçodomonteàribeira, 24.09.16

24 a2 - mendez_ferrin.jpgméndez ferrín

 

CINE E FRONTEIRA

 

Xavier Nogueira, viaxeiro, historiador, xeógrafo, escribe ao Fondo dos Espellos. “O caso (cóntanos) é que a comezo dos oitenta coñecín en Melgaço certo personaxe digno de lembranza. Presentoumo alguén do lugar que coñecía a súa historia e peripécia (…) Aquel home, xa maior, vivía cerca da Cámara, na rúa que descende lateralmente desde a Praça da República ata a de Hermenegildo Solheiro. Con grande amabilidade relatou como polos anos trinta (ou antes) se dedicara a percorrer as vilas e as festas da contorna nun carromato no que, ademais de servirlle de habitación, transportaba unha máquina de cine, coa que gañaba a vida. Non soamente levaba a cabo proxeccións nas vilas portuguesas senón tamén naquelas outras galegas próximas á raia. Como Bande ou Entrimo. Nomeou, se mal non lembro, varias mais, como Portoquintela, Lobeira e ata creo que Celanova, pero soamente das dúas primeiras teño a certeza”. Despois doutras interessantes consideracións a respecto da película de Manoel de Oliveira sobre o Castro Laboreiro e a raia, tan pouco coñecida entre nós, e logo de referirse ao museo do cine de Melgaço, Xavier Nogueira formula un desexo. Que entre todos consigamos reunir mais datos e documentación sobre “aquel singular personaxe, merecente de ser historiado ainda que só fosse sobre os traballos e atrancos que sem dúbida tivo que passar polos infernais camiños daquelas penedias serranas coa maravillosa máquina de soños no carromato”.
Desgrazadamente, nin na Terra de Celanova nin en calquera outra zona de fronteira da Raia Seca, ou noutras partes, sentín falar desse señor de Melgaço que andaba polo mundo proxectando películas, segundo parece na primeira metade do século XX. Polo menos valía a pena incorpurar a súa memória ao museu de cinema de Melgaço e facer a crónica das súas andadas. En canto a ollada de Manoel de Oliveira, en Viagem ao Princípio do Mundo, á rota prodixiosa que vai de Caminha ao Crasto (sic) Laboreiro, é algo para ser tratado noutra ocasión e de xeito preferente.
Polo momento, pidamos axuda a todos aqueles que poidan proporcionarnos información sobre o señor de Melgaço que percorria a fronteira cunha máquina de cine no seu carro.

Todos aqueles que queixeren colaborar coa súa opinión en NO FONDO DOS ESPELLOS podem escribir por correo ordinário a:

X. L. Méndez Ferrín
Faro de Vigo
Policarpo Sanz, 22
Aptdo. Correos 91
VIGO

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HISTÓRIAS DA MINHA BISAVÓ

melgaçodomonteàribeira, 30.04.16

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 o carvalho; à esquerda a minha vinha

 

O ANTIGAMENTE

 

- Ó Emiliano, bota aí na caderneta; a Joaquina Loureiro levou meio alqueire, a tia Rendeira também levou meio alqueire, a Silvéria entregou dois alqueires. A Chica Pega pagou o milho que levou na semana passada e a Ana Serafina acertou a conta do outro mês. O Emiliano, oitavo dos dez filhos que vingaram (em família dizia-se que tivera dezoito), paciente, destrinçava aquele emaranhado de informações no competente livro, um caderno de capa dura, onde, na etiquete, o João do Gabriel que tinha bonita caligrafia e era íntimo frequentador da casa do Emiliano, escrevera: VALA-COMUM!

Era assim a contabilidade da tia Conceição do Félix, do seu entreposto do milho. Era analfabeta mas inteligente como a maioria do povo de Melgaço no século XIX. À noite, na volta do trabalho, após tomar a ceia em sua casa no largo do Carvalho, ia à vivenda do filho, ali perto, na avenida, onde dava conta das transacções que fizera durante o dia sem esquecer detalhe, não obstante sua idade avançada. Depois que enviuvou, no início da segunda década do século XX, para se manter, ajudar os filhos, os netos, os filhos dos netos e outros aparentados, e eram muitos, meteu-se a negociar com milho. Alugou por valor simbólico (naquele tempo pouco povoada a Vila, havia lojas e casas devolutas) aquela casa na rua do Rio do Porto, esquina da estrada nacional na Loja Nova, onde muito mais tarde foi a oficina da alfaiataria do Rabioso. Comprava e revendia milho. Nem todas as famílias colhiam milho (na Vila ninguém) mas todas as pessoas consumiam o pão feito com aquele cereal.

A broa de milho era o principal alimento da população, ou o único entre indigentes. A Conceição, que desde sempre estivera envolvida com milho e farinha, teve facilidade em tornar conhecido o seu negócio e foi um benefício para o povo lhe facilitando a aquisição daquele alimento. E a forma de negociar era a mais usual entre a maioria das famílias daqueles tempos: a confiança! Em contabilidade passaram a denominar a venda a crédito e na actualidade sujeita a juros.

As pessoas compravam o milho na tia Conceição para pagar quando recebessem pelos seus afazeres, ou recebiam o ordenado, caso fossem empregadas. Mas quem vendia para o entreposto recebia na hora. Quem vendia eram os lavradores que o colhiam, e vendiam na quantidade do dinheiro que precisavam para outros produtos.

Para satisfazer as compras, como não tinha capital algum, a Conceição valia-se da Loja Nova. Era o estabelecimento mais conceituado na época com agência bancária. A D. Ludovina, esposa do António Joaquim Esteves, o dono, dito António da Loja Nova, amiga de longa data da Conceição, era quem intermediava o negócio, dinheiro que a Conceição devolvia à medida que recebia dos seus compradores. E também neste caso, eu acho que não havia juros.

Durante longa data, a forma de negociar em Melgaço era aquele, na base da confiança.

Nos anos trinta, garoto ainda, observei essa prática. As famílias eram freguesas exclusivas de determinada loja que lhes vendia tudo pela caderneta. – Sr. Hilário, a minha mãe pediu um quartilho de azeite. Ou, um quarto de quilo de arroz e toda a espécie de mercearia. E a cada compra que o freguês fazia ou mandava alguém de casa fazer, acompanhava-se da caderneta onde o comerciante anotava a compra com o valor. Talvez fizesse anotações idênticas em caderno da loja, ou nem isso, pois, alguns pequenos comerciantes faliram, por não saberem, ao fim de muito tempo, quem lhes devia. Dificilmente o comerciante ia bater à porta do devedor, mesmo quando este demorava a pagar. Lamentavelmente à medida que as gerações se iam instruindo, ia diminuindo a honestidade.

Um pequeno comerciante, no final dos anos trinta, dos poucos que ainda vendiam a crédito, certo dia fez uma relação de quem muito lhe devia. Fez bilhetes dirigidos aos devedores e pediu ao filho que os fosse entregar a cada um. Quando o garoto saiu, fechou a porta do estabelecimento e envenenou-se. O Sabino morreu dias depois em agonia. Foi o primeiro e acho que único suicídio que tomei conhecimento na Vila de Melgaço.

Quando lá atrás evoquei o comerciante Sr. Hilário, podia dizer: António Fernandes, Antenor, Zé Pereira, Zé Pequeno, Aurélio, Sabino, Carneira e Loja Nova, principais mercearias de então.

Mas voltando à minha avó Conceição do Félix, que era uma mulher vigorosa, habituada a trabalhar duro desde criança, achava que todas as mulheres da família, sob sua responsabilidade, deviam ser bastante activas, admoestando-as por tudo e por nada. Todos os dias, logo ao romper da aurora, ao abrir a porta, voltando da rua, gritava: - “Vagabundas, calaceiras, catrefa de mandrionas ainda na cama a estas horas. Já fui à Loja Nova arrumar o milho e vós a dormir”. Este rol de desaforos era mais destinado às noras que propriamente às filhas.

Os homens da casa, quando casavam, enquanto não arrumavam suas vidas e arranjavam casa própria, ficavam agregados à casa da mãe. A Aninha, esposa do Emiliano, filha única, criada com muitas regalias, que lhe permitia o ordenado do pai, guarda-fiscal, arreliava-se com os sermões da Conceição. Desconfiada, matreiramente, um dia levantou-se ainda era noite e ficou escondida para verificar o procedimento da matriarca. Então: deu o flagrante. A sogra, sorrateiramente, abria a porta da rua e saía, na mesma hora abria a porta com estardalhaço e aquela ladainha de admoestação, como voltando já de trabalhar. Dando de cara com a Aninha e percebendo que lhe descobrira a marosca, ficou sem graça e perdeu toda a autoridade com aquela nora.

Nas conversas de recordações na casa do Emiliano contou que para alimentar o rol de dependentes era obrigada a usar de subterfúgios. Não raro, mesmo negociando com milho, o pão em casa acabava antes do que era esperado. Então, quando faltava pão para alguma refeição, combinava com a filha que mais a ajudava e reclamava: - “Ó Amália, raio de rapariga, esqueceste-te de pôr o pão na mesa”. Lá da cozinha a filha respondia: - “Já vai, tenho de fazer tudo, estou ocupada”! E nada de levar o pão que ninguém reclamava. E confessou: se dissesse que não havia pão, todos iriam reclamar!

 

Rio, Outubro de 2012

                 Manuel Igrejas

Publicado em A Voz de Melgaço, 11/10/2013

 

MENDÉZ FERRÍN, UM POETA ARRAIANO

melgaçodomonteàribeira, 23.04.16

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A ESPIRAL PERMANENTE: APROXIMACIÓN LITERARIA

Á FIGURA DE X. L. MÉNDEZ FERRÍN

 

(…)

 

E en 1991 aparece, com pinturas de Francisco Leiro, a obra Erótica (Ourense: Eloy Lozano:1991), un cunxunto de oito composicións que abordan o tancorrer estacional do mundo de Eros, ao xeito de lúdica arte amatoria en estampas fragmentarias de unións e diálogos de amantes. Esta última obra presenta unha linguaxe rupturista e de collage en estreita comuñón temática com moitos dos motivos destes momentos, que encontramos tamén en boa parte dos poemas da serie “Buscalque”, “Despedida de Castro Laboreiro”, “En las orillas del Sar”, “Quais des Brumes” e “Sorga” publicada no Boletín Galego de Literatura (Mendéz Ferrín 1992: 150-154).

 

Retirado de: 

poesiagalega.org

 

 

DESPEDIDA AO CRASTO LABOREIRO

 

Eu, que nunca eu dixera, escado os cotos

do Crasto Laboreiro, moumo urces

e digovos que nada me conmove.

Sinto que a espada esta vencida e corva.

Morte que me morceas, non me asustas.

Os corgos seguirán onde adoitaban.

Outros homes virán onde eu vivira.

No Crasto Laboreiro há haber codesos,

carqueixas e herbas más descontra Gorgua

en canto o mundo siga a se-lo mundo.

O meu dó será lene bris de Outono,

e este adeus ás matérias e enerxías

en ningures será nunca lembrado.

 

Publicado por Bocanegra em 

longedecastrolaboreiro.blogspot.pt

 

UM MELGACENSE DE MÉRITO

melgaçodomonteàribeira, 02.12.15

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ADRIANO MARQUES DE MAGALLANES

 

Nació el 10 del julio de 1925 en San Gregorio – Melgaço (Portugal). Estudió ciencias políticas y es licenciado en Derecho, Graduado Social y Diplomado por la escuela central de idiomas. Desde el año 1965 es cônsul general de la República del Ecuador y fue once años decano del cuerpo consular de Vigo. En el ámbito de la política presidió el Partido Demócrata Popular de Galicia (1982 – 1987). Año 1983 – 1987 fue Vicepresidente de la Diputación Provincial de Pontevedra siendo presidente Mariano Rajoy Brey. Fue Concejal en el Ayuntamiento de Vigo. Diputado Provincial, Diputado Nacional y Senador del Reino. En el ámbito de la Cultura es Académico Correspondiente da la Real Academia de Bellas Artes de Granada, Miembro de la Sociedad de Geografía de Lisboa y del Instituto Brasileiro de Cultura Hispánica. Preside la empresa Pantenón fundada en el año 1958 y que hoy alcanza proyección internacional. Su hijo Alejandro empresario y abogado, supo darle la dimensión actual. Está en posesión de la primera medalla de Oro de la Facultad de Bellas Artes de Pontevedra en justo reconocimiento a su incansable esfuerzo para la criación de la misma siendo entonces presidente de la comisión de Cultura da la Diputación Provincial. Fue Consejero de Radio-Televisión de Galicia, y Benemerito Bomberos Voluntarios de Melgaço Portugal. El 1 de octubre de 1988 el Ayuntamiento de Padrenda (Orense) le concede el título de hijo adoptivo del município y posteriormente en 1996, acordó dar su nombre a una calle y el descubrimiento de un busto. Año 1995 Bayona la Real le concede el título de hijo adoptivo.1994 Vigo le concede el título de Vigués Distinguido, en su terra San Gregorio, Melgaço Portugal le dedican su nombre a la plaza principal del pueblo. Está en posesión de la Cruz al Mérito Naval com Distintivo Blanco, la Encomienda de Número da la Orden de Isabel la Católica, Comendador de la Orden Infante Don Enrique Portugal, Comendador de la Real Orden de Nuestra Señora de Vilaviçosa concedida por el Príncipe Don Duarte, Comendador, Gran Oficial y Gran Cruz de la Orden al Mérito Nacional Ecuador.

 

Retirado de:

www.verbumeditorial,com/es/autores/List/listing/adriano-marques-de-magallanes-425/1

 

O SOÑO DE DYLAN BOULAS

melgaçodomonteàribeira, 08.07.15

Em Castro Laboreiro

 

POLA SERRA DO LABOREIRO


20:00 Ducha e paz no Miradouro do Castelo. Ceamos sopa de legumes, cabrito asado e viño verde. Tentamos disimular, pero sentímonos vixiados por un tipo con pinta de guerrilleiro checheno, que se fai pasár por mecánico. Vencémolo a grolos, a 210 por hora en curva. E Dylan Boulas sonã con:
Xan o Longo e o Principiño se Sisán, que fuman ópio subidos a un megalito de xeo. Hai un concerto no alto do Castelo. Aparece Shane McGowan desdentado e abaneando. Hai un mapa, unha illa rodeada de alcohol e un tesouro. Pero o mapa está nas mans do Padre Aníbal, que é atacado polos lobos da sotana dourada, que sempre aparecen cando hai bos concertos no Viking’o. Coas unllas negras de Xan o Longo, os animais recúan, pero o balbordo da batalla non me deixa pegar ollo. O Padre Aníbal recoméndanos deixar a misión e pasar do destino e das vacas.
Eu subsonõ, dentro da desfeita, que son un Ranger Arraiano com poderes, e que nada me detén, nin Franco nin Salazar. O yhea, son o Gran Xefe dos Marcos da Fronteira.

A idea de facer terapia arraiana pola Serra do Laboreiro foi espantosa, para ben e para mal (coma en portugués). Espantosamente boa ou mala.
“Que ninguén me desperte, quero soñar para sempre”, beroulle Dylan Boulas aos do Grupo Municipal de Intervéncion Rápida cando nos quixeron desaloxar da casa de Mago Ferrín, onde estivemos durmindo tres días e tres noites, amarrados a unha faria mal pagada do nosso bardo arraiano. Dende a torre de Vilanova dos Infantes, o Padre Aníbal botounos unha prisciliánica beizón e desapareceu para sempre cos seus papeis. Voltaremos.

 

O Ranger Arraiano

 

Retirado de: Arraianos 4 Outono 2005

 

http://www.arraianos.com/arraianosIV_web.pdf