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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MÃES DO MINHO

22.09.18, melgaçodomonteàribeira
  “Mães do Minho”, de rosto sulcado pela ausência de afago, ficaram nas aldeias, no vazio das casas, abraçadas pelo xaile negro da despedida, carregando o árduo amanho da vida. Eles, os maridos e os filhos, partiram. Levaram como bagagem, a certeza da incerteza de tudo. “Mães do Minho”, um pelouro de referência humana, testemunho de uma época, de gerações, reflectidas na memória do tempo, que o próprio tempo jamais apagará. Um tempo cinzento, denso, sombrio. Pedaço (...)

O CRUZEIRO DE MELGAÇO

14.07.18, melgaçodomonteàribeira
cruzeiro de são julião   CRUZEIROS     No pequeno alfoz da sua freguesia quatro cruzeiros houve outrora Melgaço e embora alguns tenham sido mudados de local, ainda hoje todos se conservam erectos à veneração dos fiéis. Um, e é o principal por mais lindo, mais trabalhado e mais artístico, tem a forma do Piedade, pois numa das faces da cruz está esculpida a imagem de Cristo crucificado e na outra a de Nossa Senhora com o filho morto deitado no regaço. Representa o descimento (...)

CAPELA DA NOSSA SENHORA DA ORADA

30.06.18, melgaçodomonteàribeira
  A IGREJA DE NOSSA SENHORA DA ORADA   (NOTÍCIA HISTÓRICA)   Nos derradeiros anos do século XI, quando percorria em longas jornadas de instrução e de posse as terras do seu condado de Portugal, D. Henrique de Borgonha, o mais antigo obreiro da nossa nacionalidade, encontrou êrma e quási totalmente arrasada a povoação que depois devia renascer com o nome de Melgaço. Expulsos os moiros – que o ímpeto irresistível dos sucessores de Plágio continuamente rechaçava para o sul (...)

DENÚNCIA CALUNIOSA

19.05.18, melgaçodomonteàribeira
  PREFÁCIO   É lugar comum afirmar-se ter o homem dois patrimónios: moral e material. Para quem seja, verdadeiramente, pessoa - e ser-se pessoa, no elevado e nobre sentido e significado do termo, é ter nítida consciência dos autenticos valores - ,a honra está infinitamente acima do património físico. Eis uma verdade, infelizmente, que muita gente não compreende. Quem mente para conseguir vantagens materiais de qualquer espécie: dinheiro ou libertar-se de concorrente, ou cevar (...)

OS NOVOS LUSÍADAS

21.04.18, melgaçodomonteàribeira
  Certo dia, como se fora um qualquer lunático, passou-me pela cabeça continuar «Os Lusíadas», obra escrita por Luís Vaz de Camões no século XVI. Se ele, em circunstâncias assaz difíceis, sem a preciosa ajuda dos computadores e seus programas, sem livros de história ali à mão, sem dicionários, sem enciclopédias, sem nenhuma biblioteca de apoio. Conseguiu levar a cabo aquela imensa epopeia, aquele monumento literário, aquele alforge de saber e imaginação, também eu, ser (...)

UMA VISITA ÀS RUINAS DO REAL MOSTEIRO DE FIÃES

24.03.18, melgaçodomonteàribeira
    PROEMIO   Um dia, folheando ao acaso o trabalhoso diccionario de Pinha Leal, intitulado Portugal Antigo e Moderno, n’elle deparei e li, este emocinante trecho: »Leitor, se tens um coração portuguez, se a luz divina se não apagou totalmente em tua alma; se respeitas a memoria de teus passados – dos que te deram uma patria, um lar, uma família; e se algum dia viajares pelo Alto Minho, não deixes de visitar as tristes ruinas do Convento de Fiães; e alli, qual outro Mario, (...)

NOTÍCIAS DO REENCONTRO

23.12.17, melgaçodomonteàribeira
DIÁSPORA   Trazem a poeira longínqua das estradas e a pressa de erguer a casa.   Trazem o suor das usines e a solidão alta dos guindastes.   Trazem a memória de subir a corda e cortam o pão com a mesma força de quem vingasse um passado recente.   Eles são a esperança, o peso da consciência, a sombra de si próprios.   Em seu nome erguem-se as estátuas honram-se os santos e talvez um dia se proclamem os feriados.   Partem sempre depois de cada agosto com o pintor das uvas.  

VIL PERSEGUIÇÃO A UM ADVOGADO POR UM DELEGADO DO M. PÚBLICO

28.10.17, melgaçodomonteàribeira
  DURAS REALIDADES   Devido a vil e selvática perseguição que me moveu um incrível Delegado do Ministério Público foram terríveis em sofrimentos os três últimos anos, para mim e para os Meus. Durante a desatinada perseguição fui vexado, depois preso, cometendo-se sórdidos e imperdoáveis abusos. Minha Mulher, meu Filho, meu Irmão e meus Cunhados, com grande coragem e amizade, viveram intensamente os meus desgostos. Minha saudosa Mãe, idosa, depois que soube da prisão, (...)

UM DE CAÇADEIRA E OUTRO DE CACETE

21.10.17, melgaçodomonteàribeira
  CORREIO DE MELGAÇO Nº 149, DE 16/5/1915   Um meliante qualquer, de Paderne, do qual não se sabe o nome, que trabalha há tempos em Espanha, roubou, a 14/5/1915, a Manuel José Fernandes, proprietário de Alvaredo, um redeiro, que aquele cidadão tinha a secar perto do rio Minho. Preso, com o objecto roubado, foi conduzido a esta Vila por dois cabos de polícia, daquela freguesia, um armado com espingarda caçadeira e o outro munido de um bom cacete. O atrevido gatuno, porém, ao (...)

O MOSTEIRO DE S. SALVADOR DE PADERNE

30.09.17, melgaçodomonteàribeira
      Quando, há um ano, se procedia à inventariação e catalogação dum acervo precioso de documentos avulsos dos séculos XVII e XVIII existentes na Secção de Manuscritos do Arquivo Distrital de Braga, descobrimos, num maço de prazos de casas sitas em Ponte de Lima, uma «Carta de Sentença» de 1627 e relativa à demanda que opôs, como autor, o Mosteiro de S. Salvador de Paderne ao réu Gregório de Mogueimas Fajardo, senhor da Quinta de Pontiselas e descendente do (...)