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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

CASTRO LABOREIRO HOJE I

melgaçodomonteàribeira, 07.11.15

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 Portelinha - Castro Laboreiro

 

 

 

A FRONTEIRA DA SOLIDÃO

 

Em Castro Laboreiro, o sossego dos dias é marcado pelo isolamento de quem vive cercado de granito. Já não há crianças nem escolas. O médico vem de Espanha, uma vez por semana, e atende na farmácia, porque já não há centro de saúde. E os telemóveis mal funcionam. Aqui, tudo é longe de mais.

 

09-06-2014 por André Rodrigues

 

Quem sobe a Serra da Peneda para Castro Laboreiro enfrenta um longo serpenteado de asfalto até lá chegar. A mais de mil metros de altitude, encontramos a vila das 40 aldeias.

Desde as últimas autárquicas – que ditaram a fusão com os vizinhos de Lamas de Mouro -, Castro Laboreiro passou a ser a maior freguesia do país. Mas já era há muito tempo uma das mais desertificadas. Aqui, estamos na última fronteira, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, com a Galiza mesmo ao lado. Os de cá afirmam com orgulho que este é o seu ‘cantinho do céu’. Mas neste cantinho vive gente isolada e envelhecida.

“Eu toda a vida vivi cá”, atira Isalina, uma mulher de 71 anos que, tal como a maioria das idosas de Castro Laboreiro, enverga o luto pela morte do marido, antigo emigrante em França, um dos muitos que abandonou a terra quando, após a II Guerra Mundial, as minas de volfrâmio deixaram de ser o sustento das famílias, nos tempos do contrabando. Um passado próspero cheio de memórias trazidas para um presente feito da vida árdua do campo. “Aqui vivemos todos dos animais e da lavoura”, diz.

E já era assim na juventude. Nos melhores anos da sua vida, e não obstante todas as dificuldades, Isalina lembra que “éramos cerca de 20 raparigas, fazíamos bailes” no meio do monte. Uma alegria tão distante no tempo que se traduz num desabafo: “Hoje é uma tristeza, já não há nada disso”. Os poucos jovens que vivem em Castro “só querem discotecas” e a vida da terra “já não é nada com eles”, lamenta.

O queixume, no entanto, não rouba o sorriso a esta mulher de expressão simpática, baixa estatura e pronúncia mesclada de português e galego. Isalina será, talvez, das poucas viúvas de Castro Laboreiro que não está só. A filha, Leonor, acumula um ‘part-time’ num dos restaurantes da aldeia com as sementeiras e os animais. “É uma vida dura”, diz. “Lá na cidade, andam todos mais limpos e próprios. Aqui, não sabemos o que são férias.

A terra dá trabalho o ano inteiro. E também dá o sustento que, em tempos difíceis, garante a sobrevivência básica imediata. Na honestidade de viver do trabalho e para o trabalho, Leonor não tem dúvidas: “Aqui só passa fome quem é calaceiro”. Talvez por isso, a crise que, nos últimos anos, se tornou a constante no dia-a-dia seja, neste lugar, uma questão algo relativa, menos marcante, em comparação com o impacto que o fenómeno tem nas grandes cidades, onde quase todas as famílias dependem do comércio para abastecerem a despensa. “Aqui não vamos à loja nem para comprar legumes, nem galinhas, nem coelhos. Era o que mais faltava!”, diz Isalina. Aqui tudo o que se come “é da nossa terra”. Não há fome que bata à porta. E os cortes na reforma? Isalina não tem grande razão de queixa. Recebe uma boa pensão de França, por causa do marido. Mas tem pena de “todos aqueles que levaram uma vida a trabalhar e agora não vão receber tudo a que tinham direito. É muito injusto”, argumenta.

 

Entre brandas e inverneiras

Isalina e Leonor. Mãe e filha, uma vida em comum. Até na transumância, a tradição ancestral das terras de pastoreio que consiste na migração de casa consoante a altura do ano. Em Castro Laboreiro, quase todas as famílias têm, pelo menos, duas habitações que as defendem dos rigores do clima extremo. Nove meses nas inverneiras, na parte baixa e mais abrigada da aldeia, três meses nas brandas na zona alta. Entre ambas, a oscilação da temperatura pode chegar aos seis graus. No Inverno é frio demais. No Verão, não raras vezes, os termómetros ultrapassam os 40 graus e o ar torna-se irrespirável.

Para Isalina e Leonor, a distância entre as duas casas é de pouco mais de um quilómetro. Transtorno? “Para mim, não é transtorno nenhum”, responde Isalina. “Enquanto eu viver, vou sempre fazer isto”. Leonor também: “Fazemos isto sem qualquer problema e estamos tranquilas em relação a isso. Os das cidades vivem na mesma casa todo ano. Nós não. Já nos habituamos a isto”.

Para estas duas mulheres, o sossego do lugar onde moram é tudo. Mas há muita coisa que faz falta por estas bandas.

 

O reverso da medalha

É na falta dos serviços essenciais que a crise se torna mais evidente em Castro Laboreiro. Em pouco mais de uma década, esta vila nos limites do concelho de Melgaço perdeu as escolas e o centro de saúde. Para remediar a situação, pelo menos uma vez por semana, um médico espanhol do centro de saúde de Entrimo, do outro lado da fronteira, vai à farmácia atender voluntariamente e gratuitamente quem precisa de uma consulta. Elsa é a funcionária da farmácia. Avia receitas e é, também, uma espécie de secretária do doutor Júlio.

“Uma vez por semana é muito pouco para uma terra com tantos idosos”, diz Elsa. “Aqui, não há dia em que não haja uma situação em que o médico é necessário”. E lá vem o doutor Júlio, qual 112 pronto a ajudar. É mais rápido, até, que o INEM” que vem de Melgaço, a 26 quilómetros, e a não menos de meia hora daqui”.

Num caso de vida ou morte, “a pessoa morre”, admite a funcionária da farmácia, que é um caso raro de juventude em Castro Laboreiro. De acordo com os cadernos eleitorais das últimas eleições europeias, “haverá pouco mais de 300 pessoas a viver em Castro Laboreiro”, apesar dos mais de 800 inscritos. Dessas, “só dez, no máximo, são jovens”, reconhece.

 

(continua)

 

 

SOBRE O MOSTEIRO DE FIÃES I

melgaçodomonteàribeira, 21.10.15

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Mosteiro de Fiães, desenho de José Pereira em O Minho Pitoresco, 1886

 

 

SANTA MARIA DE FIÃES

 

Igreja do mosteiro com o mesmo nome, classificada como Monumento Nacional desde 1913, como em muitos outros casos as brumas do tempo escondem o seu nascimento. A ausência de dados faz com que se aplique um modelo explicativo para as suas raízes: em finais do séc. IX terá sido fundado um ermitério ou um cenóbio de tradição visigótica de S. Frutuoso e com ligações a Dume, sendo que o primeiro documento conhecido data de 1154, havendo um outro de 1157 onde se menciona a regra de S. Bento. A primeira referência explícita a Cister consta de um documento de 1194 onde consta a filiação de Fiães em Tarouca.

É ainda no séc. XII que se constitui o seu património através de doações, legados, compras e escambos onde sobressai em 1157 a constituição do Couto por meio da doação de Afonso Pais (embora falte um documento que confirme as isenções) e o apoio de Afonso Henriques que lhe outorga em 1177 o que possui de bens em reguengos de Melgaço ao termo de Chaviães e de Cátaro ao Rio Minho, erguendo os monges uma granja em terras de Orada e aí erigindo uma capela considerada uma das jóias do românico português. Sancho I revoga a doação da herdade da Senhora de Orada em benefício dos povoadores de Melgaço mas compensa o mosteiro com terras na freguesia de Messegães (Monção).

O primeiro século de existência será o seu período áureo e, como expressão de sua vitalidade, funda Ermelo na sua dependência que constituirá caso único em Portugal; embora não se saiba quantos monges terá podido sustentar, a documentação existente só demonstra a decadência posterior causada quer por mudanças de mentalidades quer pelo desmantelar da organização e apropriação dos rendimentos pelos abades comendatários. Estes aparecem para evitar que as igrejas sofressem os inconvenientes de uma vacatura prolongada, assim, até à nomeação de um novo superior era nomeado um pastor temporário, mas o sistema evolui para uma situação de benefício permanente.

A crise económica, social e também espiritual do séc. XIV com o seu rol de guerras, fome e doenças afectará também os mosteiros influindo na crise de vocações, desorganização e perda de rendimentos. Ainda assim, após as guerras fernandinas e a conquista de Melgaço por D. João I (tendo D. Filipa ficado instalada no mosteiro enquanto decorriam as movimentações militares), em 1392 aquele ainda lhes concederá o “dízimo do pescado miúdo no Rio Minho do termo de Melgaço contra Galiza com excepção das lampreias, sável e eiróses”.

O grande flagelo será, no entanto, a substituição do abade vitalício e eleito na comunidade pelos abades comendatários, absentistas que não conhecem os monges, não estavam a par das regras e usos, não mantinham a disciplina e não faziam cumprir devidamente o ofício divino, promovendo o relaxamento dos costumes. A eles só interessa os rendimentos do mosteiro, bens e rendas eram dissipados e consumidos, as casas não tinham monges suficientes e não eram providas do sustento para as manter, é natural o desleixo na manutenção e conservação dos edifícios. A casa real protege Alcobaça, mas o resto será dissipado.

Em 1532, fruto da intervenção de D. João III, é nomeado comendatário D. João de Cós, antigo prior de Alcobaça, homem enérgico e que vai residir para Fiães na tentativa de recuperar património fundiário, reorganizar a comunidade e realizar obras urgentes.

Quando o abade de Claraval chega a Fiães em Janeiro de 1533, verifica com agrado as obras de restauro começadas por D. João de Cós, nos tectos da sala capitular, na igreja do claustro e nos aposentos do Abade; tudo o resto eram grandiosas ruínas e uma pobreza gritante quanto aos paramentos e alfaias litúrgicas, meia dúzia de manuscritos, alguns muito belos mas antigos e obsoletos face ao avanço da imprensa e apenas o abade, 4 religiosos e 2 conversos. Condições de vida que, no entanto, não diferem substancialmente das da população em geral.

A degradação moral, sinais dos tempos de mudança e de reinvenção da espiritualidade no ocidente; a falta de piedade e o relaxamento dos costumes constituem uma nota pouco edificante em muitos conventos. Em Fiães, o caso da filha do anterior comendatário que na granja de Orada exercia a prostituição conjuntamente com 2 outras jovens, motivou a intervenção enérgica do visitador junto do Juiz de Melgaço, conseguindo expulsar as mulheres que exerciam a prostituição, inclusivamente, na abadia.

Em 1567, com a reforma da Igreja Católica, efectuada pelo Concílio de Trento acaba a sangria. Alcobaça fica como responsável pela Ordem em Portugal, institui-se a figura do Abade trienal e passa a ser exercida uma vigilância a cargo dos capítulos gerais de Alcobaça. Aos poucos foi recuperada a vivência monástica e abre-se uma época de reconstrução e recuperação dos edifícios de que Fiães acabará por beneficiar.

O Marquês de Pombal, na sua política de criação de um Estado centralizado, actua no sentido de submeter a Igreja à autoridade civil; é no âmbito desta problemática que entra o combate aos cistercienses; nomeia um geral da Ordem influenciável e que rodeia de homens da sua inteira confiança os quais promovem a reforma dos estudos monásticos e as pastorais de 1774 que, preparando os monges para futuras extinções possibilita o afastamento dos abades trienais com a desculpa de purificação do ambiente. Assim são extintos Mocambo, Tarouca, Lafões, Seiça, Maceira-Dão e Fiães entre outros, anexando as rendas a outras entidades: as de Fiães foram entregues ao Colégio da Conceição em Coimbra.

Esta primeira extinção foi fatal para muitos mosteiros entre os quais se encontrava Fiães. Apesar da restauração de 1777 levada a cabo por Maria I, a qual corrige a acção contra Alcobaça, a época já não era propícia à recuperação das instituições monásticas: cerceamento à liberdade de ingresso nas ordens religiosas e tomadas de ordens, efeitos da revolução francesa, da expansão do liberalismo e hostilidades durante a revolução liberal causadas pela posição miguelista que foi adoptada pelas instituições religiosas abrem campo ao decreto de extinção das ordens religiosas em 1834, inventariando-se os bens das ordens e integrando-os na Fazenda Real.

 

(continua)

 

GUERRILHA EM MELGAÇO NO SÉCULO XIX - II

melgaçodomonteàribeira, 26.09.15

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azenha

 

(continuação)

 

Dias antes perseguido outra vez pela tropa, fôra ele encontrado no caminho de São Bento do Cando, em 11 de Julho. Apanhada a guerrilha de surpresa, pode ela, contudo, escapar-se das garras da força pública, mas deixou ficar no sítio vários objectos e um cavalo, que a tropa apreendeu.

Este insucesso foi também imputado ao cirurgião e, para salvar a vida, remiu-o pagando uma segunda indemnização: 99$800 reis.

Mas como a tal luta de morte não acabara ainda, nos primeiros dias de fevereiro do ano seguinte o Comandante da 4ª Divisão Militar, com o conhecimento e aplausos do Governo de Sua Magestade a Rainha, anunciou às autoridades locais que, brevemente, uma força militar sob o comando do Major de Caçadores 4, José de Figueiredo Frazão «vai occupar esse Concelho, o de Monsão e Valladares, com o importante fim de conseguirem o extermínio ou dispersão da Quadrilha de salteadores que tantos males tem causado aos seus infelizes habitantes, e de que é chefe o malvado Cangostas.»

Poucos dias volvidos sobre este aviso, Paderne foi ocupada por trinta baionetas da Ordem, de propósito mandadas por autoridades superiores para efectuarem o extermínio da fera humana.

Por este mesmo tempo, no monte de Montrigo, na própria freguesia de São Paio, casualmente vieram à fala Tomaz Codeço e Manuel de Caldas e dessa conversa saiu o empréstimo de cinco libras de ouro, feito por aquele para este governar a sua vida.

Em março de 1838 «com muita violência e ameaças de vida» foram-lhe ainda exigidos mais sessenta alqueires de milho.

Não contente com este canastro, segundo parece sempre aberto para fornecer de brôa os guerrilheiros, em 26 de agosto recebeu o Tomaz das Quingostas cento e cinco mil reis por um cavalo, que lhe levara o Izidoro, alferes de voluntários e, em 17 de Outubro, uma clavina, entregue pelo Caldas na sua própria casa ao buscador Caetano Manuel Meleiro, da Granja.

Como sempre o Caldas de Real foi o bode expiatório; por aquele cavalo apreendido pelo alferes de voluntários tinha-lhe sido pedida avultada indemnização de 207$800 reis e para tanto lhe não pagar «se valeu de alguns amigos que o compuzeram pella quantia de sento e sinco mil rs e huma clavina de vallor de sinco mil rs.»

Roubado, perseguido, procurado de dia e de noite, o cirurgião Caldas resolveu sair de São Paio e refugiou-se na vila, porque o Tomaz era «Homem destemido, ladrão e matador, que roubaba de dia e de noite e quando se lhe não desse ou fezesse o que elle queria logo entimava a penna de vida e assim o executava» e «depois de indultado se fez mais temível cometendo mortes e vários roubos como foi na romaria da Sr.ª da Peneda em 7 de setembro de 1838, Riba de Mouro, andando em todo o monte temível, muito armado e com a cometiva da sua quadrilha que a todos ameação e todos temiam pellas suas dezordens.»

Mas se tudo isto se articulou no tribunal, nos mesmos autos se escreveu, que entre Tomaz Codeço e o Cirurgião tinha havido toda a familiaridade e bom entendimento e, por vezes, dos dinheiros do Tomaz se valeu o Caldas nas suas aflições e ainda hoje se pode ler num papel esta passagem:

 

«P, que o A, antes de fallecer o filho da Re Tomaz Joaquim Codeço foi por elle demandado e afinal fizerão por intervenção de Pessoas na prezença das quaes já mais o A, podia recear máos tratamentos e ahte nesse tempo o filho da Re andava andava com a guia que lhe passou o Conde das Antas e tanto respeitava a Ley que para haver o que o A, Manuel José de Caldas lhe devia, o chamou à Justiça e o fez citar para as acçõens competentes.»

 

E antes do Tomaz das Quingostas chamar ao juízo conciliatório o cirurgião Caldas, diligências se fizeram para tirar a corda da garganta deste devedor, como ressalta desta carta:

 

   «Quingostas 19 de Abril de 1838

                Il.mo Sñr. Juis

 

Dezejo a sua saude geralmente a tudo o quanto lhe pertence a ?? he ofreço no seu serbiço &

                Il.mo Sñr

 

No dia de onte findou o nosso contrato com o serujião i por isso Rogo a V S.ª o favor de me não pedir mais por semelhante patife; por isso antes quero que V S.ª fique com elle de o tal maroto; para quem entende bai isto. Fico pronto para tudo o quanto lhe prestar

   Sou seu v

                           Thomaz Joaquim Codeço

  1. S. os trinta mil reis que recebi ficão a comta da obrigação que tenho delle.»

 

E esta carta entende-se, ligando-a com a tentativa de conciliação feita na Casa e Quinta da Cerdeira em 9 de Junho de 1838 perante o cidadão Joaquim Thomaz Correia Feijó, juiz da paz e órfãos no círculo das freguesias de São Paio, Vila e anexas, diligência a que não compareceu Manuel José de Caldas.

A morte levou Tomaz das Quingostas sem lhe dar tempo para fechar as contas com os fornecedores da sua casa, nem com os credores e como seu pai, José Codeço, já tinha falecido, herdou-lhe os bens a mãe, a quem todos eles foram pedir a liquidação dos débitos.

Aceite a herança a título de inventário, foi no tribunal que se ajustaram as contas, tendo os jurados reduzido ao justo valor várias das verbas pedidas.

Pequena quantia foi reclamada pelo crédor Dom Pedro Vasques de Puga, da Casa e Quinta da Moreira, na Galiza e apenas 63$940 reis foi a soma exigida por António Luís Pereira, negociante, do lugar dos Moinhos, da freguesia de Paderne, proveniente de vários fornecimentos feitos ao Tomaz das Quingostas, tais como maços de cigarros, caixas de fósforos, queijo, bacalhau, 15 kilos de açúcar, verbas de dinheiro emprestado, como 1$440 e 2$400 reis, um tinteiro e areeiro de louça, um par de luvas de troçal de sêda preta e outro de seda azul, chumbo de caça, uma importância de fogo paga ao fogueteiro de Santa Cristina, 14$000 reis, a maior verba lida nesta conta.

 

(continua)

 

 

GUERRILHA EM MELGAÇO NO SÉCULO XIX - I

melgaçodomonteàribeira, 23.09.15

51 c2 - cast lab.jpgterras castrejas

 

      PORQUE A LENDA DO TOMAZ DAS QUINGOSTAS ESTÁ FEITA…

 

 

«P. que no anno de mil e oitocentos e vinte e seis o A. Francisco José Pereira, e sua molher, ainda viva, Ana Maria d’Araujo, temendo-se das Guerrilhas que naquella Época ameaçavam esta Villa, aonde chegarão a entrar por vezes, derão a guardar ao Reverendo Manoel José Esteves, do logar da Sella, do concelho de Valadares, toda a mobília e trastes preciosos, que possuião.

  1. que tendo o ditto Padre Manoel José Esteves, os dittos trastes e mobília do A. em sua caza Thomaz Joaquim Codeço, filho da R. assuciado com huns facinorosos ladrons e destemidos, de propósito e cazo pençado se forão na noute de 17 para 18 do mez de Fevereiro do anno de 1827 a caza do ditto Padre Manoel José Esteves, e sem que este podesse resistir a tanta força Armada lhe roubou o ditto Thomaz toda a mobília e trastes constantes da Relação junta, que requerem se leia as Testemunhas; e para que o mesmo Thomaz não acabasse de roubar o mais que ali existia pertencente aos AA. teve o mencionado Padre de dar ao mesmo Thomaz em moeda corrente a quantia de 34$080 reis que o A. dezembolçou para endemenizar o Padre.
  2. que além disso em 12 de Maio de 1828 veio o dicto Thomaz a casa do A. e o constrangeo a que lhe deçe da sua Loja as fazendas e dinheiro constante da mesma Relação; tornando-lhe a pedir em 25 de Fevereiro de 1836 cinco côvados de Baeta que o A. teve de Comprar, e lha remeteo pelo mesmo portador que a veio pedir e buscar; emportando tudo na quantia de 280$100 reis preço em que os AA. o estimão, ou por aquillo que se liquidarem respeito a mobília e trastes».

 

Não apurei a causalidade, mas o Tomaz das Quingostas foi preso para as cadeias da Relação do Porto e essa prisão só podia ter sido efectuada depois de 1828.

Saído «das cadeias do Porto em 1832 pela entrada do Senhor D. Pedro naquela cidade» e, na verdade todos os historiadores daquele período da luta fratricida confirmam terem as forças desembarcadas em Pampelido, à sua chegada ao Porto, aberto as prisões e soltado os presos, indultando-os assim, veio o Tomaz para São Paio, sem aguardar para a escápula a caricata aventura de Carlos Napier.

Sua mãe tinha no lugar de Baratas uma casinha onde fôra feito, dizia-se, o património do primo do seu filho, o P.e Manuel António Pereira Codesso, morador no lugar do Cruzeiro, mas comprada pelo seu marido era ainda solteiro.

O Tomaz, ao chegar à terra, fôra-se logo com machadas e verrumas, cravos e martelos à referida casa e, à valentona, lhe cravará as portas, ficando até, alegou o padre, dentro fechadas umas suas sobrinhas.

Com este acto de violência parece ter atemorisado muita gente e especialmente aquele clérigo, pois sempre ele se disse receoso de perder a vida às mãos do parente.

Perde-se-lhe a pista no resto daquele ano, mas não repugna a suposição de ter gasto esses meses na formação de uma guerrilha ou a reorganisar a malta de facinorosos e atrevidos ladrões, acusada como já existente nos tempos anteriores à prisão.

Perto das Baratas vivia o Cirurgião de Real, Manuel José de Caldas, casado e com filhos, a prestar os seus serviços por aquelas redondezas em troca das avenças dos fregueses, quase todas em milho, e por isso havia bom passadio no seu lar.

Ora em Janeiro de 1834 o Tomaz das Quingostas exigiu do cirurgião quarenta e sete alqueires e meio de milho e em Julho do ano seguinte mais cincoenta alqueires e tres quartos.

Pouco dias antes desta última data a Prefeitura do Minho iniciara a caça ao Homem, oficiando aos sub-inspectores de Melgaço e Monção para lhe ser feita guerra de morte, com «a suspeita que sejão um fermento de guerrilha notrindo rellaçõens com os faciosos do reino vizinho» e no princípio do último trimestre deste mesmo ano secundara a caça o Governo Civil de Viana, mas confessando, abertamente, haverem-se «tornado infructíferas todas as medidas adoptadas para este fim, pelo auxílio que os mesmos Povos dão a este chefe, fazendo-se por isso tão cúmplices como os referidos Salteadores…»

Tomaz das Quingostas nem assim transferiu o seu quartel general para outra região, mas os acontecimentos políticos desenrolados no país e, sobretudo no distrito, dele distraíram as atenções dos diversos dirigentes da nação, durante o ano de 1836.

Á vontade, portanto, o Tomaz continuou a campear em Melgaço e em 7 de Maio de 1836 fez ao cirurgião Caldas a nova exigência de setenta e dois alqueires de milho e, como tantos não havia em casa, levou-lhe o rol das avenças e foi cobrar a maior parte do cereal à casa dos próprios fregueses.

O Tomaz das Quingostas foi então perseguido pela tropa e, desconfiando do cirurgião, considerando-o único espia dos seus actos, recebeu em agosto como indemnização: um cavalo, levado das Baratas pelo seu companheiro bem conhecido pela alcunha «O Casal de Sante» e em outubro um touro, tangido desde ali pelo João Ferreiro, de Baratas.

 

(continua)

 

RIOS DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 16.09.15

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O PARQUE NACIONAL DA PENEDA – GERÊS TEM UM “NOVO” E EXCELENTE ATRACTIVO

 

Melgaço juntou-se aos vizinhos galegos para criar a primeira reserva fluvial da Europa nos Rios Trancoso e Laboreiro.

 

Abel Coentrão

03/11/2014

Jornal Público

 

Já se sabia que o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) tem um certo carisma, que lhe advém de um certo magnetismo que nos atrai para as suas paisagens de montanha. Mas Carisma é também o acrónimo, em castelhano, para Qualidade Ambiental das Reservas Naturais Fluviais Internacionais do Meio Aquático, o projecto galaico-português que transformou os rios Trancoso e o Laboreiro na primeira reserva fluvial europeia.

 

O Trancoso e o Laboreiro são dois rios pequenos, de montanha: o primeiro está no Parque do Xurés e é um afluente do Rio Minho, de 13,6 quilómetros de extensão; o segundo está no PNPG, tem 8,4 quilómetros e é um afluente do Lima, ao qual se junta na Albufeira do Lindoso. Para além de servirem, em grande parte dos seus troços, como (antiga e porosa) fronteira entre Portugal e Espanha, mantêm muita da biodiversidade que outros cursos de água, em zonas mais povoadas, já perderam. O que explica a vontade transnacional de investir cerca de dois milhões de euros, grande parte dos quais de fundos comunitários, em acções que valorizassem ainda mais essa qualidade ambiental e permitissem uma maior fruição deste património natural.

 

Em termos práticos, o projecto terminou em Setembro, mas não se ouviram “foguetes”, apenas uma pequena notícia da Lusa em Portugal e uma longa e entusiástica explicação na página do Ministério do Ambiente Espanhol, sobre o resultado de um trabalho de dois anos, levado a cabo pela Confederação Hidrográfica Minho-Sil, da Galiza, que convidou a antiga Administração Regional Hidrográfica do Norte (ARH), e os municípios de Entrimo, Padrenda e Melgaço para este projecto no qual o município português investiu 250 mil euros. Dinheiro que acrescenta outra fonte de interesse a esta zona mais setentrional do PNPG.

 

O parque já está classificado como Reserva da Biosfera da Unesco. Abriga espécies de fauna e de flora que o resto do país viu desaparecer e o Laboreiro, que atravessa a conhecida vila de Castro Laboreiro e as suas brandas, as antigas aldeias de verão dos pastores, está integrado no território desta que é a única área protegida de carácter nacional. E esta localização ajuda a perceber, segundo o chefe de divisão de Obras e Serviços Urbanos de Melgaço, Humberto Gonçalves, as reticências da gestão do PNPG a algumas componentes do projecto, como a abertura de caminhos de acesso ao rio, que acabaram por não se concretizar.

 

O plano de Ordenamento do PNPG impede a abertura de novos caminhos, permitindo apenas a limpeza e requalificação de trilhos existentes, e desde que estes não ponham em causa valores naturais protegidos. Ou seja, se a componente de intervenção na qualidade da água, pela eliminação de alguns pequenos focos de poluição, foi atingida, a componente ligada à fruição destes espaços só parcialmente foi concretizada. Teve de ser abandonada a intenção de criar acessibilidades a alguns pontos mais belos do Laboreiro, explicou o responsável pelo projecto na Câmara de Melgaço. Ainda assim, foi possível construir alguns acessos, noutros pontos, tal como aconteceu no Trancoso.

 

Apesar destes percalços, o projecto foi considerado um sucesso. Em Setembro, numa sessão de apresentação das conclusões do mesmo, na Galiza, o presidente da Confederação Hidrográfica do Minho-Sil, Francisco Marín, destacou que, através do Carisma, “pela primeira vez na Europa administrações de diferentes países puseram-se de acordo para proteger e valorizar rios partilhados”. E, acrescentou, esta iniciativa promove o desenvolvimento deste território periférico e das suas populações, outrora unidas pelas cumplicidades do contrabando.

 

Melgaço pretende agora dar continuidade a este projecto, promovendo-o, quer do ponto de vista ambiental, quer em termos turísticos. O concelho é uma das entradas para o Parque Nacional da Peneda-Gerês – através da porta de Lamas de Mouro – e compensa a distância a que está do resto do país com uma diversidade de paisagens, quase todas elas em Rede Natura 2000. Seja no vale do Minho, com as margens pontuadas pelos vinhedos de alvarinho, quer na montanha, entre as casas graníticas de Castro Laboreiro ou da branda da Aveleira, cujas casas de pastores estão a ser adaptadas ao turismo em espaço rural, está bem presente o papel do homem na definição deste território. Uma presença que, ainda assim, conseguiu não estragar dois pequenos rios internacionais.

 

O RECUPERADOR DE TEMPO

melgaçodomonteàribeira, 05.09.15

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O autor, numa escrita verosímil de sobriedade e transparência, e com breves episódios, ocorridos entre o campo e a cidade, conduz o leitor, em crescendo de curiosidade à forma como o homem, enquanto ser existencial, caminha ao alcance do “Recuperador do Tempo”.

Através do protagonista da obra, Osvaldo, que ofuscado por um passado de vivências de leviandade, vive o presente, numa luta constante, revendo o tempo perdido, em seu benefício e do meio que o circunda. Paulatinamente, em contacto com a natureza e com as pessoas que lhe são fiáveis, abandona o mundo de futilidades, outrora por ele adotado, e consegue pôr em prática, com atitudes e comportamentos fidedignos, alcançado o tão desejado “Recuperador”.

Osvaldo “não recupera os tempos de juventude, física e reverente, mas o seu espaço temporal de equilíbrio (…) alguém superior no universo lhe desobstruíra o caminho da vida terrena, tendo apenas de seguir os sinais de corpo e alma. Ladeado de pessoas que lhe queriam bem, construiu um mundo à sua medida, eximo a entraves de uma vida plena.”

Valera-lhe, deveras, o conselho do amigo nórdico: “Não vale a pena perder tempo com coisas que não chegam a ser coisa alguma.”

 

Quito Arantes, nasceu em Luanda a 9 de Julho de 1960 e reside em Portelinha, Castro Laboreiro.

 

CAVALEIRO BOM E FIEL, PORTUGUEZ E FIDALGO

melgaçodomonteàribeira, 25.08.15

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OS ANTIGOS FORAIS DE MELGAÇO, TERRA DE FRONTEIRA

 

Melgaço recebeu de Affonso I, em 1181, o foral de Ribadavia, terra da Galliza; e, segundo diz o documento, foram os proprios moradores de Melgaço que o pediram por entenderem que era bom. D. Sancho II, 1223 – 1245, converteu em mil soldos leonezes por anno as rendas que tinha na villa, e deixou a cargo do concelho apresentar ao rei um cavalleiro que lhe fizesse menagem do castello. O diploma foi confirmado por D. Affonso III em 1256.

Dois annos depois, em 1258, o soberano dá a Melgaço o foral de Monsão (typo de Salamanca), cuja data conhecida é todavia, como já observamos, de 1261; e estabelece, em especial, que haja na villa trezentos e cincoenta povoadores que pagarão annualmente á coroa, elles e todos que lhes succederem, trezentos e cincoenta morabitinos velhos, em tres prazos, por todos os direitos, foros e coimas que menciona a carta: o rico-homem, que governar o districto, pode entrar na villa, mas pagará á sua custa a despesa que fizer, e não aggravará por fórma alguma os habitantes: o alcaide do castello é posto pelo rei, e a elle prestará menagem, mas não se intrometterá na governança do concelho, salvo se os proprios moradores o convocarem.

A conversão, que se lê no documento de 1258, é em tudo igual á que registraram as actas das inquirições geraes d’esse anno, a respeito de Melgaço. Ocorre, portanto, aqui um reparo. D. Afonso III mandou fazer as inquirições entre Cavado e Minho a 26 de abril de 1258; e o foral dado a Melgaço n’esse anno, está datado de Braga a 29 de abril. Ou havemos de entender que o depoimento dos jurados (e no inquerito de Melgaço intervieram muitos) se refere a um facto antigo, e n’este caso a conversão já existia quando se passou ao concelho a carta de 1258; ou, dando desconto ao tempo que os commissarios haviam de gastar nos inqueritos, desde que tinham sido incumbidos d’estas pesquizas em 26 de abril, devemos crer que a reducção foi feita pelo foral, mas já era conhecida em Melgaço quando ahi estiveram os inquiridores. Sendo assim, este exemplo servirá de aviso para não considerarmos sempre como existentes de longa data os factos, que as actas das inquirições afirmam terem sido expostos pelos jurados, quando não constar que estes deram alguma indicação a respeito do tempo em que aconteceram.

Mas fosse ou não mais antiga a substituição dos encargos exarada no foral de 1258, o que sabemos é que elle era revogado antes de terem decorrido tres annos, em 9 de fevereiro de 1261, por se julgarem aggravados com a innovação os moradores do concelho, sendo então restituidos ao seu estado anterior. Cada vizinho, diz o diploma, recupere e tenha todo o seu herdamento que tinha antes; o que nos mostra que a reforma, augmentando o numero de foreiros, dava aos que accresciam alguma parte dos predios dos antigos povoadores. A carta de 1181 é de novo confirmada, mantendo-se porém igualmente o pacto que fizera com o gremio el-rei D. Sancho II, e que já vimos ter sido ratificado por D. Affonso III em 1256.

No documento, que vamos seguindo, as condições, ou attribuidas a esse pacto ou estabelecidas agora pelo soberano, são, além da conversão de todos os rendimentos fiscaes em mil soldos leonezes: que o concelho terá e guardará o castello á sua custa, devendo apresentar um cavalleiro bom e fiel, portuguez e fidalgo, que faça menagem do castello ao rei: o morador do couto de Melgaço, que exportar vinho embarcando-o, pagará direitos á coroa: o rico-homem não entrará na villa e seu termo, nem no castello, contra vontade do concelho, salvo se for por mandado do rei para defender a terra.

 

Revista da Faculdade de Letras

António Matos Reis

 

http://ler.letras.up.pt

 

PESQUEIRA MOSQUEIROS EM REMOÃES

melgaçodomonteàribeira, 13.08.13

 

 

PESQUEIRA MOSQUEIROS EM REMOÃES

 

 

   Esta pesqueira pertenceu ao Convento de Paderne segundo o ‘Inventário’ de 1770. Em 1903 era de Maria Teresa Mosqueiro Almeida e outros. Segundo um pescador de Melgaço, a ‘Mosqueiros’ era, no tempo do ‘Minho farto’, “uma das melhores pesqueiras. Chegou a dar 20, 25 ou 30 lampreias e 60 ou 70 sáveis” (segundo depoimento de um pescador local).

   Em 1962 foi objecto de uma reclamação de proprietários de outras pesqueiras a montante pois viam-se prejudicados com a rarefacção do peixe em resultado deste não poder ultrapassar a barreira da ‘Mosqueiro’ e da ‘Folgado’ que chegaram a estar completamente ligadas. Na decisão então proferida pelos Serviços da Hidráulica ordenava-se que “os rabos deveriam ser separados por forma a que ficasse um canal para a passagem do peixe com a largura de cerca de 1/3 da largura total do rio” (Capitania de Caminha – Procº 313 PS 54).

   Em 1967 e de acordo com relação existente no Arquivo da Capitania do Porto de Caminha, encontrava-se subdividida em quinhões de pesca por Magnífico da Conceição Calheiros e outros.

   A pesqueira tem 68m de comprimento, 2,7m de largura e 4m de altura.

 

Retirado de:

 

2008 ACER – Associação Cultural e de Estudos Regionais

 

http://acer-pr.org

 

SOBREIRO DE PADERNE E ERVA-LOIRA DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 30.03.13

 

 

O SOBREIRO DE PADERNE

 

 

   Um dos maiores sobreiros da região minhota, localizado junto ao Parque Termal do Peso, na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço.

   Este sobreiro centenário, de proporções gigantescas, com os seus 23 metros, está classificado desde 1940 e terá sido das primeiras árvores a ser classificadas após a aprovação do Decreto-Lei nº 28468, dois anos antes, em 1938.

 

Retirado de:

 

Sobreiro – Árvore Nacional de Portugal

 

http://networkedblogs.com/gNbOP

 

 

 

 

ERVA-LOIRA DE MELGAÇO

 

 

Nomes vulgares: nenhum em português; em castelhano: barra de oro, lengua de perro, orval

Ecologia: prados húmidos e margens de ribeiros, por vezes sob coberto de árvores caducifólias

Distribuição global: endemismo do noroeste peninsular (se não se reconhecer a subsp. legionensis, como fazem alguns autores, a distribuição é muito mais ampla, abrangendo Marrocos e estendendo-se da Península Ibérica à Itália e à Europa central)

Distribuição em Portugal: planalto de Castro Laboreiro

Época de floração: Junho – Julho

Data e local das fotos: 30 de Junho de 2012, aldeia do Rodeiro, Castro Laboreiro

Informações adicionais: herbácea perene que pode superar 1,6 m de altura, quase glabra, com folhas de margens inteiras e capítulos florais com poucas “pétalas”; a sua presença no extremo norte de Portugal já tinha sido assinalada nas floras de António Xavier Pereira Coutinho (1939) e de Gonçalo Sampaio (1947), mas Amaral Franco, no vol. II da sua Nova Flora de Portugal, “corrigiu” essa referência para Senecio nemorensis subsp. fuchsii, cuja ocorrência no nosso país é incerta; só em 1999, é que a verdade foi reposta

 

Publicado por Paula Araújo em 22. 8. 12

em

 

Dias com árvores

 

http://dias-com-arvores.blogspot.pt

 

AFONSO HENRIQUES E O MOSTEIRO DE PADERNE

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 D. AFONSO HENRIQUES E O ALTO MINHO

 

 

DOAÇÕES A INSTITUIÇÕES ECLESIÁSTICAS

 

 

A 16 de Abril de 1141, D. Afonso Henriques couta o mosteiro de S. Salvador de Paderne, em recompensa pelo auxílio prestado pela abadessa Elvira Serrazins, quando ele foi tomar o castelo de Castro Laboreiro, auxílio esse materializado em: 10 éguas com seus potros; 30 moios de vinho e um cavalo avaliado em 500 soldos e 100 áureos.

Isto significa que terá sido numa das incursões do conde galego, Fernando Anes (Alcaide de Alhariz) que os portugueses perderam o castelo de Laboreiro, que depois, como acabamos de ver, D. Afonso Henriques foi tomar pessoalmente. Na verdade, os ataques do nosso primeiro rei à Galiza eram de vaivém, uma vez que tinha de acudir, por vezes, à fronteira do sul confinante com os mouros.

Na carta de couto do mosteiro de Paderne está explícita a obrigatoriedade de atender convenientemente os hóspedes, os pobres e os peregrinos – “et hospites ac peregrinos recepiant…” o mesmo se verificando na concedida ao mosteiro de Vila Nova de Muía, o que demonstra que D. Afonso Henriques, tal como D. Teresa, não descurou a protecção aos peregrinos e quaisquer outros viandantes…………..

 

A 24 de Outubro de 1173 este mesmo monarca fez uma importante doação ao mosteiro de Fiães, então ainda beneditino, outorgando-lhe todos os bens que ele possuía desde Melgaço até ao termo de Chaviães e de Cótaro até ao rio Minho.

Foi aqui que se veio a construir uma granja do mosteiro e mais tarde se ergueu essa “jóia da arquitectura românica”, que é a capela da Orada.

 

 

Retirado de: D. Afonso Henriques e o Alto Minho

                    Teresa de Jesus Rodrigues

                    Revista de Guimarães, nº 106, 1996, pp. 79-93

                    Casa de Sarmento

                    Cento de Estudos do Património

                    Universidade do Minho

 

 

http://www.cs.uminho.pt