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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

Chronica de El-Rei D. Affonso II

09.04.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

CAPITULO III

 

 

COMO FOI PELO PAPA PROCEDIDO CONTRA EL-REI D. AFFONSO POR CAUSA DA CONTENDA QUE HAVIA COM SUAS IRMÃS, E COMO FINALMENTE FORAM CONCORDADOS.

 

 

…. Esta tregoa, se fez em Coimbra na era de nosso Senhor de mil e duzentos e quatorze annos, (1214) dous annos depois que El Rei começou a Reinar, e logo hai se fulminou e principiou processo em que a Rainha, e a Infante cada uma per si segundo os dados que del-Rei seu irmão tinham recebidos e pelas injúrias, e males, que no cerco padeceram, pediam contra elle restituição, e assi segurança perpétua de suas Villas e Castellos, e gram soma de maravedis, que naquelle tempo era moeda douro assi geral, e praticada como neste agora são na Europa os cruzados, e ducados, porque sessenta delles faziam um marco douro, como já em outras partes tenho dito, e ás petições das ditas Senhoras, veo El-Rei por seu procurador com exceições, e contrariedades, e compensações sobre que de uma parte, e da outra foi dito, e assás alegado, e sobre seus alegados foi o feito concruzo, e os Juízes remeteram a publicação da final sentença para Melgaço, Castello de Portugal no extremo de Galiza, a que mandaram que El-Rei, e as Infantes fossem por si, ou por seus procuradores, onde no Maio seguinte a publicaram, e foi El-Rei condenado por a dita sentença em grande soma de dinheiro, e doutras emendas, e depois que passou o tempo para a paga, assinado, pozeram em El-Rei sentença Dexcommunhão, e assi antredito em todo o Reino, de que logo apelou, e depois de muitos debates, e delongas, que em Roma, e Espanha sobre este caso passaram, que não fazem a realidade da Estória, finalmente El-Rei, e as irmãs se concordaram por maneira, que as Villas de Monte mór, e Alanquer ficaram com ellas segundo a disposição do testamento del-Rei D. Sancho seu pai, e as Villas e Castellos, e terras de Portugal, que El-Rei de Lião tinha tomadas foram entregues, e restituídas a El-Rei D. Affonso. No qual meio tempo que durou esta divisão, e discórdia uns e outros fizeram grandes, e danosas entradas, e muitos roubos nos Reinos, uns dos outros, em que houve pelejas particulares sem alguma façanha de notar, cuja longa, e expressa declaração não ponho ora; porque para a sustancia da Estória não é muito necessária.

 

Chronica de El-Rei D. Affonso II

Rui de Pina,

Fidalgo da Casa Real, e Chronista Môr do Reyno

Na Officina FERREYRIANA

M. DCC. XXVII

Com todas as licenças necessárias

 

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