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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

AS MAMOAS CASTREJAS

08.03.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

REVISTA DA FACULDADE DE LETRAS

 

MAMOAS DO NORTE DE PORTUGAL:


ESTADO DA QUESTÃO EM 1981

 

Por: Vítor Oliveira Jorge

 

Professor Catedrático da Faculdade de Letras da U.P.

 

   O distrito de Viana do Castelo é muito rico em monumentos dolménicos. As concentrações megalíticas iniciam-se aliás junto à fronteira (a respectiva linha passa por alguns monumentos), prolongando para sul as necrópoles da zona meridional da província de Pontevedra.

   No concelho de Melgaço, destaca-se a este respeito a freguesia de Castro Laboreiro, Em finais de 1978, a Unidade Arqueológica da Universidade do Minho realizou o levantamento sistemático das suas mamoas, integrado num trabalho semelhante extensivo a todo o Parque Nacional da Peneda-Gerês, no qual existiriam cerca de 200 monumentos; desses, a maior parte situar-se-ia precisamente no planalto de Castro Laboreiro, a cotas a cerca de 1200 m. Aí teriam sido identificadas  64 mamoas e uma cista. É o que se pode ler num folheto sobre a acção da U.A.U.M. intitulado “ Actividade Arqueológica – 1976 – 1980”, em que se escreve: “ as mamoas formam conjuntos de 3 a 9 unidades, preferencialmente localizados nas chãs do planalto. A maior parte destes conjuntos encontra-se em aparente relação com um monumento isolado no alto do monte mais próximo. São poucas as mamoas que se localizam nas vertentes ou no fundo das corgas. O material usado na construção destes túmulos foi o granito que constitui o substrato de uma larga faixa do planalto de Castro Laboreiro.

   “Grande parte destes monumentos sofreu ao longo de diferentes épocas violação da câmara, verificando-se mesmo, nalguns, o desmantelamento parcelar da mamoa”.

   Todavia, posteriormente, teriam sido identificados mais monumentos (de carácter dolménico e “cistas”) que, no seu conjunto, e segundo uma informação pessoal, atingiriam a cifra de 80.

   Em 1978, e a convite do Parque Nacional, deslocámo-nos a Castro Laboreiro na companhia de diversos arqueólogos, tendo então observado os monumentos seguintes:

   - Mamoas da Corga das Antas (2), nas proximidades do monte chamado da “Paicota”. Trata-se de monumentos de grandes dimensões, muito bem conservados, situados a alguns metros um do outro. Um deles, com 25m de diâmetro, não apresentava sinais de violação, o que é extremamente raro. Segundo o P. Aníbal Rodrigues, no Outeiro da Paicota haveria outra possível mamoa;

   - Mamoa junto da “Pedra Cavalgada”, nas proximidades do marco fronteiriço nº 18. Destaca-se enormemente na paisagem, sendo de grandes dimensões;

   - Mamoas da Pedra Cavalgada (4) – conjunto de quatro monumentos, situados e um e outro lado do caminho;

   - Mamoas da Corga do Porto dos Bois (3);

   - Mamoa do marco geodésico do Giestoso (1337 m de altitude), este marco foi implantado sobre o monumento, que domina inteiramente toda a área visitada;

   - Mamoas a sul do marco fronteiriço nº 25 (2), situadas nas proximidades da “Mota Furada” ou do Alto da Lama da Paz; uma delas contém ainda elementos da estrutura megalítica. Destacam-se nitidamente na paisagem;

   - Dólmen e mamoa da “Mota Furada”- dólmen com corredor (ao que nos informaram, ainda intacto), virado a nascente. A tampa foi partida recentemente em três fragmentos. Laje de cabeceira de grandes dimensões. É notória a forma de alguns esteios da câmara, aparentemente mais largos do que altos.”Mota” é a designação que o povo local dá às mamoas;

   - Mamoa da Cabeça de Meda, nas imediações do marco geodésico do Giestoso;

   - Dólmen de Pio Carneiro (Portos). Com uma mamoa de grandes dimensões. A laje de cobertura foi partida recentemente. Um dos esteios apresenta três concavidades circulares, cuja origem humana é duvidosa.

   Há alguns anos, o Sr. Padre Aníbal Rodrigues publicou uma pequena nótula sobre os Dólmenes de Castro Laboreiro, segundo a qual eles seriam “geralmente constituídos por sete esteios e uma mesa ou chapéu”.

   O conjunto megalítico de Castro Laboreiro é, sem dúvida, um dos mais importantes do Norte do país, impondo-se a publicação do inventário realizado, e a efectivação de escavações cientificas em alguns monumentos. O facto de as mamoas surgirem nuclearizadas, e de algumas assumirem uma posição dominante na paisagem, relativamente às demais, é também de muito interesse, pois, tal como acontece em algumas necrópoles transmontanas, pode representar uma hierarquização tumular em relação com aspectos sociais, cronológicos, ou tão só simbólicos. A presença, ao que parece, de “cistas” nas proximidades de monumentos de maiores proporções, é também um dado que conviria ser investigado.

 

Ler o documento completo em:

 

 

 http://ler.letras.pt/uploads/ficheiros/2095.pdf

 

 

Felizmente o cenário actual é bem diferente, várias foram as mamoas escavadas e estudadas no Alto da Portela do Pau, bem como a mamoa do Batateiro na freguesia da Gave. É de enaltecer o trabalho do Professor Doutor Vítor Oliveira Jorge e das suas equipas que há décadas dirige os trabalhos arqueológicos no Planalto de Castro Laboreiro. E ao grande castrejo Padre Aníbal Rodrigues que nunca esmoreceu com as dificuldades e lutou para que os “seus” monumentos não fossem esquecidos, a minha homenagem – Obrigado Padre Aníbal.

 

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