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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

CONTRABANDO DE RESES PELO CONCELHO DE MELGAÇO

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

Planalto do Laboreiro

 

 

MILHARES DE RESES NOS ÚLTIMOS MESES

 

CONTRABANDO DE GADO ROUBADO À R. A.

 

PASSA POR MELGAÇO

 

Melgaço (do nosso enviado  especial) – Milhares de cabeças de gado foram, nos últimos meses, contrabandeados para Espanha por homens de mão de ex-latifundiários do Alentejo e Ribatejo. Presenteados pela parelha Barreto & Portas e, agora, pelo MAP de Vaz Portugal e Ferreira do Amaral com terras e gados, roubados aos trabalhadores, aqueles figurões tratam de contrabandear as reses novas.

 

   “O Diário”, por terras do concelho de Melgaço, nomeadamente na zona acidentada de Castro Laboreiro, palmilhou a rota final do contrabando. Apurou que o gado, numa primeira viagem, chega ao Centro do País. Depois, é transportado para perto da fronteira. Aqui é transferido para veículos pertencentes a indivíduos da região e conduzido por gente conhecedora dos atalhos.

   As pessoas de Melgaço, e das terras vizinhas, falam do escândalo. Apontam os nomes de Zé e Aníbal, dois irmãos de Segude, do Augusto Pequeno de Adedela, ou do Reis, de Melgaço, como alguns dos mais metidos em tal traficância.

   Um elemento da Guarda-Fiscal da região, contactado pelo nosso jornal, mostrou-se conhecedor dos meandros do escândalo, mas queixou-se de peias burocráticas e de falta de meios de acção que, garantiu, impedem a acção eficaz da corporação em que serve.

   O escândalo e os prejuízos para a economia nacional são ainda maiores, porque, as camionetas que passam para Espanha gado novo e em boas condições, regressam carregadas da gado velho e doente.

 

 

O SAQUE CONTINUA

 

Por: Fernando Semedo

 

EX-LATIFUNDIÁRIOS FAZEM CONTRABANDO COM O GADO QUE A REFORMA

 

AGRÁRIA MULTIPLICOU

 

   Ex-latifundiários do Alentejo e Ribatejo, presenteados com terrenos de UCP’s, estão a contrabandear o gado, criado e multiplicado pelos trabalhadores agrícolas e que lhes é oferecido de mão beijada pela actual equipa do MAP, através da raia seca do distrito de Viana do Castelo.

   Milhares de cabeças passaram já, a uma média de centenas por dia, na fronteira do concelho de Melgaço, nomeadamente na zona acidentada de Castro Laboreiro.

   Agricultores, guardas-fiscais, intermediários de gado, talhantes e todo o tipo de habitantes desta vasta zona fronteiriça nortenha repetiram-nos, indignados, a forma como este crime se executa diariamente; deram-nos conta da existência de uma densa e bem planeada rede de contrabando, que garante a segurança deste crime que custou já ao País – e continua a custar! – incalculáveis milhares de contos.

 

   É o seguimento do saque à Reforma Agrária, depois de Barreto, prosseguido pela actual equipa do MAP através de uma feroz repressão!

   - Até admira ainda não ter passado nenhuma camioneta hoje! – diz um morador da freguesia de Tangil, quando chegamos ao inicio de uma estrada florestal que parte daqui e vai até Pomares, conhecida por estrada do Brejo, e que é muito utilizada pelas camionetas dos contrabandistas de gado para fugirem a uma eventual fiscalização.

   È uma estrada que atravessa cerca de dez quilómetros de terreno acidentado e arborizado, sem praticamente nenhum outro trânsito, o que, aliás, se verifica pelos rodados marcados no chão de terra batida.

   Quando as camionetas do gado a contrabandear aqui passam, ou por uma outra estrada idêntica, igualmente florestal, a estrada de Santo António de Vale de Poldros, que liga Riba de Mouro a Lamas de Mouro, apenas uma parte do esquema utilizado pelos contrabandistas está cumprido.

 

(continua)