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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

NÃO ESQUECEREMOS - CASTRO LABOREIRO E O DRAMA DOS REFUGIADOS

melgaçodomonteàribeira, 08.03.13

 

 

GALIZA E PORTUGAL: IDENTIDADES E FRONTEIRAS

 

O DRAMA DOS REFUGIADOS

 

   “Um dos maiores crimes de Salazar foi a entrega de refugiados às autoridades nacionalistas espanholas” (Prof. Emídio Guerreiro)

   Pelos relatos dos interrogatórios da PVDE a oficiais republicanos espanhóis refugiados em Portugal e comunicações da Guarda Fiscal, documentos constantes do Arquivo da PIDE/DGS e outros organismos, ficamos a saber como eram tratados e que resposta davam os refugiados republicanos em Portugal. Transcrevemos extractos de um desses relatórios da PVDE, datado de 27 de Setembro de 1937, pelo conteúdo em si e pela referência a refugiados galegos. Pelos relatórios da PVDE, vê-se que a ordem era de caça aos fugitivos que tentavam, em situação de desespero, internar-se em Portugal. Os relatos demonstram a crueza do tratamento dado aos exilados:

   “Nas regiões montanhosas de Castro Laboreiro encontram-se escondidos nas furnas, em plena montanha, desde princípio da guerra em Espanha, bastantes espanhóis. Esta polícia tem feito algumas surtidas que, dada a configuração do terreno e uma frente de 50 quilómetros, têm sido pouco profícuas. No entanto, graças à coragem de alguns agentes, vários destes indivíduos têm sido capturados e, na realidade, em circunstâncias um pouco bélicas, por vezes. Geralmente, na montanha, estes indivíduos respondem com a fuga, ou com tiros, à intimação de “Alto”. (…) Da refrega com sete meliantes resultou a captura de dois espanhóis, que foram imediatamente entregues às autoridades fronteiriças espanholas. Tem estado em estudo uma batida em forma a fazer naquela região, mas na opinião da GNR e GF tal batida só será profícua se empregarmos pelo menos duas Companhias de Cavalaria, o que seria dispendiosíssimo… (…) O perigo que oferecem estes indivíduos não obriga a tal despesa.

 

 Retirado de:

 

 Galiza e Portugal: identidades e fronteiras


 José Marques Fernandes

 

 Actas do IV Simpósio Internacional Luso-Galaico de Filosofia, Santiago, 2003; pp. 121-130

 

 http://books.google.pt

 

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