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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

PROCESSO 1093 DO SANTO OFICIO

08.03.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

CASTRO LABOREIRO – ROTA COMERCIAL

                                          

                               

PROCESSO 1093 DA INQUISIÇÃO

 

 

   Luís Henriques Julião – processo 1093 – 42 anos, mercador, filho de Julião Henriques e Branca Rodrigues, morador em Orense, Galiza, casado com Filipa Dias. Foi preso em 14/5/1656, em Castro Laboreiro, quando se preparava para passar a fronteira de regresso a Orense, conduzindo um “rocim negro que vale 8 mil reis” o qual lhe foi sequestrado juntamente com 17 arrobas e 3 arratéis de cera que tinha, comprados em Castro Laboreiro e ia levar para Orense. Saiu no auto de fé de 23/5/1660, condenado em 2 anos de degredo para Castro Marim. De seu “curriculum vitae” consta que estivera 5 ou 6 meses em Lisboa onde levara carneiradas para vender; que estivera outro tanto tempo em Lagos, como guarda dos almandravas (armazéns da pesca do atum); que estivera 3 meses em Coimbra, por “demandas do fisco” e em Braga e Porto por razões de comércio. No seguimento da prisão de Lopo Machado fugiu com a mulher para a Galiza e foi para Pontevedra a tomar conta das salinas. Depois fixou-se em Orense viajando por Madrid, Valladolid e outras terras de Castela, em negócios. Na altura que fugiu sequestraram-lhe os bens e entre eles contava-se uma vinha no sítio da Fonte do Olmo “que valia 10 mil reis e levava 16 geiras de cava”.

 

   Retalhos da História de Vila Flor VI

 

   Do site OS JUDEUS EM TRÁS-OS-MONTES

 

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   …Finalmente a 23 de Maio de 1660 foi realizado Auto de Fé.

Luís Julião abjurou então a “Fé Mosaica”, mas foi-lhe imposta várias determinações, que para bem da sua integridade física, deviam ser a partir daí escrupulosamente cumpridas:

- Usar hábito penitencial.

- Ir à missa aos domingos e nos dias santos.

- Confessar-se nas quatro festas do ano: - Natal, Páscoa, Espírito Santo e Assunção de Nossa Senhora, e comungar se o confessor assim o entendesse;

- Jejuar todos os sábados e rezar o rozário de Nossa Senhora;

- Apartar-se da “gente da nação” e cumprir tudo o que prometeu na abjuração.

 Recebeu “Termo de Soltura e Segredo”, e após a sua saída do cárcere, desconhece-se o seu destino.

 

  Foi detido a 14 de Maio de 1656, pelo tribunal do Santo Ofício de Coimbra acusado de judaísmo.

  Cumpriu quatro longos anos de prisão.

 

   Publicado por Carlos Baptista

 

   No site Por Terras de Sefarad, Janeiro de 2011.