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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

ENTRE A PENEDA E O BARROSO

08.03.13, melgaçodomonteàribeira

 

 

 

ENTRE A PENEDA E O BARROSO: UMA FRONTEIRA

 

GALAICO-MINHOTA EM MEADOS DE DUZENTOS.

 

Por Iria Gonçalves

 

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   Mas, para que seja eficaz (fronteira) neste sentido, ela tem que ser bem definida, pelo menos nos pontos estratégicos, que, neste caso, coincidem com os lugares de passagem, os portos, fluviais ou terrestres, com as suas estruturas destinadas à cobrança de tributos.

   Assim também entre a Galiza e Portugal. A Norte ninguém tinha duvidas sobre por onde se corria a divisória. Era o rio Minho que a marcava, um traço suficiente forte e estável da paisagem, para se impor, desde logo, sem reservas. Aliás, do lado português, uma linha de povoações fortificadas, quase sobre a margem do rio, a balizar as vias de comunicação, os locais de passagem para a outra banda, eram, desde Afonso III e seu filho Dinis, a clara afirmação de uma soberania que até aí se dilatava e não merecia contestação. Pelo menos sem a resposta adequada.

   Mas a fronteira óbvia terminava na foz do Trancoso. A partir daí, se esse pequeno rio, com, mais a sul, o Laboreiro, ofereciam ainda alguma possibilidade de um claro registo de demarcação, no terreno, fizeram-no sem a força e a imponência do Minho, e, para lá deles, toda a separação se fez por serras, galgando encostas, caminhando por cumieiras, descendo a precipícios – como na Portela do Homem, o exemplo mais marcante – numa indefinição de linhas que a natureza do terreno, a fraca densidade populacional, o modo de vida dos seus habitantes, largamente dedicado à montaria de ursos, javalis ou cervos, ajudaria a manter. Aliás, os homens de Cabreiro, de Soajo ou de Castro Laboreiro, não perguntariam se era por terras da Galiza ou do Minho que perseguiam a sua presa. Possivelmente ser-lhes-ia quase toda indiferente como a ela, daber de lado da fronteira se encontravam. Esta era uma larga franja de terreno, tão larga quanto o seu distanciamento das estruturas fortificadas que a apoiavam, com os respectivos territórios de controle a envolverem-nas.

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   É que, se em tempos de paz a fronteira era aberta, amável, convivial, em tempos de guerra fechava-se, eriçava-se de hostilidades, eivava-se de desconfianças.

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   No extremo Norte, a praça forte de Melgaço erguia-se, por assim dizer, numa primeira demarcação do território português. Mas Melgaço estava mais virada sobre o Minho.

   Era uma fortaleza do rio.

   Na serra, o castelo do Castro Laboreiro era o que mais a Norte proclamava  a soberania de Portugal e o primeiro a sofrer os embates, numa eventual entrada de Leão por esta fronteira. Isolado e servido por um pequeno grupo de homens, como já disse, precisava do auxílio das populações vizinhas, em caso de perigo.

   Por isso, os homens de S. Pedro de Mou “se ouvirem voz d apelido do Castello de Leboreiro deven li a correr”, mas, em contrapartida, o seu alcaide, “se os vir in coita deve os acoler no Castello e inparal os”. Para isso lá estava a grande cerca, que fora construída, como outras , no século XII.

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Para aceder ao texto completo:

 

 http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3995.pdf