PORTUGUESES E GALEGOS NO SEC XV
CORTES DE LISBOA EM 1459 …………. Chegava a Valença muito sal oriundo de Aveiro, o qual era vendido aos mercadores galegos. No fundo tratava-se de almocreves que transportavam nas suas montadas cebo, cera, unto e manteiga, levando de retorno o sal. Destas transacções resultava grande proveito para a fazenda que cobrava sisas, portagens e direitos reais.
A grande maioria dos galegos eram originários das terras de Limia e de Ourense, vindo também doutros lugares. Entravam em Portugal por Castro Laboreiro e por Lamas de Mouro “por ser caminho mais direito e mais seguro”.
Na sua exposição o procurador de Valença dizia que durante a regência do Infante D. Pedro o alcaide Melgaço, Martim de Castro, e presentemente seu filho Fernão de Castro, que lhe sucedeu no cargo, acobertavam ladrões “rroubadores” que prendiam almocreves galegos e apoderavam-se das suas mercadorias as quais se destinavam a ser transaccionadas em Valença por permuta com o sal de Aveiro. Este comportamento do alcaide obedecia ao facto de querer obrigar os galegos a pagar portagem em Cubalhão (Porto de Asnos) ou em Ponte de Mouro, locais onde desde sempre os alcaides de Melgaço arrecadavam o referido imposto.
Ora a circunstância destes almocreves terem de se desviar no seu itinerário por causa de serem obrigados a passar por Melgaço, fazia com que deixassem de vir a Portugal e fossem comprar o sal a Redondela e a Pontevedra por troca com as suas mercadorias. Resultava deste estado de coisas graves prejuízos para a cobrança de sisas, portagens e direitos reais.
Para obviar a estes transtornos insistia o alcaide que a via de acesso fosse por Castro Laboreiro e que os alcaides de Melgaço cobrassem a portagem em Cubalhão (Porto de Asnos) ou em Ponte de Mouro.. Na sequência do pedido, o rei (D. Afonso V) determinou a audição do contador e do alcaide para apuramento do lugar mais apropriado para o pagamento.
Ler mais em Relações entre Portugal e a Galiza nos séculos XIV e XV por Humberto Baquero Moreno – Revista da Faculdade de Letras
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