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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

FONTE DE S. JOÃO

melgaçodomonteàribeira, 07.03.13

 

 

A Fonte de S. João é, para os da minha idade e mais velhos, fonte de recordações infantis e a reminiscência de um Melgaço desconhecido para os que têm menos de cinco décadas. A canalha toda que nesse tempo havia na Vila bebeu frequentemente naquela fonte e caiu, um dia ou outro, no tanque adjacente ao tentar apanhar o que nós chamávamos “caçolas” (girinos).

Esta fonte foi recentemente degradada. Um tal acto demonstra o desrespeito, o desdém que determinados seres têm pelo nosso património comum (etimologicamente o que se herda do pai) e que é a nossa memória colectiva e o testemunho da nossa civilização, conservado para ser transmitido às gerações futuras.

Não encontro palavras para qualificar acções desta natureza sem cair na bestialidade, na obscenidade, na vulgaridade e muitas mais palavras terminadas por idade. Finalmente, o mais certo é que seja a obra da idade, de alguns jovens ou velhos adolescentes aborrecidos, desorientados, sem ponto de referência, que quiseram manifestar através deste gesto a aflição e a angústia que neles nutre. Ou então foi um desatino momentâneo de estroinas, ocasionado pela inalação de uns fuminhos estimulantes. Mas seja qual for a causa, nenhum dos postulados serve para atenuar ou legitimar um gesto tão absurdo e estéril como este.

Compete ao poder público tomar as medidas necessárias para encontrar os ineptos responsáveis por este feito, a fim de evitar imitações desastrosas no nosso rico património.