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MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MELGAÇO, DO MONTE À RIBEIRA

História e narrativas duma terra raiana

MITOS DO RIO MINHO

melgaçodomonteàribeira, 07.03.13

 

Batela do rio Minho

 

 

   Entes dos rios, mui topadas entre Arbo e Melgaço, representam o desejo tentador pelo inexplorado – a riqueza e o prazer, também a fatalidade – em oposição ao controlado – a ordem, mas com a escassez de cada dia -, o pagão antagonista do cristão.

 

   A primeira vez que passavam, sobre todo ós rapaces da montanha, diciamos-lhe:

   - Mete uma pedra na boca e nom a quites hasta chegar ó outro lado. Tes que meter um coio senom afunde-se a lancha …

 

Barcas do Minho

 

 

   … a primeira ponte erguida, a da língua comum, para combater o mito das feiticeiras engaioladoras que viven no rio Miño, entre Arbo e Melgaço, que intentan seducir a quen quere pasar a nado dun a outro país. Antes, os mozos que tal pretendían tiñan que meter um coio na boca para non verse obrigados a responder á provocacion….

 

   … a cuarta ponte, a da xustiza, se cadra para rememorar as fazañas fo mítico bandoleiro galego-portugués Xan das Congostras, quen roubaba a quen tiña para aliviar a quen no tiña. Na Pena de Anamán, na raia, que nos xurge pola serra do Leboreiro, hai un epígrafe que di:

 

                              Os pobres non o tem

                              e os ricos non o dan,

                              quen quixer asentar praza

                              veña á Pena de Anamán.

 

www.vieiros.com

 

 

 

   A ideia de atravessar rios, inicialmente sacrílega, cotinuou a inquietar até tarde a alma do povo, porque nas ‘’constituições’’ episcopais de Évora, de 1534, ordena-se que não se pratiquem bênções mágicas com epada que atravessa-se o Douro e Minho três vezes. Aqui a superstição estendia-se pois a outros rios interamnenses, e entra nela o numero três, sempre fatídico. Há anos ouvi contar no Peso de Melgaço que quando uma pessoa precisa de atravessar o rio Minho, para ir a Arbo, povoação galega que faz fronteira, há-de levar até lá um seixinho na bôca, para durante a travessia não poder falar, senão as Feiticeiras metem-se com ela. O ‘’silencio’’ é outro grande agente ritual nas cousas da magia e da religião.

 

J. Leite de Vasconcellos

 

Revista Lusitana

 

http://cvc.instituto-camões.pt

 

 

Camborio Refugiado